Por Martin Granovsky (*)
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Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que
escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a
"História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua
própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual.
Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a
queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.
Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São
pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras
das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um
casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem
as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma
pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma.
Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece
enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a
use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que
detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e
magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe
abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é
grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.
- Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na
embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar
com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?
O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro
palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta
de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com
uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor
Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm.
Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha
a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O
professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro.
Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San
Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer
dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San
Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o
aparador.
Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para
a América do Sul, em princípios do século XIX, para cumprir seus planos de
independência?
Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.
- Como está a Argentina? - interroga mas não muito, porque não espera e
comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de
presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio.
Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.
Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns
acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em
castellhano.
- O que aconteceu com esse conflito?
Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que
antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma
tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora
sim, alguma pergunta.
- O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não
quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A
desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar
o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo
se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão
que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.
A Argentina experimentou várias crises, a
última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o
governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do
organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades.
- É que a esta altura se necessita de um FMI
absolutamente distinto, com outros princípios que não dependam apenas dos
países mais desenvolvidos e em que uma ou duas pessoas tomam as decisões. É
muito importante o que o Brasil e a Argentina estão propondo, para mudar o
sistema atual. Como estão as relações de vocês?
- Muito bem
- Isso é muito importante. Mantenham-nas assim. As boas relações entre
governos como os de vocês são muito importantes em meio a uma crise que também
implica riscos políticos. Para os padrões estadunidenses, o país está girando à
esquerda e não à extrema direita. Isso também é bom. A Grande Depressão levou
politicamente o mundo para a extrema direita em quase todo o planeta, com
exceção dos países escandinavos e dos Estados Unidos de Roosevelt. Inclusive o
Reino Unido chegou a ter membros do Parlamento que eram de extrema direita [e
começa a entrevista propriamente].
- E que alternativa aparece?
- Não sei. Sabe qual é o drama? O giro à direita teve onde se apoiar:
nos conservadores. O giro à esquerda também teve em quem descansar: nos
trabalhistas.
- Os trabalhistas governam o Reino Unido.
- Sim, mas eu gostaria de considerar um quadro mais geral. Já não existe
esquerda tal como era.
- Isso lhe é estranho?
- Faço apenas o registro.
- A quê se refere quando diz “a esquerda tal como era”?
- Às distintas variantes da esquerda clássica. Aos comunistas,
naturalmente. E aos socialdemocratas. Mas, sabe o que acontece? Todas as
variantes da esquerda precisam do Estado. E durante décadas de giro à direita
conservadora, o controle do Estado se tornou impossível.
- Por que?
- Muito simples. Como você controla o estado em condições de
globalização? Convém recordar que, em princípios dos anos 80 não só triunfaram
Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Na França, François Miterrand não obteve
uma vitória.
- Havia vencido para a presidência dem 1974 e repetiu a vitória em 1981.
- Sim. Mas quando tentou uma unidade das esquerdas para nacionalizar um
setor maior da economia, não teve poder suficiente para fazê-lo. Fracassou
completamente. A esquerda e os partidos socialdemocratas se retiraram de cena,
derrotados, convencidos de que nada se podia fazer. E, então, não só na França
como em todo mundo ficou claro que o único modelo que se podia impor com poder
real era o capitalismo absolutamente livre.
- Livre, sim. Por que diz “absolutamente”?
- Porque com liberdade absoluta para o mercado, quem atende aos pobres?
Essa política, ou a política da não-política, é a que se desenvolveu com
Margareth Thatcher e Ronald Reagan. E funcionou – dentro de sua lógica, claro,
que não compartilho – até a crise que começou em 2008. Frente à situação
anterior a esquerda não tinha alternativa. E frente a esta? Prestemos atenção,
por exemplo, à esquerda mais clássica da Europa. É muito débil na Europa. Ou
está fragmentada. Ou desapareceu. A Refundação Comunista na Itália é débil e os
outros ramos do ex Partido Comunista Italiano estão muito mal. A Esquerda Unida
na Espanha também está descendo ladeira abaixo. Algo permaneceu na Alemanha.
Algo na França, como Partido Comunista. Nem essas forças, nem menos ainda a extrema
esquerda, como os trotskistas, e nem sequer uma socialdemocracia como a que
descrevi antes alcançam uma resposta a esta crise a seus perigos, contudo. A
mesma debilidade da esquerda aumenta os riscos.
- Que riscos?
- Em períodos de grande descontentamento como o que começamos a viver, o
grande perigo é a xenofobia, que alimentará e será por sua vez alimentada pela
extrema direita. E quem essa extrema direita buscará? Buscará atrair os
“estúpidos” cidadãos que se preocupam com seu trabalho e têm medo de perdê-lo.
E digo estúpidos ironicamente, quero deixar claro. Porque aí reside outro
fracasso evidente do fundamentalismo de mercado. Deu liberdade para todos, e a
verdadeira liberdade de trabalho? A de mudá-lo e melhorar em todos os aspectos?
Essa liberdade não foi respeitada porque, para o fundamentalismo de mercado
isso tinha se tornado intolerável. Também teriam sido politicamente
intoleráveis a liberdade absoluta e a desregulação absoluta em matéria laboral,
ao menos na Europa. Eu temo uma era de depressão.
- Você ainda tem dúvidas de que entraremos em depressão?
- Se você quiser posso falar tecnicamente, como os economistas, e
quantificar trimestres. Mas isso não é necessário. Que outra palavra pode se
usar para denominar um tempo em que muito velozmente milhões de pessoas perdem
seu emprego? De qualquer maneira, até o momento no vejo um cenário de uma
extrema direita ganhando maioria em eleições, como ocorreu em 1933, quando a
Alemanha elegeu Adolf Hitler. É paradoxal, mas com um mundo muito globalizado
um fator impedirá a imigração, que por sua vez aparece como a desculpa para a
xenofobia e para o giro à extrema direita. E esse fator é que as pessoas
emigrarão menos – falo em termos de emigração em massa – ao verem que nos
países desenvolvidos a crise é tão grave. Voltando à xenofobia, o problema é
que, ainda que a extrema direita não ganhe, poderia ser muito importante na
fixação da agenda pública de temas e terminaria por imprimir uma face muito
feia na política.
- Deixemos de lado a economia, por um momento. Pensando em política, o
que diminuiria o risco da xenofobia?
- Me parece bem, vamos à prática. O perigo diminuiria com governos que
gozem de confiança política suficiente por parte do povo em virtude de sua
capacidade de restaurar o bem-estar econômico. As pessoas devem ver os
políticos como gente capaz de garantir a democracia, os direitos individuais e
ao mesmo tempo coordenar planos eficazes para se sair da crise. Agora que
falamos deste tema, sabe que vejo os países da América Latina
surpreendentemente imunes à xenofobia?
- Por que?
- Eu lhe pergunto se é assim. É assim?
- É possível. Não diria que são imunes, se pensamos, por exemplo, no
tratamento racista de um setor da Bolívia frente a Evo Morales, mas ao menos
nos últimos 25 anos de democracia, para tomar a idade da democracia argentina,
a xenofobia e o racismo nunca foram massivos nem nutriram partidos de extrema
direita, que são muito pequenos. Nem sequer com a crise de 2001, que culminou o
processo de destruição de milhões de empregos, apesar de que a imigração
boliviana já era muito importante em número. Agora, não falamos dos cantos das
torcidas de futebol, não é?
- Não, eu penso em termos massivos.
- Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em
outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo,
com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.
- Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num
país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de
Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a
distribuição. Alguns dizem que não é suficiente...
- E você, o que diz?
- Que não é suficiente. Mas
que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da
democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por
isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas
eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas
concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de
produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo
horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as cosias. Muitos.
- E você pensa que serão de anos de depressão mundial
- Sim. Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará
alguns anos. Estamos entrando em depressão. Sabem como se pode dar conta disso?
Falando com gente de negócios. Bom, eles estão mais deprimidos que os
economistas e os políticos. E, por sua vez, esta depressão é uma grande mudança
para a economia capitalista global.
- Por que está tão seguro desse diagnóstico?
- Porque não há volta atrás para o mercado absoluto que regeu os últimos
40 anos, desde a década de 70. Já não é mais uma questão de ciclos. O sistema
deve ser reestruturado.
- Posso lhe perguntar de novo por que está tão seguro?
- Porque esse modelo não é apenas injusto: agora é impossível. As noções
básicas segundo as quais as políticas públicas deviam ser abandonadas, agora
estão sendo deixadas de lado. Pense no que fazem e às vezes dizem, dirigentes
importantes de países desenvolvidos. Estão querendo reestruturar as economias
para sair da crise. Não estou elogiando. Estou descrevendo um fenômeno. E esse
fenômeno tem um elemento central: ninguém mais se anima a pensar que o Estado
pode não ser necessário ao desenvolvimento econômico. Ninguém mais diz que
bastará deixar que o mercado flua, com sua liberdade total. Não vê que o
sistema financeiro internacional já nem funciona mais? Num sentido, essa crise
é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. Nem os bancos
funcionam.
- Onde você vivia nesse momento, no começo dos anos 30?
- Nada menos que em Viena e Berlim. Era um menino. Que momento
horroroso. Falemos de coisas melhores, como Franklin Delano Roosevelt.
- Numa entrevista para a BBC no começo da crise você o resgatou.
