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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ministro, que tal discutir o caso Alstom/PSDB?


Os governos do ex-governador José Serra e do atual, Geraldo Alckmin, estão envolvidos, segundo o MP

Por Antônio David*, especial para o Viomundo

Gilmar Mendes é uma pérola.

Hoje a imprensa noticiou: “Ministro do STF defende investigação sobre doações a petistas”.

Segundo o portal Terra, o único dos atuais ministros do STF indicado por FHC teria declarado:

“Essa dinheirama, será que esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes? Ou estão distribuindo dinheiro para fazer esse tipo de doação? Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui? São coisas que nós precisamos examinar. E se for um fenômeno de lavagem? De dinheiro mesmo de corrupção? As pessoas são condenadas por corrupção e estão agora festejando coleta de dinheiro. É algo estranho”.

Não surpreenderá se Gilmar Mendes propuser ao Ministério Público que denuncie por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro todos os envolvidos nas campanhas de solidariedade aos condenados da AP 470.

Basta para isso evocar o argumento do “domínio do fato”.

Algo assim: “Se arrecadaram tanto dinheiro, então devem ser corruptos. Só pode ser corrupção. Afinal, eles são do PT”.

Dou o braço a torcer: esse aí pelo menos é coerente. Age agora exatamente da mesma forma como agiu no julgamento da AP 470.

É compreensível que o ministro Mendes esteja surpreendido. Afinal, ele não tem ideia do que seja militância.

Mas ele já deveria saber.

E por que deveria saber? Quando estourou o escândalo do “mensalão”, Gilmar Mendes e seus correligionários tinham total certeza de que Lula sangraria e que, de tanto sangrar, perderia no pleito de 2006. Como sabemos, Lula venceu.

O que tem isso a ver com as campanhas de solidariedade a Genoíno e Delúbio? Segundo o historiador Lincoln Secco, “a militância do PT salvou o partido” no episódio do “mensalão” (Lincoln Secco, História do PT, p.233).

O que estamos vendo ocorrer novamente e que deixou o ministro Gilmar Mendes estupefato é a militância do PT entrando em cena.

No fundo, a estupefação de Gilmar Mendes esconde na verdade a incompetência de um setor da política brasileira, à qual Mendes é filiado e da qual faz o papel de porta-voz (vejam vocês, como faltam quadros na direita!). Eles não mobilizam ninguém. Eles não sabem o que é mobilização. Eles não têm militância.

Agora, cá entre nós: estranho mesmo é um ministro do STF pronunciar-se sobre campanhas que foram noticiadas à exaustão – inclusive pela mesma imprensa que fez campanha aberta e descarada pela condenação dos acusados -, e não tenha feito sequer uma declaração sobre o caso Alstom.

Todo mundo sabe que o ministro que concedeu habeas corpus para o Dr. Daniel Dantas sente um gosto especial por aparecer na mídia. Alguns de seus colegas também. Mas, reconheçamos: esse aí é seletivo. Quando se trata dos amigos tucanos, ele se transforma num ministro discreto, recatado… mudo.

O silêncio do ministro Gilmar Mendes torna-se mais estranho quando se depara com o fato de que o caso de corrupção no metrô de SP envolve figuras cujo foro é o STF.

E o caso Alstom, ministro? E o envolvimento de figuras públicas do seu partido do coração nesse caso? E o envolvimento do atual governador e ex-governadores do PSDB nesse caso? Para onde foi o dinheiro, ministro? “E se for um fenômeno de” financiamento de campanhas do PSDB paulista? “A sociedade precisa discutir isso”, ministro Gilmar Mendes.

Pano rápido: e falando do caso Alstom, a pergunta que não quer calar é: será que haverá “domínio do fato” no julgamento desse caso? Com a palavra, Gilmar Mendes.

*Antônio David é pós-graduando em Filosofia pela FFLCH/USP e contribuiu com a campanha de José Genoino.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Siemens denuncia Cerra. A casa caiu !

Falta agora cair o clã Cerra na Privataria.

Flávio Ferreira de São Paulo e Juliana Sofia de Brasília

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época.

A mensagem relata uma conversa que um diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com Serra e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante congresso do setor ferroviário em Amsterdã, na Holanda.

Outro lado: Ex-governador nega encontro com executivo

Na época, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação milionária aberta pela CPTM para aquisição de 40 novos trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa.

(…)

Serra disse à Folha que não se encontrou com executivos das empresas interessadas no contrato da CPTM e afirmou que a licitação foi limpa, com vitória da empresa que ofereceu menor preço.

(…
)


Em tempo: ainda na mesma Folha (*):

Ministério Público quer dados do Cade sobre o metrô do DF



De Brasília - Promotor tenta acesso a documentos do governo que indicariam acordo fraudulento entre Siemens e Alstom. Multinacionais são investigadas por conluio em contrato de manutenção de trilhos na capital federalO Ministério Público do Distrito Federal, que investiga o contrato de manutenção do metrô em Brasília, quer acesso aos documentos e dados colhidos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no caso Siemens. 

A casa caiu – II

PF sabe como Alstom subornou tucanos de SP

A
Saiu no Estadão, em estado comatoso:

Caso Alstom: PF vê pagamentos a partido e governo de SP e indicia 10



Autoridades suíças sequestraram 7,5 milhões – dinheiro que seria de subornos – de uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de servidores; caso teria os mesmos ingredientes do que envolve o cartel metroferroviário denunciado pela Siemens

Bruno Ribeiro e Marcelo Godoy

Documentos da Polícia Federal obtidos pelo Estado mostram como funcionou o suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do governo do Estado de São Paulo e ao PSDB pelo grupo francês Alstom. Dois ex-secretários, dois diretores da estatal de energia EPTE (ex-Eletropaulo), consultores e executivos da Alstom – dez pessoas no total – foram indiciados no inquérito da PF.

Autoridades suíças sequestraram 7,5 milhões – dinheiro que seria de subornos – de uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de Jorge Fagali Neto e de José Geraldo Villas Boas. Fagali é ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Villas Boas é dono de uma das offshores acusadas de lavar dinheiro do esquema.

Apesar de estar fora da administração paulista na época do pagamento de propina (1998), Fagali manteria, segundo a PF, influência e contatos no governo paulista. O caso envolvendo a Alstom teria os mesmos ingredientes do que envolve o cartel metroferroviário denunciado pela Siemens, do qual a Alstom também faria parte.