Fernando Henrique Cardoso, de acordo com a colunista Dora Kramer do Estado de São Paulo, é o cunhado que José Serra, o candidato do PSDB à Presidência da República e parte dos tucanos, querem ver pelas costas. Na verdade, o que ela deixa nas entrelinhas é que há ma “briga de foice” interna no partido entre os que querem e os que não querem Fernando Henrique na campanha de Serra.
Acredito que em qualquer família existam as divergências. É não só natural, mas saudável. Este é o processo democrático. È o exercício diário da cidadania. Mas vamos entender que no caso de Serra versus FHC, ou melhor, a disputa interna dentro do PSDB pela não herança maldita do governo FHC passou dos limites do tolerável.
Não sem razão Serra vem despencando nas pesquisas (com exceção do Datafolha, instituto do arquiinimigo de Lula, Otávio Frias dono do jornal partidário Folha de São Paulo). Dilma, na última pesquisa Vox Populi está com 31% e Serra com 34%. Pois bem, eu também tenho um irmão (e não um cunhado) que me serve de contraponto pela sua sanha em desmerecer, Lula, o PT e, em especial, Dilma Russef.
Não, não me perguntem se ele é leitor de Veja. O é sem a menor dúvida. Mas não é a Veja quem faz sua cabeça. Ele já nasceu assim. Um direitista puro e ingênuo que é contra a corrupção e o estado totalitário. Contra o ACM (enquanto vivo), FHC, José Agripino Maia e outros nomes do DEM. Mas isso não o impede de recitar a cantilena da Veja, do Jornal Nacional e congeneres.
Para ele, Hugo Chávez, os irmãos Castros e os presidentes da Bolívia, Equador e Irã não passam de ditadores de quinta categoria a assombrar o mundo civilizado. Dilma, então, é uma terrorista, Lula um corrupto e o PT um conglomerado de vagabundos. O Bolsa Família, ah! este aí é o bolsa vagabundagem e os acertos o governo Lula apenas a continuidade dos programas de Fernando Henrique Cardoso.
Sequer acredita meu irmão que a inflação deixada no último ano por Fernando Henrique Cardoso tenha ultrapassado os 13% e, que se tomado por base o IGP-I poderia chegar aos 65% (no ano) caso Lula não tivesse reagido ao terrorismo econômico levado a cabo por FHC e os tucanos mais radicais com o objetivo de inviabilizar o governo petista.
Este é meu irmão que sonhou votar em Marina Silva, mas já desistiu por recear que seu voto possa salvar a derrota de Serra. Não gosta de Fernando Henrique Cardoso. E não poderia ser diferente. Afinal, o príncipe dos sociólogos o taxou de vagabundo (já tinha se aposentado) e arrochou os salários do funcionalismo público federal. Era funcionário do INSS.
Mas ele tem salvação e disso eu tenho certeza. Pode até não votar em Dilma (acredito nisso), mas, em um futuro bem próximo enxergará com outros olhares esta mulher que é pura coragem, competência e honestidade. E reconhecerá que ela é a pessoa certa para substituir o melhor presidente que este País já teve.
E sabem por que tenho esta certeza? Por que isso ocorreu com meu pai, Analdino Brito de Andrade. Não que tenha sido um direitista. Militou por anos no PSD, foi eleitor de Waldir Pires (candidato ao Governo da Bahia, em 1962), mas tomou-se de amores pelos ditadores de plantão num escorregão histórico que não chegou a manchar sua biografia.
Lembro-me que nos piores momentos da ditadura, quando Médici era endeusado por esta mesma mídia que ataca Lula, os Direitos Humanos e a Liberdade de Imprensa, chegou a dizer que ele (Médice) era o presidente mais popular da história deste País. Em resposta disse: aguarde o retorno das liberdades públicas, a redemocratização do País e verás que este não passou de um ditador sanguinário endeusado pela mídia.
E não deu outra. Pois bem, Analdino se tornou um “lulista” de mão cheia e votaria em Dilma, aos 89 anos que completaria em julho, se Deus não o tivesse chamado três anos atrás. Por isso creio que meu irmão herdará a clareza que ele nos legou, com mais força, do que a nós seus sete irmãos. Tardia, como a de meu pai, mas bem vinda como a dele. Haverei de vê-lo nos nossos convescotes defendendo os governos populares democráticos latino-americanos; a causa dos Palestinos e de todos os povos esmagados pelas ditaduras dos impérios. E não há de ser longa esta espera.
Nenhum comentário:
Postar um comentário