quinta-feira, 9 de maio de 2013

Eduardo Campos, a Odisséia de Ulisses e o canto da sereia



Por  Oswaldo Conti-Bosso no blgo de Luis Nassif


O drama épico de Ulisses: "o homem amarrado a estrutura da civilização que segue seu rumo inexorável".

A narrativa homérica da história de três mil anos atrás, a poesia épica, história oral passada de geração à geração, por mais de meio milênio, até se tornar uma história escrita: A ODISSEIA DE HOMERO. No Canto XII da Odisséia, Homero diz que Ulisses não cedeu ao canto e encantos das sereias, alertado pela deusa e conhecedor da natureza frágil do homem, perante as provocações e ameaças, antecipou-se ao futuro, tapou os ouvidos de seus companheiros marinheiros e amarrou-se a estrutura do barco, quando da passagem pela perigosa região do mar, para não ceder ao canto e encantos das sereias.

Eduardo Campos, bem diferente de Ulisses, o herói homérico, o nosso herói pernambucano, vive seu próprio momento épico de distopia, ouviu o canto e encantos das sereias, os analistas políticos de plantão sobre o cenário político futuro, “Marcos Nobre e a aposta na candidatura de Eduardo Campos em 2014” (Brasilianas, Outubro de 2012):

Ele sinalizou pular do barco, mas não sabe se pula ou não, num morde e assopra, num faz que vai e não vai, numa encenação que remete-nos a história recente do imaginário mundo da política, o próprio espírito tucano, o pássaro político que adora ficar em cima do muro, ele ameaça pular do barco e abandonar os companheiros do governo, mas ao mesmo tempo, não quer largar o osso, como se existisse a figura de uma fêmea meio grávida.

A essa altura do campeonato nacional, será que se voltar atrás nesse ponto em que se encontra (algum lugar no meio do caminho), ele ainda vai alimentar esperanças de ter o apoio do governo em 2018?

Como se diz lá no interior, “a porca vai torceu o rabo”, já estão chamando “urubu de meu loro”, o caminho sem volta: a emenda pode ficar, ou já está pior do que o soneto?

Ele já está na mão da oposição?

“Agora Inês é morta”, dizia o cancioneiro medieval, Ulisses sabia para onde ia e o que queria, voltar para Ítaca.

Desde o tempo pré-humano, da idade da pedra lascada, o mundo muda, mas os problemas humanos permanecem os mesmos: poder, dinheiro, amor, ódio e o ego.

Bem diferente de Ulisses, a sereia venceu.

“Alea jacta est”, quem viver verá!


A suposta mensagem de Lula para Eduardo Campos

.
 Por Miguel do Rosário no Blog O Cafezinho

O que Lula disse a Campos?

Uma das mais experientes jornalistas políticas do país, Tereza Cruvinel, afirma ter recebido informações fidedignas sobre uma mensagem de Lula a Eduardo Campos, na qual o ex-presidente adverte que pode vir a ser candidato em 2014, se for preciso. A informação visava forçar Campos a recuar, pois a presença de Lula faria Campos desaparecer junto ao eleitorado nordestino. Segundo Cruvinel, Lula foi bem sucedido, porque o governador de Pernambuco, de fato, deu alguns passos atrás e sumiu do mapa nacional.

Dias atrás, o colunista do Globo publicou notinha informando que tucanos já estão desconfiados de possível desistência de Campos:

Com a pulga atrás da orelha – O comando da candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) está ressabiada com o governador Eduardo Campos, nome do PSB ao Planalto. Acham estranho os furos do socialista. Eduardo não foi à Conferência do PPS, ao 1º de Maio da Força Sindical e à tradicional Expozebu. Segundo os tucanos, se quer ser candidato mesmo, o socialista “não pode fugir da realidade o tempo todo”.

Na minha opinião, é muito difícil Lula vir como candidato, mas ele pode ter alertado Campos que ingressará pesado na campanha de sua correligionária, e que atuará especialmente no Nordeste, queimando o governador de Pernambuco junto a seu próprio eleitorado. De qualquer forma, já temos um primeiro grande mistério para a campanha de 2014: o que, exatamente, Lula disse a Campos?

Leia a íntegra do post de Tereza Cruvinel:

Lula na linha

Por Tereza Cruvinel, em seu blog.

As explicações dadas nos últimos dias pelos aliados do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para seu recente chá de sumiço deixaram a impressão de que faltava uma informação. Segundo esses interlocutores, Campos se retraiu para evitar a eleitoralização de todos os seus atos e a hiperexposição de imagem. E se voltou para as tarefas de governo também porque já começavam a dizer que ele viajava muito. Tudo isso é razoável, mas o ponto que faltava foi-nos revelado por eminências do próprio PSB: uma mensagem do ex-presidente Lula ao governador, nas vésperas do Primeiro de Maio, também contribuiu muito para a desaceleração de seus movimentos.

A fonte não sabe precisar o meio pelo qual a mensagem chegou ao governador, mas conhece perfeitamente o conteúdo. Desde que o governador avançou na disposição de concorrer à Presidência em 2014, rompendo a aliança histórica do PSB com o PT, seus aliados afirmam que só uma situação poderia levá-lo a desistir da candidatura: aquela em que o candidato do PT fosse o ex-presidente Lula, e não a presidente Dilma Rousseff. Campos não seria ingrato para com quem lhe deu todo apoio nos anos recentes, fazendo-o ministro, apoiando a candidatura a governador e propiciando-lhe recursos que ajudaram a garantir o êxito de suas duas gestões em Pernambuco. Sem dúvida, o governador é bom gestor, mas os investimentos federais no estado contaram muito. Para além da gratidão, existem também as fortes razões político-eleitorais. Por maior que seja a popularidade da atual presidente, especialmente no Nordeste, um eventual confronto com Lula ampliaria muito os riscos para qualquer desafiante.

A mensagem que Lula enviou, na semana do Primeiro de Maio, diz o informante do PSB, não foi afirmativa nem ameaçadora. Ele apenas pediu que Eduardo refletisse mais. Hoje, Lula teria mandado dizer: ele não é e não deseja ser candidato em 2014. A opção do PT já está feita por Dilma. Mas, e se lá na frente surgirem circunstâncias que o obriguem a concorrer? Iriam se enfrentar?

Depois disso é que Campos teria cancelado a participação na festa do Primeiro de Maio da Força Sindical, depois de ter prometido presença ao deputado Paulo Pereira da Silva, fundador daquela central sindical. Cancelou também a visita que faria a um órgão de imprensa em São Paulo depois da festa sindical. De lá para cá, tem se dedicado a visitar o interior de Pernambuco. Na semana passada, enquanto uma nuvem de políticos, com Dilma e Aécio Neves no destaque, participavam da exposição agropecuária de Uberaba (MG), Campos visitava 16 cidades do agreste. Esta semana, circulará pelo sertão.

Para quem vinha em altíssima velocidade, a freada foi brusca. Pode ter sido determinada pelo repentino cuidado com a saturação da imagem. Entretanto, a incursão de Lula também teve seu peso, garante o socialista que sempre recomendou mais cautela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário