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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Cunha é isso mesmo: sabotagem !

A folha profissional e policial do Comodoro da Ética.













CUNHA: O NOME EXPRESSA A FUNÇÃO




No universo militar, ‘cunha’ define uma ação sabotadora preliminar: ‘Consiste em introduzir em território inimigo soldados, espiões ou comandos especiais’.



 Saul Leblon, extraído da Carta Maior:


Quando um personagem encarna uma correlação de forças adversa e o faz de forma tão desabrida a ponto de soar caricatural, é comum catalisar a resistência e a rejeição do polo oposto.


Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, carrega no nome a função que lhe coube na história. No universo militar, ‘cunha’  define uma ação sabotadora preliminar. ‘Consiste em introduzir em território inimigo soldados, espiões ou comandos especiais’, diz o dicionário Caldas Aulete.

Dito e feito. A agenda do presidente da Câmara inclui sacramentar o poder do dinheiro grosso sobre os partidos, a homofobia, a terceirização total do trabalho, a redução da maioridade penal e outras miunças de igual calibre.

Foi por justiça homenageado no V Congresso do PT, que terminou sábado em Salvador. E retribuiu as vaias no twitter: ‘Agradeço as manifestações de hostilidade no congresso do PT. Significa que estou no caminho certo. Ficaria preocupado se fosse aplaudido ali’.

Não ficou por aí. Ao Congresso petista que dobrou a aposta em uma parceria pela governabilidade como PMDB, retrucou ferino: ‘Não vejo o PMDB com o PT em 2018. Essa aliança esgotou’.

Quando a linearidade dos personagens e a evidência dos conflitos se expõe assim de forma tão explícita, sem que as instituições políticas se mostrem adequadas para resolvê-los, abre-se um horizonte de empate histórico marcado por crises sucessivas, cujo papel é o de devorar seus atores, até que surjam novos arranjos dotados de força e consentimento social para destravar o passo seguinte da história.

Cunha não ocuparia o espaço no qual se espoja não fosse esse equilíbrio precário de dois garfos espetados em faces opostas de uma rolha em pé, na quina de uma mesa.

A rolha é a encruzilhada do desenvolvimento brasileiro.

O Congresso do PT não vislumbrou um atalho capaz de destravar esse mutualismo autodestrutivo.

Quase sem respirar, o partido se sustenta em um lado da rolha, enquanto Cunha cospe fogo na extremidade oposta em nome dos interesses sabidos

Sua função,  como o próprio nome indica (e o pejo que causa em interesses que defende, ilustra, caso da Folha que o critica em editorial neste domingo) tem a efemeridade de uma etapa.

Limpa o trilho para algo pior. Embora nutra delírios presidenciais (ou vice-presidenciais, ao lado de Alckmin), sua funcionalidade equivale a de um enxergão da história.

Trata-se daquele artefato rudimentar de palha grosseira utilizado para forrar o estrado, sobre o qual as elites depositarão o colchão de mola para deitar e rolar nas costas do Brasil.

Um veículo internacional amigo dos mercados resumiu: Cunha é o homem que a direita procurava.

O que o deprecia é o seu mérito: Cunha une maus modos com determinação e absoluto despudor em atropelar as aparências dos punhos de renda da República de Higienópolis.

Os açougueiros da história não raro cometem exageros na sangra das peças. Emporcalham o avental e não primam pela higiene ao manusear a faca, a serra e a machadinha no cepo ensanguentado do embate político — mas entregam o essencial.

O essencial que a elite espera de Cunha é destrinchar o governo Dilma como um frango desossado da Sadia e pendurá-lo, junto com os petistas, em um gancho de aço no freezer da história.

Até escoar o calendário para as eleições de 2018.

A aristocracia alemã também não considerava Hitler um dos seus. Nem os ricaços italianos amavam Mussolini. Nos anos de chumbo muitas famílias de ‘bem’ preferiam não saber o que Fleury fazia em nome da causa no Brasil.

