quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Adeus a um grande amigo

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         "Meu Jovem" como ficou sendo chamdo em nosso grupo, partiu cedo



“Calma meu jovem, calma”. Como esquecer, mesmo passados tantos anos, esta frase que, à época, nos ensinava e ainda hoje é um aprendizado para amigos que se querem bem, especialmente para este escriba. Era proferida por um jovem médico, no período fazendo o primeiro ano de o Residência no Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia, num belo e intenso viver de três jovens casais que curtiram Salvador, a Ilha de Itaparica e Arembepe espremidos (os seis) num fusca não sem antes passar por Diolindo, na Praça da Mariquita no Rio Vermelho (bem cedo, para não pegar fila e assim garantir uma reserva as melhores batidas produzidas na velha Bahia).


            Éramos três casais jovens que aproveitaram seu tempo (dois ainda mantém seus laços de juras eternas) que, sem rumo, nos finais de semana, tinham destinos certos. O dono da frase após três anos de Residência (duas em Salvador e uma em São Paulo) e mais um curso de especialização na Espanha, tornou-se um dos médicos, na sua especialidade, mais respeitado da Bahia: Dr. Carlos Kerner. Ontem, seu corpo foi cremado.


            Naquele momento, no grande salão de orações e despedidas bateu aquele vazio, aquela tristeza, aquele aperto no coração por termos nos vistos tão pouco nos últimos anos. Era a certeza de sermos imortais e de que todos os bons compromissos podem e devem ser adiados para um outro momento.


Parte Kerner após sofrer uma violência inominável. Um câncer que começou a se manifestar por meio de uma dor de cabeça durante o Natal e em menos de um mês tirou-lhe a vida num período em que deveria vive-la. Mas a própria vida nos ensina que a dor e o sofrimento com o tempo se transformam numa torrente de boas lembranças.



E estas continuarão marcadas no coração dos outros cinco jovens que, ao seu tempo, viveram um período de intensa felicidade arrastados que foram por esta paixão de viver o amor, sem consequências, sem compromissos... Um abraço, Carlos Kerner, desses cinco jovens hoje na plenitude da maturidade de suas vidas, mas que não conseguem e nem poderiam esquecer momentos tão ímpares de nossas vidas.

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