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quarta-feira, 18 de junho de 2014

A COPA É UM FRACASSO, POR FRANCISCO COSTA



O blog do haroldo reproduz artigo de Francisco Costa, extraído do Tijolaço, de Fernando Brito:




Nada é mais demolidor do que um sorriso.

Não conheço o autor, sei apenas que se chama Francisco Costa e é professor e artista.

Chegou-me pelo Facebook e compartilho com vocês, pela qualidade do texto e pelo bom-humor.

E pela cara-de-pau de certos (ou incertos) jornalistas e jornalecos que coram diante das mentiras que propagaram por meses e meses.






Hoje está fazendo uma semana que a Copa do Mundo se iniciou. 

Conforme prognosticaram os jornalistas, embasados em vasta experiência jornalística, honestidade de propósitos, compromisso com a verdade e isenção política, infelizmente está tudo acontecendo como o esperado.

Parabéns às tevês Globo e Band, à revista Veja, aos jornais Folha de São Paulo e O Globo, pela perfeita percepção da realidade, o que só os que fazem jornalismo sério, não corrompido por interesses políticos e pecuniários, podem ter.

Como era esperado, o vexame é total, o que enxovalha o Brasil aos olhos do mundo e mostra toda a incompetência política e administrativa desse governo, nos expondo assim a humilhante situação, da qual demoraremos muitos anos para nos livrarmos.

Para fazer as afirmações que se seguem, pautei-me pelo que tenho lido na imprensa internacional, a partir de jornalistas estrangeiros e turistas do mundo todo, e postado pelos bravos militantes da direita, intelectualizados e precisos nas suas análises e críticas.

Os estádios todos inacabados, de arquitetura no mínimo duvidosa, feios, mal iluminados… Acertaram os que disseram que só ficariam prontos na próxima década.

As chamadas obras de infrestrutura, no entorno dos estádios, foram uma balela. Os engarrafamentos, nos momentos que antecedem os jogos, são quilométricos, com os torcedores chegando atrasados, inclusive com muitos deles desistindo de entrar nos estádios.

Os aeroportos superlotados, com voos atrasados e cancelados, filas imensas nos guichês, bagagens extraviadas… Com todos os aeroportos por terminar, cheios de materiais de obras espalhados, numa imundície só.

Um outro fiasco que não poderia passar em branco é o das comunicações, com os correspondentes sem poder fazer contatos com suas bases, os links interrompidos ou com interferências, nos isolando nos momentos de pico, que antecedem e durante os jogos.

E o apagão, a suprema humilhação? Como é que em pleno século XXI um país inteiro pode ficar sem energia elétrica por horas, em silêncio, no escuro, envergonhado?

O apontado infelizmente aconteceu: um surto de dengue em pleno inverno, com os hospitais lotados, sem ambulâncias para transportar doentes, medicamentos em quantidade insuficiente, com muitos turistas debandando, voltando para os seus países, com medo.

Mas… O que mais temíamos e tínhamos certeza que aconteceria e ficaria fora de controle… A violência generalizou-se de tal maneira que nem mesmo as Forças Armadas estão tendo força suficiente para, se não debelar, pelo menos minorizar: brigas generalizadas entre torcidas, resultado de um serviço de segurança ineficiente, pequeno no número de homens, e despreparados.

As delegacias policiais já não dão conta de tantos registros de ocorrências de roubos, assaltos e sequestros, com balas perdidas em grandes aglomerações de turistas, os arrastões, promovidos por facções criminosas, com gente descida dos morros e vindas dos subúrbios.

Perdeu-se a conta de ônibus queimados, vitrines quebradas, lojas comerciais saqueadas…

Claro que uma situação dessa, e que só surpreendeu aos mal informados, não leitores de nossos jornais e revistas e telespectadores, só poderia gerar protestos, indignação, e então o que se viu foi o coro, em São Paulo, usando palavras de baixo calão, dirigidas à presidente da república.

Não passou pela cabeça de ninguém que deixar o povo ter acesso aos estádios seria uma temeridade? Como esperar civilidade, educação, postura, respeito e até caráter de pessoas de pouco estudo, baixos salários, residindo em áreas longínquas? Como esperar dessa gente qualquer coisa como simpatia, hospitalidade, cortesia? São ogros.

Só deveria ter acesso aos camarotes vips dos estádios os grandes empresários, os políticos de direita, os artistas e apresentadores da televisão, gente polida, educada, respeitadora, como não mostram no vídeo, em pleno exercício de monetário cinismo.