Eppur giravam seus interesses em torno desses centuriões aturando suas ‘extravagâncias’. Dos males, o menor.

O intercurso com os negócios, a homofobia, a moral gordurosa dos pastores salafrários nunca foi obstáculo à clientela que orbita em torno do cepo desses açougueiros datados.

No 2º turno de sua última derrota em São Paulo, nas eleições municipais de 2012, Serra mostrou a que ponto vai essa elasticidade quando um interesse mais alto se alevanta.

Ao prenúncio da derrota iminente o tucano recorreu a um interlocutor cirurgicamente escolhido para reforçar a musculatura do vale tudo na disputa: o pastor radialista Silas Malafaia, que veio diretamente do Rio de Janeiro apresentar armas à campanha, no posto de procônsul para os bons costumes, conspurcados, acusava o tucano, pelo kit-gay criado pelo adversário, Fernando Haddad, quando ministro da educação.

O pacto do além com o aquém seria festejado em manchete sulforosa do caderno de política da ‘Folha’, a mesma que agora critica Cunha em editorial à moda Pilatos. Assim: “Líder evangélico diz que vai ‘arrebentar’ candidato petista — Silas Malafaia afirma que Haddad apoia ativistas gay”.

O título em 3 linhas de 3 colunas emoldurava  foto imensa de Serra (meia pág. em 3 colunas), empunhando uma criança adestrada em fazer o ‘45′,

O conjunto ainda inspira calafrios.

A hostilidade beligerante de Serra em relação a adversários –inclusive os do próprio partido– pontuava ali um novo degrau na determinação conservadora de resgatar a extensão regressiva do filtro religioso na política.

A moda pegou e hoje deve ser creditada como mais uma modernidade trazida ao país pelos intelectuais iluministas de Higienópolis.

O posto de Malafaia em 2012 é ocupado agora por Cunha.

O editorial da Folha deste domingo lava as mãos. Mas não purifica a ética de vernissage de certa inteligência paulista.

Faz tempo que em certos círculos incorporou-se a licença do vale-tudo para vencer o PT, a quem se acusa de sepultar os princípios éticos da esquerda.

O pacto obscurantista selado por Serra antes com Malafaia, agora com Cunha e Renan (para implodir o pré-sal)  ilustra a travessia edificante.

Quem achava que depois da caça ao kit gay de 2012 estaria esgotado o estoque de excrescências nessa gincana errou.

Cunha é o açougueiro que ouve sermões de Malafaia em altos decibéis enquanto destrincha o governo, os direitos trabalhistas, a liberdade sexual, enfim, aleija e decepa a Constituição de 1988 e aviva os impulsos medievais da sociedade contra ela mesma.

A essa altura, tudo o que pedem certos círculos da inteligência tucana é que 2018 chegue logo.

Mas ainda faltam três anos e seis meses.

Dá tempo, por exemplo, de Cunha resgatar um projeto apresentado por Serra na disputa municipal de 2012, em São Paulo, destinado a inibir a criminalidade do menor.

Em entrevista à amigável rádio CBN, então, o tucano prometeu aos ouvintes: se eleito, criaria um programa de monitoramento de jovens com ‘propensão’ para cometer crimes.

Como? Um braço da ex-Febem, explicou Serra à emissora da rede Globo, agindo, (secretamente, supõe-se), dentro das escolas das periferias vigiaria jovens.  Nas palavras do então candidato tucano: “(Aqueles que) ainda não entraram para o mundo do crime, mas que podem ter propensão para isso”.

Alguém já pensou isso antes. Combater o crime identificando preventivamente o criminoso foi o propósito do criminologista e psiquiatra italiano, Cesare Lombroso (1835-1909), que se dedicou ao estudo da ‘antropologia criminal’.

O furor atual pela redução da maioridade tem aí um pé de apoio a considerar.

Está longe de ser apenas ‘moral’ e preventiva, porém, a ofensiva de Cunha para higienizar o país.

