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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Marina vai para o segundo turno?




Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo



A pergunta que brota das pesquisas mais recentes é: Marina vai passar para o segundo turno?

Vistas as coisas em retrospectiva, Marina floresceu antes do tempo. E pode murchar exatamente às vésperas das eleições.

Na pesquisa CNT/MDA divulgada hoje, ela apareceu com 27,4%. Não seria um número em si ruim, não fosse a circunstância de que na mesma pesquisa anterior, no início de setembro, ela tinha 33,5%.

Caso ela continue a cair no mesmo ritmo, chegará às urnas na casa dos 20%. É um patamar de alto risco para suas pretensão de fazer do segundo turno uma coisa “diferente”, pelo tempo de propaganda de que disporia - o mesmo de Dilma.

A aflição dos adeptos de Marina não significa que os tucanos estejam dando pulos de alegria.

Aécio depende de um milagre para ir ao segundo turno. Uma virada sem precedentes, na análise do diretor do Datafolha.

Os votos por ora perdidos de Marina, conforma sugere a nova pesquisa, estão indo não para Aécio - mas para o bloco dos nulos e indecisos.

Aécio, neste momento, tem uma torcida inédita: a dos petistas. O PT sabe que é muito mais fácil batê-lo no segundo turno que Marina.

Os petistas mais entusiasmados voltaram a sonhar com uma vitória no primeiro turno.

Não é provável, mas é possível.

Caso Marina continue a descer e Aécio fique parado, Dilma pode vencer já no dia 5 de outubro.

O pior parece ter passado para ela.

O caso Petrobras não a atingiu. A Marinamania passou.

E ela própria se firmou nos debates e, mais ainda, nas sabatinas com (ou contra) jornalistas.

Neste instante, o vento sopra forte a favor de Dilma. Isso pode resultar num segundo mandato ainda no primeiro turno.

O sertão virou Dilma



Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:



Preciso tomar cuidado senão vou ficar apenas analisando pesquisa, ao invés de colher informações novas, combater factoides, participar, enfim, do debate politico.

Entretanto, uma coisa que me incomoda em todas as pesquisas é a falta da comparação com os números anteriores. Por isso me dou ao trabalho constante de suprir essa lacuna.

Preparei uma tabela comparativa, que equipara os números do relatório de cruzamento da pesquisa CNT/MDA, do início de setembro, com o documento divulgado hoje.


Marina perdeu substância em todos os setores: renda, região, escolaridade, tamanho de cidade.

Dilma ampliou sua vantagem nos segmentos em que já apresentava boa performance antes, e reduziu a distância que a separava de Marina naqueles onde ainda ia mal.

Por exemplo, Dilma não ia bem entre eleitores com renda familiar mais alta. No início de setembro, a pesquisa CNT dava uma vantagem para Marina de 12 pontos entre eleitores com renda familiar acima de 5 salários; essa vantagem caiu agora para 3 pontos.

Dilma superou Marina junto a cidades com mais de 100 mil habitantes e empatou no Sudeste.

Nos segmentos onde Dilma caiu, Marina caiu muito mais.

Entre jovens de 16 até 24 anos, por exemplo, a presidenta apresentava um péssimo desempenho. Na pesquisa CNT do início do mês, Marina tinha 10 pontos de vantagem nesta faixa etária. O jogo virou. Dilma passou de 30% para 33% e Marina despencou de 41 para 29. Agora Dilma tem 3,5 pontos de vantagem junto à faixa mais jovem do eleitorado.

É no campo, porém, que observamos a reação mais surpreendente.

Alguns anos atrás, analistas falavam em voto dos grotões. A expressão carregava, e carrega até hoje, um preconceito pesado contra o homem do campo e do interior. Um preconceito contra o sertão, enfim, no sentido rosiano do termo.

Com o advento das antenas parabólicas, muito populares no campo, inclusive entre famílias de baixa renda, e da internet, hoje intensamente usada na zona rural, esse preconceito perdeu toda a razão de ser.

