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terça-feira, 2 de junho de 2015

Israel: estado assassino


Roger Waters, ex-Pink Floyd, pede a Caetano e Gil que cancelem show em Israel

Um dos vocalistas da banda Pink Floyd, o ex-baixista Roger Waters, enviou carta pedindo que os músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil cancelem o show deles em Israel, marcado para o dia 28 de julho. O apelo, datado de 22 de maio, foi veiculado pelo movimento global BDS (“boicote, desinvestimento e sanções), que busca pressionar Israel pelo fim da ocupação de territórios palestinos.
”Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e os mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel. De tantas maneiras, vocês são um foco de luz para o resto do mundo”, escreveu Waters, que várias vezes falou sobre a causa palestina. As assessorias dos brasileiros, no entanto, informaram que o show da turnê internacional está mantido e os artistas não vão comentar o caso.
Uma campanha na internet, chamada de ”A Tropicália Não Combina com Apartheid”, também pede o cancelamento da apresentação de Gil e Caetano. A página possui uma petição online que já conta com mais de 10 mil apoiadores.


“Caros Caetano e Gilberto,

Quando olho para suas fotos, escuto suas músicas, leio a história de suas lutas pessoais e profissionais, lembro de todas as lutas de todos os povos que resistiram a um domínio imperial, militar e colonial através do milênio, que lutaram pelos aprisionados e pelos mortos. Nunca foi fácil, mas sempre foi certo.
Em uma de suas músicas, Gil, você menciona o arcebispo Desmond Tutu.

Eu não falo português, mas assumo que vocês dois aplaudam a resistência do arcebispo Tutu ao racismo e ao apartheid que acabaram derrubados na África do Sul. Eram dias impetuosos, quando a comunidade mundial de artistas estava lado a lado com seus irmãos e irmãs oprimidos na África. Nós, os músicos, lideramos o levante naquele momento, em apoio a Nelson Mandela, a ANC, ao povo africano oprimido e a todos os aprisionados e mortos.

Estamos diante de uma oportunidade igualmente significativa agora. Estamos em um ponto culminante. Aqueles de nós que estamos convencidos que o direito a uma vida humana decente e à autodeterminação política devem ser universais estamos, em consonância com 139 nações da Assembleia Geral da ONU, focados na Palestina.

Após o ataque brutal de Israel à população palestina de Gaza, no último verão, a opinião pública, acertadamente, pendeu a favor das vítimas, a favor dos oprimidos e dos sem privilégios, a favor dos aprisionados e mortos.

O primeiro-ministro de Israel, Netanyahu, com seu governo de extrema-direita, lembra-me da história da “Nova roupa do imperador”; com certeza nunca houve um gabinete mais exposto em sua calúnia como este. Eles se condenam mais a cada fôlego, a cada discurso racista. “Olha, mamãe, o imperador está nu!”

Tive a oportunidade, recentemente, de escrever uma carta a um jovem artista inglês, Robbie Williams; eu compartilhei com ele o destino de quatro jovens palestinos que jogavam futebol numa praia de Gaza, mortos por artilharia israelense. Por que eu traria à tona uma praia e futebol? Por quê? Porque eu amo o Brasil, eu tenho a praia de Ipanema nos olhos da minha mente; eu lembro de shows que fiz em São Paulo, Porto Alegre, Manaus e Rio. Como poderia esquecê-los? Eu tenho uma camiseta de futebol, assinada: “para Roger, de seu fã Pelé”.

Quando estive aí pela última vez, uma criança inocente tinha acabado de ser morta, arrastada por um carro dirigido por criminosos que escapavam da cena do crime. O remorso nacional era palpável, era todo abrangente, vocês, todos vocês, importavam-se com aquela pobre criança. De tantas maneiras, vocês são um foco de luz para o resto do mundo.

Como vocês sabem, artistas internacionais preocupados com direitos humanos na África do Sul do apartheid se recusaram a atravessar a linha de piquete para tocar em Sun City. Naqueles dias, Little Steven, Bruce Springsteen e cinquenta ou mais músicos protestaram contra a opressão cruel e racista dos nativos da África do Sul. Aqueles artistas ajudaram a ganhar aquela batalha, e nós, do movimento não-violento de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) pela liberdade, justiça e igualdade dos palestinos, vamos ganhar esta contra as políticas similarmente racistas e colonialistas do governo de ocupação de Israel. 

Vamos continuar a pressionar adiante, a favor de direitos iguais para todos os povos da Terra Santa. Do mesmo modo que músicos não iam tocar em Sun City, cada vez mais não vamos tocar em Tel Aviv. Não há lugar hoje no mundo para o sutro regime racista de apartheid.

Quando tudo isso acabar, nós iremos à Terra Santa, cantaremos nossas músicas de amor e solidariedade, olharemos as estrelas através das folhas das oliveiras, sentiremos o cheiro da madeira queimando das fogueiras de nossos anfitriões, estimaremos essa lendária hospitalidade. Mas, até que isso termine, até que todos os povos sejam livres, nós vamos fincar nosso emblema na areia, há uma linha que não cruzaremos, nós não vamos entreter as cortes do rei tirano.

Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e os mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel”.

Opinião do blog:

Caro Roger: Os artistas brasileiros (com raríssimas exceções a exemplo de Chico e Blanc) são dotados de memória curta e seletiva. A solidariedade às vítimas de todas as guerras passam ao largo quando o dinheiro fala mais alto. Vejam o exemplo da questão da maioridade penal tão em moda ultimamente. Cadê a voz dos artistas? Muito provavelmente nas bilheterias das casas de shows e teatros. Lamentável. De qualquer forma, sua iniciativa ajuda a tirar do armário (para um lado ou para o outro) vozes que podem e devem fazer a diferença. Atenção gente: não confundam este Roger com aquele que é um Ultrage à consciência sã dos brasileiro.

sábado, 29 de novembro de 2014

O avesso, do avesso do avesso

Sanduiche de Mortadela do Mercado Municipal


Desembarquei no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, por volta do meio dia de um domingo de sol, no início de novembro. Não conhecia e não queria conhecer São Paulo. Nem a música que mais adoro de Caetano Veloso (Sampa), que considero um hino a esta cidade mau vista (ao meu olhar), relaxava minha eterna vigilância contra esta metrópole em que as contradições sociais são mais aguçadas, mas, ao mesmo tempo, o reacionarismo é mais acentuado.
         E minha resistência ao paulistano e ao paulista estava à flor da pele. Estava na ressaca do resultado das eleições e das manifestações de uma direita radical, hidrófoba, despolitizada, capitaneada e apoiada por um sociólogo (FHC), pelo candidato do PSDB derrotado pela Dilma (Aécio Neves) e pelo seu vice, o ex-motorista de Carlos Marighela, esquerdista hoje envergando o capuz de uma direita sanguinária.
         E um diálogo à minha direita, enquanto aguardava surgir a bagagem nas engrenagens da esteira rolante, confirmava as minhas desconfianças em relação ao paulista e ao paulistano. Quase ao meu lado, estava um senhor meio calvo, aparentando mais de 60 anos e um jovem na faixa dos 25. Ambos bem vestidos, se bem que com a diferença das idades.  Num diálogo rápido em que os gestos valem mais do que palavras, o mais velho, com o dedo indicador, apontava e lia rapidamente os subtítulos da manchete da revista IstoÉ, com voz embargada.
         "Olhe o que eles são" bradava com o rosto avermelhado pela raiva que ia aumentando à medida que lia. A maneira quase apoplética com que balbuciava os subtítulos despertou minha curiosidade e fez com que me aproximasse para tentar compreender o que se passava e a quem era endereçada tanta raiva. Entendi de pronto. Era a Dilma, ao PT, aos nordestinos e a quem quer que tenha votado e derrotado, pela quarta vez o PSDB e também àqueles que proclamaram seu voto nulo, em branco ou se abstiveram.
         Para fechar minha triunfal chegada à cidade dos bandeirantes fui brindado com uma frase de apenas dez palavras do jovem que ouvia atentamente a pregação daquele senhor de tez branca: "Isso porque você não viu a capa da Revista Veja". A pouca bagagem minha, da mulher, da filha e do genro apareceram e minhas mãos tremiam enquanto a agarravam com sofreguidão porque achei que não deveria me envolver num bate-boca ao pisar em terras tão estranhas. Mas a vontade era a de guerrear.
         Pois é. Alguma coisa aconteceu em meu coração e eu, sequer, tinha cruzado a Ipiranga com a Avenida São João e, muito menos ainda, tinha desfilado meu charme baiano e nordestino pela estilosa Avenida Paulista, fonte de todas as manifestações de raiva, preconceito e discriminação social contra aqueles que defendem um governo progressista e o Estado Democrático de Direito que tanta ojeriza provoca à maioria dos paulistas e paulistanos.
         Pegamos o táxi e fomos para a Vila Mariana (onde mora meu filho caçula), bairro de classe média e boêmio de São Paulo. Termômetro, como dizem seus economistas, do pulsar da economia paulistana, paulista e, quiçá, brasileira. Lá, uma cerva gelada nos esperava e mais uma decepção: a derrota do Bahia para o Palmeiras, em plena Fonte Nova, início do calvário da degola da série A, para vergonha dos baianos independente das cores de seu coração.
         Oito dias depois, faço uma penitência: gostei de São Paulo. Gostei dos paulistanos. Continuo sem entender o resultado das eleições. Não houve, até este momento, uma análise fria, sem paixões deste fenômeno. Não, não apenas pelo resultado das urnas no segundo turno presidencial. Como explicar a vitória, em primeiro turno daquele que é chamado de "Picolé de xuxu", um político desprovido de carisma, de sorriso falso e de frases de efeito, claramente incompreensíveis, e envolvido no "trensalão" do PSDB.
         Como escreveu Emir Sader em seu blog, postado no site Carta Maior, em 23 deste mês, A derrota acachapante em São Paulo é a mais grave – pela sua dimensão e pela sua simbologia – entre todos os retrocessos da esquerda. Não basta explicações menores, como erros pontuais da esquerda, desempenho capital do Alckmin nas prefeituras, etc. etc. Nada disso, junto, explica o tamanho do revés, que revela uma hegemonia tucana no maior estado do Brasil, daquele com movimentos sociais com mais trajetória, com presença de dirigentes com grande trajetória política, no estado de maior luta de classes do país.

