A derrubada das árvores para favorecer posto de combustível não deu em nada
Azedou de vez a relação entre os empresários
do setor de combustíveis no município de Queimadas que pode vir a ter sérios
desdobramentos políticos. A aparente paz reinante foi quebrada logo após a
posse do atual prefeito, Tarcísio Pedreira quando este incentivou um dos grupos
que apoiaram financeiramente a sua campanha a implantar mais um posto de
combustíveis no município.
A decisão provocou, nos bastidores,
um racha no grupo. Ocorre que um dos maiores apoiadores da campanha do atual
prefeito desde o momento em que este rompeu com o ex-prefeito Paulo Sergio
Brandão (era o seu vice), veio exatamente de um empresário do setor de
combustíveis que, muito provavelmente, esperava a contrapartida, ou seja, a
exclusividade na venda dos seus produtos para a Prefeitura de Queimadas durante
os quatro anos de mandato.
Em que pese não ter havido transparência
nas discussões para se implantar um novo comercio de combustíveis, sabe-se que
acordos de bastidores assumidos (antes do atual prefeito anunciar a sua
candidatura), como forma de garantir fluxo de recursos para a campanha, foram
quebrados. Isso gerou desconfianças e, como não poderia deixar de ser no mundo
dos negócios, uma guerra para sustentar posições e garantir uma fatia maior
dentro deste butim que é a compra de qualquer produto por órgãos públicos.
Para complicar ainda mais o problema a
área e o início da construção do novo posto foi cercado de denúncias,
inclusive, de crime ambiental. Na Camara Municipal o vereador de oposição,
Mário Régis denunciou que o terreno em questão que pertencia ao município fora
doado ao Governo do Estado para ali ser implantada uma quadra de esportes.
Só para recordar, esta mesma área anos
atrás virou notícia nacional, via Jornal Nacional da rede Globo, quando o
ex-prefeito José Mauro de Oliveira para quitar uma dívida pessoal com um
cigano, doou parte do terreno aonde deveria ser construída uma praça. A
denúncia, a nível nacional, obrigou o então prefeito a recuar. Anos depois,
parte do terreno foi doado ao governo do Estado que ali implantou uma quadra de
esporte.
Ocorre que um empresário do ramo de
medicamento diz ter provas de que adquiriu a área, antes denominada “Chacrinha”
dos herdeiros do antigo proprietário, Joel Dias e que parte dela foi vendida ao
grupo que construiu o posto. Todo este imbróglio não impediu que, em tempo
recorde, fosse ocupado e ali se construísse o novo estabelecimento.
Durante a construção da estrutura do
posto seus proprietários cometeram um crime ambiental sob a complacência dos órgãos do Meio Ambiente do município e com
autorização do próprio prefeito, que, inclusive, liberou uma retroescavadeira
para a derrubada de cerca de 15 árvores que não permitiam uma boa visualização
do empreendimento. Apesar dos protestos da comunidade e de o assunto ter sido
denunciado por redes sociais até o momento não houve qualquer punição para os
infratores e muito menos responsabilização pelos danos causados ao meio
ambiente.
Até o momento, os únicos beneficiários
da implantação do novo posto foram os proprietários de veículos automotores com
a guerra de preços. No momento, é possível encher o tanque de um carro movido à
gasolina por R$ 2,55 o litro, preço este só encontrado em Feira de Santana 200
quilometros distante de Queimadas, quando anteriormente o preço girava em torno
de R$ 3,01 por litro. O que a população espera é que esta guerra se estenda
para um outro tipo de combustível: o botijão de gás em que todos os
concessionários cobram o mesmo preço e, exorbitante.
Se o racha entre os grupos que
apoiaram o atual prefeito; se a guerra de preços; se a possibilidade do terreno
voltar às mãos do município; e se uma possível condenação por crime ambiental tem
causados sérios danos à imagem do atual prefeito e dos empresários o setor, o
que dizer dessa conversa que deveria ser de “pé de ouvido” mas foi
captada pelos sensíveis sensores desenvolvidos pelo “passarinho do pé de fícus o Bar
de Osvaldo” dentro de um sanitário de um restaurante? Vejam a joia de
dois dos nossos empresários sócios do empreendimento:
“A situação está complicada.
Precisamos tirar o máximo que pudermos da prefeitura e rápido. Pelo menos para
cobrirmos a despesa na construção do empreendimento. E tem que ser urgente,
caso contrário o prejuízo sobrará para todos nós”. Ilustrativa, não?
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