Os bons
manuais da doutrina jurídica nos diz que a sentença é o “ato ápice da atuação
judicial e deveria ser, em todos os casos, ato de inteligência, sendo que a
sentença transcrita não representa aquilo que se pode esperar, mormente em caso
tão notório”.
O blog do Haroldo (www.queimadasbahia.blogspot.com)
publica hoje a terceira e última parte da análise sobre a sentença prolatada
pela juíza de Direito e Eleitoral, Manuela Rodrigues que considerou
improcedente a ação de Impugnação de Mandato
Eletivo por Abuso de Poder Economico e Captação Ilícita de Sufrágio
movida pelo candidato do PT, André Andrade contra o atual prefeito Tarcísio
Oliveira Pedreira e seu vice, Agripino Ramiro dos Santos.
Alguns partidários do atual gestor, que não passam de vermes
que se alimentam de restos jogados pelo alcaide e seus assessores para garantir
o elogio fácil; de criaturas já condenadas ao lixo e ao esgoto da história; de
hipócritas que se alinham circunflexos ao que de pior poderia acontecer à
história política e cultural de nossa terra; enfim, que não passam de bêbados
trôpegos a vomitar asneiras sem um mínimo critério de decência e, o que é pior,
de conhecimento. A esses que bradam ao vento contra este espaço democrático e
ao seu editor a quem chamam de “jornalistazinho” direi apenas o
seguinte:
Chutem “os Moinhos de Vento”. Esbravejem a
selvageria. Respinguem a podridão da lama em que vivem. Mas, não esqueçam: o blog
do Haroldo continuará na sua missão de denunciar os atos mais abjetos
praticados por esta administração com a ajuda desses mesmos vermes.
“Lamport”; Aditivos nos transportes; Consultorias sem
consultores, Calçamentos e, mais
recentemente, empenho para aquisição de 700 fardamentos para o CRAS e o Peti no
valor de R$ 42 mil, entre outras atitudes suspeitas que, supostamente, estão a
sangrar o erário público em benefício de uns poucos, estão na mira deste espaço
e, no tempo certo, trará a verdade aos leitores e à população de Queimadas.
Mas lembremos que ao Cartório Eleitoral e à Delegacia de
Polícia Civil foram entregues provas testemunhais e documentais de ocorrência de
delito (compra de voto). Em que pese a abertura de inquérito a sentença nos dá
uma prova de que não aferiu-se nada. Muito estranho este inquérito. Lá estavam
as pessoas que conduziam o caminhão; a mercadoria apreendida; as testemunhas e,
inclusive, o beneficiário, indicado por uma das testemunhas. Pelo que se deduz
do texto da sentença, a não abordagem ao beneficiário anulou toda a prova. E o inquérito?
Hoje, o texto aborda a testemunha Zacarias Pereira dos Santos
considerada pela digníssima Juíza Eleitoral como de total ausência de
credibilidade. Como é do conhecimento do mundo mineral, como gosta de dizer o
jornalista Mino Carta diretor de Redação da Revista Carta Capital, Zacarias
Pereira dos Santos se expôs à fúria da Justiça ao se declarar corrompido.
Foi claro e duro (com ele próprio), ao reconhecer que havia
vendido seu voto por R$ 1.500,00 ao candidato Tarcísio Pedreira, mas que só fez
a denúncia porque o trato não foi cumprido: recebera apenas R$100,00 das mãos
da irmã do candidato, Renata Pedreira, na própria casa do atual prefeito Tarcísio
Pedreira quando o combinado fora R$ 1.500,00.
Para o Ministério Público e para a juíza Manuela Rodrigues
isso não prova a compra de voto, mas, sim, que a testemunha não merece
credibilidade. Na sentença, ela questiona as razões de a testemunha não ter
feito a denúncia ao Cartório Eleitoral, ao MP ou à Delegacia de Polícia, ao receber
os R$ 100,00 quando o acerto fora de R$ 1.500,00. Bom, eu não tenho dúvidas de
que Zacarias Pereira dos Santos não denunciou porque ainda acreditava (por
várias promessas) que receberia a quantia. Já para a justiça: vejamos.
“de forma surpreendente, a testemunha Zacarias Pereira do Santos afirmou
perante esta magistrada que apenas resolveu denunciar o suposto fato criminoso
ao autor, porque não recebeu a quantia de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos
reais), supostamente prometida pelo Primeiro Representado, em troca de seu
voto. Então, este Juízo Eleitoral só pode concluir tranquilamente que se o Sr.
