sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Como no Quartel de Abrantes...

Continua em alto e bom som o baixo nível         

        “Pronto, vai começar a romaria de candidatos”. “Eles só aparecem, de quatro em quatro anos”. Frases como estas acima são comuns em eleições para as Assembleias Legislativas e Congresso Nacional reverberadas por eleitores insatisfeitos com os candidatos que, com seu voto, ajudaram a eleger na eleição anterior e que não corresponderam às suas expectativas. Seja por não trazerem recursos e obras para seu município ou, simplesmente, por terem se negados a atender à pedidos de caráter pessoal.
         A mudança da legislação eleitoral, com a instituição, por exemplo, do voto distrital talvez possa reverter o desgaste enfrentado hoje pelos parlamentares. É que cada município apresenta uma quantidade absurdamente grande de candidatos às assembleias estaduais e ao Congresso Nacional, a maioria sem qualquer vínculo com os munícipes.
         Este é o dilema que o alcaide queimadense vai enfrentar nos próximos meses e, o pior, sem competência política para gerir os conflitos que surgirão no seio do seu grupo, cada vez mais rebelde pelos poderes acumulados por meia dúzia de espertalhões. Estes se instalaram no centro do poder e hoje ditam as ordens sob o comando de “mainha” e de uma irmã que, acredita iluminada para “salvar” Queimadas.
         O alcaide, ele próprio tem consciência de sua falta de talento para o exercício político. Aliás, seu primeiro ano de (des) governo foi de um fracasso total na complexa arte de fazer política. Ao se julgar imperador e tratar o povo, seus liderados, os servidores e adversários como inimigos a sua única vitória foi uma sucessão de derrotas que só vieram serenar com a (in) decisão (até o momento não digerida pela população) da ex-juíza da comarca que o manteve no cargo numa sentença que envergonha os meios jurídicos.
         Até o momento o máximo que o alcaide queimadense consegue fazer é “enxugar gelo”, ou seja, por não ter plano estratégico de administração e metas prefere olhar para o retrovisor preocupado com gestões passadas. Sua distração principal desde que assumiu o cargo é “bater boca” com seu tio, um ex-prefeito cassado por improbidade administrativa.
Este o acolheu jovem e o preparou por meio de sua genitora, a famigerada “mainha”, para as malandragens que o poder oferece. Agora, achando-se preparado acreditou que o velho manhoso havia-lhe ensinado o “pulo do gato”. Vimos no que deu.
Hoje, sua principal atividade política é achincalhar-se ao tentar responder as acusações atiradas pelo seu antigo protetor num lava roupa suja” equivalente às piores confusões armadas nos bordéis nas décadas de 50 e 60. O trágico é que a sociedade queimadense é obrigada a conviver quase que, diariamente, com o baixo nível protagonizado por meio eletrônico.




