Coragem?
Não, sensibilidade. Respeito para com os seus concidadãos. Ferino? Sim. Merecido?
Não tenhamos dúvida. Mas lembraria que muitos dos adjetivos poderiam ter sido
guardados em sua memória para que o texto não tomasse um caminho tão pessoal.
Mas há muito anos não se via um libelo tão profundo, arrasador e com uma
clareza de ideias como este. Se a memória não me falha neste momento poderia
compará-lo ao feito pelo então prefeito de Queimadas, Jaime Salgado Oliveira durante
a campanha de Analdino Brito de Andrade pouco antes das eleições de outubro de
1962 em resposta ao então
candidato da UDN, Dr. Reinaldo Sales. Querida Carla, o Blog do Haroldo não se
acabou, portanto não precisa ter saudade. Ele continua ativo. O que retirei,
por uma questão ética, foi apenas a política municipal em razão de ter assumido
um cargo público. Mas este seu libelo merece ser publicado no blog o que o faço
agora.
Por Carla
Regina Professora e ex-sindicalista*
Um dia desses fui entrevistada
para uma pesquisa eleitoral. Perguntaram-me, de início, qual é, hoje, o maior
problema do município; respondi que continua sendo a corrupção, uma vez
que é por causa dela que temos tido inumeráveis prejuízos no que tange à celebração
de convênios, recebimentos de recursos e andamento de projetos que podem
colocar o município no rol das cidades que se desenvolvem. Um grande problema,
hoje, enfrentado por Queimadas, é justamente a perda desses recursos por conta
da inadimplência e a inadimplência nada mais é do que o velho calote dado pelos
ex-prefeitos que embolsaram ou desviaram o dinheiro, sem fazer, por causa
disso, a devida prestação de contas dos recursos que receberam
Dessa maneira, a corrupção mesmo
que tenha sido praticada no passado traz consequências desastrosas e
irreparáveis nos dias atuais, no cotidiano das pessoas. Muitos não gostam de
falar do passado alegando que “o que passou passou”. Dizem isso,
principalmente, aqueles que, lá no passado, contribuíram para o caos
administrativo em que se encontra o município. Com relação a recursos públicos,
o velho adágio popular não procede.
Milhões de reais dos cofres
públicos têm descido pelo ralo da corrupção e indo parar ora nos bolsos dos
próprios gestores, ora nos bolsos dos agiotas – sejam os ciganos ou os
“bem-sucedidos” empresários nossos de cada dia; é a corrupção que faz, ainda,
com que Queimadas seja o segundo pior índice de serviços de saúde, por exemplo;
a corrupção deixa faltar material didático para os professores trabalharem – há
professores que compram até papel ofício para poderem realizar as suas
atividades.
Só para esclarecer (não para contestar a afirmação)
esta pesquisa feita pelo Ministério da Saúde foi feita entre os anos de 2006 à
2010. A pesquisa, também, não significa como sugere a professora Carla que a
saúde oferecida no município, como um todo, seja a 19ª pior dentre os 20
municípios que compõem a 12ª Dires. Em outra oportunidade explicarei melhor
este posicionamento. (Do editor).
Assim, então, precisamos alterar
o ditado para torná-lo coerente com a nossa realidade: o que passou, na
verdade, não passou; ou seja, o que passou – o ato de roubar ou desviar o
dinheiro público – deixou prejuízos: as escolas municipais, por exemplo,
ficaram, nesse ano, sem recursos do PDDE por falta de prestação de contas em
2004. Esse é apenas um exemplo. O que passou deixou prejuízos ainda mais graves.
Ouvindo o pronunciamento do Dr.
Carlinhos, pré-candidato a prefeito pelo PSD, falando a respeito de sua ida a
Salvador aos 18 anos para estudar farmácia e, posteriormente, ao Rio de janeiro
para cursar medicina, lembramos que sua mãe era a gestora de Queimadas nessa
época; e enquanto a prefeita oferecia ao seu filho a oportunidade para que ele
buscasse a formação profissional que bem quisesse, ela deixava de garantir aos
filhos das mães queimadenses os direitos mais elementares: os estudantes das
escolas públicas municipais ficavam sem merenda e sem transporte escolar
enquanto a prefeita também usava cheque da educação para pagar dívida de
campanha. Ah, e deixava também sem transporte escolar os estudantes
universitários que faziam graduação em Serrinha ou Coité.
O filho dela podia fazer a
faculdade que quisesse e onde bem entendesse; os filhos dos outros não podiam
fazer nem a faculdade que era possível, na cidade mais próxima. A corrupção,
dessa forma, condenou, para sempre, o futuro de muita gente, sobretudo das
crianças que, hoje, jovens como o Dr. Carlinhos era à época, e, ao contrário
dele – que teve as oportunidades dadas pela sua mãe -, não podem cursar uma
faculdade fora, nem tem qualquer perspectiva de presente ou de futuro por aqui.