Zacarias tivesse efetivamente recebido a quantia pecuniária de R$ 1.500,00 (hum
mil e quinhentos reais), para consertar a sua motocicleta, estaria usufruindo-a
alegremente, e, com certeza, não teria se arrependido de ter supostamente
vendido o seu voto ao Primeiro Representado”.
É preciso dizer mais alguma coisa? Testemunho só é válido se
a acusação não for vendeta? O achismo dessa conclusão chega a surpreender, aí,
sim, à todos nós. Por ter recebido apenas uma parte do acerto (R$ 100,00) dos
R$ 1.500,00 acertados Zacarias resolveu denunciar. Então, conclui a sentença:
se “tivesse efetivamente recebido a
quantia pecuniária de R$ 1.500,00(hum mil e quinhentos reais), para consertar a
sua motocicleta, estaria usufruindo-a alegremente, e, com certeza, não teria se
arrependido de ter supostamente vendido o seu voto ao Primeiro Representado”.
Citado pela própria
Magistrada, o artigo 41-A da Lei das Eleições preconiza que: “ Ressalvado o
disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por
esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao
eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer
natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da
candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a
cinquenta mil UFIR, e cassação do registro ou do diploma, observado o
procedimento previsto no art.22 da Lei Complementar n.º 64, de 18 de maio de
1990.”
Diante deste artigo, Importam as razões de sua denúncia? É
esta a prova que a Justiça procura? O que caracteriza o crime? As intenções? A
suposição do que faria se recebesse o dinheiro prometido? Ou o fato de que um
candidato a prefeito, em sua própria residência corroborou para comprar votos?
Não seria esta a razão da busca da verdade? Por afirmar que recebeu parte do
dinheiro, mas não denunciou de imediato porque esperava obter o restante é
razão para descredenciar a testemunha?
Mas o blog do Haroldo vai mais longe. E
publica, em primeira mão, o cerco feito pela mãe do prefeito, Maria Dolores,
mais conhecida por “Mainha” e pelo motorista da família do atual prefeito, conhecido
por Nido Morgado à Zacarias Pereira dos Santos muito antes de a testemunhar prestar
seu depoimento em Juízo.
Lembro que tanto a magistrada quanto o Promotor Público
tomaram conhecimento da perseguição movida por ambos para que a testemunha não
comparecesse ao fórum para fazer a denúncia de compra de votos à favor de
Tarcísio. Vejam o quanto é elucidativo estes trechos:
Nido: Tá tudo
bem?
Zacarias: Oi?
Nido: Vou dar uma pessoa que quer falar com tu ai,
guenta ai.
Dolores: Tu tá
onde homem? É Dolores!
Zacarias: Sim. Tô na roça
Dolores: Hum... Voce tá na Mangabeira mais Lurdes?
Zacarias: Não.
Dolores: Tá no Alto da Granja?
Zacarias: É.
Dolores: Tem como a gente conversar no mesmo lugar?
Dolores: Pra você levar um negócio pra sua mãe?
Zacarias: Mãe me ligou falou
que alguém ia levar lá. Ela
Dolores: Hum...
Zacarias: Ai eu tô com, tô
com uma viagem marcada com os meninos lá pra roça
Dolores: Que dia?
Zacarias: Hoje.
Dolores: Que
horas cê vai?
Zacarias: É pra nois sair
seis horas.
Dolores: Hum... então passe aqui, ali mais Nido.
Passe lá naquele lugar que eu vou mais Nido e eu lhe entrego. Viu?
Zacarias: Oi?
Dolores: Passe
lá, eu passo mais Nido dentro do Parque.
Os leitores devem estar se perguntando: Quais as razões de um
encontro num local deserto e perigoso. E o que Dolores teria para entregar a
mãe da testemunha que não pudesse ser feio em plena luz do dia e em local público?
Mas continuemos ao cerco de Nido Morgado para que Zacarias se encontrasse com
Dolores. Quando vocês ouvirem e lerem o total da fita vão perceber o cerco
brutal a Zacarias, antes que ele fosse prestar seu testemunho.
Nesta segunda ligação Nido, sempre ao lado de Dolores é mais
explícito. Vejam como:
Nido: Ei?
Zacarias: Oi?
Nido: Dr. André já viajou.
