Há anos insisto e denuncio que os governos da Arena/PFL e DEM foram criminosos para com o Estado da Bahia. Sabedores (seus governantes) que a Bahia detinha e detém a maior área geográfica do semi-Árido nordestino quase nada fizeram para solucionar os problemas decorrentes dessa situação. Basta ver que as grandes instituições criadas para mitigar os problemas ou para solucionar a falta de água na região ficam em Estados como Pernambuco e Ceará.
É um atraso secular este que nos foi imposto por esta cambada de ACMS, Paulo Souto, Cesar e Luis Viana Filho, para não falarmos dos Balbinos e Otávios Mangabeira. A Bahia atravessa hoje um dos seus piores momentos (pior, inclusive, que a seca dos anos 90 que quase acaba com tudo. É bom Wagner entender que não são apenas os projetos c omo o "água para todos" que vai resolver o problema. Nós precisamos de investimentos fortes em pesquisa e em projetos que protejam este bioma, hoje, tão degradado.
Por Manoel Bomfim
Ribeiro manoel.bomfim@terra.com.br
A seca já se instalou nos sertões do estado da Bahia produzindo os seus efeitos negativos e nefastos sobre a economia dos agricultores.
Não é uma seca inusitada,
mas prevista de longas datas pelos estudos do Instituto de Atividades
Espaciais-(IAE) de São José dos Campos. Esta previsão foi chamada de
“Prognóstico do Tempo a Longo Prazo” Baseia-se em interpolações e pesquisas
cuidadosas fundamentadas no histórico pluviométrico da região nordeste. A cada
26 anos ocorre uma grande seca, como aconteceu a de 1979/84 quando o DNOCS e
outros órgãos dos estados nordestinos receberam antecipadamente relatórios
sigilosos analisando e alertando para o que iria ocorrer. Não é um modelo
matemático na acepção do termo, mas um “Método Estatístico de Correlação,”
estudo que passou a merecer toda a credibilidade dos técnicos e dos poderes
administrativos.
Fizemos, pessoalmente e
por curiosidade, uma regressão com o perfil senoidal das secas acontecidas desde
a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil. A coincidência foi magistral, a cada 26
anos a senóide entra no seu ramo descendente apontando exatamente as secas
ocorridas na região em séculos passados. Exemplificamos só
algumas:
1582/84 - 1777/80 -
1877/80 - 1930/33 - 1957/59 e por aí vai a ciclometria das
secas
Não é uma equação, é um
modelo que pode sofre alterações nas datas presumidas das secas para mais ou
para menos devido à complexidade da trama atmosférica que foge aos domínios de
técnicos, meteorologistas e cientistas. Esta seca instalada agora, sobretudo no
estado da Bahia, promete durar todo o ano de 2012 e também por todo o ano de
2013.
Neste estudo procuramos
mostrar o sistema ondulatório dos períodos de chuvas escassas indicando a
projeção das estiagens que afligem a região.
Analisemos agora o
Semi-Árido baiano.
O Semi-Árido dos quatro
estados Ceará, Paraíba, R. G. do Norte e Pernambuco somam uma área total de
327.000 km² e o da Bahia sozinho tem área de 320.000 km², praticamente igual.
Desde o final do século XIX aqueles estados começaram a luta pela geração de
água construindo açudes de maneira obstinada. A seca de 1877/80 foi tirana
ceifando 500.000 vidas, 10% da população nordestina que era na época de
5.000.000 de habitantes. Uma grande calamidade. Morriam de fome, sede, tifo,
bexiga e outras endemias. Uma grande tragédia registrada na história do Nordeste
e jamais esquecida.
Juntar água foi, então, o
grande objetivo de todos os nordestinos uma vez que estes reservatórios se
tornaram essenciais para melhorar os terríveis efeitos da seca. O açude é um
núcleo de vida, de atividade social e econômica, sobretudo nos períodos
calamitosos de secas.
A nucleação em torno da
açudagem foi de tal importância que os nossos técnicos se tornaram os maiores
barrageiros do mundo e ao logo do século XX construíram a maior rede de açudes
do planeta Terra, mais de 70.000 açudes armazenando 40 bilhões de m³ de água,
volume igual a 16 baias da Guanabara. O sertão virou mar.
O Semi-Árido baiano, entretanto, ao longo do século XX, ficou totalmente esquecido pelos governantes apesar da sua mais baixa pluviosidade. Não participou da epopéia nordestina gerando e acumulando água para os períodos inditosos. Não tivemos um programa específico e determinado de construir uma estrutura hídrica.
