terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A matemática do jogo político para 2018




O adversário de Aécio para 2018 é Alckmin em 2014. Um Alckmin forte em São Paulo é o candidato natural do PSDB. Com ele fraco, Aécio tem chances, para Marina é um investimento a longo prazo e para Campos é indiferente.

O colega Neotupi nos traz um texto muito interessante: “O jogo de xadrez entre Alckmin e Campos para 2014 e 2018”.

É um belo trabalho de análise combinatória.

Realmente, a política de alianças permite combinações muito interessantes. Porém, diferente do que o artigo trata tão bem, o não apoio de Campos a Alckmin favorece muito mais a Aécio e a Marina. A Aécio favorece muito, para Marina é um investimento a longo prazo e para Campos é indiferente.

Demo-nos tratos à bola.

Por Sergio Saraiva no blog do Nassif

No início de 2013, Dilma era "pule de dez" para as eleições de 2014, e, então, o jogo dos outros concorrentes estava direcionado para 2018. Junho de 2013 pareceu uma obra de Lampedusa, mudou tudo para deixar tudo como estava. Ou seja, neste início de 2014, Dilma é novamente "pule de dez" para a eleição à presidência e o cenário de vitória no 1º turno não parece nada implausível.

Outra vez o jogo passa a ser 2018. Salvo chuvas e trovoadas já programadas e outras inesperadas. Os "protestos contra a Copa" são as combinadas. Vão começar a tentá-las em 25 de janeiro, aqui em São Paulo. Não deve dar em nada. Não nos esqueçamos de Marx: "a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa".

As não combinadas são, por exemplo, os "rolezinhos". Qualquer evento que convulsione o país será usado pelas forças reacionárias, a grande mídia como ponta de lança, para tentar desestabilizar o panorama político e "ver no que dá", já que a agitação pode não favorecer aos outros candidatos, mas, sem dúvida, é desfavorável para Dilma. 

Se nada acontecer, e é pouco provável que algo aconteça, é 2018 que deve estar nos planos da oposição e também do "novo PT" que terá de surgir com o encerramento do ciclo "lulista".

Nesse cenário, olhando deste início de 2014, Marina Silva, Aécio ou Alckmin, Eduardo Campos e Haddad são possíveis candidatos.

Nestas eleições, a exceção de Haddad, estarão formando o recall para 2018.

Marina e Eduardo Campos são um caso inusitado. Têm, cada um, um partido para chamar de seu. Marina o Rede e Eduardo o PSB. O casamento entre eles é de conveniência e termina assim que o Rede estiver aprovado junto ao TSE.

Marina vem a calhar para Campos. Dá a Campos a visibilidade no sudeste que ele precisava e aproxima Campos do empresariado paulista.

Campos vem a calhar para Marina. Mantém-na viva no ano e nas eleições de 2014 e permite a ela ir construindo o seu Rede para 2018.

Para isso, ela precisa demarcar espaços em São Paulo e Rio. Marina é um caso interessante, é do Acre, da “rainforest”, mas seu principal eleitorado e apoiadores estão no sudeste. Não dá para ser linha auxiliar de Alckmin. Aécio agradece.

Mas este casamento mostra também uma mudança de rumo de Eduardo Campos. Marina inviabiliza um apoio do PSB ao PT no 2º turno. Ou vai exigir uma engenharia política que não vislumbro, por enquanto. Supondo que Aécio sobreviva ao 1º turno.

No mundo ideal, pela ótica do que era o início de 2013, Campos seria o “herdeiro de Lula” com o fim do “PT original”, seja por que Lula e Dilma – sua continuação – completaram seus ciclos, seja porque a AP 470 inviabilizou quadros poderosos, seja porque outros nomes envelheceram sem se viabilizar.

Lula chegou a ensaiar uma candidatura de Temer ao governo de São Paulo em troca da vice de Dilma para Eduardo Campos, mas não teve jogo com o PMDB. Restou a Campos sair candidato.

Aqui, o normal seria Campos levar a eleição para o segundo turno, batendo muito mais em Aécio que em Dilma, ficar em terceiro e no 2º turno apoiar Dilma, garantir um ministério com verba e ser o candidato do PSB-PT em 2018.

Algo mudou, e mudou na cabeça de Lula.

E a mudança foi Haddad e Padilha.

A lógica, talvez, tenha sido simples, partindo do gênio que Lula é. A eleição de Haddad mostrou um Lula poderoso, capaz de fincar “postes” e não é de hoje que Alckmin e o PSDB paulista mostram claros sinais de fadiga do material, e isso antes do atual escândalo do "trensalão" e do julgamento do "mensalão tucano". Com Haddad eleito e com Dilma se recuperando das “Manifestações de Junho” muito melhor que Alckmin, Lula deve ter intuído que Padilha era viável não apenas para uma renovação do PT mas para a vitória na eleição para o governo paulista. Paradoxalmente, o PT paulistano, com Marta e Mercadante, não é dócil a Lula, o “Mais Médicos”, no entanto, tornou o nome de Padilha indiscutível dentro do PT.

Lula resolveu apostar.

Essa aposta muda o quadro da eleição de 2018 completamente, no curto prazo, e inviabiliza a chapa Campos presidente e o PT de vice em 2018. Pelo menos até 2016 – eleições municipais, onde Haddad deverá tentar a reeleição.

Com Padilha eleito governador e Haddad re-eleito prefeito da capital paulista, ele, Haddad, se torna o candidato natural do PT para 2018.

E mais, com Pimentel forte em Minas, Gleisi no Paraná e Lindbergh no Rio mais Tarso no Sul e Wagner na Bahia, estará feita a transição para o novo PT “pós-lulista”.

É “sonho de uma noite de verão” para Lula? É. Mas Lula se alimenta de sonhos, e esse não parece, visto daqui, do início de 2014, tão mirabolante assim.

Logo, Campos ficaria na chuva mesmo tendo apoiado Dilma e sido seu ministro. Campos deve ter percebido isso ou, mais ainda, conversado com Lula a respeito. Assim, inviabilizada a aliança PSB-PT para 2018, restou a ele buscar o confronto direto com o PT já em 2014, para marcar posição. A fragilidade de Aécio só ajuda Campos a chegar ao segundo turno, o que antes não lhe convinha. Sem mandato, Campos necessitará de algo que o mantenha em evidência até 2018, para não perder o recall conseguido em 2014. Mas lembremo-nos, Marina só fica no PSB até viabilizar o seu Rede. Isso deve ser dar em 2015. Aí, com Marina e seu grupo fora do PSB, quem sabe, PT e PSB voltem a conversar? Hoje, Campos não tem opção.

Aécio e Alckmin – O PSDB foi e continua sendo um partido dividido.

Pela primeira vez, desde as eleições de FHC, o nome de Aécio poderia ter sido um unificador. A ambição de José Serra, mais uma vez, não permitiu. Pior ainda, Aécio não conseguiu viabilizar o seu nome como aquele que agregaria o pensamento conservador brasileiro.

Alckmin personifica o conservadorismo retrógrado paulista e brasileiro. Eleito em São Paulo em 2014, será o candidato natural do PSDB nas eleições de 2018.

O adversário de Aécio em 2018 é, portanto, Alckmin em 2014. Um Alckmin forte em São Paulo é o candidato natural do PSDB, com ele fraco, Aécio tem chances.

Mas que chance é essa?

A chance de concorrer contra Haddad, Marina Silva e Eduardo Campos. A primeira eleição onde Lula e FHC serão nomes do “ancien régime”, a eleição que representará o início de um novo ciclo político no Brasil.

Aécio tem mandato até 2018, se perder em 2014, retorna ao Senado e recomeça de lá. Alckmin, se perder em 2014, retorna imediatamente a 2008 - irá dar aulas de anestesiologia.

Eduardo Campos e Marina Silva prestam um grande favor a Aécio Neves ao dificultar a vitória de Alckmin em 2014 para o governo paulista.

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