Zacarias: Ãhã
Nido: Pro exterior
Zacarias: Ãhã
Nido: E agora no dia 30 é a audiência, cê tá
sabendo?
Zacarias: Eu?
Nido: Rum
Zacarias: Não.
Nido: É no dia 30.
Zacarias: âh
Nido: A audiência, aí, ó! Ele viajou pro exterior
ai o que acontece, nem aqui vai tá no dia da audiencia, tá entendendo?
Zacarias: Ãh.
Nido: Como se diz: quem quiser que se foda! Tá
entendendo?
Zacarias: Ãhâh
Nido: Já viu como é que ele é²
Zacarias:
Sei.
Nido: Rapaz! Ele quer que os “caba se lasque”,
viu?
Nido: Voces ai que, esses cabas ai que eles pensam
que vocês vão>
Zacarias: Ãhã
Nido: Ele foi pro exterior, tá vendo aí?
Zacarias: Ãh.
Nido: Aí só vem daqui a uns 20 dias.
Zacarias: Ãh.
Nido: E olhe lá. Ele não quer ninguém na audiência
não. É no dia 30 agora.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tá vendo aí como é que ele é?
Zacarias: É.
Nido: Como quem diz eu vou deixar os cabas lá e
ser testemunha lá e que se lasque prá lá, tá vendo? Tirou o “C” do ponto. Tá
vendo aí?
Zacarias: Ãhãh
Nido: É rapaz, eu disse: vou ligar para o Zacarias
pra ele ficar sabendo.
Zacarias: Ãh.
Nido: Se ele não tiver sabendo. Eu não se se tava
ou não. Acho que tu disse não.
Zacarias: É, não.
Nido: Apois ele viajou. Foi pro exterior. Foi
hoje.
Zacarias: Sim.
Nido: No dia 30 é a audiência e os advogados daqui
do lado de Tarcísio veem de Salvador comendo de unhas e dentes para cima, viu?
Zacarias: Ãhãh
Nido: Os advogados do (inaudível)
Zacarias: Ãh.
Nido: Veem de Salvador virados, comendo com unhas
e dentes.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Aí, Ó. Dr. André já viajou. Se picou, como
quem diz aqui... Eu deixo eles ai na minha audiência esses lá que se lasquem.
Tá vendo como eles são?
Zacarias: É.
Nido: É véio.
Sutileza? De forma alguma. Orientado por “Mainha”
Nido pressiona abertamente Zacarias, lembrando, inclusive, que os advogados de
Tarcísio viriam e acabariam com eles (as testemunhas). Será que a Magistrada realmente
ouviu com atenção as quatro gravações? E se positivo, não deu para fazer um juízo
de valor sobre o caráter das pessoas envolvidas? Pelo teor das ligações fica
claro que Zacarias tenta forçar Dolores ou Nido a dizer o que ela queria com
ele, sem sucesso. E continua:
Dolores: Tá trabalhando aonde?
Zacarias: Eu tô aqui no Alda
Martins, mas já tô terminando e tô descendo.
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Oi?
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Tamos
Estamos firmes em que? Bom, creio que ficou bem
claro para todos que ela esperava contar (mesmo depois de tudo) com o silencio
de Zacarias.
Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias Oi?
Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias: Olhe, é... Hoje tá
meio embaçado porque saindo daqui eu tenho que fazer um, vou ter que colocar
umas prateleiras lá em César. E aí ontem mesmo quando eu saí á era sete e
tanto.
Dolores: Ah. Então deixe. Vá resolver sua vida.
Zacarias: Ãh.
Dolores: É no Bar de César, irmão de Roberto? Um
que puxa da perna?
Zacarias: Como é que é?
Dolores: Um que tem um defeito na perna?
Zacarias: É em César. Que me
chamaram pra fazer esse serviço. Saindo daqui eu já vou direto.
Dolores: Mas você faz de conta que não conversamos.
Zacarias: Ãh
Dolores: Sete horas a gente conversa. Nós dois.
Zacarias: Sim. Mas, como assim?
Dolores: Eu, voce e Nido, viu?
Zacarias: Zacarias: Sim. Mas
é sobre?
Dolores: Depois que você acabar o serviço a gente
conversa, viu?
Zacarias: Sim.
Dolores: Tá bom.
Zacarias: Mas, é sobre é,
é...
Dolores: Não a gente conversa nós dois. É um segredo!
