Saudades do tempo de “Daniel do Piu” quando os moradores de Queimadas e de milhares de outras pequenas cidades do interior baiano, e brasileiro tinham sobressaltos com o roubo de pequenos objetos e animais. Não que não houvesse assassinatos, suicídios, brigas e outras estripulias. Mas nada que possa ser comparado à violência de nossos dias que se deslocou das grandes cidades e busca refúgio nas pequenas localidades onde hoje, a droga e os assaltos a bancos são os campeões do quadro vermelho da violência.
Duas lições devem ser tiradas deste episódio trágico que foi o quarto assalto de quadrilhas organizadas e violentas contra agencias bancárias no município de Queimadas. Primeira, que o Governo do Estado está totalmente despreparado para enfrentar este tipo de ação. A segunda, o quanto é despreparado nosso quadro sindical e do perigo representado por lideranças inconsequentes e irresponsáveis.
Antes, quero lamentar a morte de Silvano Reis da Silva, marido da vereadora Ivanivalda Queiroz, mais conhecida em nossa terra por Walda. Todos os cristãos, independentemente de sua cor partidária ou da Igreja que freqüenta, se solidarizou com a sua tragédia pessoal ao ter seu companheiro assassinado pela sanha violenta de bandidos encapuzados que ultimamente dominam o cenário do interior baiano.
Independentemente de sermos adversários políticos, somos homens de bem, responsáveis e sabemos distinguir o que seja uma luta política e ideológica por princípios, de uma tragédia pessoal. Sabemos separar o joio do trigo e compartilhamos, todos nós queimadenses, com a dor de Walda Queiroz e de seus três filhos com este trágico acontecimento.
Por esta razão devemos todos condenar o comportamento vergonhoso, irresponsável e inadequado do vice presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais. Desrespeitando a dor e o sofrimento da Família Queiroz, que chorava o seu morto de forma trágica, este senhor, ao contrário de se solidarizar com a família, dá declarações a uma emissora de rádio responsabilizando o prefeito Paulo Sergio Brandão Carneiro pela morte de Silvano.
Acredito, aliás tenho absoluta certeza disso, que a presidente do sindicato, a ex-vereadora Poliana Araújo Reis não compactua com tal absurdo. Porque se assim fosse, além de desrespeitar a família Queiroz estaria dando um “tiro no próprio pé”, porque poderíamos, dá mesma forma que o seu companheiro, afirmar que a responsabilidade pela morte de Silvana seria de sua responsabilidade por ter convocado uma greve e uma passeata que, supostamente, teria levado à morte de Silvano.
Não o foi, e todos nós sabemos disso. Mas no afã de produzir um efeito pirotécnico na vã tentativa de levantar dividendos políticos para um movimento paredista que fracassou, mesmo antes deste triste episódio, este senhor, de forma indigna, desrespeita a família enlutada, os queimadenses e os próprios servidores envolvidos no movimento.
Esperamos que estes dois episódios tragam alguma luz a estes dirigentes. Primeiro, um esforço gigantesco do Governador do Estado, especialmente, dos secretários da área de Segurança Pública para que proporcionem um combate sem tréguas e sistemático a estas quadrilhas que produzem dor e revolta à dezenas de famílias de baianas e, em segundo, um aprendizado a aprendizes de dirigentes sindicais.