quarta-feira, 8 de maio de 2013

CPI do Tráfico de Pessoas convocará o Juiz Cappio


Mais material sobre o caso de Adoção em Monte Santo



A CPI também vai ouvir juiz afastado das funções depois que investigou e anulou sentença de adoções consideradas irregulares em Monte Santo, na Bahia.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Tráfico de Pessoas no Brasil aprovou nesta terça-feira (7) dois requerimentos para apurar casos em São Paulo e na Bahia. Um deles é a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de Helena Maria Curvello Sarhan, suspeita de ser intermediadora de adoções internacionais por meio da ONG Limiar, em São Paulo. Os requerimentos foram apresentados pelos deputados Fernando Francischini (PEN-PR), vice-presidente da CPI; e Paulo Freire (PR/SP). 
De acordo com Francischini, Helena Sarhan age em São Paulo da mesma forma que Audelino de Souza, o Lino, agia no Paraná. “Os dois trabalham do mesmo jeito na ONG: intermediando adoções e recebendo quantias vultosas de dinheiro em troca dessas intermediações. A diferença é que Lino agia no Paraná e em Santa Catarina e Helena age em São Paulo”, denuncia.
Juiz
O outro requerimento aprovado é para a realização de uma audiência pública com o juiz Luiz Roberto de Cappio, afastado pelo Tribunal de Justiça da Bahia da comarca de Monte Santo depois que anulou a sentença em que cinco filhos foram tirados da mãe. O juiz revelou em entrevista a uma emissora de TV que há uma associação criminosa voltada para agenciamento e tráfico de crianças agindo naquela região.
O fato envolvendo o juiz que mais chamou a atenção aconteceu em maio de 2011. Os cinco filhos de Silvânia Mota Silva foram retirados de casa na cidade de Monte Santo e sua guarda provisória foi concedida a quatro famílias do interior de São Paulo, de um dia para o outro, segundo as investigações.
A alegação era de maus-tratos por parte da mãe. A decisão foi assinada pelo juiz Vítor Bizerra que, na época, respondia pela comarca da cidade. A família das crianças não participou da decisão. “Os processos de adoção conduzidos pelo juiz Vítor Bizerra são totalmente irregulares, atípicos. São atrocidades contra famílias pobres, que não têm condição de ter um advogado, e que por isso merecem uma revisão. E quem tinha que estar sendo afastado agora era o senhor Vítor Bizerra”, opina o deputado Francischini. A audiência pública acontece nos próximos dias, em data ainda a ser marcada.
Por Assis Ribeiro

O juiz Cappio não foi afastado por ter suspendido a guarda provisória dos menores de Monte Santo.
A CPI do Tráfico tem acompanhado este caso e acha que há indícios de irregularidades na concessão da guarda provisória pelo juiz Bizerra.
O juiz que concedeu a guarda, Vitor Bizerra,  está sendo investigado pela concessão da guarda e por outros motivos, como por exemplo:
"Cinco advogados entraram com uma representação no Ministério Público da Bahia (MP-BA), protocolada na última segunda-feira (22) junto ao Tribunal de Justiça (TJ-BA), em que pedem a investigação criminal do juiz Vitor Manoel Sabino Xavier Bezerra – o mesmo do caso das adoções ilegais de Monte Santo – pela prática de exercício arbitrário e abuso de poder. De acordo com os denunciantes, o magistrado utilizou-se do cargo de juiz substituto da comarca de Sento Sé, no Vale do São Francisco, para praticar ações arbitrárias e criminosas. Eles acusam Xavier Bezerra de reter processos no cartório, invadir propriedade e desmatar área de reserva legal. O documento foi enviado ao órgão pelos advogados Roque Aras, Fabrício Bastos de Oliveira, Ana Emília Torres-Homem Giareta, Antonio Otto Correia Pipolo e Paulo Victor Souza Sena.
Segundo os acusadores, o magistrado teria invadido uma fazenda de propriedade da Energy Brasil Participações Ltda. e destruído a guarita e as torres de medição de vento do local. Já a área de reserva legal que teria sido desmatada faz parte da Fazenda Campo Largo, de propriedade das empresas Biobrax e Quifel. A área teve a sua madeira utilizada para abertura de estradas e construção de 70 km de cerca. A denúncia diz que, por esses motivos, o TJ-BA teria revogado imediatamente a nomeação de Xavier para a Comarca de Sento Sé.

Antes do caso de Monte Santo, os advogados denunciantes apontam que o juiz Vitor Manoel já havia se envolvido em outros escândalos de repercussão nacional. De acordo com reportagem veiculada em janeiro de 2012 no Terra, o magistrado tentou embarcar no aeroporto de Salvador com excesso de munição – para pistola de sua propriedade – e teria se recusado a devolver aos policiais a quantidade excedente e atrasado a decolagem do voo em duas horas. Segundo a matéria, Bezerra alegou aos policiais que o seu cargo lhe permitia carregar três pentes enquanto o permitido por lei é somente dois.

A denúncia aponta ainda que o juiz teria participado de um ato de vandalismo na cidade de Timbaúma em Pernambuco. De acordo com reportagem publicada na imprensa do estado, em fevereiro de 2000, Xavier Bezerra, teria promovido um "quebra-quebra" na Secretaria de Saúde do município, exigindo o pagamento dos honorários do seu irmão Adriano José Sabino Xavier Bezerra, que havia trabalhado como médico no Programa de Saúde Familiar. Segundo a publicação, Vitor Manoel destruiu vários equipamentos e agrediu o assessor da prefeitura local. O Bahia Notícias entrou em contato com o Ministério Público, que alegou não poder dilvulgar informações sobre inquéritos em andamento, e com a Comarca de Santo Sé, que não atendeu aos telefonemas até o fechamento desta reportagem."
http://www.bahianoticias.com.br/justica/noticia/44874-advogados-pedem-investigacao-do-juiz-do-caso-monte-santo-por-abuso-de-poder.html
Aqui uma entrevista com o Juiz Bizerra:
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/materias/1461901-leia-entrevista-com-juiz-vitor-bizerra

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