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sábado, 4 de janeiro de 2014

A conta em Luxemburgo é o nó górdio do Caso Siemens. E Primo, o que sabe de tudo


Por Fernando Brito no "Tijolaço"



Está cada vez mais nítido que o acordo de delação premiada que se deve fazer para esclarecer o pagamento de propinas pela Siemens no Brasil não é com a empresa, mas com seu ex-presidente, Adilson Primo.

Presidiu a empresa por toda a primeira década de 200 e sabe de tudo o que se passava ali.

Seu advogado, o espertíssimo Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, sabe que essa história de que ele assinou sem ler os papéis da conta em Luxemburgo, que a própria empresa quis fazer desaparecer sem deixar pistas, não vai colar nem com SuperBonder.

Primo jamais iria usar os serviços da própria Siemens para abrir uma conta se estivesse roubando a própria Siemens.

E muito menos a Siemens alemã despejaria dinheiro nela, se não fosse com alguma finalidade negocial.

Se fosse um desvio pessoal de dinheiro não se mobilizaria um trinca – dois dirigentes da empresa e um advogado internacional, para mandar Sergio de Bonna, controller da Siemens, colher uma simples rubrica numa ficha de encerramento de conta, como publica hoje o Estadão.

A história é inverossímil, de cabo a rabo.

Está evidente que a Siemens quer enfiar esta patranha nas costas de pessoas físicas.

E a imprensa está aceitando este jogo, porque não quer ver que a grande beneficiária de negócios ilícitos não é a figura de Primo nem os operadores das consultorias offshore contratadas pela empresa.

É a Siemens, que abiscoitou contratos de bilhões.

E, claro, quem os concedeu por propina.

A Justiça da Alemanha e a dos EUA, que não são “bobinhas” como a imprensa brasileira não livrou a empresa por lá, embora tenha também apurado a responsabilidade criminal dos agentes de sua corrupção.

A conta em Luxemburgo é “troco”, com seus US$ 7 ou 8 milhões.

Pode até ser “comissão”, mas não é o bolo.

O trem pagador andou por outros trilhos e Adílson Primo sabe em que estações ele parou.

Por mais que tenham pingado uns trocados – trocados de milhões – para ele, quem comeu o bolo foram outros, os que concediam vantagens à empresa.

Primo vai ter de escolher e seu advogado sabe disso.

Ou entrega o esquema em troca de uma delação premiada – o que a Siemens está tentando fazer contra ele, com o acordo de leinência com o Cade – ou vai confraternizar com o ex-colega de faculdade José Roberto Arruda no xilindró.

E porque Primo não fala?

Ele está esperando para ver o que o peso político das gares onde parou o trensalão da Siemens consegue fazer.

Se o Ministro Marco Aurélio Mello mandar devolver o inquérito a São Paulo, fica mais fácil desarmar o homem-bomba.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Siemens denuncia Cerra. A casa caiu !

Falta agora cair o clã Cerra na Privataria.

Flávio Ferreira de São Paulo e Juliana Sofia de Brasília

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época.

A mensagem relata uma conversa que um diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com Serra e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante congresso do setor ferroviário em Amsterdã, na Holanda.

Outro lado: Ex-governador nega encontro com executivo

Na época, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação milionária aberta pela CPTM para aquisição de 40 novos trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa.

(…)

Serra disse à Folha que não se encontrou com executivos das empresas interessadas no contrato da CPTM e afirmou que a licitação foi limpa, com vitória da empresa que ofereceu menor preço.

(…
)


Em tempo: ainda na mesma Folha (*):

Ministério Público quer dados do Cade sobre o metrô do DF



De Brasília - Promotor tenta acesso a documentos do governo que indicariam acordo fraudulento entre Siemens e Alstom. Multinacionais são investigadas por conluio em contrato de manutenção de trilhos na capital federalO Ministério Público do Distrito Federal, que investiga o contrato de manutenção do metrô em Brasília, quer acesso aos documentos e dados colhidos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no caso Siemens. 

A casa caiu – II

PF sabe como Alstom subornou tucanos de SP

A
Saiu no Estadão, em estado comatoso:

Caso Alstom: PF vê pagamentos a partido e governo de SP e indicia 10



Autoridades suíças sequestraram 7,5 milhões – dinheiro que seria de subornos – de uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de servidores; caso teria os mesmos ingredientes do que envolve o cartel metroferroviário denunciado pela Siemens

Bruno Ribeiro e Marcelo Godoy

Documentos da Polícia Federal obtidos pelo Estado mostram como funcionou o suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do governo do Estado de São Paulo e ao PSDB pelo grupo francês Alstom. Dois ex-secretários, dois diretores da estatal de energia EPTE (ex-Eletropaulo), consultores e executivos da Alstom – dez pessoas no total – foram indiciados no inquérito da PF.

Autoridades suíças sequestraram 7,5 milhões – dinheiro que seria de subornos – de uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de Jorge Fagali Neto e de José Geraldo Villas Boas. Fagali é ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Villas Boas é dono de uma das offshores acusadas de lavar dinheiro do esquema.

Apesar de estar fora da administração paulista na época do pagamento de propina (1998), Fagali manteria, segundo a PF, influência e contatos no governo paulista. O caso envolvendo a Alstom teria os mesmos ingredientes do que envolve o cartel metroferroviário denunciado pela Siemens, do qual a Alstom também faria parte.