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terça-feira, 4 de março de 2014

“Partido do Desastre” do jornalismo econômico






Por Fernando Brito, no Tijolaço

Luciano Martins Costa, em seu Observatório da Imprensa no Rádio, desmonta, peça por peça, o triste papel que o jornalismo econômico brasileiro vem desempenhando.

À semelhança do que ocorre na cobertura política, formou-se uma quase unanimidade: a de que o Brasil está caminhando celeremente para um desastre econômico e que, salvo por uma reversão radical da política econômica – claro que no sentido da adoção das conhecidas práticas neoliberais de juros, arrocho, entrega – não haverá “salvação”.

Formou-se uma espécie de partido hegemônico, quase mesmo partido único: o Partido do Desastre.

E, embora os fatos desmintam isso, esta é uma profecia que influi sobre os agentes econômicos, sobretudo sobre os menos poderosos e equipados para análises econômicas: a população em geral e os empreendedores de menor porte, que passam a contar com uma retração econômica, aumento de preços e redução da demanda.

Os fatos, certamente, são mais fortes que suas versões. Mas as versões são tão uníssonas que acabam, elas próprias, influindo também sobre os fatos.


Por Luciano Martins Costa

É manchete nos principais jornais desta sexta-feira (28/2) o resultado da economia brasileira no ano de 2013.

O tom de espanto domina os títulos das reportagens e das análises dos economistas credenciados pela imprensa.

O Produto Interno Bruto cresceu 2,3%, contrariando o canto fúnebre entoado incessantemente pela mídia tradicional até o dia anterior.

O discurso muda subitamente: agora, diz-se que “uma surpresa favorável estancou a piora das expectativas”.

As edições desta véspera de carnaval devem ser guardadas pelos analistas da comunicação jornalística como um caso a ser estudado em futuras pesquisas.

Trata-se da mais deslavada demonstração de irresponsabilidade, para não dizer manipulação criminosa, no exercício dessa que já foi considerada uma atividade luminar da vida moderna.

Ao ver desmentidas pelos números suas próprias adivinhações, a imprensa usa o contorcionismo das metáforas para dizer que, agora, as expectativas catastrofistas não têm sentido.

Ora, mas quem foi que criou essas expectativas, se não a própria imprensa, ao dar abrigo e destaque para as piores previsões disponíveis?

Com exceção de uma minoria de especialistas, que passaram as últimas semanas fazendo penosos malabarismos verbais para não cair na corrente do apocalipse, o conteúdo dos jornais tem induzido os operadores da economia a um estado mental depressivo, que afeta principalmente o setor industrial, mais suscetível ao clima de pessimismo.

Alguns textos acusam o governo atual de haver insuflado no mercado um otimismo exagerado, há três anos, ao projetar taxas de crescimento anuais em torno de 4%.

Acontece que, desde então, a imprensa tem trabalhado no sentido contrário, produzindo um clima que induz a estratégias cautelosas por parte dos investidores.

Ainda assim, note-se, o nível de investimento cresceu 6,3% em 2013, a maior alta desde 2010.

O gráfico apresentado pelo Estado de S. Paulo anota, timidamente, que os investimentos devem crescer mais em 2014, impulsionados pelas obras da Copa do Mundo.

Manipulação e malabarismo

No amplo espectro das causas que compõem os fenômenos complexos, não se pode descartar o efeito do pessimismo da imprensa sobre escolhas de empresários e executivos mais conservadores.

Observe-se que, progressivamente, a predominância de opiniões negativas sobre a economia brasileira se tornou tão hegemônica que alguns autores passaram a usar e abusar de figuras de linguagem para se dirigir a seus leitores, abrindo mão do vocabulário econômico específico.

Interessante notar também que um dos destaques desta sexta-feira é a frase de uma jovem economista muito apreciada pelos jornais, que costuma usar referências literárias para ilustrar suas análises.

Em declaração no Estado de S. Paulo, ela afirma que o desempenho do PIB “vai gerar um choque de realidade sobre a economia do País. O pessimismo não se traduz em recessão ou queda do PIB”, observou.

O leitor atento vai pesquisar suas manifestações anteriores e constata que a economista tem sido uma das mais agressivas ativistas do pessimismo, useira contumaz de ironias.

Note-se também que, mesmo diante da realidade que contraria tudo que vinha publicando, a imprensa se esforça para diminuir o impacto dos fatos sobre suas previsões alarmistas.

Numa página inteira em que analisa sinais de mudança no modelo brasileiro de crescimento, a Folha de S. Paulo apresenta nesta sexta-feira um ranking das economias que mais cresceram, lançando mão de um artifício primário para minimizar a importância do desempenho do Brasil: em dezembro, quando noticiaram estudos sobre mudanças na economia dos Estados Unidos, os jornais dividiram os países em dois blocos – os mais vulneráveis e os menos vulneráveis.

E qual o critério adotado agora pela Folha, para classificar o desempenho dessas mesmas economias em 2013? – Divide os países em três blocos, colocando o Brasil no bloco intermediário.

Se optasse pelo mesmo critério usado para destacar a análise pessimista, o jornal teria feito um quadro com dois blocos, e o Brasil seria apresentado entre os quatro países que mais cresceram, junto com China, Indonésia e Coréia do Sul.

São manobras como essa, inspiradas claramente num viés ideológico e no interesse político, que afetam a credibilidade da imprensa.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Globo, Folha e Estadão “podem” acabar!




Por Altamiro Borges no blog do Miro

Nos primeiros dias de 2014, a mídia tucana se superou na sua aposta catastrofista contra o governo Dilma Rousseff. Está até difícil escolher quem são os principais urubólogos deste início de ano. O Estadão de terça-feira (7) estampa o título “S&P [suspeita agência de risco dos capitalistas sem risco] diz que pode cortar nota do Brasil ainda neste ano”.

Já a Folha abusou na manchete: “Alta de preços pode afetar desemprego em 2014”. O jornal O Globo garante que o país “pode” entrar em recessão neste ano de eleições presidenciais. Já que todos os veículos estão fazendo as suas previsões, lanço também a minha: “Globo, Folha e Estadão ‘podem’ acabar”, para o bem do jornalismo nativo.

A “guerra psicológica” deflagrada pela imprensa – e criticada pela presidenta Dilma sem maiores consequências, já que ela insiste em tratar o tema da regulação democrática da mídia como um simples apertar no botão do controle remoto – é escancarada. Merecia estudos na academia, caso esta estivesse disposta a enfrentar temas estratégicos para a sociedade brasileira.

O pessimismo midiático, com visíveis objetivos eleitorais num ano de sucessão presidencial, é mais do que evidente. O Estadão, da oligárquica e golpista famiglia Mesquita, afirma que a agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) pode rebaixar a nota do Brasil, “mas ainda não tem decisão sobre o assunto”.

O próprio diretor do antro rentista, hoje ridicularizado no mundo inteiro, relativiza o título terrorista do Estadão. “Não é um colapso. Se ocorrer um rebaixamento seria em um nível e o Brasil continuaria a ser classificado como ‘grau de investimento’, disse o diretor da S&P” ao jornalista do Estadão. Mesmo assim, o jornal preferiu estampar o seu título catastrofista.

Outras agências de risco, como a Fitch e a Moody´s, informaram que o Brasil está bem posicionado na destrutiva economia capitalista mundial, que enfrenta a sua mais prolongada e grave crise das últimas décadas. Não adiantou! O Estadão insiste que o Brasil vai falir neste ano, de preferência na véspera da eleição presidencial.

Já a Folha, com maior tiragem e maior influência nos chamados formadores de opinião, tem preferido tratar de assuntos mais sensíveis. Agência de risco é algo muito distante da sociedade, a não ser dos rentistas que especulam no mercado financeiro. A sua manchete espalhafatosa desta semana mexe diretamente com os trabalhadores.

O jornal da famiglia Frias garante que a inflação "pode afetar o desemprego em 2014”. A reportagem nas páginas internas é bem confusa. Mas o que fica é a leitura das manchetes nas bancas de jornal. O próprio texto adverte que “empresários e consultores preveem mercado de trabalho em baixa, mas recuperação global pode ajudar”. Ou seja: pode ser que sim, pode ser que não!

A Folha admite, mesmo a contragosto, que “os dados mais atualizados para 2013, até novembro, são de taxa de desemprego de 4,6%. Desde janeiro, o saldo de novos empregos (trabalhadores admitidos menos demitidos) foi de 1,547 milhão”. Mas ela garante que “a piora [na geração de emprego] deve ocorrer mesmo com as vagas temporárias que podem ser criadas na Copa e nas eleições”.

No seu “pessimismo crônico”, como já reconheceu a própria ombudswoman do diário, Suzana Singer, a Folha ainda aposta que “enquanto o crescimento da renda real (descontada a inflação) foi de 3,4% na média de 2007 a 2012, no próximo ano deve ficar entre 0,7% a 1,5% nas projeções dos economistas”.

No caso do jornal O Globo, da bilionária famiglia Marinho, as manchetes recentes parecem indicar que o Brasil ruma inexoravelmente para o desfiladeiro.

Os urubólogos de plantão do diário só fazem previsões catastrofistas, mesmo que a realidade insista em desmentir as suas apostas no aumento do desemprego, na explosão da inflação – vale recordar a cena ridícula do colar de tomates da apresentadora Ana Maria Braga –, no inevitável apagão de energia elétrica e, agora, no rebaixamento da nota do país na economia mundial.

Como já ironizou o blogueiro Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada, o esporte favorito do jornal O Globo é “rebaixar a nota do Brasil”. 

No texto “Tudo como no ano passado”, publicado nesta semana no Observatório da Imprensa, o jornalista Luciano Martins Costa critica as manchetes apocalípticas dos primeiros dias deste ano novo. Ele brinca que todas elas insistem no “pode”.

“Aí, o leitor caprichoso, atacado por aquela doença infantil do esquerdismo, se pergunta: se pode acontecer o pior, mas pode também não acontecer, onde estaria a notícia? Ora, leitor, a notícia está apenas no desejo do editor, que, tentando bem interpretar o pensamento do dono do jornal, descumpre uma das normas básicas do bom jornalismo – aquela que diz o seguinte: uma coisa que “pode” acontecer não é manchete”.

Para ele, os jornalões estão desnorteados. “Se a economia brasileira está em crise, como gritam diariamente as manchetes, por que os indicadores registram mais de 1,5 milhão de novos postos de trabalho, com um aumento de 4% na criação de empregos com carteira assinada, no ano de 2013, em relação aos doze meses anteriores?”.

O que os jornais fazem não é jornalismo, mas sim militância oposicionista. “Pode chover ou fazer sol, os preços podem subir ou cair, alguém pode vir a falecer, pode nevar no Sul no próximo inverno, o trânsito pode piorar no fim das férias, o mundo pode acabar hoje, e a imprensa ralando todos os dias para fazer crer que algum desses acontecimentos merece uma manchete”.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dilma critica pessimismo


Em seminário do CDES, Dilma diz que o Brasil não quer voltar ao passado


Presidenta faz um paralelo entre os dez anos de atuação do Conselho e os avanços econômicos e sociais conquistados pelo país e diz que é apenas o começo.




Em sua primeira participação como chefe de Estado em um seminário internacional do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a presidenta Dilma Rousseff traçou um panorama das conquistas obtidas pelo Brasil nos últimos dez anos, desde que o CDES foi criado, e exortou seus integrantes a darem continuidade à missão de debater propostas oriundas dos diversos setores da sociedade brasileira para o desenvolvimento do país. A presidenta afirmou também que o atual momento de reivindicações populares por mais avanços sociais indica que o os brasileiros não desejam um retorno ao passado, mas sim o aprofundamento de conquistas que somente foram possíveis a partir da mudança de paradigma do governo, que passou a encarar o combate à desigualdade como prioridade.

“Quando nós promovemos a ascensão social – e hoje estamos perto de eliminar a pobreza extrema - sabíamos que isso era só o começo para maiores exigências. Quando criamos um grande contingente de cidadãos com melhores condições de vida e com maior acesso à informação, vimos surgir um cidadão com novas vontades, anseios, desejos, exigências e demandas. Ninguém, neste último mês de várias manifestações, pediu a volta ao passado. Pediram, sim, o avanço para um futuro com mais direitos e mais democracia. Exigiram avanços, e tudo o que ocorreu floresceu justamente em meio a um processo de mudança que estamos fazendo no Brasil há uma década”, disse a presidenta.

Dilma lembrou que entre 2003 e 2013 “ocorreu a maior redução da desigualdade dos últimos 50 anos” no Brasil: “Foi nesta década que criamos um sistema de proteção social que vai nos permitir praticamente superar a extrema pobreza. Em um mundo que desemprega, criamos quase 20 milhões de empregos com carteira assinada. Onde os países se endividaram e o déficit público chegou a níveis extraordinários, nós construímos o controle da inflação”, enumerou.

Agora, segundo a presidenta, o Brasil quer mais: “Fizemos nestes dez anos o mais urgente e necessário para superar aquele nosso momento histórico, mas agora fomos cobrados a fazer mais. Queremos e devemos fazer mais. Democracia gera o desejo de mais democracia. Inclusão provoca cobranças por mais inclusão. Qualidade de vida desperta o anseio por mais qualidade de vida. Para nós, o fim da miséria e todos os outros avanços conquistados são só o começo. Todos nós queremos mais”, disse.

Dilma afirmou querer “incorporar empresários e trabalhadores cada vez mais nesse processo” e saudou o papel cumprido pelo CDES neste novo momento vivido pelo país na última década: “O CDES merece calorosos cumprimentos pelos dez anos de atividades. Tem sido um interlocutor muito importante do governo, seja por sua capacidade de análise e formulação, seja por sua representatividade. O diálogo travado no Conselho tem sido fundamental, e o Brasil hoje não pode prescindir de canais desse tipo, conectado como o Brasil real. Essa conexão é estratégica para que de fato possamos melhorar as questões de representatividade no Brasil. Este Conselho demonstrou nestes dez anos que, ao representar os segmentos mais diferentes colocou os interesses do país acima de interesses específicos”.

Ao assumir a luta contra a desigualdade como prioridade para o país, o CDES, disse a presidenta, ajudou a pavimentar o caminho hoje trilhado pelo governo: “O maior obstáculo ao desenvolvimento era a desigualdade. Ao colocar isso no centro de suas discussões, o CDES deu um passo à frente para que possamos reduzir a desigualdade entre regiões, entre homens e mulheres, entre negros e brancos, entre empresas de diferentes tamanhos, entre setores produtivos, ente cidadãos na base e no topo da pirâmide social. Avançamos muito no combate, mas o CDES nunca deixou de registrar que ainda há um longo caminho a percorrer para que o Brasil seja um país sustentável e justo. Esse processo de avanço não deve, não pode e não será interrompido. Ao contrário, está sendo mantido e ampliado. Estamos vencendo focando nos desafios que queremos superar”.

Críticas infundadas


Dilma criticou o que qualificou como críticas infundadas a atual situação do país: “Aproveito para repelir as posturas pessimistas contra a economia brasileira em um futuro próximo. Os dados desmentem esse pessimismo, hoje temos melhores condições do que tivemos em anos passados. Não estou dizendo que não temos que melhorar, mas temos a força necessária para superar os desafios”, disse. Ao falar das “parcerias e concessões que estão atraindo investidores”, a presidenta citou a 11ª rodada da ANP, que teve recorde de participação com 39 empresas de doze países, e da “expectativa positiva para outubro”, quando será realizada a rodada de leilão do pré-sal.

Dilma citou ainda os dois leilões de energia elétrica ocorridos em maio e junho e as novas regras aprovadas para os portos brasileiros: “O país precisa enfrentar seus custos e o desafio de transformar o ambiente de negócios. Haverá um anúncio público de 50 terminais de uso privativo, o que indica que esse processo será também bem-sucedido ao abrir a participação de investimentos privados de nosso país”, disse, antes de afirmar que novos investimentos serão feitos entre agosto e dezembro nas rodovias, ferrovias e aeroportos.

A presidenta garantiu aos conselheiros do CDES que a inflação está sob controle; “A inflação vem caindo de forma consistente nos últimos meses e temos certeza de que vamos fechar o ano com a inflação dentro da meta. A solvência do estado brasileiro está garantida. Podemos ter a certeza de que o Brasil tem uma situação de solvência e robustez fiscal. A dívida líquida é muito menor do que há dez anos e o déficit da previdência está em torno de 1% do PIB, um dos menores da década, assim como as despesas do governo. Os números reais mostram que é incorreto falar de descontrole da inflação ou das despesas do governo. É desrespeito aos dados ou a lógica, para dizer o mínimo. A exploração parcial dos fatos confunde a opinião pública e visa criar um ambiente de pessimismo. Trata-se de um barulho muito maior do que o fato. Temos problemas, sim, mas a situação é muito melhor do que no passado”.

Pactos

Dilma apresentou oficialmente ao CDES os cinco pontos do pacto que propôs à sociedade brasileira após as recentes manifestações: responsabilidade fiscal; reforma e planejamento urbano; educação; saúde e reforma política. Antes de serem apresentados ao CDES, os cinco pontos foram discutidos pela presidenta com lideranças do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos movimentos sociais.

“A reunião do CDES tem uma pauta muito importante, que é discutir as ações necessárias para dar respostas à nova realidade brasileira, inclusive o ambiente político criado pelas manifestações de junho. Enfatizei que era necessário ouvir a voz das ruas, interpretar e perceber que tinham um norte bem diferente das manifestações que vemos no mundo. Aqui, é uma questão de mais direitos sociais, mais valores públicos, éticos e de maior representatividade. É meu dever traduzir essas demandas em ações práticas do governo. Não devemos nem podemos ficar indiferentes, mas ter a humildade de reconhecer que lutar por mais direitos é algo que só honra o nosso país”.