O país está um caos, e não foi por falta de aviso: a mídia avisou que seria assim, a oposição ao governo provou que seria assim, uma multidão de internautas inteligentes e bem informados mostraram todas as evidências de que seria assim, mas o governo não quis ouvir e pôs avante esse sonho megalômano de realizar uma Copa do Mundo aqui.

O Brasil nunca mais será o mesmo aos olhos do mundo, que agora entendeu que, aqui, a mídia e os partidos de direita (Dem, PSOL, PSDB…) são mais criminosos que o Comando Vermelho e o PCC.

domingo, 1 de setembro de 2013

“Pequenos maquiadores do monstro”

A Globo, afinal, cospe no golpe em que comeu e engordou

Por Fernando Brito, no Tijolaço


O Globo divulgou neste sábado à tarde um comunicado, em que reconhece que seu apoio ao Golpe de 64 foi um erro.

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.”

Não foi um erro, não.

Foi um crime, e deste crime as Organizações Globo beneficiaram-se lautamente, ao ponto de fazer com que a fortuna dos três herdeiros do capo Roberto Marinho constitua-se na maior do Brasil e uma das maiores do mundo.

Nenhum militar dos que tenham feito e servido à ditadura tem sequer um milésimo do que o regime deu aos Marinho.

Portanto, começemos assim, chamando as coisas pelo que elas são. Não erro, não “equívoco”.

Crime. Contra a democracia, contra o voto popular, contra a vida de milhares de cidadãos mortos pela ditadura que a Globo ajudou a fazer e a sustentar, e ganhando muito, muito, muitíssimo dinheiro com isso.

Esse dinheiro, certamente, a Globo não considera um “erro”, pois não?

Pois seu império nasceu ali, junto com a ditadura, com um negócio ilegal que o regime ditatorial tolerou e acobertou: a associação com o grupo Time e as fartas verbas que os EUA destinavam a evitar o “perigo comunista”, colocando a nascente e poderosa mídia, a televisão, nas mãos amigas de “gente confiável”.

A Globo usou esse poder. Em condições ilegais perante o Código Brasileiro de Telecomunicações que proibia a concentração de emissoras em todo o país nas mãos de um só grupo empresarial, comprou televisões em todo o Brasil, dissimulando-as na condição de “afiliadas”, quando são verdadeiras sucursais do grupo, presas inteiramente a seu comando e estratégia de negócios.

Para isso, lambeu as botas da ditadura e serviu-lhe de instrumento despudorado de propaganda.

O que seu editorial de hoje diz, ao procurar desvincular-se do horror da tortura e da morte, ao falar de como Roberto Marinho protegia “seus comunistas” é de uma indignidade sem par. Ou vamos entender que aquele que não era seu empregado poderia bem morrer sob seu silêncio, ou vamos entender que aqueles profissionais, que trabalhavam e contribuíam para o sucesso da empresa, merecem ser exibidos como “gatinhos de estimação”, gordos e protegidos, e “livres da carrocinha” que laçava outros pelas ruas deste país.

A Globo nunca teve vergonha de, nas palavras de seu Füher, “usar o poder” de que dispunha em benefìcio dos políticos e governantes de sua predileção, durante e depois do período militar.

Patrocinou a Proconsult contra Brizola. Manipulou o debate de 89 em favor de Collor e contra Lula. Apoiou desavergonhadamente a eleição de Fernando Henrique Cardoso, encobrindo-lhe a escapada conjugal desastrada, somando-se à manipulação eleitoral da nova moeda, promovendo a dilapidação das empresas pertencentes ao povo brasileiro,  apoiando e dando legitimidade à vergonhosa corrupção que envolveu a aprovação da proposta de reeleição em causa própria.

Quem quiser provas disso, leia O Príncipe da Privataria, que chegou este final de semana às livrarias. A autocrítica, que nos homens de bem é uma virtude e um momento a ser louvado, na Globo é apenas o que ela é: interesse em dinheiro transformado em sabujice.

Percebeu que o projeto Lula-Dilma não pode ser derrotado, malgrado todas as suas tentativas, e lança estes “mea culpa” fajutos para se habilitar – ainda mais, ainda mais! – aos dinheiros públicos do Governo, vício incorrigível de seu ventre dilatado e enxundioso.

Tudo na Globo é falso, como tive a honra de escrever há quase 20 anos para Leonel Brizola em seu famoso “direito de resposta” à Globo. Nem o coro que diz que “voltou às ruas” – ele nunca saiu! – não é esse: é “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Porque o povo, que não é bobo, pode perdoar aqueles que erraram e mudaram sinceramente de atitude ao perceber seu erro.