Cada vez mais ela ganha dimensões de um mutirão ecumênico determinado a afastar todo e qualquer obstáculo que se puser no caminho da hegemonia conservadora plena.

Na 4ª feira da semana passada, por exemplo, o presidente da Câmara mandou um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Diante da possibilidade de a ministra Rosa Weber conceder liminar que anula a aprovação em primeiro turno do financiamento privado de campanha, Cunha comunicou ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que isso poderia trazer retaliações ao Judiciário.

Age com o fervor da legítima defesa.

Na última campanha eleitoral, Cunha recebeu R$ 6,8 milhões em doações de empresas como Vale, AmBev, Santander, Safra e Shopping Iguatemi.

Antes, Cunha –e seu general de operações, Renan Calheiros, presidente do Senado, já havia ameaçado o Procurador geral da República, Rodrigo Janot, por investiga-lo. Pequenos partidos de sua base particular também foram constrangidos por contrariá-lo na reforma política com a qual pretende reduzir a lei eleitoral a sua imagem e semelhança.

À mídia que objetivamente o embala, Cunha recorda amiúde que qualquer projeto de regulação das comunicações depende do seu humor para entrar na pauta ou na gaveta do Congresso. Estabeleceu-se aqui um paradoxal mutualismo entre parasitas.

O pragmatismo propiciou-lhe apreciável cacife.

No seu quarto mandato consecutivo, o autor do projeto pela criação do Dia do Orgulho Heterossexual foi aplaudido ao depor em CPI que deveria investiga-lo sobre desvios da Petrobras.

O policial Jayme de Oliveira Filho, mula do doleiro Youssef, afirma que entregou malas de dinheiro em uma casa na Barra da Tijuca que seria de Eduardo Cunha. A pauta escafedeu-se das colunas da indignação seletiva hoje ocupadas em externar chiliques contra as doações legais ao Instituto Lula.

Cunha é um entreposto de interesses.

Líder da bancada evangélica e fiel da Igreja Sara Nossa Terra, o presidente da Câmara foi um dos principais opositores do Marco Civil da Internet fazendo lobby das telefônicas, que discordavam da neutralidade da rede.

Sua sentença sobre a liberação do aborto é autoexplicativa: ‘Só se for sobre meu cadáver’. E para que não haja dúvida da disposição mortífera, protocolou um projeto que estabelece até 10 anos de prisão para médicos acusados de práticas abortivas.

A ficha corrida desse Comodoro dos bons costumes acumula dois inquéritos em ‘andamento’: o de 2984/2010 apura o recurso a documentação falsa; o 3056 acusa crimes contra a ordem tributária.

Não só.

No Tribunal Regional da Primeira Região, ele é réu no processo 0031294-51.2004.4.01.3400  — ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual.

No Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é alvo do processo 0026321-60.2006.8.19.0001. Improbidade administrativa.

No Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro responde ao processo 59664.2011.619: captação ilícita de sufrágio. No mesmo tribunal é réu no processo 9488.2010.619.0153. Acusação: abuso de poder econômico em campanha eleitoral.

No Tribunal Superior Eleitoral,  responde por captação ilícita de sufrágio; processo 707/2007.

A cepa de origem explica o desembaraço diante dos imprevistos.

A carreira meteórica do presidente da Câmara teve como padrinho o tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, o falecido PC Farias.

Cunha foi o responsável pelas finanças do comitê carioca na campanha collorida de 1989.

Precisa desenhar?

Na vitória coube-lhe a presidência da antiga Telerj, a companhia telefônica do Rio, da qual seria demitido em seguida.

Motivo: corrupção.

Em 1999, o então governador Anthony Garotinho deu-lhe a presidência da Companhia Estadual de Habitação.

Durou seis meses.

Foi defenestrado em meio a um novo escândalo de corrupção.

Ágil, como soem ser as rapinas, escapou elegendo-se deputado estadual em 2001.

