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sábado, 18 de janeiro de 2014

Marina e as baixarias de campanha




Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:


A pré-candidata a vice-presidente Marina Silva assina um artigo hoje, na Folha, intitulado “Campanha de limpeza”. Não é um informe comercial sobre o novo sabão Omo, mas não fica longe disso. O discurso “programático” e “sonhático” agora dá lugar a uma utopia “higienática”, onde os debates políticos acontecerão num clima de total serenidade, como aristocratas inglesas a discutir o preço de Oxford, tomando chá, numa tarde fria de Londres.

Pena que Marina, no afã de condenar a baixaria, acaba ela mesma protagonizando uma outra, ao insistir na criminalização das redes sociais, tratadas por ela como “guerrilha virtual que cria territórios inóspitos na internet”.

É como se Marina voltasse aos anos de chumbo e reclamasse, para deleite das madames de Higienópolis, dos garotos subversivos que estão tornando irrespirável a vida política no país.

Ah, claro. Marina lembra das “multidões” que “foram às ruas no ano passado”, dizendo “claramente: essa política não me representa”.

Como é que é?

O papel aceita tudo. As “multidões” disseram muita coisa. Mas se houve uma coisa que as multidões NÃO disseram foi pedir por “limpeza” no debate político. Ao contrário, as pessoas nas ruas nunca xingaram tanto. Nunca quebraram tanto. Assembleias foram invadidas por jovens rebeldes que defecaram nas mesas, tiraram as roupas, picharam as paredes. Políticos, jornalistas e autoridades foram xingados e agredidos.

A multidão não foi à rua vender sabão Omo, Marina. Nem se portou com a educação que você agora, arrogantemente, exige às redes sociais.

A “guerrilha virtual” é o mal menor na política brasileira. E sobre a “guerra virtual” dos grandes meios, Marina não fala nada? Ela quer amordaçar as redes e deixar livre apenas a grande mídia, onde ela tem espaço garantido?

Marina está incomodada com as redes sociais porque ali ela não consegue manter incólume a sua pose esfíngica de evangélica-ecológica, política anti-política, partidária antipartido. Na internet a gente não engole bem essa história de progressista que não acredita em Darwin.

A maior baixaria política de 2013 foi cometida por um dirigente da Rede, companheiro de Marina Silva, que participou da reunião mais importante da legenda nos últimos meses, quando se decidiu pela fusão com o PSB de Eduardo Campos.

Falo de Pedro Piccolo Contesini, que confessou ter “pressionado” uma barra de ferro contra a estrutura do Itamaraty, em Brasília, num dos grandes dias das “jornadas de junho”.

Estranha liberdade essa que defendemos no Brasil. Um partido publica um texto onde se chama um proto-adversário de “tolo” e o mundo desaba: é baixaria!

Enquanto isso, arrebentar a fachada artística do Itamaraty com uma barra de ferro, aí temos uma violência popular “legítima”… A mesma turma que adorou ver o Brasil pegando fogo, que chancelou o quebra-quebra, agora vem posar de paladinos do bom comportamento na internet. Violência, para eles, tem de ser à vera.

O Globo faz charges diárias contra um homem doente e condenado, José Genoíno; Marina Silva não considera isso “baixaria”. Baixaria, para ela, faz o zé-joão de Campina Grande que, comentando num blog X, diz que “Marina é uma traíra”.

Por mim, acho ingênua ou hipócrita essa campanha contra a baixaria, geralmente puxada pelos que mais se prestam a fazê-la.

O perigo nas eleições de 2014 não está em baixarias das redes sociais, que existem desde os primórdios da internet e que, ao contrário do que Marina Silva diz, sempre foi protagonizada contra a esquerda, contra Lula e contra Dilma.

O perigo está em baixarias na grande mídia, em conluio com setores corruptos ou cooptados do Ministério Público, para produzir factóides às vésperas de eleição, com objetivo de manipular resultados. Não há compromisso com a verdade ou com a justiça. Basta produzir um factóide político.

