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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Mídia protege Marina e omite o óbvio: ela mentiu


O blog do haroldo reproduz texto do 247 Brasil

Por que será que é tão difícil dizer que a candidata Marina Silva, do PSB, mentiu quando disse, no debate da Band, que votou favoravelmente à CPMF; na Folha de S. Paulo, ela, a vítima, alvo do PT, "se contradiz"; no Valor, ela votou contra a CPMF quatro vezes no governo FHC, mas fez isso "sob orientação do PT"; no Globo, de novo vitimizada, "após ataque", Marina tenta explicar sua posição; a verdade é uma só: a candidata disse uma coisa e fez outra, ou seja, mentiu; no entanto, em Caruaru (PE), Marina tentou culpar a presidente Dilma Rousseff pela própria mentira, ao dizer que ela não tem experiência parlamentar e não sabe como funciona o Congresso; na verdade, é Marina quem enfrenta problemas de memória




247 - No primeiro debate entre os presidenciáveis, na Rede Bandeirantes, Marina tentou vender uma imagem de si própria que não correspondia à realidade. Disse que não fazia "oposição pela oposição", dando como exemplo o fato de ter votado a favor da CPMF, quando seu partido – na época, o PT – era contra.

Marina mentiu. Como foi demonstrado ontem pelo 247, nas quatro ocasiões em que teve a oportunidade de votar em relação ao imposto do cheque, criado para financiar a saúde, ela votou contra (leia mais aqui). E a mentira foi desmascarada no debate da Record, no último domingo, quando a presidente Dilma Rousseff a confrontou com dados do próprio Senado.

Pega numa situação desconfortável, Marina ontem soltou uma nota. Mais uma vez mentirosa. Disse que foi favorável à CPMF quando o assunto tramitou numa comissão do Senado. Nesta ocasião, houve apenas uma votação simbólica e quem representou o PT foi a liderança do partido no Senado – e não Marina Silva.

O fato de Marina ter sido pega na mentira foi, sem dúvida, um dos pontos altos do último debate. No entanto, chega a ser comovente o esforço dos jornais brasileiros para proteger a candidata do PSB das suas próprias fragilidades.

Na Folha, Marina foi vitimizada. Na manchete, ela, "alvo do PT", se contradiz sobre CPMF. No Globo, também vitimizada, Marina, "após ataque", "tenta explicar posição sobre CPMF". No Valor, joint-venture dos grupos Folha e Globo, mais uma tentativa de proteção. A manchete informa que ela votou quatro vezes contra a CPMF, mas "sob orientação do PT".

Ora, mas o discurso de Marina era justamente o de "não fazer oposição pela oposição" e de ter desafiado seu próprio partido.

Protegida pelos meios de comunicação familiares, Marina continua à vontade para alimentar mitos e inverdades. Ontem, em Caruaru, tentou culpar a presidente Dilma Rousseff por sua própria mentira. Disse que ela, por não conhecer os meandros do parlamento, teria "feito confusão".

“A CPMF tramita desde 1993. Entrei no Senado em 95. No processo da comissão, o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM, já falecido) propôs um fundo de combate. Eu propus estudar medidas de combate à pobreza. Fizemos o bom combate na comissão. Aprovamos a proposta e no plenário houve mudança no texto e os recursos foram reduzidos pela metade. Aí sim votamos contrários”, disse a candidata. “Fico tranquila porque sei o que fiz. Obviamente, uma pessoa como a presidente Dilma, que nunca foi vereadora, deputada, que não teve qualquer mandato político, tem uma certa dificuldade de entender o trâmite legislativo de uma proposta”.

Na comissão, Marina, quem se manifestou foi a liderança do PT. E no plenário, em quatro ocasiões, você votou contra. O resto é apenas conversa mole.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marina fez e disse, mas não lembra. Amnésia seletiva?




Entre seu passado político e o que apresenta em campanha, candidata Marina Silva esquece algumas partes; jornal do PSB diz que ela apoiou a CPMF, que destinava verbas bilionárias para a Saúde; quando foi senadora (1994-2011), porém, votou contra duas vezes; "Não faço oposição pela oposição", diz Marina hoje, que naquele tempo boicotou a Lei de Responsabilidade Fiscal, a criação da Anatel, a reforma administrativa e o modelo de exploração do petróleo; dia 29, desdenhou do pré-sal - "o petróleo é um mal necessário" -, mas já na manhã seguinte voltou atrás sem reconhecer que seu programa de governo tem apenas uma linha sobre o assunto; no Fisco, esqueceu de declarar todos os seus bens, lembrando apenas depois de o PT ameaçar pedir investigação; ativista da causa LGBT, é agora contra o casamento de pessoas do mesmo sexo; Freud explica?




Extraído do 247 Brasil – 


Ao não enfrentar o cotejo de informações produzidas por seu passado político, distante e recente, com posições e atitudes atuais, de postulante a presidente, Marina Silva também se torna candidata a caso clínico, daqueles que, como diz o povo, só "Freud explica". À primeira vista dos leigos, parece que a ex-seringueira, ex-senadora e ex-ministra sofre do que se pode chamar de amésia seletiva. Lembra ou esquece, apenas do que quer, não de tudo o que foi, fez ou disse.