Desde então soube fazer da imunidade a mola propulsora de uma carreira vitaminada pela radiodifusão.

Seu programa de rádio consagra mote sugestivo ao desembaraço ético: ‘O povo merece respeito’

Nenhuma das questões essenciais que interessam à população brasileira encontrará resposta na crispação da lógica conservadora da qual esse personagem expressionista é o açougueiro alheio às boas maneiras.

As vaias recebidas no Congresso do PT não são injustas, mas ingênuas. E sobretudo incompletas nos desdobramentos competentes.

O país que se modela no interior do açougue é pior do que aquele desfigurado no cepo no qual Cunha pilota o banho de sangue conservador no país.

A receita temperada nos bastidores para desequilíbrios que são sérios é a da salmoura neoliberal definitiva. Menos Estado para se ter mais mercado; menos igualdade para se ter mais eficiência; menos salário para se ter mais investimento; menos democracia para se delegar ainda mais poder ao dinheiro organizado.

A esquerda brasileira dispõe de reservas intelectuais, tem experiência de luta, goza de respeitáveis lideranças políticas. Tem a densidade de movimentos sociais para afrontar esse projeto com um outro que pavimente a construção de uma verdadeira democracia social.

O V Congresso do PT não explicitou a disposição de ser o catalisador desse processo que permanece em aberto.

O partido de certa forma transferiu o embate para 2018.

É uma aposta de alto risco na mitigação da crise por obra e graça do ajuste de mercado.

Resta saber até que ponto, com esse gesto, não compromete de vez a única alternativa consequente à ofensiva conservadora em curso.

Ou seja, a construção de uma frente popular e democrática capaz de oferecer as respostas críveis ao futuro sombrio do qual Cunha é só o estandarte mais saliente.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tatu subiu no pau!


Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem.


Por Aldir Blanc*, no Globo


O gatuno e atiçador dos cães assassinos da ditadura militar J. M. Marin foi preso na Suíça. Por que não aqui? A resposta cabe à Polícia Federal, Receita e outros órgãos complacentes diante da corrupção de direita. J. Hawilla, da Traffic (que não se perca pelo nome), também está entre os envolvidos e já foi confessando geral. Só no caso dele, a roubalheira pode chegar, por baixo, a quase meio bilhão de reais. Será que os outros membros dessa quadrilha de trafficantes serão presos no Brasil?

Aos 68 anos, vi a tal foto que vale por mil, ou bilhões de palavras: no evento de 1º de Maio da Força (faz força, Paulinho, que a sujeira sai!), quase abraçadinhos sob o pé do flamboayant, Dudu Cucunha e Anéscio Neves, o canibal do avô, cochichavam. Cucunha enfiou o indicador da mão direita na deep narina, enquanto fazia Aócio rir feito Mutley, o cachorro do Dick Vigarista.

A chopeidança primou pelos discursos que pediam a cabeça da Dilma. Por isso, um dos seus aliados estava lá, quase osculando o Abóstulo do Terceiro Turno. De vomitar. Aócio chamou Dilma de covarde por ter evitado pronunciamento na telinha. Está exercendo seu direito de livre expressão em uma democracia. Minha opinião é diferente: covarde é marmanjo que, entupido de pó, bate em mulher. Outra frase jocosa foi de FHC I e II: “Nunca se roubou tanto nesse país”. Não, Fernandinho. Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem. 