Depois das sete, quando você acabar, viu?
Zacarias: Tá bom.
Dolores: Então cala a boca, então tchau.
Zacarias: Tchau.
Vejam como “Mainha”
quer saber se o César era o Salgado, testemunha contra o filho dela. Observem
como Zacarias insiste em saber de que se trata a conversa. Mas ela, que não é
boba, desconversa e diz que é um segredo.
Acredito que não resta dúvida de que Zacarias Pereira dos
Santos recebeu os R$ 100,00; que fez a denúncia por ter sido enrolado e,
portanto, não recebeu os outros R$ 1.400,00; que Dolores (“Mainha”) e o motorista da
família de nome Nido pressionaram Zacarias; que o encontro que tanto insistiram
era para entregar o restante da quantia prometido; que, com isso, eles
esperavam que ele não fosse testemunhar.
Claro que o blog do Haroldo sabe que uma prova como
esta, entregue à Magistrada (mesmo durante uma audiência formal) não é levada
aos autos por não ter sido (a gravação) autorizada pela Justiça. Mas é incrível
que, num processo dessa envergadura, em que duas pessoas altamente interessadas
no resultado do julgamento pressionem e tentem comprar uma testemunha do
processo, o teor não possa ser considerado, mesmo que apenas para formar uma
opinião sobres os envolvidos.
É assombroso e, ai sim, surpreendente, que a forma clara com
que os personagens pressionam a testemunha com encontros sigilosos, em locais
desertos e com promessa de entrega de bem material não despertasse na Justiça a
suspeita de que Zacarias, ao gravar as ligações, não tivesse tido o intuito,
exclusivo, de buscar a comprovação de que sua denúncia tinha e tem fundamento.
Degravação
das ligações de Nido e Dolores para Zacarias do tel: Celular móvel 75 9927-838
1ª LIGAÇÃO
Zacarias: Alô?
Nido: E aí meu irmão?
Zacarias: Diga
Nido: E ai Zacarias?
Zacarias: Diga
Nido: Como é que tá meu irmão?
Zacarias: Tudo bem.
Nido: Tá tudo bem?
Zacarias: Oi?
Nido: Vou dar uma pessoa que
quer falar com tu ai, guenta ai.
Dolores: Tu tá onde homem? É Dolores!
Zacarias: Sim. Tô na roça
Dolores: Hum... Voce tá na
Mangabeira mais Lurdes?
Zacarias: Não.
Dolores: Tá no Alto da
Granja?
Zacarias: É.
Dolores: Tem como a gente
conversar no mesmo lugar?
Dolores: Pra você levar um
negócio pra sua mãe?
Zacarias: Mãe me ligou falou
que alguém ia levar lá. Ela
Dolores: Hum...
Zacarias: Ai eu tô com, tô
com uma viagem marcada com os meninos lá pra roça
Dolores: Que dia?
Zacarias: Hoje.
Dolores: Que horas cê vai?
Zacarias: É pra nois sair
seis horas.
Dolores: Hum... então passe
aqui, ali mais Nido. Passe lá naquele lugar que eu vou mais Nido e eu lhe
entrego. Viu?
Zacarias: Oi?
Dolores: Passe lá, eu passo mais Nido dentro do Parque
Zacarias: Eu vou mais.
Dolores: Viu?
Zacarias: Mas eu vou esperar
os meninos ainda de de Celso mais Robson
Dolores: Mas você vem ligeiro.
Zacarias: Ãh!
Dolores: É ligeiro. É
ligeiro, é cinco minutos
Zacarias: Tá bom, eu tô
ageitando um negócio aqui, quando terminar eu, eu vejo o que é que eu faço
Dolores: E ai, como é que a ente faz, você liga pra
Nido?
Zacarias: Ãh?
Dolores: Voce liga pra Nido
que eu vou mais Nido agora. É vapt vupt!
Zacarias: Eu tô terminando
de ageitar um negócio aqui, uma fechara que eu arrombei a porta que minha irmã
levou a chave, ai tô terminando aqui.
Dolores: E como é que faz?
Zacarias: Nun sei, que eu tô
aqui ageitando a porta que eu, minha irmã levou a chave, esqueceu levou no
bolso, ai em arrombei a porta para entrar.
Dolores: A que horas a gente
se vê?
Zacarias: Só depois que eu
chegar.
Dolores: Voce vai que dia?
Zacarias: Hoje.