Tem sido assim: a corrupção dos nossos gestores vem levando o município à
bancarrota.
Vivemos em um município com
potencial de desenvolvimento, mas nossos gestores têm-nos deixado completamente
falidos. E estamos com pouquíssimas perspectivas de sair dessa condição devido
ao que começa a se estabelecer no cenário eleitoral, uma vez que falta política
onde sobram fantasia, reforma semântica, psicopatia(?), negociatas e
impunibilidade.
As frouxas leis brasileiras para
punir os assaltantes da coisa pública, aliada à tolerância com esses infames
para que eles continuem transitando e discursando sobre política criam no
imaginário popular - já tão carente de referências éticas e morais – uma ideia
de normalidade quando se trata dar ouvidos e se deixar teleguiar pelos
corruptos de plantão. Note-se bem a naturalidade com que ex-gestores se arrogam
a indicar candidatos – seus próprios filhos - e a discursarem em nome da ética,
do respeito , da coragem, da dignidade, da seriedade.
Se isso não for cinismo puro e
deslavado, essas criaturas estão a mudar completamente os significados das
palavras ética, respeito, coragem, dignidade e seriedade, e não sendo tal
mudança um consenso entre os demais falantes da língua portuguesa, estão
fazendo, assim, a reforma semântica mais vil e mais ilegítima que eu já vi se
fazer em um idioma e que precisa ser denunciada à Academia Brasileira de
Letras! Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Antônio Houaiss – nossos maiores
dicionaristas – devem estar se revirando em seus túmulos.
Como podem essas pessoas, depois
de terem cometido todo tipo de crimes contra a administração pública, que vão
desde desvio de dinheiro da merenda escolar, passando pela emissão de cheques
sem fundo, doação de praça a cigano e uso do cheque da educação para pagar
dívida de campanha discursarem, agora, em nome de princípios morais sobre os
quais tripudiaram e tripudiam? A resposta é simples: existe um grave problema
no Brasil que se chama im-pu-ni-bi-li-da-de que, diferente de
impunidade, é a ausência de legislação para punir a bandalheira. Assim, não
havendo leis para punir os viciados em surrupiar o dinheiro público e degradar
cada vez mais a sociedade, eles continuam a agir politicamente como se fossem
pessoas de bem.
Como seria bom se no Brasil
tivéssemos o tratamento que se dá aos corruptos no Japão. Na sociedade
japonesa, o corrupto tem o que equivale à morte em vida, é a chamada desonra
pública; lá, não só a pessoa, mas toda a sua família é desonrada publicamente e
essa pessoa torna-se persona non grata e não é – nunca mais - eleito
para nada. Na China, há até pena de morte para os corruptos.
Já aqui, como as penalidades são
brandas – se é que se pode chamar de penalidade os gatunos ficarem inelegíveis
por apenas oito anos -, os corruptos transitam nas vias públicas como se fossem
pessoas decentes, não devolvem o dinheiro que roubam, não ficam presos; Desse
modo, como não são, verdadeiramente punidos e não sentem vergonha ou qualquer
remorso pelos crimes cometidos, e, claro, têm o apoio de parte da população
desprovida de senso moral, eles estão aí a transitar pela vida pública,
discursando em nome de princípios de honradez e se dizendo perseguidos e
injustiçados. Haja cinismo!
A pergunta seguinte que me fizeram para a tal
pesquisa eleitoral era em quem eu não votaria de jeito nenhum dentre os
pré-candidatos já declarados. Respondi, obviamente, que se o nosso maior
problema era a corrupção eu não poderia votar nos filhos dos maiores corruptos.
Observemos bem que esses filhotes de corruptos não chegam ao cenário político
dizendo que vão romper com o modelo “político” de administração de mamãe e/ou
papai, não fazem qualquer tipo de crítica à má conduta e à corrupção deslavada
praticada pelos seus pais; se assim o fizessem, poderíamos até enxergá-los de
forma diferente e dar-lhes algum crédito; mas, é exatamente o contrário: são o
bolor do novo.
Chegam à vida pública, agarrados à barra da saia da
mãe e/ou da calça de seu pai, com esses a lhe dizer “ vai, filho(a); faça como
eu ensinei; siga o meu exemplo”. É aterrorizante. É de arrepiar. Lembremos da
declaração de Maurinho no seu pronunciamento feito recentemente na rádio
comunitária relatando uma conversa que tivera com o ex-prefeito Edvaldo em
relação às candidaturas para o cargo de prefeito: “Eu não posso; você não pode;
sua mulher não pode; eu boto minha filha, você bota seu filho e a gente faz uma
negociata”.
Para eles, política é isso : ne-go-ci-a-ta! E para
negociata – se é que já não mudaram também o sentido dessa palavra - os
dicionários nos oferecem como sinônimos o seguinte: trapaça; negócio suspeito,
desonesto, desfalque, desvio, falcatrua, traficância e velhacaria. Está aí sem nenhum pudor e sem qualquer disfarce o acordo feito entre
os ex-gestores em relação a apresentação das candidaturas de sua prole.
Salve-se quem puder. E, felizmente, no cenário eleitoral que se avizinha, todos
nós poderemos nos salvar do que quisermos, porque diante da urna eletrônica o
poder é todo do eleitor e o resultado que sair dali será fruto da sua escolha.
Literalmente, em 7 de outubro, Queimadas estará completamente em nossas mãos.
Entretanto para quem quer escolher um gerente para
o município, orientando o seu voto pelos princípios da administração pública e
pela busca de um projeto sério, viável e comprometido com a melhoria da
qualidade de vida das pessoas, está difícil fazê-lo devido à falta de
posicionamentos políticos e à confusão de composições e amálgamas de toda
ordem, que começam a ser costuradas nessa largada à corrida eleitoral. Em
alguns casos, não vemos qualquer norte ou projeto sensato.
Ora, quem se candidata está se candidatando em
oposição a alguma coisa e a favor de uma outra coisa; está se candidatando
contra um projeto de administração pública e a favor de um outro projeto de
administração pública; está se candidatando contra um modelo de sociedade e a
favor de um outro modelo de sociedade. Porém, o que vemos são pré-candidatos
como Daniel, PSB, falando como se estivesse andando em círculos e querendo
resolver os problemas da saúde pública com um chazinho de ervas cultivadas nos
quintais de nossas casa; outros, como Edileuza, PRB, repetem frases de efeito –
“estamos num círculo vicioso” , sem, porém, apontar, ao menos , uma alternativa
sequer para que saiamos do tal círculo vicioso;
O Dr. Carlinhos recusou-se a responder quando foi
perguntado a respeito de sua ideologia política; Tarcísio, atual vice-prefeito,
já poderia ter sinalizado em que uma possível administração sua se
diferenciaria da administração de Serginho com quem está politicamente rompido.
Entretanto, todos dizem-se corajosos, que vão levar suas candidaturas até o
fim, mas se mostram tão perdidos em seus propósitos – ou seriam propósitos que
não podem ser revelados? - que nos fazem lembrar os versos de poeta Carlos
Drummond de Andrade: “ Você marcha José. / José, para onde?”
Está faltando posicionamento político dos
pré–candidatos ao cargo de prefeito de Queimadas. Com qual modelo de gestão não
concordam? Qual modelo de gestão pensam em instituir caso seja eleito(a)? Com
quais pessoas estão se juntando para levar o seu propósito adiante? Não podemos
ser ingênuos em achar que vai dar para combater a corrupção aliando-se aos
corruptos de carteirinha.
Dos 5 pré-candidatos que se
pronunciaram até agora ( falam em 7, mas, até aqui, Cloudes, PDT e Bárbara,
PSC, não anunciaram as suas pré-candidaturas), apenas Dr. André (PT) falou de
projetos e já chegou levantando alguma discussão a respeito do que pode ser a
administração pública; claro que precisa se desvencilhar da visão fantasiosa e
romantizada do governo do PT; para isso, precisa olhar o cenário da
administração pública sem os óculos em formato da estrelinha petista.
O município continua enfrentando
sérios problemas na área da saúde, cuja secretaria é gerenciada pelo seu irmão
(saudades do Blog do Haroldo!) e que precisa de mudanças radicais. Nada de
ações mirabolantes que estejam fora do orçamento público, mas o mínimo e o
básico precisam ser feitos: garantia da presença de médicos no hospital é uma
delas. Não é preciso inventar a roda, agora, o que não podemos é continuar
convivendo com a indignidade de, sequer, termos um lençol que não seja rasgado
para nos deitarmos num leito do hospital municipal Dr. Edson Silva. Quanto
custa um lençol que não está cabendo dentro do orçamento da saúde pública municipal?!
Gostaria de salientar que não apenas o município de
Queimadas enfrenta sérios problemas na área de saúde: Todos os municípios
brasileiros enfrentam sérios e graves problemas neste setor, inclusive,
municípios como São Paulo Rio de Janeiro entre tantos. E também os Estados. A
questão da saúde, sem querer tirar a minha responsabilidade enquanto gestor, é
de financiamento. Não existem recursos (e a professora Carla tem consciência disso)
para que possamos enfrentar o caos da saúde em nosso País.
O que fiz em menos de dois anos no cargo foi
eliminar a política partidária dentro da Secretaria de Saúde, com a visão de
que se faz necessário fazer política pública para a saúde. E isso nós demos um
passo à frente: como exemplo, aí estão as reformas e ampliação dos postos do
PSF; a Academia de Saúde (já aprovada pelo Ministério da Saúde); e programas
como o de Saúde nas Escolas (PSE); NASF – Núcleo de Apoio à Saúde da Família(à
espera de aprovação pelo MS); o Saúde Bucal, como a Unidade Móvel já atendendo
em todo o município, além de dois consultóriso um no Centro de Saúde e outro no
PSF de Espanta Gado oferecendo aos queimadenses seis dias de tratamento
dentário. Outros projetos estão em desenvolvimento, mas este não é o espaço e
nem o momento oportun.o (Do Editor).