Taí o mensalão do Azeredo, 20 anos de esbórnia nos trens metropolitanos de São Paulo, escândalos nas privatizações selvagens etc. que não me deixam mentir. Empreiteiros corruptos estão sendo soltos. Banqueiro condenado a 21 anos de cadeia tem a sentença anulada, todos em casa, aliviados, preparando o próximo golpe. A balança da Cegueta precisa de um ajuste fiscal…

O cenário pornopolítico foi dominado pelo massacre dos professores no Paraná. Depois do “prendo e arrebento”, temos Bato Racha, vulgo Beto 9.9 em violência na escala Richa. Bato Racha levou nove dias para se arrepender, e com a frase mais — desculpem, não há outra palavra — escrota que pode brotar da boca de um covarde: “Machucou mais a mim…” O perdigoto não agradou, Racha deu ré e agora aprova de novo a pancadaria sanguinolenta, balas na cara, bombas, pitbulls… Foi um tremendo rasgo na Cortina de Penas do bom-mocismo tucano. Eles são aquilo mesmo. Bato Racha mandou fitas para jornalistas comprovarem a ação de “elementos infiltrados” no protesto. Ninguém encontrou um único agente provocador. Bato Racha é também um deslavado mentiroso.

Estão soltas no pedaço as feras do CCE (Comando de Caça aos Esquerdistas). Parecia que o senadô Lulu Menopausa Nunes dedaria sem luva a próstata do Fachin, em plena sabatina. Dez horas de humilhação. Mas vento que venta pra lá… Uma delação premiada saiu pela culatra: propinas para caixa 2 na reeleição de Bato Racha. Não invadiram a casa do espancador para apreender obras de arte. Afinal, convenhamos, são todos “artistas” medíocres.

*Aldir Blanc é compositor

sexta-feira, 27 de março de 2015

Dinheiro sujo do Suiçalão pagou campanhas do PSDB?



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Por Miguel do Rosário, no Cafezinho

