O que aconteceu, aconteceu.
O que não aconteceu são águas passadas,
Mas ainda pode acontecer.
(Vereador de Queimadas, Sessão da Câmara, 27.05.2010)
Por José Raimundo Barbosa*
Os campos do sertão fazem milagres?
O verde se esconde com frequência,
As chuvas não são suficientes aos nossos olhos,
Mas possui um leite que emana
De um ser querido e disputado com unhas e dentes:
Prefeitura – a vaca de muitos pecuaristas,
A grande árvore que abriga famílias e gerações.
Os campos do sertão fazem milagres?
Será que é a terra que mana leite e mel?
A resposta não é tão importante
Quanto a confusão que se instala na mente do povo:
“Cidade que não tem prefeito... ou tem?”
“Não pôde fazer nada. Não ficou no poder.”
“O que foi feito com tantas verbas que chegaram?”
O povo fala, ouve, questiona nas ruas,
Mas se cala em seu silêncio gritante e ignorante,
Às vezes omisso e irresponsável.
Frente à máquina que devora
E constrói o caos, a incerteza, o medo,
O que desperta o lado negro e mesquinho do ser:
O humano desigual, insensível, egoísta...
O ser dividido entre o que deve ser feito e os interesses pessoais.
O ser mesquinho que silencia ao olhar para seu umbigo.
O ser que se esquece de si, seus ideais em favor de uma minoria
Em detrimento da maioria inquieta, mas sem voz.
O ser que revela suas ambições, sua prepotência,
Seres que confirmam as vozes que soam ao longe:
Quer saber o que é o homem? Dê-lhe poder.
O que aconteceu, aconteceu? Quem sabe!
O que não aconteceu não importa mais?
É a chuva que se perdeu pelo caminho?
É a vela que perdeu seu brilho na noite fria?
É a criança que não foi gerada, nem gestada?
Será a nossa cidade, seus representantes e seu povo?
Onde ficamos? No que não aconteceu? Somos águas passadas?
Essa vaca ainda terá muito leite pelas previsões.
Os peitos fartos se percebem pelos números,
Mas o que fazer se o leite é derramado em vasilhas alheias?
O que fazer se o leite não alimenta ?
O que fazer com aqueles que regam seus campos com o leite alheio?
Continuaremos a entregar a nossa vaquinha?
Pensemos... pensemos... Manifestemos nossas inquietações.
José Raimundo Oliveira Barbosa, natural de Queimadas – Ba, filho do lavrador Daniel Barbosa e da dona de casa Josefa de Jesus Oliveira. Formado em Letras pela UNEB – CAMPUS XIV e atualmente é professor da rede estadual e municipal na cidade amada. É alguém que procura sentir o toque das palavras e o pulsar dos nossos sentimentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário