“Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha”
Entre um pingo e outro
A chuva não molha”
Difícil traduzir o melhor de Millôr Fernandes: Escritor
ou jornalista? Chargista ou humorista? Nesta frase acima (uma
das centenas de sua lavra) prefiro a dobradinha jornalista/humorista. Afinal,
dizia ele em outra frase memorável: “Imprensa
é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Então, que tal
fazermos um rápido exercício de análise: O “Liso”, como prefere ser chamado o atual
prefeito de Queimadas, Tarcísio Pedreira, não parece equilibrar-se
perfeitamente entre um “pingo
e outro” ao completar 100
dias de governo?
Ele (o prefeito)
não escolheu um guarda-chuva para se proteger dos relâmpagos e trovões (em
sentido figurado, claro) provocados pelas reações advindas de todos os setores
da sociedade organizada (em especial os servidores públicos, em greve desde
hoje) e dos seus próprios aliados. Preferiu sair driblando e se escondendo dos
problemas na crença de que entre um “pingo
e outro” esteja abrigado
o suficiente para não se molhar. Pena, Sr. Prefeito. Mas, a verdade é que o
Senhor está encharcado.
Encharcado de incompetência. Encharcado de desorganização. Encharcado por uma
equipe escolhida a dedo, mas que até agora vive sob o tacão da verdadeira
administradora (política e administrativa) do município que é a Senhora Maria
Dolores de Oliveira, sua mãe, que usa, ainda, sua filha Renata Pedreira como
"chicote" para
controlar os que ousam pensar por si próprios, em especial, nas secretarias de
Educação e Ação Social.
Pior,
senhor Prefeito. O senhor está encharcado de prepotência e recheado de áulicos
que o orientam e o conduzem a agredir o bom senso; a negociação; e a negar, a
todo o momento, o estado de direito democrático que deveria viger nas relações
de poder do Executivo com o judiciário; com o Legislativo e, acima de tudo, com
as instituições que representam uma sociedade organizada, entre elas sindicatos
e associações.
Na
verdade, o prefeito Tarcisio Pedreira ainda não disse a que veio. Num momento
em que o município de Queimadas e os demais do semiárido baiano passam por uma
crise sem precedentes e que tende ao agravamento em razão da continuidade desta
longa estiagem que entra no seu quarto ano consecutivo, ele se esconde. Não
atrai para si, como é de sua responsabilidade, os atos e as ações que deveriam
ser tomadas para minorar o sofrimento de seu povo.
Caso
não houvesse medidas tomadas pela presidenta Dilma Roussef e pelo governador
Jacques Wagner como a distribuição de água, por exemplo, a população de
Queimadas estaria em “pé de
guerra” contra a
prefeitura. Nestes primeiros 100 dias o que estamos a assistir é um simulacro
de administração.
Para
termos uma ideia do desprezo que o atual prefeito tem para com o poder basta
constatar o que ocorreu durante a audiência pública convocada pelo próprio
prefeito para discutir as consequências da seca. E mais: as formas de luta para
obrigar a Embasa a desobstruir a Barragem da Leste, onde a própria faz a
captação de água que trata e distribui entre as sedes dos municípios de
Queimadas e Santa Luz.
E o
que fez o prefeito? Compareceu, fez um discurso enaltecendo o nada e retirou-se
antes do término do evento num desrespeito a todos que ali foram debater um
problema sério e que afeta milhares de pessoas.
Com o
sindicato dos servidores públicos é música de uma nota só. Repudia o direito
legal e constitucional dos servidores receberem o aumento aprovado pela Câmara
Municipal por meio do Plano de Cargos e Salários e, como um Deus no Olimpo vive
a proclamar: “Não pagarei”; “Não pagarei”; “Não pagarei”.
Este
é o democrata que, inclusive, recebeu apoio maciço dos servidores para sua
campanha vitoriosa. Servidores da Saúde, como médicos, enfermeiros, técnicos,
digitadores, recepcionistas entre outros que trabalham nas unidades do programa
de Saúde da Família até agora não receberam o salário de dezembro. O mesmo para
os 23 agentes de endemias.
Em
que pese, diga-se de passagem, a Secretaria de Saúde ter recebido os recursos
necessários para fazê-lo. E porque não o faz? E os motoristas que servem também
à Secretaria de Saúde transportando o pessoal aos postos do PSF, quando vão
receber o que tem direito, quatro meses após colocarem seus carros a serviço da
Prefeitura? Sabe-se à “boca
pequena” que de forma
ilegal a Secretaria de Saúde está pagando a gasolina dos veículos à sua
disposição.
Mas
há uma razão, apregoada pelo próprio Tarcisio na Câmara e nas emissoras de
Rádio para não honrar os compromissos: o prefeito não paga servidores e
terceirizados por uma única razão: fazer caixa. Pelo que se sabe a prefeitura
de Queimadas tem guardado nos cofres do Banco do Brasil quase um milhão de
reais. Enquanto isso, a população aguarda por obras para que possa trabalhar, e
os servidores pelos salários atrasados e pelo décimo terceiro salário.
Lamentável que nada tenhamos a comemorar nos primeiros cem
dias deste desgoverno. Como queimadenses preocupados com o bem estar da
população; com o desenvolvimento econômico e social do município; com uma
educação responsável e com uma saúde de qualidade torcemos para que o prefeito
Tarcisio Pedreira saia de seu marasmo, tome as rédeas da administração e diga a
que veio.
É isso que seus eleitores e a população do município
esperam. Não queremos saber se o senhor prefeito está a brigar com seus aliados
por não cumprir as promessas que fez durante a campanha, o que parece ser a
única coisa que está a fazer neste longo período.
Acorde, prefeito. Deixe o “bode” de lado e comece a trabalhar e não a guardar dinheiro.
Afinal, a população não compreende e, o que é pior, não admite que o senhor use
os recursos públicos para fazer “caixa”. O que ela espera é que os recursos
sejam aplicados em obras em prol do desenvolvimento do município. Até porque,
prefeitura não é banco ou agência financeira.
Para finalizar, busco mais uma vez a ajuda de Millôr
Fernandes com outra frase singular: “Às vezes você está discutindo com um imbecil...e ele
também”.