O caso mais recente diz respeito à sua declaração de bens à Receita Federal. Marina só pode ter esquecido de acrescentar ao seu patrimônio pessoal R$ 46 mil, o que só feito na Receita após ameaça de pedido do PT por uma investigação. Num dado que era desconhecido até a semana passada, revelou-se que Marina recebeu R$ 1,6 milhão em palestras a clientes que, sim, ela se lembra, mas está impedida por contrato de revelar os nomes.

Se R$ 46 mil podem ser pouco para lembrar, esquecer dos bilhões que a CPMF – imposto de 0,38% de cada cheque – representava para a saúde deve ser mais fácil. O instrumento vigorou no governo de Fernando Henrique, mas foi cortado antes de beneficiar a administração Lula. Marina foi senadora entre 1994 e 2011, e por duas vezes votou contra a CPMF. Ela também não apoiou a iniciativa do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) de resgatar a verba carimbada, não endossando o projeto. No jornal da campanha de Marina para presidente, no entanto, está escrito que Marina apoiou a CPMF. Isso nunca foi verdade.

- Eu não faço oposição por oposição, tem repetido Marina nesta campanha. Trata-se, à medida em que ela não assume o debate sobre suas posições públicas, tomadas no Senado, diante de todos os registros públicos, de um verdadeiro atestado de esquecimento. E não é o único sobre sua atuação no Senado, onde, ao contrário do que diz hoje, praticou sim a oposição a praticamente tudo.

Em oposição à grande maioria do Congresso, Marina votou contra temas quase consensuais como a criação da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações --, a quebra do monopólio estatal e o modelo de concessão para exploração de petróleo, e, também, contra a reforma administrativa. No dia da votação da reforma da Previdência, estava de licença médica. Em 2000, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal que, reconhecidamente, tem normatizado minimamente as finanças dos Estados.

A coisa é complexa. Um caso gritante é a ida e vinda, sem reconhecer que foi e voltou, a respeito do pré-sal. Menos de uma dia depois de afirmar, em 29 de agosto, que não tinha o pré-sal como uma de suas prioridades – "minha posição é conhecido: o petróleo é um mal necessário" -, Marina não apenas não assumiu o que disse, enfrentando, assim, o debate, como aderiu, de forma classicamente oportunista, à maré de desaprovação ao posicionamento. De resto, subjugado em seu programa de governo.

Marina esqueceu, outra vez na primeira hora de sua candidatura de 2014. De olho no voto das igrejas pentecostais, reagiu a quatro tuites do "pastor" Silas Malafaia com um imediato rompimento com seu compromisso histórico com os militantes LGBT. Ao menos, é que se tinha no início da carreira política dela, quando, no melhor estilo hippie, ajudou a criar as bases nacionais para a expansão do movimento. Mesmo cavalgando nessa comunidade politicamente influente e carregando a bandeira de prestígio,

Marina Silva marcou posição contra a formalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

- Nem sei que tuites são esses, devolveu Marina a respeito do motivo de sua virada ideológica. Deve ser verdade, pode ser esquecimento.

Entre lapsos, Marina também começa a ver sua tendência de ascensão nas pesquisas parar, na melhor análise para ela, ou se inverter, no que muitos acreditam. De tão flagrantes, os paradoxos entre a história política de Marina e a maneira como ela se apresenta agora estão, nitidamente, decepcionando legiões de eleitores que a tinha como alternativa. Falou alto o crescimento do índice de rejeição dela.

Se continuar a esquecer quem foi e não dizer mais claramente quem é, Marina corre o risco de não ser lembrada pelos eleitores.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Globo diz que Marina mente sobre CPMF






Do Jornal GGN - 


O jornal O Globo, que nesta eleição despende certa energia na tentativa de passar a limpo algumas declarações disparadas por presidenciáveis, publicou, nesta terça (9), uma reportagem sugerindo que Marina Silva (PSB) mente sobre o apoio na votação da CPMF.

Ao contrário do que afirma publicamente, Marina não votou a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira nas duas ocasiões em que teve a possibilidade, em 1995 e 1998, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2002, quando Suplicy articulou a aprovação do projeto, ela não registrou o voto.

Marina tem citado esse episódio para exemplificar a atitude de um parlamentar que não faz "oposição por oposição", algo que espera ver em um possível governo do PSB no plano federal. Ela diz que durante o governo FHC, apesar de o PT ser contrário à medida, ela apoiou a CPMF.

O Globo aproveitou a oportunidade para resgatar em seu site a votação de Marina enquanto senadora da República. As informações foram obtidas a partir de registros do Senado. Além de rejeitar a CPMF, Marina também votou contra a criação da Anatel, a quebra do monopólio estatal e o modelo de concessão para exploração de petróleo e a reforma administrativa. De licença médica, ela não registrou voto na reforma da previdência. Em 2000, deu cartão vermelhor à Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Marina apoiou apenas projetos na área social em bandeiras compartilhadas por seu partido, como a criação do Fundef e a chamada Emenda 29.

De acordo com O Globo, a assessoria de Marina foi questionada sobre a contradição e não se pronunciou sobre o assunto.