- Sim, e resgato os motivos políticos de Roosevelt. Na política ele
aplicou o princípio do “Nunca mais”. Com tantos pobres, com tantos famintos nos
Estados Unidos, nunca mais o mercado como fator exclusivo de obtenção de
recursos. Por isso decidiu realizar sua política do pleno emprego. E desse modo
não somente atenuou os efeitos sociais da crise como seus eventuais efeitos
políticos de fascistização com base no medo massivo. O sistema de pleno emprego
não modificou a raiz da sociedade, mas funcionou durante décadas. Funcionou
razoavelmente bem nos Estados Unidos, funcionou na França, produziu a inclusão
social de muita gente, baseou-se no bem-estar combinado com uma economia mista
que teve resultados muito razoáveis no mundo do pós-Segunda Guerra. Alguns
estados foram mais sistemáticos, como a França, que implantou o capitalismo
dirigido, mas em geral as economias eram mistas e o Estado estava presente de
um modo ou de outro. Poderemos fazê-lo de novo? Não sei. O que sei é que a
solução não estará só na tecnologia e no desenvolvimento econômico. Roosevelt
levou em conta o custo humano da situação de crise.
- Quer dizer que para você as sociedades não se suicidam.
(Pensa) – Não deliberadamente. Sim, podem ir cometendo erros que as
levam a catástrofes terríveis. Ou ao desastre. Com que razoabilidade, durante
esses anos, se podia acreditar que o crescimento com tamanho nível de uma bolha
seria ilimitado? Cedo ou tarde isso terminaria e algo deveria ser feito.
- De maneira que não haverá catástrofe.
- Não me interessam as previsões. Observe, se acontece, acontece. Mas se
há algo que se possa fazer, façamos-no. Não se pode perdoar alguém por não ter
feito nada. Pelo menos uma tentativa. O desastre sobrevirá se permanecermos
quietos. A sociedade não pode basear-se numa concepção automática dos processos
políticos. Minha geração não ficou quieta nos anos 30 nem nos 40. Na Inglaterra
eu cresci, participei ativamente da política, fui acadêmico estudando em
Cambridge. E todos éramos muito politizados. A Guerra Civil espanhola nos tocou
muito. Por isso fomos firmemente antifascistas.
- Tocou a esquerda de todo o mundo. Também na América Latina
- Claro, foi um tema muito forte para todos. E nós, em Cambridge, víamos
que os governos não faziam nada para defender a República. Por isso reagimos
contra as velhas gerações e os governos que as representavam. Anos depois
entendi a lógica de por quê o governo do Reino Unido, onde nós estávamos, não
fez nada contra Francisco Franco. Já tinha a lucidez de se saber um império em
decadência e tinha consciência de sua debilidade. A Espanha funcionou como uma
distração. E os governos não deviam tê-la tomado assim. Equivocaram-se. O
levante contra a República foi um dos feitos mais importantes do século XX.
Logo depois, na Segunda Guerra...
- Pouco depois, não? Porque o fim da Guerra Civil Espanhola e a invasão
alemã da Tchecoslováquia ocorreu no mesmo ano.
- É verdade. Dizia-lhe que logo depois o liberalismo e o comunismo
tiveram uma causa comum. Se deram conta de que, assim não fosse, eram débeis
frente ao nazismo. E no caso da América Latina o modelo de Franco influenciou
mais que o de Benito Mussolini, com suas idéias conspiratórias da sinarquia,
por exemplo. Não tome isso como uma desculpa para Mussolini, por favor. O
fascismo europeu em geral é uma ideologia inaceitável, oposta a valores
universais.
- Você fala da América Latina...
- Mas não me pergunte da Argentina. Não sei o suficiente de seu país.
Todos me perguntam do peronismo. Para mim está claro que não pode ser tomado
como um movimento de extrema direita. Foi um movimento popular que organizou os
trabalhadores e isso talvez explique sua permanência no tempo. Nem os
socialistas nem os comunistas puderam estabelecer uma base forte no movimento
sindical. Sei das crises que a Argentina sofreu e sei algo de sua história, do
peso da classe média, de sua sociedade avançada culturalmente dentro da América
Latina, fenômeno que creio ainda se mantém. Sei da idade de ouro dos anos 20 e
sei dos exemplos obscenos de desigualdade comuns a toda a América Latina.
- Você sempre se definiu com um homem de esquerda. Também segue tendo
confiança nela?
- Sigo na esquerda, sem dúvida com mais interesse em Marx do que em
Lênin. Porque sejamos sinceros, o socialismo soviético fracassou. Foi uma forma
extrema de aplicar a lógica do socialismo, assimo como o fundamentalismo de
mercado foi uma forma extrema de aplicação da lógica do liberalismo econômico.
E também fracassou. A crise global que começou no ano passado é, para a economia
de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Por isso
Marx segue me interessando. Como o capitalismo segue existindo, a análise
marxista ainda é uma boa ferramenta para analisá-lo. Ao mesmo tempo, está claro
que não só não é possível como não é desejável uma economia socialista sem
mercado nem uma economia em geral sem Estado.
- Por que não?
- Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que
os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem
ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.
(*) Martin Granovsky é analista internacional e presidente da agência de
notícias Télan

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