Continua em alto e bom som o baixo nível
“Pronto, vai
começar a romaria de candidatos”. “Eles só aparecem, de quatro em quatro anos”. Frases
como estas acima são comuns em eleições para as Assembleias Legislativas e
Congresso Nacional reverberadas por eleitores insatisfeitos com os candidatos
que, com seu voto, ajudaram a eleger na eleição anterior e que não
corresponderam às suas expectativas. Seja por não trazerem recursos e obras
para seu município ou, simplesmente, por terem se negados a atender à pedidos de
caráter pessoal.
A mudança da legislação
eleitoral, com a instituição, por exemplo, do voto distrital talvez possa
reverter o desgaste enfrentado hoje pelos parlamentares. É que cada município
apresenta uma quantidade absurdamente grande de candidatos às assembleias
estaduais e ao Congresso Nacional, a maioria sem qualquer vínculo com os
munícipes.
Este é o dilema que o
alcaide queimadense vai enfrentar nos próximos meses e, o pior, sem competência
política para gerir os conflitos que surgirão no seio do seu grupo, cada vez
mais rebelde pelos poderes acumulados por meia dúzia de espertalhões. Estes se
instalaram no centro do poder e hoje ditam as ordens sob o comando de “mainha”
e de uma irmã que, acredita iluminada para “salvar” Queimadas.
O alcaide, ele próprio tem
consciência de sua falta de talento para o exercício político. Aliás, seu
primeiro ano de (des) governo foi de um fracasso total na complexa arte de fazer
política. Ao se julgar imperador e tratar o povo, seus liderados, os servidores
e adversários como inimigos a sua única vitória foi uma sucessão de derrotas
que só vieram serenar com a (in) decisão (até o momento não digerida pela
população) da ex-juíza da comarca que o manteve no cargo numa sentença que envergonha
os meios jurídicos.
Até o momento o máximo que
o alcaide queimadense consegue fazer é “enxugar gelo”, ou seja, por não ter
plano estratégico de administração e metas prefere olhar para o retrovisor preocupado
com gestões passadas. Sua distração principal desde que assumiu o cargo é “bater
boca” com seu tio, um ex-prefeito cassado por improbidade administrativa.
Este o acolheu jovem e o preparou por
meio de sua genitora, a famigerada “mainha”,
para as malandragens que o poder oferece. Agora, achando-se preparado acreditou
que o velho manhoso havia-lhe ensinado o “pulo do gato”. Vimos no que deu.
Hoje, sua principal atividade política
é achincalhar-se ao tentar responder as acusações atiradas pelo seu antigo
protetor num “lava roupa suja” equivalente
às piores confusões armadas nos bordéis nas décadas de 50 e 60. O trágico é que
a sociedade queimadense é obrigada a conviver quase que, diariamente, com o
baixo nível protagonizado por meio eletrônico.
O possível perdedor
E é neste covil de incompetência que
este grupo prepara o conchavo para as eleições de outubro. Uma coisa é certa: o
deputado Sandro Régis já colocou as “barbas de molho” pois suspeita-se,
à boca pequena, que a moeda de troca, mais uma vez, seja a traição. Há forte
tendência de que o alcaide vá beber água nas barrancas do Rio Itapicuru, mas do
lado de Itiúba, nos braços do deputado Luciano Simões.
O possível vencedor
Interpreta este grupo de penetra nos labirintos
a política de que dividindo-se o poder conserva-se para o futuro fatias deste
poder. Em outras palavras, o alcaide oferece ao governador Wagner seu apoio
(pessoal) a Rui Costa; vota com um candidato a deputado federal da base de
apoio ao governo, mas para Assembleia Legislativa apoia o adversário.
Mas neste angu azedo ficou faltando o
limão. Ou, como disse Mané Garrincha ao ironizar o técnico da seleção (Copa de
62, no Chile) que o explicava como fazer uma jogada difícil: “você
já combinou isso com o adversário”? E o alcaide e este grupo do
arrocha: já combinou com as demais lideranças?