A Globo, não.

Comeu cada côdea do rico pão que o regime lhe deu e só mudou de lado quando as ruas, inundadas pelas “Diretas-Já” tornaram o regime uma sombra em ruínas.
Seus jovens executivos, que planejaram este ato de contrição fajuto, com todos as suas melosidades e senões, são apenas pequenos maquiadores deste monstro que acanalhou a vida brasileira e que vai ter um fim mais rápido e ruidoso do que muitos imaginam.
Porque o povo não é bobo, sabe que a Globo é um cancro que precisa ser extirpado da vida brasileira.

E é por isso que grita o que a Globo não pode confessar:

Abaixo a Rede Globo!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Rede Bahia: Ato pela democratização da mídia, hoje, às 10h

NA PORTA DA REDE BAHIA: Assembléia Popular Pela Democratização da Comunicação.
Salvador, 11 de julho, às 10 horas.


Copilada do blog Viomundo

“A Globo na Bahia se transformou no instrumento político no combate à oposição. Sempre que um oposicionista conseguiu se eleger, foi massacrado pela Rede Bahia, que o Roberto Marinho e a Rede Globo sabem perfeitamente ser um instrumento político a serviço de Antônio Carlos Magalhães” (João Carlos Teixeira Gomes, Jornalista).

“O povo não é bobo, fora Rede Globo” (grito que ecoou nas manifestações recentes em nosso país, que levaram milhões de homens e mulheres às ruas).
“Rede Bahia, Mentira Todo dia” (se ouviu nas manifestações em Salvador).
A Rede Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão tem a sua história marcada por escândalos e corrupção. O império consolidado por Antônio Carlos Magalhães foi construído quando o ex-senador se encastelou no Ministério das Comunicações durante o Governo de José Sarney, em 1986, com o objetivo de formar uma rede de alianças midiáticas sob a direção da sua família e grupo político, para dominar a política no estado da Bahia e perseguir a oposição.
A Rede Bahia controla os meios de comunicação de massa em nosso estado e impede que o povo trabalhador tenha acesso à informação sadia e de qualidade, inviabilizando a ampliação da democracia no país e na Bahia. Atrelada a um passado sombrio, a Empresa se beneficiou de trapaças e ilegalidades nas concessões de radio e TV, operadas pelo então Ministro ACM.
Hoje, a Rede Bahia comanda 10 grandes veículos de comunicação de massa: 7 emissoras de TV, duas rádios FM e um Jornal impresso. Esses instrumentos supostamente voltados a comunicar, estão à serviço de uma ideologia reacionária, atrelada aos interesses das elites dominantes em nosso país e no estado da Bahia. Através da Rede Bahia o povo é cotidianamente bombardeado com manipulações voltadas a criminalizar os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade; tipifica os jovens negros e negras das periferias como “inimigos padrões”; promove a mercantilização da vida e corpo das mulheres; impedem que as pautas populares sejam veiculadas; persegue funcionários que não se adaptam às suas idéias reacionárias e estão à serviço de setores que querem destruir as conquistas democráticas dos últimos 10 anos.
A Rede Bahia integra as Organizações Globo, maior conglomerado midiático da América Latina e um dos maiores do mundo, e estão presentes em praticamente todas as formas de mídia: jornais, revistas, rádio, internet, televisão (aberta e fechada), música e cinema. Propriedade da família Marinho, o grupo controla a maior rede de televisão do País, a Rede Globo de Televisão. Em torno dela está formada uma cadeia composta por 121 emissoras de TV entre geradoras (06) e afiliadas (115), com uma cobertura que alcança 5.441 municípios brasileiros e um público estimado em 159 milhões de espectadores. À rede de televisão dos Marinho orbitam 204 veículos de comunicação, distribuídos por 89 TVs VHF e 08 UHF, 34 rádios AM e 53 FM, além de 20 jornais.
A Rede Globo e a Rede Bahia estão diretamente envolvidas no período nefasto da Ditadura Militar (1964-1985) em nosso país, que cumpriu o papel de entregar as nossas riquezas para o capital estrangeiro, perseguir, torturar e assassinar uma série de lutadores e lutadoras que queriam ver brotar a democracia em nosso país.
Nesse momento, pesa sobre a Rede Globo a revelação de que houve irregularidades na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela emissora, que teve que pagar R$ 270 milhões à Receita Federal, apesar de mentir, negando a sonegação fiscal. A Rede Globo e a Rede Bahia tremem de medo e ódio quando as organizações populares e movimentos sociais de comunicação afirmam a necessidade da Democratização dos Meios de Comunicação em nosso país.
No momento da Assembléia Popular pela Democratização dos Meios de Comunicação, coletaremos assinaturas para a proposta de iniciativa popular de uma nova lei geral de comunicação. O projeto trata da regulamentação da radiodifusão e pretende garantir mais pluralidade nos conteúdos, transparência nos processos de concessão e evitar os monopólios. Democratizar a comunicação no país é batalha fundamental de todos os lutadores e lutadoras do povo e se insere na disputa pelas reformas estruturais em nossa sociedade. Em torno das lutas fortaleceremos a construção de um Projeto Popular para a Bahia e o Brasil.

