Como estamos a viver na linha de tempo do “fazer de conta”, o blog do Haroldo entra no espírito e reproduz em texto uma historinha oral (que é como toda história que se preze deva ser contada), que já entra no abecedário político da terra do faz de conta e circula na velocidade da luz pelas avenidas, ruas, esquinas, bares ou em qualquer encontro que reúna dois ou mais indivíduos para falar, ou melhor, contar o que se passa na “casinha do faz de conta”. Então vamos lá.
Mas, lembrem-se: a terra do faz de contas não é algum
reino encantado onde poderiam se passar fábulas dos irmãos Grimm, ou mesmo a
escola de feitiçaria de Hogwarts onde cresceu e viveu Harry
Potter (criação da autora britânica JK Rowling); menos ainda do Reino, também
encantado de Nárnia (As Crônicas de Nárnia de C. S.
Lewis)); e, muito menos ainda, o reino encantado de Disney. Está mais para o
conto de terror. Quem sabe, a vida de Drácula, de Bram Stoker.
“Era
uma vez... há muito tempo atrás”... uma
casinha, inacabada e simples. Nela moravam além de uma mãe gordinha,
super protetora com seus três filhotes, sendo duas meninas e um menino, este
levado à breca, mas, carinhoso, bondoso e carismático. Vamos inverter. Não é
bem “era uma vez uma casinha”
inacabada e simples. “Era uma vez...há muito tempo atrás” num reino encantado
distante, muito distante do faz de conta
uma família de classe média que morava numa casinha.
Era
uma casinha a viver sempre cheia de gente de todas as formas, de todos os
tamanhos, cores, pobres ou ricos. Ali, à custa de sacrifícios se dava de tudo.
Logo cedo os filhotes aprenderam que dar (quase que no sentido de doar), sem
nada receber em troca não era ou não deveria ser o bem mais precioso daquela
família. Era preciso dar, mas receber em troca.
E assim os anos foram passando. Os
meninos viraram adolescentes e no tempo presente, adultos. No decorrer dos anos
aprenderam o significado real da troca e daí para a política do faz de conta foi um salto, ou melhor,
uma passagem. “Mainha” sempre mais
generosa no troca lá, dá cá virou
pessoa importante, poderosa e comandou em dois governos do reino do faz de conta cargos importantes e conseguiu, com a ajuda de um
irmão poderoso libertar seu filho das amarras do nada fazer e o transformou por um longo período no labor do faz de conta.
Depois
de um longo reinado de puxa saco daqui, traição dalí, finalmente o menino
prodígio alcançou o reinado do faz de
conta, transformando-se no Imperador absolutista, se bem que em
circunstancia que está sendo averiguada cuidadosamente pelos doutos do reinado
do faz de conta.
E, neste pouco tempo, a casinha
simples e inacabada que a todos recebia com boas vindas vira a Casa dos Horrores que a tudo repele.
Mas não, não existe alguma bruxa ali residindo com uma varinha a espantar,
espetar, transformar visitantes indesejados em criaturas mais ainda
indesejadas. Entrar ali naquele recanto de faz
de conta onde todas as palavras eram mágicas requer, agora, outros
mecanismos nem tão doces com os que encantaram e salvaram João e Maria.
O pobre, indesejado, a pedir. O rico, a
cobrar. Os amigos, ah! Aonde foram parar os amigos. Tudo hoje virou faz de conta. Quer entrar, quer ter
acesso, muito bem. Vamos lá, diga a senha, cobram os áulicos do faz de conta. Não, sabem? Pena: “pontapé na bunda” que o reino pode até
ser de faz de conta, mas, com
certeza, você dele não faz parte.
Os doces ainda são fartos, mesmo que de faz de conta, mas para os seus.
Engordar meninos, adultos, pobres ou ricos perdidos na floresta a bater em sua
porta é passado. É letra morta. A velha bruxa, aquela da fábula popular do
reino do faz de conta recolhida
pelos irmãos Grimm termina assada onde deveria assar João e Maria. No reino do faz
de conta de Queimadas a velha bruxa pode estar escondida numa toga. Não a
bramir sua varinha mágica, mas a lei. Tão simples, assim.
“Minha história termina aqui
Ela entrou por uma porta
Saiu
pela outra
Mande
El rei, meu senhor
Que
me conte outra”