         Deve-se apelar, pra começar a Gramsci, para saber como foi possível que a direita organiza-se uma hegemonia tão sólida ao longo de duas décadas no estado que o maior nível de contradições de classe do Brasil. Análises concretas – sociais e culturais, além das políticas – são essenciais para dar conta de um fenômeno dessa proporção. E, claro, análise do PT, como partido.!.

         Deixemos os analistasSingrei, como um navegante em mar aberto, em busca de um porto. Atravessei São Paulo: da Avenida Alcântara, à Rua Oriente com a Maria Marcolina; da Avenida Paulista, à 25 de Março; da Liberdade, à Rua José Paulino, no Bom Retiro. E, claro, não podia faltar o Mercado Municipal para aproveitar a gula de um dia de andanças e tentar desfrutar, como fazem muitos paulistanos gordinhos e apressados, e comer o sanduiche de mortadela ao preço exorbitante de R$ 23,00 ou o pastel gigante, suficiente, cada, para duas ou três pessoas.
         Quem pensa que baiano vive de festa e que paulista não se diverte, só trabalha, se engana. Difícil uma vaga, em plena quarta-feira num de seus bares e restaurantes. A fila de espera é tão grande que os garçons, piedosamente, servem chope gelado enquanto todos aguardam sua vez de se entupirem de um sanduiche de mortadela de mais de dez centímetros de altura. Eles comem, engordam, mas se divertem. Mas conheci parte de seu povo.
         Sim, nordestinos de todas as cores, chineses coreanos, bolivianos. Uma infinidade de nacionalidades nascidos ou chegados. "Desceeeeu!!!!. Subiu!!!! Gritam os camelôs, interrompendo sua propaganda na Ladeira Porto Geral à aproximação da Polícia Cosme e Damião. É o sinal para se afastarem, guardarem as mercadorias expostas em caixas de papelão improvisadas.
         Entre eles, serpenteia todo o tipo de gente. Desde madames bem vestidas a mulheres e homens do povo, segurando filhos pela mão ou carrinhos onde acondicionam as mercadorias compradas em lojas populares e a preços só encontrados nessas áreas. Se algum analista quer saber do pulsar da economia paulista e paulistana deve perder a pose e descer a Ladeira do Porto Geral, desembocar na 25 de Março e esquecer a Vila Mariana. Porque esta é a economia macro. Na outra, é uma pequena parcela da classe média que desfila nos finais de semana. Na Ladeira, é a semana, por inteiro.
         Foi com este povo paulista e paulistano que convivi um pouco mais de sete dias. Sem perguntar-lhes absolutamente nada. Apenas observava, ouvia e sentia seu pulsar. A eleição acabara. Eles venceram e voltaram às ruas. A maioria para comprar. Outros, para negociar. À tardezinha, começavam a recolher suas mercadorias expostas em carrinhos, postos em passeios largos, que não prejudicam o comércio local. Dá prazer assistir a destreza com que, em poucos minutos, escondem, num intrincado jogo de esconde/esconde, uma variedade de mercadorias e arrastam seus carrinhos para depósitos, onde ficam guardados à noite.
         Pela manhã, retomam sua rotineira vida de trabalho. Entre uma venda e outra, discutem do Campeonato Nacional às notícias da Delação Premiada que atingem em cheio, políticos, empresários e alguns dirigentes da Petrobras. Tomam partido, mas não seguem as manchetes de revistas e jornais. Todo mundo é culpado. Para eles, terceiro turno, impeachment, corrupção, passeatas, golpes militares é para quem não tem o que fazer.
            Eu, após estes oito dias, revi meus conceitos. Vi São Paulo, os paulistas e paulistanos no comércio da Liberdade (a nossa), da Baixa dos Sapateiros, do Comércio, do Uruguai, do Tabuão. Mas vi também São Paulo do Rio Vermelho, do Mercado Modelo, da Tancredo Neves. O que não vi foi a São Paulo das manchetes, dos quatrocentões e, muito menos, a São Paulo da divisão. Esta vive em guetos que, vez em quando, é chamada e incentivada a agir pelo outro gueto: uma imprensa golpista que teima em não esquecer 54 e 64.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Caetano, sobre O Globo: é tua a Queixa