Dolores: Tá, e vem que dia?
Zacarias: Hoje! Não sei o horário, mas eu volto hoje.
Dolores: Onde é essas Poças?
Zacarias: É no município de
Nordestina. Perto do Jacú.
Dolores: Com certeza eu sei,
é verdade.
Zacarias: Ãh!
Dolores: Tá bom, então lhe aguardo.
Zacarias: Tá.
Dolores: Viu?
Zacarias: Tá.
Dolores: Então tchau.
2ª LIGAÇÃO
Nido: E ai véi
Zacarias: Oi
NidoTá onde rapaz?
Zacarias: Eu?
Nido: Hãm!
Zacarias: Rapaz eu, ´, minha
irmã chegou ontem, ai precisou vim. Ai vim trazer ela aqui pra pegar um
documento que ela viaja quinta-feira ao só volto na quinta.
Nido: Pra onde?
Zacarias: Pra ai.
Nido: Tá onde ai?
Zacarias: Eu?
Nido: Rum!
Zacarias: Agora eu tô na
casa de Minha Tia
Nido: Dona Antoninha?
Zacarias: Ham?
Nido: Onte?
Zacarias: Onte?
Nido: Rum!
Zacarias: Se eu fui ontem?
Nido: Sim, tu disse que ia
lá para casa de tua ti. Num sei que lá no Rio D`´Agua
Zacarias: Ô não, ontem eu
fui na farmácia comprar um remédio que estou com o estomago doendo.
Nido: E ai tá melhor não da dor de estomago?
Zacarias: T^nada.
Nido: É Zacarias você tem
que ter cuidado rapaz. Fazer uns exames disso ai, véi.
Nido: Agora mesmo eu tava
deitao
Zacarias: Rapaz você tem que
fazer uns exames. Oí você sabe quem é o Aloizio irmão de “Dundum”?
Nido: Sei não.
Zacarias: Irmão de “Dundum”
esse que tem um barzinho aí junto de
Zacarias, aí que tem negócio de jogo?
Nido: Ah!, em sei: Filho do
velho Henrique.
Zacarias: Hãhã
Nido:O “Dundum” é irm]ao do
Aloizio. Sabe quem é Aloizio?
Zacarias: Sei
Nido: Eçe tava bem assim rapaz, com uma dor de estomago
e quando foi ve era uma doença ruim, viu?
Zacarias: Ahã.
Nido: Ele ta: Te que ter
cuidado fazer uns exames rapaz.
Zacarias: É
Nido: Só negócio de remédio
sem saber o que é amigo
Zacarias: É, já fiz exames,
tomei remédio e não fiquei
Nido: E ai não ficou bom
não?
Zacarias: Fiquei, mas voltou
de novo. É um problema
Nido: É. É um negócio. Tem
que ter cuidado
Zacarias: É
Nido: É uma dor retada. Cê
tá doid? Uma vez bebi uma água num tanque, eu tinha uns 18 anos, rapaz, fiquei
doido. É Deus que o méico que tinha qui era doutor Reinaldo aí ele me deu um
reméio e eu fiquei bom.
Zacarias: Hunrum!!
Nido: Ei?
Zacarias: Oi?
Nido: Dr. André já viajou.
Zacarias: Ãhã
Nido: Pro exterior
Zacarias: Ãhã
Nido: E agora no dia 30 é a
audiência, cê tá sabendo?
Zacarias: Eu?
Nido: Rum
Zacarias: Não.
Nido: É no dia 30.
Zacarias: âh
Nido: A audiência, aí, ó!
Ele viajou pro exterior ai o que acontece, nem aqui vai tá no dia da audiencia,
tá entendendo?
Zacarias: Ãh.
Nido: Como se diz: quem
quiser que se foda! Tá entendendo?
Zacarias: Ãhâh
Nido: Já viu como é que ele
é²
Zacarias: Sei.
Nido: Rapaz! Ele quer que os
“caba se lasque”, viu?
Nido: Voces ai que, esses
cabas ai que eles pensam que vocês vão>
Zacarias: Ãhã
Nido: Ele foi pro exterior,
tá vendo aí?
Zacarias: Ãh.
Nido: Aí só vem daqui a uns
20 dias.
Zacarias: Ãh.
Nido: E olhe lá. Ele não
quer ninguém na audiência não. É no dia 30 agora.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tá vendo aí como é que
ele é?