Não há brasileiro melhor que outro, nem mais informado.

O fato de haver uma banca que vende a Veja na esquina não significa mais nada. Ao contrário, às vezes o cidadão da cidade grande é até mais mal informado que seu amigo do campo, justamente por ser um alvo mais fácil da manipulação da mídia.

Pois bem, Dilma obteve seu desempenho mais incrível na área rural, crescendo quase 40% em apenas um mês, e atingindo 64% das intenções de voto.

Marina seguiu o caminho oposto; tinha 30% de votos no campo, cai para 14%, queda de 53%.

Com isso, a vantagem de Dilma na área rural subiu de 16 para 50 pontos.

É o velho sertão brasileiro, hoje conectado à internet, que grita:

“Vocês, da cidade, depois de me abandonarem por décadas, pensavam que eu tinha morrido? Pois não morri! Estou mais vivo que nunca. E meu voto vai para Dilma”.

sábado, 13 de setembro de 2014

A pergunta do momento: Dilma pode levar no primeiro turno?



À vontade na sabatina do Globo


Por Paulo Nogueira, no DCM


O momento é de Dilma.

Esta é a principal conclusão trazida pela última pesquisa Ibope.


Se este momento se prolongar até as eleições, as chances de tudo se encerrar no primeiro turno serão enormes.

Se fosse um jogo de xadrez, você diria que Dilma está numa posição em que pode dar xeque mate nos adversários.

Considere.

Marina não apenas parou de crescer como diminuiu. Nesta pesquisa, caiu dois pontos.

Sua candidatura, arrebatadora nos primeiros instantes, sofre um forte desgaste agora.

O marco zero do refluxo marinista veio com o recuo na questão LGTB depois que Malafaia tuitou ameaças tonitruantes.

Para um eleitorado de esquerda que via Marina como uma boa opção à polarização entre PT e PSDB, soaram os alarmes. Colocar na presidência alguém suscetível de pressões pelos fundamentalistas evangélicos começou a ser visto como algo realmente complicado.

Com o correr dos dias, também veio à tona a incoerência entre as falas de Marina e seu programa severo na área econômica.

Uma entrevista do mentor econômico de Marina, Eduardo Giannetti, escancarou o impasse. Segundo ele, os compromissos de Marina só serão cumpridos se os recursos para eles não comprometerem o combate à inflação e o ajuste na economia.

Isso quer dizer: os compromissos não são, na verdade, compromissos, mas uma carta vaga de intenções.

Sob a pressão dos fatos e da liderança nas pesquisas, Marina piscou. E seu momento passou.

Seu maior desafio, agora, passa a ser a estabilidade nas intenções de voto de tal forma que chegue ao segundo turno.

Para isso, Aécio não pode se esvaziar a tal ponto que vire um novo Eduardo Campos, com 7% ou 8% dos votos, porque o risco de vitória de Dilma no primeiro turno seria enorme.

Caso Dilma continue a avançar no ritmo atual, um Aécio com a votação de Campos seria a senha para a definição das eleições no primeiro turno.

Suponha que Dilma se fixe, até outubro, em 43% ou 44%. Se Aécio recuar para 10%, Marina vai ter que se segurar onde está para forçar o segundo turno.

Luciana Genro pode complicar ainda mais as coisas para Marina.

Quanto mais Luciana aparece neste final de campanha, mais ela conquista corações de jovens idealistas que nos protestos de junho de 2013 viram em Marina uma esperança de renovação.

Caso Luciana consiga 1% ou 2% dos votos, eles serão muito provavelmente subtraídos de Marina.

A maior surpresa dessas eleições é exatamente Luciana, com seu jeito gaúcho e desassombrado de chamar as coisas pelo seu nome.

O futuro da esquerda, no Brasil, se chama Luciana, com o PT no centro-esquerda e o PSDB na direita.

Para Dilma, hoje, a cena é amplamente favorável.

Os números ascendentes nas pesquisas – depois de uma situação em que ela parecia prestes a ir a pique – lhe trouxeram uma confiança que não se viu antes na campanha.

Na sabatina de hoje com colunistas do Globo, isso ficou claro.

Ricardo Noblat deu a ela, a certa altura, uma ordem: “Fale um pouquinho menos senão a gente não consegue fazer mais perguntas.”

Foi obrigado a ouvir uma resposta bem humorada que trouxe gargalhadas mesmo aos entrevistadores.

“Gente, vamos esclarecer aqui de quem que é a sabatina”, disse Dilma, rindo.

Dilma estava claramente à vontade na sabatina, muito mais que na entrevista que deu ao Jornal Nacional.

Num momento em que debates e sabatinas se sucedem, isso pode também fazer diferença.

Estas eleições serão travadas pela marca da instabilidade. Os ventos ora sopraram para um lado, ora para o outro, e em alguns instantes ficaram indefinidos.

Hoje, sexta, 12 de setembro, os ventos estão ajudando poderosamente Dilma.

Se eles não mudarem de direção, é possível – provável, talvez seja a palavra – que não haja segundo turno.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Como evitar o golpe das pesquisas






O blog do haroldo reproduz artigo do professor no site Brasil Debate:




O que os números das pesquisas eleitorais revelam


Ao contrário do que as manchetes da grande mídia afirmam, os números das intenções de voto, considerando as seis pesquisas feitas pelo Datafolha esse ano, é impressionantemente estático. Isso apesar do ataque sistemático sofrido pelo governo Dilma, acusado de má gestão, desmando e corrupção


A campanha eleitoral mal começou, mas as análises “meio copo vazio” de Dilma já frequentam a grande mídia há muito tempo. A publicação de pesquisa eleitoral feita pelo Datafolha no último dia 18 foi razão para mais uma enxurrada de leituras desse tipo. Se a comunicação social deve ter uma função pedagógica, é mister mostrar que os números exibidos dão base também a outras interpretações, pelo menos para que o leitor/eleitor possa comparar, pesar e julgar.

Comecemos pelos números das intenções de voto. O quadro geral que transparece, ao tomarmos como um todo as seis pesquisas eleitorais feitas pelo citado instituto, desde meados de fevereiro deste ano, é impressionantemente estático, ao contrário do que as manchetes dão a entender. Não houve mudanças significativas da última pesquisa, coletada nos dias 1 e 2 de julho, para a atual, coletada nos dias 15 e 16 de julho.

Tampouco da penúltima, ou da antepenúltima. Todos os candidatos mantiveram-se dentro da margem de erro, ainda que, há de se notar, o cálculo das margens de erro feito pelos institutos, de 2% a 4%, seja incerto, pois a pesquisa utiliza metodologia de cotas e não puramente probabilística.

Na verdade, ao tomarmos as seis pesquisas em conjunto, notamos que Dilma somente caiu nas intenções de voto, de 44% para 38%, da primeira pesquisa, 19 e 20 de fevereiro, para a segunda, 2 e 3 de abril. Desde então, a candidata tem se mantido em torno dessa marca.

Por seu turno, Aécio Neves somente subiu, de 16% para 20%, da segunda para a terceira pesquisas, feitas nos meses de abril e maio, respectivamente. Desde então tem se mantido estático nos 20%, pesquisa após pesquisa. Eduardo Campos parece, à primeira vista, o que mais variou, pois a curva de seu gráfico pelo menos se mexe, mas sempre dentro da margem de erro.
Começa a série com 9%, em fevereiro, e acaba com 8%, na última pesquisa.

