As "Vivandeiras de Quarteis" (uma expressão usada pelo general presidente Castelo Branco para definir deputados, senadores e políticos que viviam aliciando militares) se espalham nos dias atuais por todos os quadrantes.
Pior, não são apenas os políticos, inclusive do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, também, jornalistas a exemplo de Bóris Casoy (este mesmo que ofendeu os garis e pertenceu ao Comando de Caça aos Comunistas na época negra da ditadura militar); José Nêumanne Pinto, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainard entre outros outrora defensores do estado de direito e hoje beatos e conspiradores de um golpe contra Lula e as instituições democráticas.
E não o fazem apenas nas casernas. O fazem à luz do dia nos meios de comunicação, inclusive rádios e TVs, uma concessão pública. Sabemos que alguns (não todos, a exemplo do senador Tasso Jeirassati) estão fazendo um jogo político com vistas a desgastar a imagem de Lula e, com isso, eleger seu candidato (Serra, o camaleão).
Um jogo ariscado. Pregar o rompimento do Estado de Direito usando como mote a sua própria manutenção (aquela história do golpe preventivo que ocorreu recentemente em Honduras onde se derrubou um presidente democraticamente eleito para evitar que ele o fizesse antes), é desconhecer a força da direita e das casernas e o apego destes pelo poder.
Esta tese é por demais conhecida dos brasileiros. Milicos, políticos e a imprensa derrubaram em 1964, o presidente João Goulart com o argumento que ele queria implantar um república sindicalista no País e, com isso, suprimir, entre outras baboseiras a liberdade de expressão. O resultado? O rompimento do estado de direito e uma ditadura sanguinária que durou exatos 21 anos com todas as suas consequencias perversas.
É este o jogo ariscado que está a envolver o PSDB e, mais uma vez, a imprensa brasileira e emissoras de rádio e TV. A BND e a Globo, nos últimos dias, criaram uma crise artificial entre os ministros militares e o Palácio do Planalto. Insuflam os militares promovendo uma cisão como a deixar no ar a possibilidade de a eles recorrerem quando seus objetivos (recuperar a presidencia da república este ano, é a principal delas) não forem alcançados.
E o fazem por saberem que a possibilidade de José Serra, o Camaleão, perder a eleição para Dilma Russef é grande. Em conversa que tive esta semana com um dos quadros mais importantes do PT baiano e nacional (hoje secretário de Wagner) ele garantiu que Dilma, como Wagner, ganha a eleição no primeiro turno.
Ele sabe o que diz. É um dos bons analistas políticos do partido e não fala para fazer propaganda de Dilma ou do PT. Analisa com dados. Lembra o desespero do PSDB e do DEM ao verem seu candidato, publicamente, não assumir sua candidatura; as dificuldades da colisão DEM-PSDB garantir palanque vitorioso nos principais estados brasileiro; e o "mensalão" do DEM que atingiu e derrubou o candidato a vice de Serra, o governador do Distrito Federal, José Arruda.
E para coroar a provável débacle da candidatura Serra, o próprio candidato (Serra) afastou o seu principal aliado: Aécio Neves, governador do Estado de Minas Gerais o segundo maior colégio eleitoral do País. Ao perceber o crescimento do seu nome, Serra acionou jornalistas do pior time para acabar com o voo do mineiro.
Entre outras, saíram matérias denegrindo a sua imagem como uma a sugerir que o governador mineiro é viciado em cocaína e outra de que ele teria agredido a sua namorada. Isso fez com que Aécio recusasse de sua candidatura, mas negasse a formar chapa do Serra. A resposta do governador mineiro deverá vir em outubro caso Serra, realmente, assuma a candidatura presidencial.
Aí estão alguns retalhos do quadro político atual e de como políticos que um dia estiveram à frente da luta pela redemocratização hoje, arriscadamente, fazem o jogo da direita e pregam abertamente a derrubada de Lula ou o impedimento da posse da futura presidente, Dilma Russef.
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