Zacarias: É.
Nido: Como quem diz eu vou
deixar os cabas lá e ser testemunha lá e que se lasque prá lá, tá vendo? Tirou
o “C” do ponto. Tá vendo aí?
Zacarias:Ãhãh
Nido: É rapaz, eu disse: vou
ligar para o Zacarias pra ele ficar sabendo.
Zacarias: Ãh.
Nido: Se ele não tiver
sabendo. Eu não se se tava ou não. Acho que tu disse não.
Zacarias: É, não.
Nido: Apois ele viajou. Foi
pro exterior. Foi hoje.
Zacarias: Sim.
Nido: No dia 30 é a
audiência e os advogados daqui do lao de Tarcísio veem de Salvador comendo de
unhas e dentes para cima, viu?
Zacarias: Ãhãh
Nido: Os advogados do
(inaudível)
Zacarias: Ãh.
Nido: Veem de Salvador
viraos, comendo com unhas e dentes.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Aí, Ó. vDr. André já
viajou. S picou, como quem diz aqui... Eu deixo eles ai na minha audiência
esses lá que se çlasquem. Tá vendo como eles são?
Zacarias: É.
Nido: É véio.´
Zacarias: É complicado.
Nido: É.
Nido: Ei?
Zacarias: Oi.
Nido: Me diz o que?
Zacarias: A mulher queria o
quê falar comigo?
Nido: Sei não. Ela queria
lhe ver, pô.
Zacarias: É.
Nido: Alguma coisa, alguma
ajuda que você esteja precisando, não sei.
Zacarias: Nido: Ela disse:
Nido você vai ver o menino? Eu disse: Vou ver.
Nido: Aí eu disse a ela:
Rapaz ele disse que está comprando uns remédios na farmácia, mas não sei se
comprou.
Zacarias: Ãhãh
Nido: Comprou?
Zacarias: Comprei.
Nido: Que remédio é que tu toma
Zacarias?
Zacarias: Eu comprei uns
remédios tipo umas pastilhas lá que eu não podia comprar outro prá botar na
boca na hora que tver
Nido: Rapaz, você tem que
fazer uns exames, ficar tomando esses remédios assim não é bom não, véi.
Zacarias: É
Nido: Como é o nome da
mulher que tu foi ontem, tua parente, lá do Rio D´Àgua, que tu disse que ia?
Zacarias: Da mulher que fui
ontem?
Nido: Hum
Zacarias: Eu fui na
farmácia. Eu fui, eu tava lá prá roça
Nido: Lá no Rio D´Água?
Zacarias: Sim.
Nido: Como é o nome da
mulher?
Zacarias: Ai voltei logo.
Fui na farmácia e era pra eu voltar, mas não voltei não tava ruim como o
estomago doendo.
Nido: Como é o nome da
mulher que você disse que ia lá?
Zacarias: É minha irmã.
Nido: Como é o nome?
É Rafaela.
Nido: Õ Rafaela. ´E mesmo.
Nido: (Risos) pelejei para
me lembrar ontem rapaz, não teve jeito. Não conseguiu lembrar o nome da mulher.
Zacarias: É Rafaela.
Nido: É irmão dele, ´\e
Rafaela (Diz ele a outra pessoa no carro)
Zacarias: É
Nido: Ei Vou ligar mais tarde, mas aí voi conversar
com a velha aqui para ver.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Pra ver o que ela quer
com tu. Tá bom?
Zacarias: Ãhãh, tá bom.
Nido: Rapaz não oma gordura
não que você se lasca.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Nem farina.
Zacarias: Eu não tô comendo
é nada que eu não tô com vontadem nem
Nido: E é rapaz?
Zacarias: É
Nido: Tem que ter cuidado.
Zacarias: É
Nido: É rapaz é um negócio
sério.
Zacarias: Umhum
Nido: Óia razpaz?
Nido: Eu vou, eu vou
conversar com ela (Dolores ou a velha como quiserem) e mais tarde te ligo, tá?
Zacarias: Tá bom.
Nido: Falou. Tu tá onde
agora?
Zacarias: Eu agora ô perto
de Itiúba, na casa de minha...
Nido: É, na Mangabeira?
Zacarias: [E no Iaçu.
Nido: No Iaçu?
Zacarias: É.
Nido: É oerto, esse Iaçu aí,
é peto do coisa?
Zacarias: Perto do Cercainho
Nido: Do mercadinho?
