quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A voz das ruas


Conto 1 – Da traição

Dois episódios surrealistas (surreal, neste caso, no sentido do bizarro porque ele encerra em si algo fora do contexto, mas se insere dentro do teatro de absurdo que é a política de Queimadas. Isso em razão do surrealismo ter sido um movimento do início do século passado em que surreal significa algo extravagante, exagerado ou, como diria Raul Seixas, “O Genial”, maluco beleza.

Já o bizarro vale a história de uma noiva chinesa que na manhã seguinte à noite de núpcias errou de quarto ao voltar do banheiro, fez sexo com o padrinho e ainda entrou na Justiça contra o sortudo. Claro, perdeu.

         Já em Queimadas não se duvida de que o Ministério Público viesse achar “cabelo em caca de ovo” e aceitasse abrir uma ação contra o sortudo padrinho. Mas, vamos aos fatos:

         Três, de dois possíveis pré-candidatos do PT nas prévias que não existiram na campanha para a prefeitura de Queimadas no ano passado, mudaram de lado (será que ainda continuam filiados ao partido, o que seria mais uma bizarrice?) e apoiaram outro candidato. Um tornou-se, inclusive, secretário de Educação. O segundo, bem só ele pode dizer se usufrui ou não das benesses do poder.

         Já o terceiro ocupou cargo de importância na campanha do candidato do PT até ser descoberto que mirava duas coisas: dinheiro e traição. Esta semana, comprovou-se o que todos desconfiavam, mas não tinham certeza.

Em roda de amigos do “poder”, ao se aproximar perguntou com ares de quem sabe de tudo e os outros, nada: “já sabem da novidade? Diante do silencio de plateia tão atenta, concluiu: “nós ganhamos, o promotor deu parecer favorável a gente”. Silencio e pano de fundo. Esses são os “Reis” desse teatro mambembe vigente em Queimadas e que aceita qualquer tipo de ator, ou melhor, “tartufo”.


Conto 2 – da Noiva

Noivo arrependido (ou seria a noiva?) desiste de casamento. Bem, nada demais, afinal casamentos se desfazem como castelos de areia à beira mar, quanto mais noivados longos sem perspectivas de lances maiores, segundo as más línguas e colunistas que acompanham a vida social de nossa comunidade.

Novidade, mesmo, como contam as más línguas e este escrevinhador discorda por não acreditar em tudo que elas falam, foi o noivo já está a desfilar com um novo amor pelas ruas da cidade. Mas este tipo de assunto deve ser do interesse exclusivo dos envolvidos e este blog acompanha a política de Queimadas e não a vida pessoal das pessoas.

Se assim o é então porque este “nariz de cera” acima? devem estar a perguntar os amigos do “passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo” surpresos com esta abordagem. Bem, o assunto em si não diz respeito a este blog. Porém, os caminhos para se chegar envolve aspectos políticos que, como afirmado no texto acima (Conto 1 – Da Traição –, são políticos em que pese ser de um surrealismo bizarro à queimadense e à toda prova.

A noiva trabalhava numa secretaria que em menos de oito meses mudou duas vezes de comando. Ou seja, está no terceiro secretário. Mas a noiva cometeu um pecado que casais jamais devem cometer: dar opinião sobre determinados assuntos ficando contra uma das partes. E, neste caso, o pior: contra o noivo.

Explico melhor: a noiva em questão discordou da demissão da ex-secretária de Ação Social apontando, entre outras coisas a favor de sua pemanencia, a sua reconhecida competência e lealdade e que ele, o noivo, não deveria acreditar em tudo o que as pessoas falam, pois há muito traidores. Prepotencia, ignorância e deslealdade caminham de braços dados com a truculência. E esta não se fez por demorar.

E qual teria sido a reação do noivo com argumentos que deveriam, no mínimo, serem levados em consideração e que deixou a noiva surpresa e indignada: “A única traição aqui é a sua que sabia que a ex-secretária falava quase que diariamente com seu (dele, noivo) adversário por telefone e nunca me contou”, refutou o noivo.

Bem desculpem os leitores mas o barraco que se seguiu após esta sentença não deve fazer parte de nossa leitura. Cada um tire suas próprias conclusões, até porque o adversário com que a ex-secretária falava rotineiramente não passa de um funcionário da própria prefeitura com posição de peso na estrutura administrativa, mas que, neste caso, infelizmente, tem o mesmo nome de batismo do adversário.

Além do mais, as más línguas e as colunistas queimadenses já estão a espalhar que o indigitado noivo arrependido foi a casa a noiva atrás de uma reconciliação. “Aceito recomeçar, mas com data marcada para casamento”. O cantar de pneus e a poeira levantada dá a dimensão da resposta. É como digo: vida pessoal deve ficar intramuros. Ou, ainda, que "roupa suja se lava em casa". Contanto que ela seja blindada à ouvidos maliciosos.

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