Por  Fernando Brito, no Tijolaço

Eu não comentei o artigo de Caetano, ontem, queixoso de como O Globo tratava o Deputado Marcelo Freixo, do PSOL.

“Descobrir”, agora, que O Globo acusa sem provas, cria ondas linchatórias, pressupõe a culpa quando ocupado lhe desagrada, francamente, é um tanto tardio vindo de quem, como Caetano, foi brutalizado pela ditadura à qual O Globo serviu.

Nem vou comentar o editorial “neutro” do jornal, hoje, onde diz que fez a apuração dos fatos, agora, embora não a tenha querido fazer enquanto os blocs serviam de desgaste ao Governo ao quem faz oposição.

Como os blocs, Caetano e Freixo serviram, não servem mais.

Como alguns leitores têm dito que ando meio irritadiço – às vezes é verdade, porque não sou um observador “neutro” da política, tenho lado e causa e não os escondo – vou me servir da poesia e deixar que o genial e amado poeta Caetano Veloso faça, ele mesmo, a sua Queixa:

“Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza”

Pois é, Caetano, tem essa. O diabo não compra só um pedacinho da alma, leva o lote.

De repente, você achou feio tudo o que não era espelho e descobriu nos que sempre estiveram ao lado do passado e da opressão o canal da liberdade?

A esquerda que você e o Freixo renegaram nunca achou que vocês fossem os “culpados”.

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Mas você não viu ou não quis ver o que havia nisso.

E isso é terrível num poeta.

Como cantou, tão lindo, o Chico, os poetas, como os cegos podem ver na escuridão.

Estava escuro, é verdade, mas dava para ver onde o caminho ia dar. O pobre Santiago Andrade foi a pedra no meio do caminho, que doeu em todo mundo, mas fez parar a loucura que é transformar a democracia que custou tanto a você e a mim – e que não se apaga de nossas retinas tão fatigadas - num cenário de pedradas, máscaras e agressões.

Os “novos democratas” da mídia e das elites que sustentaram a brutalidade e hoje posam de “pós-modernos”, desprezando estes velhos brontossauros do nacionalismo, usaram a sua imagem – aquela que você achou linda, libertária, jovem – o quanto ela foi útil. Inútil agora, o Freixo vira bandido, para levar nas costas o peso da condenação por tudo do quanto se serviram.

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Pois é, Caê, a vida é real e de viés e vê só que cilada o amor te armou, fez virar ao contrário teu verso “onde queres bandido eu sou o herói”.

Revolução não é um pano preto sobre o rosto. Não finda por ferir com a mão essa delicadeza, a coisa mais querida, a glória da vida.

Lembra do Herivelto Martins, que você cantou, tão lindamente? atiraste uma pedra/no peito de quem/só lhe fez tanto bem/e quebraste um telhado/perdeste um abrigo/feriste um amigo)/conseguiste magoar/quem das mágoas te livrou/e atiraste uma pedra/com as mãos que esta boca/tantas vezes beijou

Não reclama, Caetano, mas age.

E não é aplaudindo, é cobrando, pedindo, exigindo, do jeito que só os poetas sabem fazer, e que eles, homens duros da direita, detestam.

Porque o sonho tem hora que não pode ser apenas sonhado, mas feito. Com pó, pedrisco, farpa, cansaço, erro, até dor. E a gente precisa de poesia para não se afundar sem olhar o céu enquanto lavra o chão.

Volte pra cá, Caetano, porque a gente já não pode nem quer ir embora , não quer dar mais o fora.

Dona Canô, que te mandou pro mundo, era sabida.

“Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm.”

Termina a música do Herivelto, Caetano, por favor.

Não turve a água desta corrente por onde o povo brasileiro avança, essa água que um dia, por estranha ironia, tua sede matou.