PELA DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, NÃO DESCANSAREMOS!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
Convocam o Ato:
Ação Social Arquidiocesana de Salvador – ASA
Associação Baiana de Radiofusão Comunitária – ABRAÇO/BA.
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF.
Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – AATR/BA.
Associação de Moradores de Jardim Cajazeiras.
Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e pela Vida.
Campanha Reaja ou será morto, Reaja ou será Morta.
Central Única dos Trabalhadores – CUT/Bahia.
Centro Victor Meyer – CVM
Coletivo Quilombo
Comitê da Bahia Pela Democratização da Comunicação – FNDC/BA.
Comitê Popular da Copa – CPC.
Consulta Popular
Conselho de Moradores de Novo Horizonte e Sussuarana.
Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN.
Diretório Central das/dos Estudantes da UFBA – Gestão Viração
Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia – ENEBIO
Federação Nacional dos Estudantes de Agronomia – FEAB
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar – FETRAF/BA.
Intersindical.
Levante Popular da Juventude – LPJ.
Marcha Mundial das Mulheres – MMM.
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC.
Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB
Movimento dos Atingidos pela Mineração – MAM
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA.
Movimento dos Pescadores e Pescadoras – MPP.
Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD.
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Movimento Sem Teto de Feira de Santana.
Movimento Sem Teto de Salvador – MSTS.
Movimento Social dos Povos Brasileiros – MSPB.
Núcleo de Estudos e Práticas em Políticas Agrárias – NEPPA.
Núcleo de Organização Popular de Pau da Lima.
Pastoral Carcerária – PC
Pastoral da Juventude – PJ
Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Pastoral da Saúde – PS
Quilombo X
Sindicato dos Rodoviários do Estado da Bahia – SINDIRODOVIÁRIOS.
Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos no Estado da Bahia – SINCOTELBA.
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Água, Esgoto e Saneamento – SINDAE/BA.
Sindicato dos Jornalistas da Bahia – SINJORBA.
Sindicato dos Petroleiros da Bahia – SINDIPETRO/BA.
Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia – APUB SINDICATO.
Sindicato dos Vigilantes do Estado da Bahia – SINDIVIGILANTES.
Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza do Estado da Bahia. SINDILIMP/BA.
Sindicato dos Trabalhadores Químicos da Bahia – SINDIQUÍMICA/BA.
Sindicato dos Trabalhadores da Saúde – SINDSAÙDE – REDE PRIVADA.
Sindicato dos Eletricitários da Bahia – SINERGIA.
União dos Estudantes da Bahia – UEB.
União Nacional dos Estudantes – UNE.
Em São Paulo, a manifestação será às 17 h, na frente da TV Globo