Zacarias: Cercadnho.
Nido: Cercadinho?
Zacarias: É
Nido: Tá chovendo ai, tá
chovendo?
Zacarias: Aqui tá garoando.
Nido: Ãhãh
Nido: Tu tá em Iaçu, né?
Zacarias: É
Nido: Perto da Mangabeira?
Prá lá ou prá cá?
Zacarias: É pá lá. É prá cá
muito da Mangabeira. Perto de Itiúba, chegando em Itiúba.
Nido: Como é o nome? Iaçu?
Zacarias: É
Nido:
Como é o nome de tua tia aí?
Zacarias: É Maria Lúcia.
Nido: Maria Lúcia?
Zacarias: É.
Nido: Iaçu, né?
Zacarias: É
Nido: Maria Lúcia. Tá jóia.
Tá chovendo aí não t´s?
Zacarias: Tá.
Nido: Ai é estrada de chão,
mesmo, né?
Zacarias: É.
Nido: Apois tá bom. Mais
tarde eu vou ligar. Eu te ligo para ver.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Tá jóia.
Zacarias: Tá
3ª GRAVAÇÃO
Zacarias: Alô?
Nido: E aí meu irmão?
Zacarias: Diga
Nido: Tá onde rapaz?
Zacarias: Oi?
Nido: Onde tu anda?
Zacarias: Eu?
Nido: Ãh.
Zacarias: Rapaz eu tô na
cidade, fazendo um serviço aqui.
Nido: Tá ai onde?
Ãh.?
Nido: Voce tá onde?
Zacarias: Tô aqui no Alada
Martins fazendo um serviço aqui. Tô terminando.
Nido: Tá valeu. Tá no Alda
Martins
Zacarias: Ãh
Nido: Cadê o velho Gonçalo?
O Velho Gonçalo ligou para
mil neste instante. Tá com pouca hora.
Nido: Teve lá hoje?
Zacarias: Oi?
Nido: Teve lá hoje no véio
Gonçalo?
Zacarias: Não, sem temo esses ias. Já dpis dias que eu
tô trabalhando.
Nido: NNNNNNNN
Zacarias: Oi?
Nido: A mulher quer
conversar com você.
Zacarias: É o quê que ela
quer fala comigo?
Nido: Sei não. Lá naquela
estrada que nós fomos.
Zacarias: Sim
Nido: Ãh tu pode que hora?
Zacarias: Rapaz eu na sei porque aqui eu tenho
que voltar. Tenho que terminar de botar umas prateleiras lá em César. Na hoa
que eu sair daqui, eu não sei que horas em termino.
Nido: Vai passar primeiro em
cesar?
Zacaias: É
Nido: Umas seis horas rapaz.
Zacarias. Eu não sei. Lá
ontem eu sai umas sete e tantas já.
Nido: Nesse horário, aí.
Zacarias: Oi?
Nido: Esse horário ai. Ãh?
Zacarias: Mas ela não, não.
Mas assim o que assim que ela?
Nido: Não si não, ela quer
falar com tu um negócio lá.
Zacarias: É
Nido: Acho que ela vai de
dar alguma coisa.
Zacarias: Alguma coisa, como
assim?
Zacarias: Alguma coisa, como
assim. Porque num...
Nido: Eu não sei.
Zacarias: Oi?
Nido: Eu não sei rapaz.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tô com ela aqui.
Zacarias: Oi?
Dolores: Homem onde tu anda?
Onde tu anda homem?
Zacarias: Eu?
Dolores: Sim.
Zacarias: Eu tô, eu tava
doente, assei uns dias doente e ois dias tô trabalhando. A recisão obriga.
Dolores: Tá trabalhando
aonde?
Zacarias: Eu tô aqui no Alda
Martins, mas já tô terminando e tô descendo.
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Oi?
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Tamos
Dolores: Que horas nós
conversa hoje?
Zacarias Oi?
Dolores: Que horas nós
conversa hoje?
Zacarias: Olhe, é... Hoje tá
meio embaçado porque saindo daqui eu tenho que fazer um, vou ter que colocar
umas prateleiras lá em C´sar. E aí ontem mesmo quando eu saí á era sete e
tanto.
Dolores:
Ah. Então deixe. Vá resolver
sua vida.
Zacarias: Ãh.
Dolores: É no Bar de C´sar,
irmão de Roberto? Um que puxa da perna?