Precisamos discutir os nossos
problemas mais cotidianos e comezinhos: é necessário que os professores tenham
material para realizarem as suas atividades; é urgente pensar nessa rede de
esgoto que ora estoura aqui, ora estoura acolá. É preciso seriamente enxergar
nossas mazelas e pensar a gestão da coisa pública para, então, mesmo sendo o
candidato do PT dizer que não vai dar continuidade ao que não presta, ao que é
ruim. Além disso, o prefeito Serginho não é nenhum exemplo de gestor a ser
seguido, dado que se encontra com contas rejeitadas e inelegível. No entanto, é
lúcida e salutar a disposição do candidato para ser convocado por todos os
segmentos da sociedade para debater as suas ideias para a administração do
município. Isso sim é um louvável indicativo de que se quer fazer política e
não oba-oba.
Dessa forma, Dr. André caminha
numa direção diferente daqueles que querem falar ao povo, mas não com o povo;
por isso, não cabe na compreensão daqueles que não tem espírito de súdito a
atitude do pré-candidato ou daqueles que falam em nome dele – Tarcísio e Heydi
respectivamente – não quererem responder a perguntas de ouvintes, quando estão
se pronunciando na rádio. Quando assim procedem, demonstram que querem ser
escutados, mas não querem escutar ninguém.
Falam de cima de um pedestal, o
que subverte a relação entre empregador e candidato a emprego, que é a essência
do processo eleitoral. Como contratar um empregado que não quer responder a
perguntas do empregador? Sendo a política a arte de governar e de debater os
destinos da cidade, sendo os pré-candidatos pessoas postulantes a um cargo de
gerente do município e estando a democracia representativa a viver em crise
justamente pelo distanciamento entre representantes e representados, como achar
normal um pré-candidato dizer: “estou fazendo um pronunciamento e não vou
responder perguntas” ?!
Ora, quem se arvora a concorrer a
cargos públicos deve se preparar para viver numa vitrine e para estar em
interlocução com o povo sempre; porém, se não tem essa disposição deve procurar
outro emprego, de preferência deve ir trabalhar como autônomo porque aí não
terá patrão e nem precisará responder às perguntas de ninguém. Se o formato de
campanha em cima do palanque já é qualquer coisa muito mais próxima de uma
ópera bufa do que discussão política de verdade, uma vez que não se pode
dialogar com os candidatos, imagina só quando eles estão numa relação de
interlocução por excelência, visto que falam numa rádio comunitária e, ainda
assim, não querem responder perguntas.
Trata-se de um equívoco muito
grande, também, da rádio comunitária permitir esse tipo de coisa. Quando
qualquer pré-candidato estiver falando, o telefone da rádio deve estar sempre à
disposição do ouvinte para que ele ligue e pergunte o que quiser sobre a atuação
política e os planos do candidato para a administração pública. Dessa forma, se
o candidato não quiser responder ao ouvinte, aí, então, será um problema dele,
e cabe ao eleitor avaliar se aquela pessoa que se recusa a responder uma
pergunta sua merece o emprego de prefeito. Todavia, a rádio - por sua natureza
essencial de pertencimento à comunidade - não pode negar à comunidade esse
direito.
Temos visto também no rol das pré-candidaturas
muita conversa, muitos apoios de deputados e umas arrumações, no mínimo,
estranhas. Alguém consegue explicar o apoio de Luciano Simões a Tarcísio (PR)
com toda aquela cantilena piedosa que o deputado desfiou a respeito de Maurinho
no seu pronunciamento no último dia 04/05? Justamente no dia em que o
pré-candidato Tarcísio estava na rádio para apresentar o seu vice à comunidade,
lá estava, ao seu lado, o deputado Luciano Simões!
E na sua fala o deputado não
decepcionou Maurinho e a todos os que apóiam e aplaudem as suas falcatruas: fez
a defesa mais desarrazoada e mais desavergonhada que nós já vimos se fazer de
um corrupto. Falou que Maurinho foi muito perseguido pelo Ministério Público e
pela comunidade numa onda de denuncismo que o município vivia e que as
denúncias – e não a ladroagem – prejudicaram o município. Fez, assim, o
escárnio mais torpe da justiça e da democracia.