O possível perdedor
E é neste covil de incompetência que este grupo prepara o conchavo para as eleições de outubro. Uma coisa é certa: o deputado Sandro Régis já colocou as “barbas de molho” pois suspeita-se, à boca pequena, que a moeda de troca, mais uma vez, seja a traição. Há forte tendência de que o alcaide vá beber água nas barrancas do Rio Itapicuru, mas do lado de Itiúba, nos braços do deputado Luciano Simões.
O possível vencedor
Interpreta este grupo de penetra nos labirintos a política de que dividindo-se o poder conserva-se para o futuro fatias deste poder. Em outras palavras, o alcaide oferece ao governador Wagner seu apoio (pessoal) a Rui Costa; vota com um candidato a deputado federal da base de apoio ao governo, mas para Assembleia Legislativa apoia o adversário.
Mas neste angu azedo ficou faltando o limão. Ou, como disse Mané Garrincha ao ironizar o técnico da seleção (Copa de 62, no Chile) que o explicava como fazer uma jogada difícil: “você já combinou isso com o adversário”? E o alcaide e este grupo do arrocha: já combinou com as demais lideranças?
Nos bastidores da Câmara de Vereadores o que se comenta é que nenhum, eles dizem, nenhum dos vereadores ou qualquer outra liderança, com exceção do grupo de penetras (a meia dúzia), segue o alcaide com seus candidatos. “Cada um tem seus próprios interesses, seus próprios candidatos e não vai ser um grupo despreparado para o poder político que vai ditar as regras das eleições”, garante, em off, uma das principais lideranças da situação.
Em pleitos passados os eleitores queimadense já votaram em mais de 200 candidatos. As pessoas se enganam quando pensam que seu voto é dado ao candidato. Ao depositar seu voto na urna, na verdade ele está votando no partido do seu candidato. Todo voto é dado para o partido, e esse é o núcleo do sistema proporcional, que é aplicado nas eleições para deputados federais, estaduais e vereadores.
Não sem razão as dificuldades que os prefeitos, todos sem exceção, enfrentam para unir o grupo em torno de um candidato forte. É que os partidos, com justa razão, lutam para garantir uma maior representação. E isso só é possível apresentando um sem número de candidatos.
Ora, se um prefeito com poderes políticos enfrenta dificuldades para unir seu grupo em torno de um ou dois candidatos, imaginem um que é despreparado e que considera que Criação e Rinha de Galo de Briga, shows de Amado Batista e pitar fumo de corda fedorento, suas principais atividades, garante-lhe poderes para impor este ou aquele candidato. Enquanto isso, nós, população queimadense, continuamos a sofrer.
Entenda como se elege um deputado
De acordo com artigo publicado no Observatório da Constituição e Democracia, por Alexandre Araújo Costa as eleições proporcionais busca possibilitar o preenchimento de vários cargos, em um único turno, mas com a garantia de que os candidatos eleitos representem as diversas concepções políticas existentes na sociedade.
Assim, enquanto o sistema majoritário busca determinar a concepção dominante (agrupando em torno de um único candidato todos os eleitores que tenham visões semelhantes), o sistema proporcional procura retratar toda a diversidade de visões políticas de uma sociedade.
Portanto, o ponto desse sistema é que ele não trata os candidatos como indivíduos, mas como representantes de um grupo político. Assim, em vez de centralizar a eleição nos candidatos, o sistema proporcional privilegia os partidos, pois considera que cada partido representa um projeto político diverso. Por isso, as vagas são atribuídas aos partidos mais representativos, e não aos candidatos mais votados.
  Por exemplo, há no DF oito vagas para deputado federal, a serem escolhidas por cerca de 1,6 milhão de eleitores. Assim, cada um dos deputados deve representar cerca de 1/8 do eleitorado (cerca de 200 mil eleitores). Como é pouco provável que algum dos mais de 100 candidatos atinja sozinho essa cifra tão alta, se essa eleição fosse  realizada pelo sistema majoritário, vários dos eleitos teriam votação bem menor que a necessária para que eles fossem representativos.
  Para evitar isso, o sistema proporcional não contabiliza os votos por candidato, mas por partido. Assim, cada partido pode apresentar 12 candidatos (150% do número de vagas), ou unir-se em uma coligação que pode lançar até 16 candidatos (200% das vagas), cujos votos serão contados em conjunto, para definir o número de cargos que serão atribuídos a cada bloco partidário.
Além disso, continua Alexandre, a lei determina que somente participam da distribuição das vagas os partidos que atingirem ao menos 1/8 dos votos válidos, sendo excluídos os que ficarem abaixo desse patamar, mesmo que alguns de seus candidatos tenham obtido individualmente uma votação expressiva - por vezes acontece inclusive de o candidato mais votado não chegar a ser eleito.
  Uma vez definido o número de votos de cada partido, é preciso definir os eleitos, entre os candidatos de cada bloco. É somente nessa hora que entra em cena a votação de cada candidato, pois as vagas de cada bloco partidário são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro do partido ou da coligação.

  Como as campanhas são personalistas e a maioria das pessoas vota em candidatos, cria-se a ilusão de que o voto não é dado para o partido, e sim para a pessoa. Isso, porém, não passa de ilusão, pois votar em um deputado específico significa votar no seu partido, manifestando uma preferência pelo candidato escolhido. Já o voto na legenda significa que o eleitor vota em um partido, mas não tem preferência por nenhum dos candidatos.

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