Zacarias: Como é que é?
Dolores: Um que tem um
defeito na perna?
Zacarias: É em César. Que me
chamaram pra fazer esse serviço. Saino daqui eujá vou direto.
Dolores: Mas você faz de
conta que não conversamos.
Zacarias: Ãh
Dolores: Sete horas a gente
conversa. Nós dois.
Zacarias: Sim. Mas, como assim?
Dolores: Eu, voce e Nido,
viu?
Zacarias: Zacarias: Sim. Mas
é sobre?
Dolores: Depois que você
acabar o serviço a gente conversa, viu?
Zacarias: Sim.
Dlores: Tá bom.
Zacarias: Mas, é sobre é,
é...
Dolores: Não a gente
conversa nós dois. É um segredo! Depois da sete, quando você acabar, viu?
Zacarias: á bom.
Dolores: Estão cala a boca,
então tchau.
Zacarias: Tchau.
4ª GRAVAÇÃO
Nido: Oi?
Zacarias: Oi.
Nido: E ai véi?
Zacarias: Diga?
Nido: Como é que tá? pô.
Bom?
Zacarias: Tudo bem.
Nido: Como é que tá as
coisa?
Zacarias: Rapaz, mais ou
menos.
Nido: Ãhãh
Zacarias: Daquele jeito.
Nido: Tá onde?
Zacarias: Eu?
Nido: Ãh.
Zacarias: terminando um
serviço aqui.
Nido: Terminou não?
Zacarias: Ãh?
Nido: Cadê o estomago, melhorou?
Melhorou o estomago mais?
Zacarias: Tô bem melhor,
Graças a deus.
Nido: É, não pode comer
farinha não, pô? Nem gordura,.
Zacarias: É.
Nido: Cê tá na casa de
coisa, é?
Zacarias: Quem?
Nido: De...como é o nome?
Sergio?
Zacarias: Eu tô terminando
um serviço aqui.
Nido: Terminando um serviço?
Aonde é que tu tá ai?
Zacarias: Oi?
Nido: Aonde é?
Zacarias: Oi?
Nido: Ela queria falar com
tu ontem de noite, umas sete horas.
Zacarias: Foi, ela me disse.
Nido: Lhe disse foi?
Zacarias: Falou mais não, eu
esquecei, terminei, tava trabalhando também, ai parei uma sete e meia.
Nido: E hoje, você conversa
com ela? Ela quer falar um negócio.
Zacarias: Hoje?
Nido: Hã.
Zacarias: Rapaz, é que
horas?
Nido: de noite, umas seis
horas, seis e meia, na hora que você terminar ai.
Zacarias: Uhumhum, tá certo.
Nido: Tá bom?
Zacarias: Tá bom.
Nido: Vá naquele lugar,
sabe?
Zacarias: Oi?
Nido: Voce sabe, história
aqui ó? (...)
Zacarias: Como é que é?
Nido: Lá naquela pista, aqui
pelo Parque da Vaquejada.
Zacarias: Ãhãh.
Nido:
Tu vai que horas? Que hora
tu marca?
Zacarias: Eu não sei. Não
posso dizer.
Nido: Hã.
Zacarias: Não posso dizer o
horário. Não que que eu não...
Nido: Que horas é?
Zacarias: É?
Nido: Hum!!!
Zacarias: Eu não posso dizer
o horário não porque às vezes eu não sei também.
Nido: Eu marco aqui. Eu voou passar pra ela pra
dizer que horas tu pode ir.
Zacarias: Ãh.
Nido: Ó, ela disseque na
hora que tu puder, cê dá um toque aqui pra mim.
Zacarias: Se eu esquecer,
poxa é melhor...
Nido: Eu lhe ligo, eu lhe
lembro.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Viu?
Zacarias: Tá.
Nido: Eu lhe lembro.
Zacarias: Sim, mas é sobre o
que?
Nido: Não seu rapaz. Não sei
o que ela quer falar com tu não. Viu?
Zacarias: Ãh?
Nido: Aí te dou um toque na
base de umas seis horas.
Zacarias: Tá certo.
Nido: Tá jóia.
Zacarias: Jóia.
Nido: Tá bom, falou.
Zacarias: Tá, valeu.
Nido: Até logo.
Zacarias: Tchau.
As conclusões da juíza são dignas de mandar pra um jurista renomado analisar... ele vai até chorar...
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