domingo, 31 de janeiro de 2010

Em que acreditamos

A escritora cearense Rachel de Queiroz (morta em 2003) e que defendeu a quartelada militar que derrubou o presidente João Goulart, disse numa entrevista à TV Senado não ter fé, sequer em Deus. E se lastimava por esta condição, pois acreditava ser uma coisa boa ter fé “mas Deus assim não quis”. Deixo de lado a escritora de “Memorial de Maria Moura” e pergunto aos poucos, mas queridos leitores deste blog: É importante ter fé?
Podemos viver sem esta condição? Acredito que Rachel de Queiroz situou o não ter fé no plano espiritual, em não acreditar em Deus e nos santos dos homens, em que pese ter sido amiga e afilhada do Padre Cícero Romão Batista, beato maior de todos os nordestinos.
De minha parte confesso que a minha fé (no sentido religioso) é vacilante. Depende das agruras da vida. Mas não me considero propriamente um ateu. Acho que o grande Deus é a Mãe Natureza, tão incompreendida nos tempos atuais. Como seletiva, com certeza dará respostas as agressões que vem sofrendo. Só espero que não se repitam às centenas os Haitis de hoje.
Mas como não ter fé, e viver? Isso é possível? Como não acreditar em tempos melhores, em boas novas. Virá um novo Jesus Homem, o real e não imaginário, e muito menos vingador a cobrar todos os pecados do ser humano? Eu não tenho todas as respostas. Quem cultua a fé, e são aos milhões, se aconselha nos mais diversos movimentos, religiosos ou não. Eu cultuo a fé, mas a fé da esperança. A fé da renovação. A fé que nos conduzirá ao Nirvana seja ele onde for.
Acredito no ser humano. No seu poder renovador. Acredito que temos um destino traçado e que os percalços (ou pecados) colocados na marcha das raças para a sua humanização, para o seu engrandecimento fazem parte do aprendizado. Do crescimento.
Por isso creio que o povo de Queimadas há de encontrar o seu caminho, e, no final, o seu Nirvana. È claro que uma ajuda aqui, outra acolá, é essencial para que a fé se mantenha viva, ou melhor, acesa no coração e mentes de todos. Portanto, não será a vitória ou derrota deste ou daquele grupamento político que dará o traçado do caminho a ser seguido.
É natural que a decisão desta quarta-feira poderá acelerar ou retardar o encontro com o que há de melhor no amanhã. Mas tenho certeza de que o caminho já está traçado. Que o destino já foi devidamente pontilhado com os tropeços nas pedras ali postas. Por isto tenho fé. Fé de que as escolhas já foram tomadas. E, se assim for, um tropeço a mais ou a menos não me abalará. Mas, com certeza, o avanço nos despertará para empreendermos um caminho de luz. Na fé.

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