Nada como um dia após o outro!
Como desconfiávamos, o Suiçalão é um covil de tucanos gordos.
Agora entendemos porque Fernando Rodrigues sentou-se em cima da lista por tanto tempo, e ainda tentou engambelar a sociedade com aquele papo de que só divulgaria nomes com “interesse público”.
Interesse público uma pinoia!
Diante da pressão das redes sociais, Rodrigues sentiu a batata assando e passou a bola pra Globo, até porque somente a Globo tem capacidade para criar uma narrativa astuta o suficiente para denunciar sonegadores, e ao mesmo tempo protegê-los da sanha justiceira do populacho.
É uma hipocrisia tão grande quanto Agripino Maia participando de marcha contra a corrupção.
A Globo revela que o tesoureiro de várias campanhas presidenciais tucanas, Marcio Fortes, tinha conta secreta na Suíça, não-declarada à Receita Federal, e que esse mesmo tesoureiro fazia doações pessoais milionárias para campanhas eleitorais do PSDB.
Segundo a reportagem, no ano 2000 Fortes foi a pessoa física que mais doou dinheiro ao PSDB – o equivalente a 21% do total arrecadado pela legenda nessa modalidade de financiamento.
Seria Marcio Fortes o “homem da mala” do PSDB, cujas campanhas ele abastecia com dinheiro sonegado à Receita, possivelmente fruto de propinas, já pagas ou agendadas para serem pagas após as eleições, caso o PSDB cumprisse o prometido?
O PSDB cumpriu o prometido, com prazer. O governo FHC privatizou dezenas de estatais, inclusive metade da Petrobrás, cujas ações foram vendidas a preço de banana na bacia das almas da bolsa de Nova York.
Diante de tudo isso, qual é a manchete do Globo?
“Políticos também tinham conta no HSBC”.
Ora, vão pentear bodes!
A manchete tinha de ser: Dinheiro sujo do Suiçalão comprou campanhas do PSDB.
Mas tudo bem, vira manchete no Cafezinho.
Outra notícia bastante interessante é a de que Fortes, que foi candidato a vice-governador na chapa de Fernando Gabeira, em 2010, doou meio milhão para a campanha do nosso ex-querido defensor da maconha. E isso dias depois de Gabeira ameaçar “dar uma banana” ao PSDB caso não recebesse mais apoio financeiro.
Ah, Gabeira, isso é mucho loco bicho! O seu baseado eleitoral foi pago com dinheiro sujo do Suiçalão!
Agora vai ficar difícil para você manter a pose de lacerdista indignado em seus artigos.
Se tivessem encontrado algum petista graúdo no Suiçalão, seriam 20 minutos de Jornal Nacional, manchetes garrafais nos jornalões de todo país, e dá-lhe martelar a notícia de dez em dez minutos nas rádios corporativas.
Ah, encontraram um petista, o vereador Marcelo Arar.
Só que tem um detalhe. Na época em que abriu e fechou a conta secreta, Marcelo Arar era filiado ao PSDB.
Como diria o blogueiro Paulo Henrique Amorim: quá, quá, quá!
O petista que encontraram no Suiçalão é, na verdade, um tucano!
De qualquer forma, é peixe pequeno.
O nome pesado da lista, o que tem mais “interesse público” é Marcio Fortes, secretário nacional do PSDB e tesoureiro de inúmeras campanhas tucanas.
(Atualização: Fortes foi tesoureiro nacional do partido).
Se o Suiçalão já pegou um montão de tucano gordo, Marcio Fortes pode ser considerado o mais obeso de todos.
É um tucano obeso-mórbido!
A Globo e a mídia, em geral, tentam desviar a atenção da opinião pública, misturando esse tubarão branco a um monte de lambari de outros partidos.
Nem vem que não tem.
É preciso focar em Marcio Fortes, ele é a chave da cadeia onde vários tucanos poderiam passar uma belíssima temporada, caso tivéssemos um ministério público e uma justiça republicanos o suficiente para enfrentar a Globo e prender corruptos do PSDB.
Assim como Aécio Neves, cujo pai foi deputado da Arena, o partido oficial do regime militar, Marcio Fortes também é um filhote da ditadura.
Aos 34 anos, em pleno regime de exceção, Fortes foi nomeado secretário-geral do Ministério da Fazenda, na gestão de Karlos Heinz Rischbieter. Nessa condição foi, por várias vezes, ministro da Fazenda interino.
Desde então, Fortes surfaria na crista da onda, ocupando sempre os cargos que mais lidavam com dinheiro.
Assumiu a presidência do BNDES em 1987, à frente do qual comandou o primeiro programa de privatização do país.
De 1993 a 1994, Fortes foi secretário de obras do município do Rio de Janeiro, função que lhe permitiu amealhar os recursos para fazer uma campanha eleitoral milionária em 1994.
De 1999 a 2003 foi secretário-geral do PSDB.
Fortes está relacionado a três contas no HSBC suíço, mas não sabemos quanto dinheiro, no total, ele movimentou. A Globo só nos informa que uma das contas ainda estava ativa em 2007, com um saldo de 2,4 milhões de dólares.
Ora, não queremos apenas o saldo. Queremos o extrato!
O tucano foi dono de uma empresa de construção civil, a João Fortes. Um ramo de negócios bastante conveniente para um político que é “secretário municipal de Obras”.
Imagine se Lula fosse dono de empreiteira, tivesse conta secreta não-declarada na Suíça e tivesse sido o principal doador individual para campanhas do PT?
Seria um escândalo. Mas tucano é que nem índio: inimputável. Pode cometer o crime que for, não há editoriais indignados, nem “protestos” de rua.
Os “revoltados online” também não parecem dar muita bola para os crimes de colarinho branco cometidos pelos bicudos.
Cada vez eu entendo mais a amargura de um Aloizio Mercadante e dos petistas de São Paulo, de maneira geral: eles devem praguejar contra o destino, todos os dias, por não lhes terem concedido a graça divina de nascerem tucanos.
Só tem uma categoria profissional, além de petistas de SP, com mais inveja de tucanos: narcotraficantes. Todos eles devem invejar o dono daquele carregamento de meia tonelada encontrada no helicóptero. Como o proprietário do helicóptero era senador amigo de tucano, não aconteceu nada, ninguém foi preso.
Se um petista graúdo (e autêntico, petista mixuruca e tucano como Marcelo Arar não conta) fosse pego com conta secreta na Suíça, não declarada à Receita, teria que se aconselhar com José Dirceu para saber como conviver com repórteres dia e noite acampados na porta da sua casa.

domingo, 21 de setembro de 2014

Por que o PSDB está morrendo?