O que esses dados querem dizer? Entre outras coisas, que as preferências dos eleitores não estão mudando rapidamente. Há certa expectativa ou paralisia do eleitorado, o que é compreensível, dado que, no primeiro semestre desse ano, a Copa do Mundo da FIFA ocupou grande parte do noticiário. Esses dados também revelam o tão comentado impacto da Copa do Mundo nas percepções políticas do eleitorado. Na verdade, mais correto seria falar em falta de impacto, pois o que se constata é que o evento não alterou as preferências dos eleitores frente aos candidatos.

Mas isso não se deu em um contexto neutro. Pelo contrário, a grande mídia moveu uma forte campanha contra a organização do evento, culpando o governo federal, quando não Dilma diretamente, por supostas falhas, atrasos, corrupção, promessas não cumpridas e má administração. Tal campanha negativa ecoou fortemente nas mídias internacionais, que também passaram a projetar expectativas de catástrofe para a Copa do Brasil. Esperava-se o fracasso e que esse fracasso fosse cobrado de Dilma.

A Copa foi, contudo, um sucesso, o que aparentemente cancelou os efeitos da campanha negativa da mídia sobre as intenções de voto em Dilma. Outro dado importante a se notar é a rejeição dos candidatos. Aqui, os jornais chamaram bastante atenção para o fato de Dilma ter um índice de rejeição, 35%, que é praticamente o dobro do de Aécio, 17%, e três vezes o de Eduardo Campos, 12%.

Novamente, a informação só vem pela metade, pois o índice de rejeição tem que ser pesado juntamente com o índice de conhecimento que o eleitorado tem do candidato, e esse dado não foi apresentado, ainda que saibamos que o de Dilma, pelo simples fato de ser presidente, é quase 100%, enquanto Aécio e Campos têm índices muito menores.

As conclusões a serem tiradas desse quadro são nada óbvias. Se as coisas continuam mais ou menos da maneira como estão, Dilma teria atingido o teto de sua rejeição, pois o eleitorado já a conhece e já tem alguma opinião formada sobre ela. Já Aécio e Campos têm um caminho pela frente. Ao se tornarem mais conhecidos certamente verão seus índices de rejeição também aumentarem.

Mais uma vez, precisamos levar em consideração o contexto informacional. Até o momento, o governo Dilma e o partido da presidente, o PT, têm sofrido um ataque sistemático da grande mídia, acusados de má gestão, desmando e corrupção, enquanto os candidatos da oposição são tratados de maneira bem mais leniente, quando não francamente simpática. Ou seja, com raríssimas exceções, tudo o que o público de eleitores recebe são notícias ruins sobre o governo, acrescidas de uma cobertura que pinta o País em franca crise econômica e política, a despeito de todas as evidências em contrário.

Compondo a situação, o governo federal tem tido dificuldade em comunicar ao eleitorado notícias positivas de sua gestão e do País como um todo. A despeito do bloqueio midiático, o governo tem em suas mãos instrumentos de comunicação, ainda que limitados, mas essas informações parecem não chegar à população. Talvez embevecido por suas seguidas vitórias eleitorais, o PT também parece ter aberto mão, desde o primeiro governo Lula, de cultivar meios de comunicação que constituam alternativas reais para o grande público. Em suma, do ponto de vista informacional, estamos no pior momento possível para a candidatura da situação.

Isso não quer dizer que as coisas vão necessariamente melhorar para Dilma. Em breve, contudo, sua candidatura terá no horário eleitoral gratuito, no qual contará com muito mais tempo que qualquer oponente, uma chance real de informar os eleitores e assim resistir à avalanche de propaganda negativa da qual é objeto.

É claro que os candidatos da oposição aumentarão o tom das críticas. O mesmo devemos esperar da grande mídia, que tende a repetir o comportamento extremamente militante das eleições passadas. Enfim, entramos no período abertamente político do calendário eleitoral, no qual as máximas maquiavelianas da virtude e da fortuna imperam. O resultado do pleito de 2014 está longe de estar determinado. Vamos ao jogo!