Por Alberto Porem Jr. extraído do site de Luis Nassif
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esde domingo a mídia tem, em efeito manada, colocado na pauta a chamada “parada sigilosa” do avião presidencial em Lisboa.
Algumas manchetes sobre o assunto:
O Globo: “Após estrear em Davos, Dilma faz escala sigilosa em Lisboa.”
Estadão: “Dilma passa fim de semana em Lisboa em sigilo.”
Folha: “Oposição cobra explicações sobre parada de Dilma em Portugal.”
Veja/ Estado de Minas: “Dilma deixa hotel de Lisboa pela porta dos fundos.”
Talvez pela absoluta falta de sensibilidade jornalística ninguém foi a fundo para saber realmente sobre esta parada em Lisboa.
Graças a comentaristas comprometidos com a verdade dos fatos como junior50 e barbalho podemos demonstrar mais esta barrigada.
O avião presidencial é um Airbus A319. Este avião segue uma regra internacional de aviação chamada ETOPS 180.
O que é a ETOPS? Conforme a Wikipédia temos: ETOPS (Extended Twin Engine Operations) é uma sigla para certificações oficiais de autoridades aeronáuticas de vários países, que permitem às aeronaves comerciais bimotoras e aeronaves executivas bimotoras voarem em rotas com trechos que estejam tão distantes de um aeroporto alternativo quanto a distância de voo percorrida em até 60 minutos, ou, em outros casos, até mais...
No caso do A 319 a certificação é a ETOPS 180, ou seja, para 180 minutos (3 horas).
...Numa tradução livre e simplificada, ETOPS significa Operação de Longo Alcance em Bimotores, e, durante o processo de certificação, as autoridades aeronáuticas submetem a aeronave e o seu fabricante a uma série de exigências, entre elas sistemas de segurança redundantes e equipamentos de comunicação e navegação altamente confiáveis...
...A principal exigência das autoridades aeronáuticas para a obtenção dessas certificações é a capacidade da aeronave se manter em voo, caso um dos motores falhe, até uma parada de emergência mais próxima, principalmente pela análise do índice de confiabilidade dos motores....
Como podemos verificar nos links abaixo temos a certificação do Airbus 319 com a ETOPS 180:
E o range para o A319 partindo de Zurique seguindo a ETOPS 180.
Insinuar que foi uma parada tipo “vamos parar em Lisboa que tô com vontade de comer no Eleven” é jornalismo rastaquera.
A parada é um procedimento obrigatório como diz claramente em seu comentário, o junior50: “ O ACJ da PR cumpre a determinação de ETOPS ( extended twin-engine operations) 180, portanto para atravessar o Atlantico para Cuba, pela aerovia preferencial do Atlantico Norte, teria de escalar Lisboa ( Etops nas ilhas atlanticas), ou caso fosse de Zurique para Nova York, escalar Londres ou Luton ( Etops Islandia, Etops Groelandia, Etops Canadá/Baffin) em rota direta Lisboa - Natal ( Etops Ilhas Atlanticas, Etops Noronha, Etops Africa Ocidental).
Junior50 vai mais fundo:” Uma escala técnica para travessia ETOPS 180, não é, como alguém escreve abaixo, passível de ser realizada em apenas 02:00 hs, para aviação comercial o mínimo seria de 04:00/05:00 hs, mas em procedimentos e na doutrina operacional, militar VIP-P- FAB/USAF/NATO, em menos de 06:00 hs é impossível, mesmo com um ACJ equipado com sistema BITE ( built in test), exige-se até um parcial "sangramento" de alguns fluidos hidráulicos, analise de resíduos e substituições ( travessias marítimas são completamente diferentes de voos sobre a terra, salinidade etc..), além da liberação, pelo Eurocontrol - na saída - e do componente civil do NORAD (Estados Unidos) - em rota e aproximação, que faculta a aeronaves (MilStd/VIP-P), uma aerovia e classificação (número do voo) preferencial.”
- Vamos ao fato da estadia em Lisboa já que no que diz respeito a parada “sigilosa” temos que “Inês está morta!”.
O que querem tipificar com abuso econômico da comitiva presidencial é de uma comicidade típica da nossa Direita-Miami. Presidentes não se hospedam em qualquer hotel e quando se hospedam existe uma suíte que até no próprio nome, “presidencial”, já diz a quem deve servir.
Disseram que a presidente e comitiva deveriam permanecer a bordo durante o “reabastecimento” (de novo o desconhecimento de procedimentos operacionais imaginando que é tipo “enche o tanque” no posto da esquina).
Como este procedimento dura mais de 6:00 hs e o avião chegou às 17:50 hs local, alguém imagina o vôo partindo depois da meia noite?
Se houve a parada tem que ter hospedagem na cidade e por conseguinte devem jantar em algum lugar. De novo vem o pensamento tupiniquim vira lata de “poderia ter comido no bar da esquina” e esquecem que se trata da Presidente da República e que no mínimo deve ir no melhor restaurante da cidade, ou só a Direita-Miami pode ter este privilégio Sr. Rodrigo Constantino?
Sobre as contas pagas: É de uma sovinidade ímpar, lembra o episódio pirotécnico do Romanné-Conti de Lula.
O que posso dizer? Tentou-se criar um factóide que não se sustenta por razões técnicas e os políticos teleguiados da oposição fazem seus papéis habituais.
Gerações futuras de jornalismos elegeram esta era, que começou em 2005, como a “era das trevas” do jornalismo brasileiro onde a nossa mídia juntou a lenha, jogou o combustível e acendeu o fósforo de sua própria pira mortuária.
Já se vão 22 dias e nada do parecer do procurador eleitoral sobre o processo de Queimadas! Será que ainda vai fazer seu dever este ano?
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