Nesse dia, o deputado só faltou
convidar a comunidade para a cerimônia de canonização de “São Maurinho” que já
deve estar em fase de conclusão pelo Vaticano. E Maurinho “merece” ser
canonizado, afinal foram muitos os “milagres” e nunca é demais recordar, pelo
menos, alguns: emissão de cheques sem fundo, falsificação de notas fiscais,
desvios de dinheiro da merenda escolar, doação de uma praça a um cigano, desvio
de dinheiro do Fundef, desvio de dinheiro de um convênio com a Superintendência
de Desportos da Bahia (Sudesb), rejeição de todas as contas da prefeitura ,
depósito de R$40 mil na conta de sua filha Bárbara, desvio de dinheiro num
convênio entre o município e a EBAL.
Mas qual foi mesmo o propósito
dessa fala de Luciano Simões? Só para tentar entender, vamos recapitular alguns
fatos políticos: 1) Tarcísio foi um combativo vereador das gatunagens
praticadas pelo seu tio. 2) Maurinho e Tarcísio estão rompidos. 3) Luciano
Simões foi o padrinho mais dedicado que Maurinho teve quando respondia a todos
os processos de corrupção praticados em seu governo. 4) Maurinho, a despeito do
apadrinhamento do deputado, está cassado e inelegível e sem, sequer, poder
votar exatamente por toda a corrupção praticada e já julgada pela justiça.
Então, o que é que há?
- Será que já estará Maurinho
querendo apoiar Tarcísio e estaria Luciano Simões preparando a ponte? Seria
esse discurso piedoso do deputado um indício de uma possível aliança entre
Tarcísio e Maurinho, uma vez que esse, apesar de ter anunciado que estava
fazendo uma negociata com Edvaldo e Heydi já se aborrecera com esses últimos
por eles terem ido conversar com Serginho? E Tarcísio, como fica? Concorda com
a opinião de Luciano Simões a respeito de seu tio, cuja cassação feita pela
Câmara teve o voto do próprio Tarcísio quando o mesmo era vereador? Qual é o
seu posicionamento?
- Alguém entende e consegue
explicar de forma coerente esse imbróglio? Ficou, no mínimo, estranho essa
defesa feita pelo deputado a respeito de Maurinho num momento em que o objetivo
ali era o de lançar uma pré-candidatura que, até então – pelo menos se supunha
-, era contra todas as falcatruas de José Mauro. Agora ficou tudo muito
nebuloso… É por isso que a gente pergunta: o candidato está se candidatando
contra o quê e a favor do quê? E com quais pessoas está se aliando para levar
seu projeto político adiante?
- Uma outra coisa curiosa é que
Luciano Simões consegue, ao mesmo tempo a) se derramar em elogios a “São
Maurinho”; b) apoiar Tarcísio (que é oposição ao tio) ; e c) ter, também, nesse
rosário elogioso a Maurinho, todo o apoio de Dr. Edvaldo (que é oposição a
Tarcísio e anda meio estremecido com Maurinho) quando o médico, em seu
pronunciamento na rádio Comunitária no dia 07/05, concordou com o deputado e
enfatizou que o que traz problema mesmo para o município são as denúncias que o
Dr. Edvaldo chamou de “perseguição” e “traição” ao poder executivo.
- Isso é ou não é um imbróglio? E
o mais esdrúxulo dessa história toda é que Maurinho e Edvaldo foram cassados e
estão inelegíveis justamente por conta do que se apurou e comprovou a respeito
das denúncias de suas gatunagens e maracutaias. Mas, apesar disso, vivem a se
lamuriar chorosamente dizendo que são injustiçados, que são traídos, que são perseguidos,
etc, etc, etc, etc.
Sabe-se que apenas os psicopatas
detêm as características de não sentirem vergonha ou remorso pelo mal que
fazem. Para atingir seus objetivos, agem com irresponsabilidade e são capazes
de mentir e roubar sem sentir culpa alguma. Os psicopatas mentem tanto que eles
próprios passam a acreditar nas mentiras que contam. Os sentimentos dos
psicopatas existem apenas nas palavras.
Além disso, são tão frios que nem
rancor conseguem guardar. Adoram dominar outras pessoas e não possuem
consciência, a característica mais fundamental dos seres humanos. E o pior de
tudo é que eles são irrecuperáveis. Não tem jeito para essas criaturas. A
solução é se manter distante deles, já que no Brasil, diferentemente da Coreia,
os psicopatas não ficam em prisão perpétua. Seria, então, esse o problema dos
nossos políticos que aprontaram horrores na administração pública, não sentem
nenhuma culpa pelo mal que causaram – e continuam causando – e ainda pousam de
vítimas?
Bom, o cenário de largada da
corrida eleitoral 2012 é esse. O prenúncio é de muitas ações eleitoreiras,
porém sem conteúdo político, o que é uma pena. Cada ano eleitoral é uma
oportunidade de ouro para se discutir o modelo de administração que queremos
para nossa cidade. Queimadas agoniza com fome de futuro, de desenvolvimento, de
decência. Estamos cansados de vitórias eleitoreiras em que apenas se derrotam
pessoas. Enquanto A ou B comemorou a sua vitória em uma ou outra eleição – e
governou depois-, o cenário de atraso do município só mudou para pior. O rio
apodrece.
A saúde agoniza. A educação
cambaleia. Os destinos das pessoas estão travados. O momento eleitoral deve ser
de debate, de apresentação de soluções para melhorar a qualidade de vida da
população. Mas não é esse modelo de campanha que vemos se desenhar. O estourar
de fogos de artifício quando um pré-candidato está falando não é à toa; o
objetivo é justamente entreter o ouvinte: já que o pré-candidato não tem muito
conteúdo político faz-se uma grande barulheira para que ninguém preste muita
atenção à falta de projetos, ao seu currículo na vida pública e às negociatas
que estão sendo costuradas. Tudo à moda de Odorico Paraguaçu, prefeito demagogo
e cheio de manobras politiqueiras, folclórico personagem do Bem-amado,
telenovela de autoria do saudoso Dias Gomes. A diferença é que enquanto na
dramaturgia as práticas políticas da fictícia cidade de Sucupira são
engraçadas, na vida real elas se tornam bem desgraçadas…
De todo modo, se é essa a configuração
político-eleitoral e nada se alterar no decorrer da campanha, ficando tudo à
moda bem-amadiana , com a vida imitando a arte, a solução é agir com base em
outra prosa ficcional: assim como os personagens de Saramago em “Ensaio sobre a
lucidez” vou usar o voto, que é o “símbolo máximo da democracia para
questionar profundamente o sistema de sucessão governamental (…) e a forma como
a democracia precisa ser aperfeiçoada”; vou questionar ainda a “fragilidade
do sistema político e das instituições que nos governam” e, sobretudo,
vou questionar a impunidade e a impunibilidade que grassam no nosso frágil
estado (pseudo)democrático de direito. Assim, votando em branco ou anulando o
voto, tal qual a ficção, “a proposta não é substituir a democracia
por um sistema alternativo, mas fazer, pelo menos, o seu questionamento”.
Professora Carla: espero que no meu modesto
entendimento você (desculpe a proximidade) não esteja sugerindo a anulação do
seu voto como forma de protesto. Nós podemos ser uma democracia “capenga”, mas
vivemos o mais longo período político de Estado de Direito desde que nos
tornamos República. Todos tem o direito de se manifestar. Mas no meu
entendimento uma liderança do seu porte jamais poderá se furtar a cravar seu
voto na urna. Este seu libelo mostra que você tem partido: que é o partido de
Queimadas e de seu povo. (Do editor)
* Carla Regina Soares de Souza é professora e ex-sindicalista.
Queimadas-BA, 11 de maio de 2012
Caro Haroldo,
ResponderExcluirGostaria de pontuar algumas quetões sobre os seus comentários referentes ao texto que escrevi. Tentei fazê-lo aqui, mas acabei excedendo o número de caracteres. O que posso fazer para que você o publique? O meu e-mail é carlaregina.souza@hotmail.com. Aguardo um contato seu.
Abaços
Carla
Cara Carla
ExcluirNão há justificativas, por mais razoável que seja, para não ter colocado de imediato sua participação. Mas eu as peço. Pode escrever qualquer comentário e enviar para meu e-mail: haquilles@hotmail.com., que terei o maior prazer em publicar.
Caro Haroldo:
ResponderExcluirGostaria de, também, explanar e ilustrar algumas colocações que fiz referentes à saúde e explicar o uso de palavras que atendiam à minha intencionalidade ao escrever esse texto. Quero ainda explicitar a razão da tomada de posição quanto ao meu voto.
Em primeiro lugar, entendo o seu esforço em esclarecer e justificar os problemas da saúde pública, uma vez que você (peço licença para usar da mesma proximidade de tratamento) é o responsável pela pasta. Quando destaquei a nossa pontuação em uma avaliação do SUS , sei que essa avaliação não contempla unicamente a gestão atual, porém no texto que escrevi falo que temos problemas crônicos nos serviços da saúde municipal que vem de longas datas. Você cita como conquistas na saúde algumas políticas públicas que são de iniciativa do governo federal. Contudo, ao criticar os serviços da saúde pública municipal, citei questões que podem ser resolvidas domesticamente e que, mais do que dinheiro precisam da atitude responsável e sensata do gestor para serem solucionadas: a ausência de médicos na unidade hospitalar municipal Dr. Edson Silva e a falta de lençóis para forrar os leitos. Quero dizer, também, que quando faço críticas aos serviços de saúde, não o faço olhando de longe ou de fora; falo com legitimidade e propriedade porque falo como usuária e titular de um direito.
Nos últimos doze meses, estive procurando os serviços do hospital municipal Dr. Edson Silva, acompanhando a minha mãe e queria ilustrar com três ocorrências angustiantes as críticas que faço: em abril do ano passado minha mãe estava em uma crise de hipotensão; em fevereiro e abril desse ano ela teve crises de hipertensão e náusea. Nessas três vezes em que estivemos lá, os médicos Dr. Eduardo e Dr. Wilson sempre se ausentaram da unidade hospitalar: ora abandonaram o hospital sem que um outro médico plantonista tivesse chegado, ora saíram da unidade hospitalar e quando chegamos numa situação de emergência os enfermeiros disseram que o médico “ tinha dado uma saidinha”.
Coloque-se no meu lugar de filha, acompanhando uma mãe de 81 anos com uma série de problemas de saúde, vendo a pressão arterial chegar a níveis baixíssimos ou elevadíssimos e ouvir alguém lhe dizer que simplesmente não há médico. Eu me senti, num primeiro momento, desesperada; depois de resolver o problema em outro local, eu me senti profundamente desrespeitada e indignada. E você, como se sentiria? Não me responda como secretário, me responda como um filho.
Já aconteceu de, também, eu precisar levar lençóis da minha casa porque o hospital ora não os tem ora os tem rasgados; já cheguei a ver um senhor deitado diretamente sobre o colchão. Trata-se de uma situação de descaso com o cidadão.
CONTINUA..........
(Pelo fato de o texto ultrapassar o número de caracteres determinado pelo blog estou dividindo-o em três partes.)
CONTINUAÇÃO – PARTE II
ResponderExcluirQuando vamos a um hospital é porque, obviamente, queremos um socorro, uma assistência médica. E não encontrar médico nenhum é inaceitável e injustificável porque para isso o gestor não precisa disponibilizar mais dinheiro; deve apenas exigir que aquele médico que já está contratado e recebendo dinheiro público esteja presente no hospital no seu horário de trabalho. Simples assim.
Já fiz duas queixas diretamente ao próprio prefeito; na primeira vez, a solução que ele encontrou foi promover o médico faltoso à direção do hospital; na segunda vez, apesar de fazer a queixa através de ofício, o prefeito nunca me respondeu e o problema permanece. Então a recorrência do problema não se deve à falta ou à pouca alocação de recursos financeiros. Deve-se, na verdade, à falta de respeito ao direito do cidadão, ao excesso de pusilanimidade com o médico e à omissão e irresponsabilidade do gestor público em cumprir a sua obrigação.
Quanto à falta de lençóis, por mais que os recursos sejam parcos e os problemas da saúde pública sejam uma vergonha nacional, eu não acredito que não haja dinheiro para comprá-los. Você e qualquer pessoa têm consciência de que lençol não é uma coisa cara. Além disso, o cidadão que chega ao hospital com uma doença e se deita num leito sem lençol pode sair de lá com mais duas ou três enfermidades. Então, se o gestor quiser, é possível corrigir os problemas que citei. Todavia, a gente se dirige ao prefeito e ele não responde e nem resolve; já fui até o Ministério Público e o promotor, também, não tomou qualquer providência; a Câmara Municipal não fiscaliza. E ficamos, assim, à mercê da omissão e da irresponsabilidade institucionalizada e generalizada em todas as esferas de poder. Nós, cidadãos e usuários dos serviços de saúde, nos sentimos desrespeitados, desdenhados e impotentes. É essa a minha angústia.
CONTINUAÇÃO – PARTE III (FINAL)
ResponderExcluirEm relação ao uso de adjetivos que você julga excessivos e recomenda que eu deveria guardar - alguns - na memória, só a título de esclarecimento, quero dizer que tudo que foi escrito nesse texto não estava mais cabendo dentro de mim, nem na memória, nem na garganta, nem em parte alguma do meu corpo. O uso – excessivo ou não - da referida categoria gramatical foi justamente para me servir da função que ela tem: qualificar, caracterizar, significar atributos ou propriedades dos seres e dos substantivos aos quais o(s) adjetivo(s) se refere(m) e - acredite -, para mim, eles foram todos necessários. Além disso, quando nós caracterizamos ou atribuímos um significado a alguém ou a uma coisa é impossível fazê-lo de modo impessoal. Eu não tinha nenhuma pretensão de ser impessoal, assim como também não vejo problema algum em pessoalizar uma opinião minha.
Quando escrevi esse texto, fi-lo movida por uma indignação muito grande e divulgá-lo, fosse no site da rádio, fosse através de e-mail ou de qualquer outra forma, significou realizar uma catarse e lançar fora de mim a náusea perturbadora que os discursos sórdidos-politiqueiros vinham me causando. Você pode me achar ferina e eu respeito a sua opinião, afinal tenho uma profunda consideração pelo direito de liberdade de expressão e de opinião do outro mesmo quando eu não concordo, mas fico curiosa em saber que qualificação você daria às atitudes dos ex-gestores e aos crimes que eles praticaram no exercício da administração pública contra cada cidadão queimadense.
Se verbalizar roubos e desvios de dinheiro público e usar o substantivo que temos na língua portuguesa - corrupção – para nomear tais práticas é ser ferina, se chamar de cínicos e perguntar se são psicopatas as pessoas que praticaram corrupção, não sentem qualquer vergonha por isso e ainda pousam de vítimas é ser perversa ( que é sinônimo de ferina), como você qualificaria os gestores que cometeram os crimes contra a administração pública, levando em conta cada cidadão dessa terra que tem a sua vida interferida negativamente, diuturnamente e, às vezes, até mortalmente por tais crimes?
Entretanto, tenha certeza de uma coisa: mais do que ferino, o texto é visceral. Essa indignação veio das minhas entranhas. O que eu não sabia é que além de ser visceralmente pessoal, tal indignação fosse também coletiva e qual não foi a minha surpresa – aliás, uma grata surpresa - ao encontrar várias pessoas que vieram se associar a mim nesse repúdio a tanta desdita praticada na gestão pública da nossa Queimadas.
Em relação ao blog, estou vendo que ele continua aí, mas não o seu caráter crítico, analítico; sinto-o inativo por uma mordaça do constrangimento – que você chama de ética - e é do blog de “antigamente” que tenho saudades.
Quanto ao significado do meu voto, caso o faça em branco ou anulando-o, mais do que protesto, ele será de questionamento. A gente protesta quando a gente perde alguma coisa. Já perdemos muitas coisas em Queimadas e isso já seria motivo suficiente para espernear através de um protesto. Entretanto, questionar é mais do que protestar. Protestar pode ser mais barulhento, porém questionar será uma atitude mais incisiva porque problematiza uma dada situação ou realidade e convoca a uma reflexão, a uma tomada de consciência e a uma mudança de rumo. Já imaginou nesse contexto político das eleições municipais se a maioria dos votos fossem em branco ou nulos? Certamente uma grande reflexão, uma tomada de consciência e uma alteração de rumo seriam feitas urgentemente e coletivamente.
No entanto, vou observar como essa campanha se dará e espero não precisar anular o meu voto, mas, se necessário for, eu o farei de forma consciente e será com esse propósito de questionamento.
Abraços
Carla Regina Soares de Souza
Queimadas, 20/05/2012
Caro Haroldo,
ResponderExcluirPor que você não postou meus comentários? Já se vão três semanas desde o dia em que eu os enviei. Foi por isso que disse que estava com saudades do Blog do Haroldo, do tempo em que ele não tinha mordaça e respeitava o nosso direito ao contraditório.
Carla Regina Soares de Souza
12/06/2012
Carla: Quem está comprometido com o esquema da Consutec Administradora de Bens e Créditos Ltda.e seus meios deploráveis para manutenção no poder,não pode ter transparência para questionamentos.
ExcluirCarla: O senhor Haroldo está comprometido com administração atual e seus métodos escusos,como por exemplo o nebuloso contrato com a Consutec Administradora Bens e Créditos Ltda.,empresa estabelecida em São Paulo/Capital, que além de acusada pelo Ministério Público Federal deste Estado por fraude de aproximadamente R$ 460.000.000,00 agora da também é alvo de processo por fraude por venda de títulos públicos 'podres", totalizando prejuízo ao erário de mais de 1 bilhão de reais.,consoante prova abaixo:
ResponderExcluirPREFEITA DE MURIBECA É PROCESSADA POR FRAUDE CONTRA A RECEITA FEDERAL.
O Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) está processando a prefeita do município de Muribeca e mais quatro pessoas por usar recursos do município para comprar título públicos vencidos. Esse documentos, inválidos, foram apresentados para pagamento de débitos na Receita Federal, durante o ano de 2011.
Os outros processados são Indyra Cleo da Silva Conserva, Secretária Municipal de Saúde de Muribeca; a Consutec Serviços de Cobrança, Administradora de Bens e Crédito Ltda., empresa que comercializou os títulos vencidos; Geraldo Antonio Povoas, sócio da Consutec; e, Paulo Roberto Brunetti, advogado e também sócio da empresa.
De acordo com as informações da Receita Federal do Brasil, o esquema fraudulento da prefeitura de Muribeca começava com a empresa Consutec Serviços de Cobrança vendendo os títulos de crédito vencidos à prefeitura. A transação tinha participação do advogado Paulo Roberto Brunetti, que também é sócio da Consutec. A prefeitura comprou crédito no valor de R$ 1,868 milhão, pagando 65% do valor de face do título, ou seja, R$ 1,214 milhão.
Já o Fundo Municipal de Saúde de Muribeca, sob responsabilidade da secretária municipal de Saúde, Indyra Conserva, também comprou esses títulos, adquirindo crédito de R$ 595 mil com pagamento de R$ 386 mil. No total, o desvio de recursos dos cofres da Prefeitura foi de R$ 1,6 milhão.
Por sua vez, os prejuízos para a União somam R$ 2,4 milhões, valor que deixou de ser recolhido pela Prefeitura de Muribeca junto à Receita Federal.