quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um anônimo disse...

(Nihil ita occultum est quod non reveletur)

Jesner A. Barbosa

Ninguém gosta das ofensas morais, acusações infundadas ou denúncias vazias perpetradas por quem quer seja, muito menos por pessoas que se escondem sob o manto do anonimato para detratar seus opositores, assacar contra desafetos ou destilar o seu veneno. Na segunda hipótese, então, não merecem nenhum crédito, já que não devem ser levados em consideração mormente quando praticam suas maldades à sorrelfa.
Após a repaginação do blog do Haroldo raros comentários são assinados pelos seus autores o que faz crer que eles estão encontrando dificuldades no novo sistema de comunicação adotado. Observa-se que entre as várias opções de identificação do usuário, disponibilizadas no link “comentários”, a mais simples é justamente a opção “anônimo” que é imediata e facilmente acessada, tornando-a preferencial, sendo escolhida, via de regra, não propriamente para manter o anonimato, mas por uma questão de comodidade, já que as outras opões requerem algum conhecimento de informática para serem utilizadas.
Agora o sistema permite filtrar os comentários, bem como coibir as baixarias e os insultos desses inominados, que se prestam ao triste papel de difamar a honra e a moral alheia, impunemente. A mudança foi necessária não apenas para afastar os insidiosos que agem no breu das tocas e os que se escudam em pseudônimos ou em nomes de terceiros para incriminá-los, mas, sobretudo, para atrair pessoas bem intencionadas que desejam se expressar livremente, defender os seus pontos de vista e contribuir com a melhoria da qualidade do debate protegidos da sanha dos maldosos que são movidos por sentimentos de revolta e pelo complexo de inferioridade.
Conviver com as diferenças nunca foi um problema para mim, pois não tenho a menor dificuldade em discutir civilizadamente com quem discorda das teses que defendo ou sobre os assuntos que abordo em meus textos. Admito qualquer divergência desde que haja bom senso e respeito por parte de quem opina seja para contestar, seja para protestar. Porém, não vale a pena polemizar com quem se utiliza de subterfúgios, caso dos anônimos e pseudônimos, pois eles não são afeitos ao diálogo nem mesmo ao debate limpo. Mas, em determinadas circunstâncias quando se deseja restabelecer a verdade dos fatos, podemos transigir.
Por todas essas razões, acredito que o anônimo que principia o seu comentário ao artigo “Um presente do passado” com um excerto de Ronaldo Bastos, como para justificar o seu brado de discórdia, mesmo voluntariamente (ou não) encoberto pelo anonimato, merece uma resposta, pois, ainda que por via travessa, defende princípios basilares da administração pública pelos quais também me bato, mas que não lhe permite a deselegância de atacar uma pessoa que não se encontra mais entre nós, portanto impossibilitado de se defender das acusações e da aridez de suas palavras.
Apesar de reconhecer os fatos importantes protagonizados pelo personagem citado no artigo em comento isso não o impede de negar até mesmo a possibilidade subjetiva de uma homenagem, acusando irresponsavelmente que este não teria atuado “com respeito e dignidade no trato à coisa pública” sem precisar-lhe o sentido ou apontar um fato comprovado ou apurado legalmente. Salvo se estiver se referindo ao episódio prosaico que denuncia dando conta da submissão de certo funcionário que trabalhava na Sementeira ocupando-se de tarefas mais elementares. Em sendo assim, revela-se uma ponta de ressentimento, como se intimamente ligado à vítima do ofício ou confidente do obrigado, mal dissimulado pela defesa da tese da supremacia do interesse público sobre o privado que, aliás, discorre muito bem, mas dentro de um contexto equivocado por uma visão distorcida dos fatos.
Portanto, por uma questão de coerência e justiça e em respeito à memória de Abelardo Borges, sinto-me obrigado a posicionar-me veementemente para reafirmar a sua conduta ilibada. Acusá-lo de “falta de respeito para com a moralidade e a coisa pública e falta de escrúpulo para com os seus concidadãos” mais do que um exagero é uma ilação absurda e preconceituosa de quem pouco o conheceu em vida.
Enquanto administrador público a frente da prefeitura de Queimadas, cumprindo um mandato-tampão de apenas dois anos, ninguém em sã consciência pode acusá-lo de qualquer deslize funcional muito menos de falta de “respeito ao patrimônio do povo” como insinua o anônimo acusador, posto que em toda sua trajetória pessoal e política nosso homenageado viveu modestamente as expensas de parcos recursos financeiros e morreu pobre despojado de quaisquer bens patrimoniais ou posses de valor que aproveitassem os seus descendentes. Deixou como herança o seu exemplo de vida simples pautada na honestidade e honradez.
Qualquer cidadão, seja ele um homem público ou não, se destaca na vida em sociedade e se diferencia dos demais pela sua postura diante dos desafios que a própria vida lhe impõe. A cada um de nós cabe uma existência de sacrifícios e de bênçãos que a providência divina nos destina na justa medida do nosso merecimento. Equacionar com sabedoria estes encargos e atributos é uma dádiva de Deus.
A imperfeição é inerente à condição humana e muitos dos nossos erros e acertos decorrem dos usos e costumes que permeiam a nossa existência. Atribuir a alguém uma situação fortuita ou uma ação infeliz não autoriza a generalidade de uma extrapolação conceitual. Até porque algumas práticas que condenamos hoje em dia eram usuais, comuns e aceitas com naturalidade no passado, por isso devemos evitar conclusões precipitadas por sentimentos negativos e mágoas reprimidas, pois estes são fatores deletérios que embotam a nossa mente a ponto de levar à tentação de sobrepormos pequenas falhas de comportamento a toda uma trajetória de vida de um indivíduo, não obstante reconhecermos os seus atos e ações benfazejas.
Apesar de tudo, é possível vislumbrar-se um resquício de sensibilidade nos escritos do anônimo ressentido, especialmente na citação preambular de um verso da canção “Menino” de autoria de Ronaldo Bastos, ex-integrante do famoso Clube da Esquina – um réquiem a um jovem morto acidentalmente numa repressão policial violenta de um movimento estudantil em 1968. Mas, para entender como é difícil e temerário julgar o próximo e entender as vicissitudes do ser humano o acusador passional deveria ter buscado inspiração nos versos enigmáticos do referido compositor na canção “Sol de Primavera”. Como bem disse o poeta: “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.
Por fim, aconselho o incauto desconhecido a exercitar melhor a sua criatividade para não perder o prumo no papel de um juiz sob pressão que termina por fazer uma justiça apressada.