terça-feira, 25 de junho de 2013

A grande perplexidade



Deu no blog O Cafezinho

Não adianta tirarmos conclusões de um processo ainda em curso. Ontem tive uma longa conversa com um amigo que participou da passeata no Rio de Janeiro, que me proveu com algumas informações. Houve muita cantoria, muita mesmo, contra a Rede Globo. “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”, e nenhum repórter da emissora poderia chegar perto para não ser agredido. Mas nas circunstâncias, isso não quer dizer muita coisa. As pessoas estava agredindo a tudo e a todos. Militantes partidários também foram fortemente hostilizados. O repúdio à Globo, portanto, tem algo de vazio, porque não é politizado, não integra um movimento de apoio a uma nova regulamentação da mídia, que é uma bandeira dos mesmos partidos que são hostilizados. Aliás, esta foi a principal bandeira dos partidos de esquerda na manifestação do Rio: a regulamentação da mídia. Ou seja, algo concreto para quebrar o monopólio da mídia sobre a opinião pública. Os marchadeiros preferem cantar musiquinhas inocentes contra a Globo a debater objetivamente estratégias democráticas para realização de mudanças.
Acho que a questão posta hoje não é mais tanto ideológica, se o movimento foi ou não capturado pela direita. A juventude em protesto, e os mais velhos que foram na rabeira, não pensam nesses termos. O que vimos emergir, em toda a parte, foi a cabeçorra da antidemocracia. A depredação de patrimônio público, o cerco a sedes de governo, ao parlamento, todos os afluentes do rio desembocam no mesmo lugar: no ódio aos principais símbolos da democracia. A maioria entrou nessa de boa fé. Sempre o fizeram. Esquerdistas, conservadores, apartidários, barbosianos, todos levantaram o braço num só gesto, e o fato de erguerem o braço juntos lhes fez pensar que tinham razão.
Bem, talvez tenham. Talvez eu tenha me enganado. Talvez todas as estatísticas estejam erradas. IBGE, IPEA, ONU, pesquisas de aprovação, nível de desemprego. Talvez o Brasil esteja realmente uma merda e eu não tinha percebido.
Talvez seja correto irmos às ruas protestar contra tudo que está aí. Incendiar o Itamaraty, invadir o Congresso, invadir prefeituras e linchar servidores, prefeitos e governadores. Que importa se foram eleitos? O povo, como sempre, vai aplaudir, excitado com o espetáculo dos reis sendo crucificados em praça pública.
A preocupação quanto aos substitutos dos políticos linchados é um ponto menor. Sempre aparecerá um salvador, não importa se um derrotado nas urnas. Os marchadeiros, os fortes, aqueles que gritam nas ruas, no auge de sua saúde e exuberância, e convicções, sempre têm razão. Os tímidos, os doentes, os cidadãos pacatos, assistirão os protestos pela televisão, que agora enfatiza sempre que uma “pequena minoria” partiu para a violência, e se sentirão representados.
É lindo! Essa é a expressão que mais se ouve entre os bem pensantes, as pessoas de coração puro, que sempre viram a política como algo terrivelmente sujo e corrompido. Que importa se as ruas amanhecem destruídas, se o patrimônio público é depredado, se militantes de partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais são brutalizados, se restaurantes, bancas de jornal, agencias bancárias são saqueados, se o protesto é invadido por facções ultraconservadoras? Em Fortaleza, invadiram um shopping, que lindo!
Ah, enfim, o gigante acordou! As ruas estão cheias de gente demolindo pontes, incendiando ônibus, pregando o cancelamento dos grandes eventos esportivos e exigindo que o STF prenda imediatamente os “mensaleiros”, independente dos ritos normais e independente se há erros no processo. Que lindo! Esse é o país que sonhei!
Realmente, agora sim seremos um grande país! Marcharemos todos os dias, ou todas as semanas, paralisando tudo. Que importa se a economia será prejudicada? Que importa se o caos irá trazer desemprego e ruína? Seremos um país melhor! O povo agora só votará em candidatos do bem, os quais agora sim estarão disponíveis nas listas eleitorais. E se não votar neles, faremos protestos, invadiremos a prefeitura, enforcaremos o prefeito e todos os servidores e os substituiremos por pessoas de nossa confiança, elementos impolutos, os meninos que mudaram o mundo, aqueles que sempre combateram os mensaleiros.
Se os militantes de partidos políticos resolverem ir às ruas para protestar contra nossas decisões, serão justamente linchados por nossos aliados. Sempre haverá homens fortes, musculosos e agressivos a nosso lado, para espancar os mensaleiros com bandeiras vermelhas.
Todos à rua, meu povo! Sem violência, sem violência! Mas sejamos compreensivos com a revolta do povo, oprimido há séculos por mensaleiros. Deixemo-los extravasar, incendiar um Itamaraty aqui, uma Assembléia Legislativa ali, um Congresso acolá. São coisas que não servem de nada mesmo!
Veremos emergir uma juventude politizada, finalmente! Não mais doutrinados por livros marxistas, mas exercendo a justiça com as próprias mãos. Uma passeata por semana transformará nossos jovens em intelectuais preparadíssimos!
Agora, sempre que houver um problema qualquer num hospital público, saberemos o que fazer! Iremos quebrar o hospital, destruir as âmbulâncias, depois nos encaminharemos à secretaria de saúde para xingar e agredir os servidores. Claro, nem todos precisam fazer isso. A maioria permanecerá em frente ao hospital, pacífica, apenas interrompendo o trânsito. Mas pagaremos os advogados de nossos vândalos.
Política se faz nas ruas! Hasta la victoria, siempre!
Não, meus caros. Isso tudo é uma ironia de mau gosto. Eu acredito no poder de protestos, mas com foco específico, organizados, com sua pauta discutida previamente em debates intensos. Não acredito que uma avalanche de ingênuos, desmiolados, oportunistas, arruaceiros, maria-vai-com-as-outras, possam trazer mudanças para melhor. O Brasil está sofrendo uma crise aguda de idiotia política. Acabamos de assistir, em pleno século XXI, o nascimento de um novo tipo de fascismo, apoiado por gente bonita e alguma cultura, que se autointitula progressista, mas que pelo jeito não se horroriza com o espancamento de militantes partidários, e acredita que a violência – verbal ou física -, e não o voto, é a melhor forma de se obter conquistas políticas. Viva o Brasil.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Rosário e Fantástico traficaram o futuro de cinco crianças