Por Paulo Nogueira, no DCM

Papo velho

Tarde demais para o PSDB reagir e chegar ao segundo turno, disse o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

Ele se referia ao pequeno avanço de Aécio nos últimos dias nas pesquisas.

A não ser que um milagre ocorra, Dilma e Marina disputarão o segundo turno.

Aécio vai ficar de fora, e será um marco no declínio do PSDB.

Concordo apenas parcialmente com o diretor do Datafolha.

No obituário da campanha tucana de 2014, eu diria o seguinte: o PSDB teve anos para se preparar. Não se preparou. Seria impossível, em poucos dias, recuperar o atraso de tanto tempo.

O PSDB é hoje uma obsolescência.

Seus líderes foram cegos para enxergar as demandas do Brasil moderno.

Em vez de abraçarem a causa do combate à desigualdade, que é a grande questão nacional, eles se fixaram na velha, gasta, mentirosa, oportunista, hipócrita ladainha da corrupção.

Fizeram-se de virgens sendo marafonas.

Os tucanos foram espetacularmente desmascarados por Luciana Genro no debate da CNBB. As palavras de Luciana a Aécio, enumerando os atos de corrupção do PSDB, entrarão para a história da política nacional.

Compare o discurso pseudomoralista de Aécio com o de Dilma: qual tem mais apelo?

Dilma fixou sua campanha na questão social. Vem mostrando os avanços sociais brasileiros nestes anos do PT no poder.

De certa forma, todas as informações que sustentam estes avanços parecem novas, não porque sejam, mas porque a mídia não cobriu nada, ou por miopia ou por má fé.

Do Bolsa Família ao Mais Médicos, das cotas para negros ao Prouni, do aumento do salário mínimo ao Pronatec, a lista de realizações sociais é, inegavelmente, grande.

Podia ser maior? Claro que sim. Podia e devia. Mas é muito mais do que, excetuado Getúlio Vargas, qualquer outra administração fez contra a iniquidade.

Dilma tem o que mostrar e o que falar.

Melhor ainda para ela, certas coisas nem é ela que diz. São os outros. Nesta semana, por exemplo, a ONU informou que o Brasil deixou o “Mapa da Fome”.

Enquanto isso, FHC se diz chocado ao ler a Veja e deparar com denúncias, como se fosse um Carlos Lacerda.

Ele quer enganar a quem com esse choque de araque? Quer conquistar que votos? Os dos leitores da Veja? Ora, estes já são do PSDB. São os antipetistas viscerais.

O presente está perdido para o PSDB, e o futuro também estará a não ser que o partido se reinvente.

Mas com quem?

Com FHC, com Serra, com Aécio?

Esqueça.

Considere o caso do premiê escocês Alex Salmond, derrotado no plebiscito que decidiu se a Escócia permanecia ou não no Reino Unido.

Salmond, conhecidos os resultados, anunciou que deixaria a liderança de seu partido e renunciaria, consequentemente, à chefia do governo.

É preciso encontrar novos líderes, disse.

No Brasil, os chefes políticos só costumam sair de cena num caixão, e é uma pena.

Serra já deve estar pensando em 2018. Aécio provavelmente logo estará pensando nisso também.

Uma empresa se renova com sangue fresco. Um partido também. O PSDB, neste sentido, é a quintessência do bolor.

Os tucanos pagam “militantes” para fingir que Aécio é popular. Mas este tipo de expediente apenas demonstra que o discurso velho do partido não comove ninguém.

O dinheiro compra até o amor verdadeiro, escreveu Nelson Rodrigues.

Mas não compra votos, e o PSDB parece desconhecer esta verdade indestrutível.