sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Fica a dor, o amor e a saudade


“Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei”
...



Reside ai, nestes versos de Martinho da Vila na bela canção “Mulheres” talvez a melhor imagem do melhor, senão o maior amigo, irmão, companheiro de quase oito décadas que o meu pai teve em sua vida: Joel Amâncio de Souza ou mais carinhosamente, Joel Suingue.

Não que este amigo que na mais simples das emoções floravam lágrimas em seus olhos e que a todos fez chegar seu sorriso franco, sua maestria na arte da boa conversa, do bom trago e da boa bebida, além de seu senso de acomodação e apaziguamento, mas, também, de sua ira diante das injustiças, fosse um homem de muitas mulheres.

Era um apaixonado pelo gênero feminino, assim como o fora seu pai que, com seu passo curto e seu inseparável guarda-chuva desfilava olhares pedintes às brancas, mulatas e negras que por ventura cruzassem seu caminho. Foi, e continuará para sempre no imaginário de quem o conheceu: uma cepa de homem. Este Joel, filho de Senhor Sapateiro que encantou seus amigos, irmãos, filhos, mulher, netos, bisnetos e as damas de sua imaginação.

Assim, já com o tempo a vencer e em reverência às suas oito décadas cantou “Mulheres” enaltecendo seu amor por todas elas na figura da sua escolhida para todo o sempre. Neste dia, ao entardecer, daqueles que só Queimadas pode oferecer aos nossos olhos, cantou, cantou, cantou, tantas, não sei quantas na varanda da piscina da Fazenda Capivari da qual, vez em quando entrava para apaziguar o calor de um verão caatingueiro e suavizar os efeitos da “pinga” que, como as mulheres, reverenciava.

Fecha-se uma porta para a história cultural e política de Queimadas. Para os desmemoriados foi o campeão de mandatos na Câmara Municipal numa época em que os valores ético e humano eram a moeda corrente da política. Abre-se uma janela no azul do paraíso na qual seus pais, irmãos e amigos e, entre eles, o de sempre, Analdino Brito, o esperam com o mesmo sorriso e alegria que marcaram a passagem de seu tempo.



Só não partiu como desejava porque longe de sua terra amada. Mas, com certeza, seu último olhar, seu derradeiro pensamento estava no seu quinhão. E nele todos aqueles a quem amou por uma vida inteira. Leve meu amor e meu abraço aos que, com certeza, já o abraçaram, em especial, ao meu pai.

Meus mais profundos sentimentos a todos os seus.



Com saudade:



Mulheres

Martinho da Vila

Já tive mulheres de todas as cores,
De várias idades, de muitos amores.
Com umas até certo tempo fiquei.
Prá outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida,
Do tipo acanhada, do tipo vivida.
Casada carente, solteira feliz.
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeça e desequilibradas.
Mulheres confusas, de guerra e de paz,
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz.
Procurei em todas as mulheres a felicidade,
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade.
Foi começando bem, mas tudo teve um fim.
Você é o sol da minha vida, a minha vontade.
Você não é mentira, você é verdade.
É tudo o que um dia eu sonhei prá mim.
Já tive mulheres de todas as cores,
De várias idades, de muitos amores.
Com umas até certo tempo fiquei.
Prá outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida,
Do tipo acanhada, do tipo vivida.
Casada carente, solteira feliz.
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeça e desequilibradas.
Mulheres confusas, de guerra e de paz,
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz.
Procurei em todas as mulheres a felicidade,
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade.
Foi começando bem, mas tudo teve um fim.
Você é o sol da minha vida, a minha vontade.
Você não é mentira, você é verdade.
É tudo o que um dia eu sonhei prá mim.
Procurei em todas as mulheres a felicidade,
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade.
Foi começando bem, mas tudo teve um fim.
Você é o sol da minha vida, a minha vontade.
Você não é mentira, você é verdade.
É tudo o que um dia eu sonhei prá mim.

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