Adoções em Monte Santo


Atenção:
A mulher que se apresenta como a presumível Vanusa, irmã de Silvania é a mesma que assina Giovana Bergamo, Sofia Fernandes e muitos outros nomes em comentários aqui postados.
O IP de sua máquina é 187.67.102.136 e a central de sua banda larga é do Rio de Janeiro, nas imediações da rua São Luiz Gonzaga, perto do Largo do Pedregulho.


Jeroncio, o pai modelo das cinco crianças de Monte Santo - de acordo com a tipificação criada pela Ministra Maria do Rosário (da Secretaria Nacional de Direitos Humanos) e pelo Fantásico - foi preso por assalto. Três dias antes da devolução das crianças a Monte Santo, foi detido por tentativa de estupro.
Na entrevista que fiz com a Ministra Maria do Rosário - sobre a adoção das cinco crianças de Monte Santo - insisti para que ela saísse das considerações gerais sobre adoção, eivadas de preconceito, e se debruçasse na análise da situação específica das famílias envolvidas.
Sua resposta, de um maniqueísmo primário, foi dividir a questão entre dois pais pobres - e dignos - e famílias de classe média que integravam uma quadrilha.
Insisti que pensasse no bem estar das crianças. Respondeu que pobreza não poderia ser motivo para tirar do pobre seu bem mais precioso, os filhos. Insisti que o ponto central de análise deveria ser o bem estar das crianças; assim como na classe média, entre os pobres há pais que cuidam dos seus filhos e pais desajustados, que as informações sobre os pais biológicos - Sillvania e Jerôncio - indicavam pessoas desequilibradas. Respondeu que ambos estavam sendo vítimas de campanhas difamatórias.
Pedi provas da existência de ação de quadrilha no episódio. Respondeu que a SNDH tinha elementos abundantes. E não tinha. A Ministra mentia.
Pergunto: como ficam as crianças, expostas a esse show de irresponsabilidade e exibicionismo de uma alta autoridade e de um dos programas de maior audiência da televisão e entregues de volta a pais sem nenhuma condição - financeira (de menos), psicológica (fundamental) - de criá-los? Como ficarão depois que os holofotes forem apagados e cessar a maquiagem da situação?
Na reportagem do SBT, foi entrevistada uma amiga de 15 anos de Silvania, que falou do arrependimento dela em ter pedido as crianças de volta. É evidente que sua decisão foi motivada pelos holofotes do Fantástico e pela ação política de Maria do Rosário.
Não fosse o show irresponsável da vida, a esta altura autoridades responsáveis estariam, no mínimo, promovendo a aproximação entre pais biológicos e afetivos, visando o bem estar da criança.
Mas aí significaria Maria do Rosário ter de abdicar de sua cruzada de criminalização da adoção; e o Fantástico ter que explicar que embarcou em uma barriga monumental, produzida por seu repórter José Raimundo.
O que são cinco crianças perto das bandeiras políticas de Rosário e da audiência do Fantástico? Nada. Apenas instrumentos manipulados pela politização mais rasteira e pelo jornalismo mais irresponsável.
Lá na frente, quando o lar desestruturado produzir crianças desestruturadas, Maria do Rosário fará um discurso criticando o Estado brasileiro - que ela representa - por não ter dado condições à família para educar os filhos. E o Fantástico produzirá uma bela reportagem sobre como uma decisão jurídica erronea, de um juiz desequilibrado - o tal do Luiz Cappio - afetou a vida de cinco crianças. E confiará na falta de memória do telespectador e na falta de visão crítica da mídia.