3 comentários:

  1. É PÚBLICO E NOTORIO, QUE AS ORGANIZAÇÕES GLOBO , ESTÃO APOIANDO A CANDIDATURA DE SERRA, COMO SEMPRE A GLOBO MOSTRA QUE NÃO TEM COMO TIRAR "NADA"DO GOVERNO PETISTA.TAMBÉM SABE-SE QUE ELA SEMPRE ESTEVE JUNTO A QUEM LHE CONVÉM, NESSE CASO O "PSDB". VAMOS DAR TEMPO AO TEMPO PARA VER O COMPORTAMENTO DO JN, ASSIM QUE SERRA GANHAR OU PERDER...

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  2. Estimado Jesner,

    Por compreeder a busca da verdade é que não comungamos sua versão um tanto quanto lesiva a memória dos queimadenses. Entendida essa relação com o contexto democrático liberal, pois, insurgir-se contra os excessos do exercício do poder é tarefa fundamental de todos. Todavia, essa fórmula originária não levou em consideração - e, a bem da verdade, nem poderia tê-lo feito - que opoder político viria a manifestar-se, tempos depois, com a roupagem do que se chama de poder simbólico: o discurso dissimulado que submete sem precisar da força, que obtém a cumplicidade de quem a ele se sujeita, que esconde sua arbitrariedade para conseguir manipular pela ignorância as pessoas menos esclarecidas, especialmente quando trata-se de fatos e épocas da nossa política queimadense e de seus mandatários.
    Mais preocupante, entretanto, é a reação letárgica da sociedade a esse discurso de que o Sr. Abelardo Borges foi um "homem público" exemplar e bom administrador e etc. Ao invés de funcionar como instrumento de retórica falaciana, deveria buscar sempre o respeito -por menor que seja o erro - ao princípio de que a coisa pública sobrepõe a particular em todos os seus aspectos.Portanto, justiça não se pede, exige-se !

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  3. Querido primo e amigo,
    A partir do artigo que você escreveu alusivo à tradição da festa da lavagem da igreja de Sto. Antonio percebemos o caráter documental do seu texto que ao final direciona para uma homenagem conseqüente ao homem público que valorizou o evento. De forma racional registrou a história no tempo pretérito e presente, citou a problemática política, social, cultural e religiosa da cidade demonstrando conhecimento do nosso passado e presente. Engrandeceu a personalidade de meu pai como homem e como político. Mandou um recado direto aos que podem administrar esse evento em alto estilo. Porém, como vimos, ao invés de agradar acabou despertando a ira surda de um descontente.
    Há um velho ditado que enfatiza: "O que é insignificante devemos ignorá-lo", mas após leitura deste novo texto em que faz um desagravo ao meu pai Abelardo Borges das acusações gratuitas de um mero desconhecido comecei a refletir sobre o real alcance daquela expressão. Será tão simples assim? Percebi que esse dito popular pode assumir um novo sentido. É certo que não se pode valorizar as coisas ruins, porém isso não significa que devemos ignorar as coisas menores sem sopesar as conseqüências. Desde a introdução do texto, desenvolvimento e conclusão você consegue eticamente expor seus pontos de vista dentro do contexto da crítica, de uma maneira não somente sábia, mas, principalmente didática ao abordar os vários aspectos envolvidos, como o anonimato, o julgamento de outrem sem argumentos contundentes ou jurídicos, a coragem de confirmar a verdade dos fatos (para poucos) e o respeito à ausência do personagem focalizado.
    A finalização foi o que mais me impressionou. Desculpe a tietagem, mas é simplesmente fantástica! Ao parafrasear o autor Ronaldo Bastos corrigindo a escolha errônea da frase que simboliza a afirmação de um ideal revolucionário você elegeu em contraposição o ensinamento filosófico, também do mesmo autor, que assim se pode traduzir: "Não basta conhecer a teoria, é preciso praticá-la". Em outras palavras, conhecer o conceito nem sempre assegura a sua verdadeira compreensão, por isso é preciso refletir, perscrutar os fatos antes de julgar.
    Isso para mim foi muito significativo e representou o ápice da mensagem que tão bem transmitiu resumindo desta maneira toda a ideologia incoerente e açodamento de um crítico fugaz.
    Decerto meu pai está feliz por sua atitude e os seus filhos sinceramente reconfortados e agradecidos.
    Muitíssimo obrigada!

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