O Estado já tinha tudo, “Cacau, Petróleo e Paulo Afonso, as riquezas da Bahia”, um jingle eleitoral. O cacau declinou, o petróleo, o maior produtor em terra, é, hoje, o R.G. do Norte e Paulo Afonso é de todo o Nordeste. Construímos, tão somente, cerca de 150 açudes de pequeno e médio porte armazenando 1 bilhão de m³. Toda nossa água armazenada cabe num único açude do Ceará, o Araras que acumula 1 bilhão de m³. Em 1882, há 130 anos passados, o Rio G. do Norte já tinha açude acumulando 600.000 m³ de água. Em 1934 o Ceará já armazenava 1 bilhão de m³ o que hoje acumula a Bahia.
O Semi-Árido baiano, entretanto, ao longo do século XX, ficou totalmente esquecido pelos governantes apesar da sua mais baixa pluviosidade. Não participou da epopéia nordestina gerando e acumulando água para os períodos inditosos. Não tivemos um programa específico e determinado de construir uma estrutura hídrica.
O Estado já tinha tudo, “Cacau, Petróleo e Paulo Afonso, as riquezas da Bahia”, um jingle eleitoral. O cacau declinou, o petróleo, o maior produtor em terra, é, hoje, o R.G. do Norte e Paulo Afonso é de todo o Nordeste. Construímos, tão somente, cerca de 150 açudes de pequeno e médio porte armazenando 1 bilhão de m³. Toda nossa água armazenada cabe num único açude do Ceará, o Araras que acumula 1 bilhão de m³. Em 1882, há 130 anos passados, o Rio G. do Norte já tinha açude acumulando 600.000 m³ de água. Em 1934 o Ceará já armazenava 1 bilhão de m³ o que hoje acumula a Bahia.
O nosso Semi-Árido possui
uma excelente rede filamentar de rios e riachos intermitentes podendo construir
um portentoso programa de açudagem, mas nada foi feito.
Vejamos mais, o rio São Francisco banha 850 km no Estado pela margem esquerda, de Carinhanha a Casa Nova e 1300 km pela direita, de Malhada a Paulo Afonso. São mais de 2.000 km lindeiros, mas não possuímos uma só adutora adentrando-se pelos nossos sertões. O estado de Sergipe, com 250 km de rio, tem 5 adutoras levando água aos seus municípios.
Vejamos mais, o rio São Francisco banha 850 km no Estado pela margem esquerda, de Carinhanha a Casa Nova e 1300 km pela direita, de Malhada a Paulo Afonso. São mais de 2.000 km lindeiros, mas não possuímos uma só adutora adentrando-se pelos nossos sertões. O estado de Sergipe, com 250 km de rio, tem 5 adutoras levando água aos seus municípios.
O Semi-Árido baiano se
constitui, portanto, na maior solidão hidro geográfica do
Brasil.
Não estamos preparados
para enfrentar a grande seca de 2012/13. Os nossos administradores foram sempre
absenteístas em relação a esta grande hinterlândia baiana. São 269 municípios,
57% da área do Estado carentes de estrutura hídrica.
O programa de cisternas é
excelente para as famílias sertanejas, já é um avanço, mas é água domestica,
mitiga a sede, mas não gera economia.
Temos, portanto, um
Semi-Árido pobre, mas prenhe de riquezas naturais. A caatinga com suas 922
espécies botânicas é um bioma único no mundo. Por ser pouco explorada, esta
grande área mantém ainda uma rica vegetação xerófila, verdadeiro baluarte contra
a desertificação devido a sua intensa inflorescência para a perpetuação das
espécies. Esta rica fitogeografia é um paraíso, o melhor do mundo para o
desenvolvimento de um vigoroso programa de apicultura orgânica. O Semi-Árido
baiano, este grande sertão dilatado, pode produzir cerca de 120.000 toneladas de
mel por ano, três vezes o que todo o Brasil produz.
A faveleira, euforbiácea
leguminosa, nativa dos nossos sertões, é, ainda, um diamante bruto da caatinga á
espera de lapidação. Ela, sozinha, redimirá o Semi-Árido baiano com a produção
de um finíssimo óleo de mesa que substituirá, com vantagens, o óleo de oliva,
além da sua excelência como forrageira para caprinos, riquíssima em proteínas.
Existem muitas outras riquezas naturais, mas permanecem inexploradas na estática
do nada.
Estas potencialidades
naturais da região não fazem, entretanto, nenhum progresso sem que haja o
empenho da sociedade e dos poderes constituídos. O Semi-Árido setentrional está
anos-luz á frente do baiano, preparado para a grande seca e nós aqui no estado
da Bahia ainda estamos de calças curtas.
Vinícius
Midlej S.
Ramos
Engenheiro Agrônomo
Engenheiro Agrônomo
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