A Ação Penal 470 foi o maior balão de ensaio de golpe já feito num país democrático nos últimos anos. Se é possível condenar um monte de gente por um crime político sobre o qual não se tem absolutamente nenhuma prova, então se pode fazer tudo quando se tem o controle ou hegemonia sobre judiciário e ministério público.

Na minha opinião, o discurso de Marina se inscreve na já longa lista de discursos que criminalizam a política. Debate político nas redes sociais, militância, tudo agora é “guerrilha”.

Entretanto, Marina vai mais longe:

Todos sabemos quem são os responsáveis por essa guerra. Eles estão na direção dos partidos mais poderosos, cujos militantes, geralmente remunerados, seguem sua pauta e comando no ataque aos alvos definidos. E chamam isso de tática e estratégia numa disputa supostamente ideológica entre esquerda e direita.

Todos sabemos? Que raio de código secreto é esse? Marina não disfarça: menciona “partidos poderosos” e seus “militantes, geralmente remunerados”. Ou seja, PT. Marina Silva insinua que os milhões de militantes petistas na internet são “remunerados”, provavelmente de maneira clandestina, e depois vem posar de paladina antibaixaria….

Ela faz a maior baixaria de todas, que é lançar uma suspeita genérica sobre um partido do qual ela nem diz o nome, sobre militantes em geral desse partido sem nome e vem falar em baixaria…

Marina Silva lança suspeitas sobre qualquer militante virtual da internet, a grande maioria formada por pessoas interessadas simplesmete em debater política, chamando-o de mercenários, e vem falar em baixaria…

O protesto de Marina nos lembra o batedor de carteira que grita “pega ladrão” e foge de fininho.

Cadê a crítica de Marina aos comentaristas do G1, esses sim, fascistas assumidos? Por que sua obsessão por “militantes” de partido político? Por que Marina não critica as baixarias dos blogs da Veja, dos quais ela mesmo já foi vítima tantas vezes? Por que ela foca apenas nos “militantes”?

Resposta: porque Marina aderiu à Casa Grande. Por isso ela se posiciona sempre do outro lado das trincheiras, ao lado dos banqueiros e suas mesas bem postas, servidas por empregados de uniforme. Lá, não há baixaria. Imagine um jantar na casa de Roberto Freire. Nada de baixarias, certo?

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Eduardo Campos vendeu alma à oposição

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Copa do Mundo incomoda muita gente...




Por Flávio Aguiar, na Rede Brasil Atual:

O irrequieto sr. Blatter, do alto da montanha suíça onde vive e que não perde oportunidade para não ficar quieto, acusou o Brasil de ser o país que mais atrasou as obras da Copa do Mundo.

Pode-se dizer que ele deu, no plano internacional, o pontapé inicial do que vai ser o jogo do ano de 2014. Do jogo fora das quatro linhas, bem entendido. Porque dentro e fora dos gramados, a Copa do Mundo no Brasil incomoda muita gente, como dizia aquela musiquinha de infância sobre os elefantes.

O time anti-Brasil terá como pontas-de-lança as mídias atacantes The Economist e Financial Times, com o meio do campo reforçado por setores neo-liberais de outras mídias, que incluirão até o New York Times, o The Guardian, Le Monde, Corriere della Sera, El Pais, e provavelmente a germânica Der Spiegel.

Na defesa, dando bico para tudo quanto é lado, estarão os cronistas do desastre anunciado no Brasil, os arautos da velha mídia, que estão apostando em:

1- Movimentos como o “Não vai ter Copa”, com primeiro jogo marcado para o 25 de janeiro.

2- Movimentos como “Anônimos”, “Vem pra rua você também”, esperando que manifestações ganhem corpo de meados de junho a meados de julho, com vaias nos estádios cada vez que o tema roçar ou mostrar a presidenta Dilma.