Nos bastidores da Câmara de
Vereadores o que se comenta é que nenhum, eles dizem, nenhum dos vereadores ou
qualquer outra liderança, com exceção do grupo de penetras (a meia dúzia),
segue o alcaide com seus candidatos. “Cada um tem seus próprios interesses,
seus próprios candidatos e não vai ser um grupo despreparado para o poder
político que vai ditar as regras das eleições”, garante, em off,
uma das principais lideranças da situação.
Em pleitos passados os eleitores queimadense
já votaram em mais de 200 candidatos. As pessoas se enganam quando pensam que seu
voto é dado ao candidato. Ao depositar seu voto na urna, na verdade ele está
votando no partido do seu candidato. Todo voto é dado para o partido, e esse é
o núcleo do sistema proporcional, que é aplicado nas eleições para deputados
federais, estaduais e vereadores.
Não sem razão as dificuldades que os
prefeitos, todos sem exceção, enfrentam para unir o grupo em torno de um
candidato forte. É que os partidos, com justa razão, lutam para garantir uma
maior representação. E isso só é possível apresentando um sem número de
candidatos.
Ora, se um prefeito com poderes
políticos enfrenta dificuldades para unir seu grupo em torno de um ou dois
candidatos, imaginem um que é despreparado e que considera que Criação e Rinha
de Galo de Briga, shows de Amado Batista e pitar fumo de corda fedorento, suas
principais atividades, garante-lhe poderes para impor este ou aquele candidato.
Enquanto isso, nós, população queimadense, continuamos a sofrer.
Entenda como se elege um deputado
De acordo com artigo publicado no
Observatório da Constituição e Democracia, por Alexandre Araújo Costa as
eleições proporcionais busca possibilitar o preenchimento de vários cargos, em
um único turno, mas com a garantia de que os candidatos eleitos representem as
diversas concepções políticas existentes na sociedade.
Assim, enquanto o sistema majoritário
busca determinar a concepção dominante (agrupando em torno de um único
candidato todos os eleitores que tenham visões semelhantes), o sistema
proporcional procura retratar toda a diversidade de visões políticas de uma
sociedade.
Portanto, o ponto desse sistema é que
ele não trata os candidatos como indivíduos, mas como representantes de um
grupo político. Assim, em vez de centralizar a eleição nos candidatos, o
sistema proporcional privilegia os partidos, pois considera que cada partido
representa um projeto político diverso. Por isso, as vagas são atribuídas aos
partidos mais representativos, e não aos candidatos mais votados.
Por exemplo, há no DF oito vagas para deputado federal, a serem
escolhidas por cerca de 1,6 milhão de eleitores. Assim, cada um dos deputados
deve representar cerca de 1/8 do eleitorado (cerca de 200 mil eleitores). Como
é pouco provável que algum dos mais de 100 candidatos atinja sozinho essa cifra
tão alta, se essa eleição fosse realizada
pelo sistema majoritário, vários dos eleitos teriam votação bem menor que a
necessária para que eles fossem representativos.
Para evitar isso, o sistema proporcional não contabiliza os votos
por candidato, mas por partido. Assim, cada partido pode apresentar 12
candidatos (150% do número de vagas), ou unir-se em uma coligação que pode
lançar até 16 candidatos (200% das vagas), cujos votos serão contados em
conjunto, para definir o número de cargos que serão atribuídos a cada bloco
partidário.
Além disso, continua Alexandre, a lei
determina que somente participam da distribuição das vagas os partidos que
atingirem ao menos 1/8 dos votos válidos, sendo excluídos os que ficarem abaixo
desse patamar, mesmo que alguns de seus candidatos tenham obtido
individualmente uma votação expressiva - por vezes acontece inclusive de o
candidato mais votado não chegar a ser eleito.
Uma vez definido o número de votos de cada partido, é preciso
definir os eleitos, entre os candidatos de cada bloco. É somente nessa hora que
entra em cena a votação de cada candidato, pois as vagas de cada bloco
partidário são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro do partido ou
da coligação.
Como as campanhas são personalistas e a maioria das pessoas vota
em candidatos, cria-se a ilusão de que o voto não é dado para o partido, e sim
para a pessoa. Isso, porém, não passa de ilusão, pois votar em um deputado
específico significa votar no seu partido, manifestando uma preferência pelo
candidato escolhido. Já o voto na legenda significa que o eleitor vota em um
partido, mas não tem preferência por nenhum dos candidatos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário