
Que essa imagem não se repita em 2014
No ano passado nós ousamos sonhar. E voamos, como o "passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo", neste sonho com a certeza de que nosso projeto político de esquerda, tal o qual Lula pôs em prática no Brasil a partir de 2003 e segue o sonho com Dilma, viesse a tirar nossa Queimadas de um pesadelo que já dura a sua própria existência.
Sonho esse que os áulicos, aqueles que bajulam os poderosos em especial os poderosos que teimam em usar o poder para usufruto pessoal, pensam que o abateram em pleno voo. Como se enganam. Como desconhecem a alma do nosso povo. Pela primeira vez na história política de Queimadas o povo disse sim a um projeto político. E se as urnas não nos deram a vitória em números nos deram a certeza de que clamam por mudanças.
Mudanças no discurso. Mudança nas práticas. Mudanças de mérito. Mas, sobretudo, mudança de curso. Quase metade da população queimadense aderiu ao novo e se propôs ao início de um novo tempo. A outra metade acreditou que o pesadelo seria findo. Ela tinha este direito.
Mas a metade dessa metade sabe hoje o erro que cometeu e já acredita que o pesadelo tornou-se mais sombrio. Que o discurso da mentira; que a arrogância e a prepotência são o discurso do fraco, do enganador, enfim, do mistificador.
E foi este sentimento que explodiu de forma espontânea que assustou e ainda assusta os atuais mandatários que ainda pensam, e assim agem, como se Queimadas fosse um eterno manso senhorial em que vige o feudalismo. Sistema em que a família feudal tem total controle, sobretudo, sobre a política.
Eles, os áulicos e o trio feudal, não perceberam os sons que, como na música “Apesar de Você” de Chico Buarque gravada quando o Brasil vivia o início dos anos de chumbo com a decretação do AI-5, trouxe um alento à população ao mostrar que no coração e mente do nosso povo havia um grito de “basta”, um grito de "esperança".
“Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão”
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu”, cantava Chico, mas arrematava:
Apesara de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar.
O alcaide, as todas poderosas “mainha” e “irmã” e os áulicos pouco tiveram a comemorar neste Natal e menos ainda nas festas de Ano Bom. É que o presente natalino foi um pacote que veio sendo montado e enchido ao longo do ano pelo "Bom Velhinho". Teve início nos primeiros dias da administração quando bateu e perdeu de frente com o funcionalismo público. Acreditou que a arrogância feudal poderia vencer a resistência de um categoria.
Antes, havia perdido a presidência da Câmara de Vereadores para uma jogada (no bom sentido) de mestre perpetrada por Dr. André e os vereadores do PT, à frente com o vereador Lázaro, eleito ao derrotar o vereador Renato Varjão hoje um tímido e apagado Líder do Governo na Casa.
Três meses após a posse um golpe que abalou a confiança de todos os queimadense na transparência e honestidade prometida em palanque: a demissão da secretária de Ação Social por improbidade administrativa. Denunciada por pagar uma funcionária de sua empresa particular com recursos da secretaria, Advan Sobrinho foi demitida sem sequer ser ouvida pelo alcaide.
Aparentemente sua decisão foi o de não compactuar com desmando. Posteriormente, nos bastidores, a verdadeira razão para a sua decisão tão intempestiva ficou mais clara e a população pode perceber que, por detrás do manto não tão santificado, regurgitava histórias escabrosas de briga pelo poder envolvendo a secretaria e o Líder do Governo na Câmara que postulava um cargo para a sua mulher, como promessa de campanha.
O mesmo personagem que, pouco tempo depois, protagonizou ao lado do prefeito, do secretário da Educação e de “mainha” e outros personagens menores na estrutura de poder o episódio mais hilário (pelo resultado) do ano: a queda do secretário mais poderoso da atual gestão: o secretário de Finanças Roberto Salgado.
Por recado (levado pelo advogado da prefeitura (sic), o secretário foi demitido. Ao vivo e à cores, com direito à virada de mesa, o ultimato: “assumam as consequência”. Por recado (também levado pelo advogado) do prefeito, “mainha” e os outros, readmitido, mas sem poderes. Por fim, após outros recados o secretário permanece e consolida mais poderes.
Quando se acreditava que a lição tinha sio apreendida eis que o alcaide mais uma vez oferece ao "Bom Velhinho" mais um presente para o pacote de Natal: a demissão da nova secretária de Ação Social, Fabiana Figueiredo.
A desculpa: Demissão política pois a secretária passava os fins de semana num sítio de sua cunhada que vem a ser mulher do seu inimigo (para ele, o prefeito) número um: o editor deste blog e criador do personagem “passarinho do Pé de Fícus do bar de Osvaldo” temido e odiado pelo feudo.
A verdade: recursos depositados em contas da secretaria que somavam perto dos R$ 200 mil e que interessavam a setores do poder que queriam usufruir de qualquer forma, mas que esbarravam na decisão inabalável da secretária demitida que teimava e insistia em aplicar conforme a sua destinação.
Desconheço se o "Bom Velhinho" teve forças suficientes para entregar pacote tão pesado constituído de tantos desmandos e desatinos. Em tempos de Tecnologia de Informação talvez a publicação da relação (que supera o aqui relatado) tenha ido por e-mail ou, quem sabe, publicado numa rede social.
Um ano depois da posse desse desgoverno Queimadas tem a lamentar. Nada de novo, apenas práticas antigas e discurso enrolado com papel ensaboado de verniz opaco e mal cheiroso. Um ano perdido que se soma às décadas que ainda nos assombram ao mostrar o quanto afundamos no limbo da incompetência e da barbárie político/administrativo.
O prefeito Tarcísio Oliveira desce do pedestal por perceber que o povo despertou. Que ele não aceita mais o desmando, a corrupção, a arrogância e a prepotência. Acorda de seu pior pesadelo para entrar num mais sombrio. Sabe que vai despertar nas madrugadas de 2014 suando frio com imagens fantasmagóricas e muitas mãos a apertar-lhe o pescoço a cobrar-lhe mais. Mais dinheiro, mais poder e mais corrupção.
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