3- Na esperança inconfessável de que arruaças do tipo “Blackblocks” e possíveis outras provocações pseudo-anarquistas ou de direita mesmo contem com o inestimável apoio de uma brutalidade da polícia, para expor “a farsa Brasil” dentro e fora do país.

4- Se de tudo sair alguma vítima fatal, mesmo que seja uma única, melhor ainda. 

No gol, estarão os candidatos presidenciáveis da oposição, embolados, e provavelmente enredados na rede que teceram.

Parece, diante dos prenúncios cada vez menos desastrosos sobre a economia, apesar de dificuldades na área industrial e na balança comercial, e diante da inépcia embolada das candidaturas de oposição, que esta é a única bala de prata que resta para estas oposições midiáticas ou outras.

Ao invés de apostas programáticas – já que os verdadeiros programas de direita no Brasil são inconfessáveis pelos candidatos, embora existam –, só lhes resta apostar nos antiprogramas, nas catástrofes políticas e sociais possíveis e imagináveis. E nas inimagináveis também.

Que candidato vai fazer a loucura de dizer que vai fechar o Bolsa Família? Ou outros programas sociais?

Que candidato terá a temeridade de dizer que vai cortar o Pro-Uni (a não ser na extrema esquerda) e a política de cotas?

Que candidato vai confessar que vai esvaziar o Mercosul e voltar à velha política de privilegiar “os países que importam”, quer dizer, a velha política de subserviência aos Estados Unidos e à Europa? (O sociólogo do caos, FHC, que em artigo defendeu tudo isso e mais alguma coisa - nota do editor).

E que candidato vai ter a coragem de dizer que, na verdade, vai acabar com essa parolagem de meio ambiente e vai favorecer a expansão desregrada do agrobusiness no Cerrado, na Amazônia legal e ilegal? Mesmo com apoio do Greenpeace e do SOS Mata Atlântica antes da eleição.

Que candidato vai declarar que a política de juros altos e de desindustrialização através da “abertura” será o norte desta nova dependência em relação aos fortes Nortes da geopolítica?

Que candidato dirá que vai retomar uma política de dependência também no campo da defesa militar, seja na Amazônia, no espaço aéreo ou na plataforma marítima (leia-se pré-sal).

Que candidato dirá que vai rifar os ganhos do pré-sal entre multinacionais e outros barões da indústria fóssil, em vez de destiná-los prioritariamente à educação e ao investimento tecnológico?

Ou que vai diminuir ainda mais as verbas da saúde pública em favor das indústrias privadas do setor? Ou que vai tocar do país os médicos cubanos e outros que vieram auxiliar as regiões desassistidas? Ou que voltarão a criminalizar os movimentos sociais, especialmente o MST?

E por aí vai. Mas podem crer: confessem ou não os candidatos e os arautos da velha mídia, é tudo isto que nos espera e muito mais caso as oposições de hoje ganhem a eleição em outubro. Porque as oposições hoje no Brasil têm sobretudo uma visão anacrônica, provinciana e paroquial do mundo que as cerca, incapazes de ver, por exemplo, que mesmo dentro do sistema capitalista a melhor tendência dominante é a da formação de blocos regionais, da Europa desenvolvida à África subdesenvolvida. E por aí também vai.

Mas como tudo isto é inconfessável, só resta a bola, quer dizer, a bala de prata da Copa e da contra a Copa. Deste modo, o jogo opositor contra a Copa torna-se um jogo anti-Brasil, dentro e fora das quatro linhas. Na ilusão de que se a Copa for normal ou próxima disto, e de que, pior ainda, de que se o Brasil ganhá-la, a reeleição da presidenta estará garantida, vão apostar declaradamente na primeira condição – “não à Copa” – e surdamente na segunda – “que o Brasil perca dentro do campo”.

Vamos ver como eles conseguirão conclamar, sem revelar, sem expor, tudo isto para as galeras nas praças e diante da tevê antes, durante e depois dos jogos.

Como diz o Saul Leblon, a ver.