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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Pérolas do Príncipe V: a fazendola de FHC

Será que FHC escondeu o DARF ?



O Conversa Afiada produz mais um capítulo da série ‘Pérolas do Príncipe’. Desta vez, Palmério Dória conta como o PiG (*) acobertou a fazendola que FHC tinha em sociedade com seu futuro ministro, Sérgio Motta.

A fazendola, sediada no município de Buritis-MG, foi declarada ao fisco pelo valor irrisório de 2 mil dólares.

Embora o terreno de 1046 hectares – cada hectare equivale mais ou menos a um campo de futebol – valesse no mercado cerda de 400 mil dólares à época.



Conta Palmério mais adiante:

“Em maio, FHC encontra-se em segredo com o candidato do PMDB, Orestes Quércia, na casa do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em São Paulo. FHC, depois de fazer um apelo para que evitassem baixarias, diz:

Eu só tenho um probleminha: a fazenda. Mas isso é uma bobagem.”

Pérolas do Príncipe VI: "Eles" querem fazer caixa

 

O tempo passa, o tempo voa… E a poupança tucana continua numa boa
 
No primeiro episódio da série “Pérolas do Príncipe”, clique aqui para ver, conhecemos a teoria do caixa dois, segundo FHC. Na teoria de FHC, o caixa dois era de fato generalizado.

Mas havia uma diferença entre o que ele chama de “Nós” e “Eles”: “Nós” queríamos ganhar a eleição. “Eles” queriam colocar dinheiro no bolso. No texto de hoje, Palmério mostra que a prática em muito difere da teoria.

Palmério conta a história de José Eduardo de Andrade Vieira, dono do extinto Bamerindus. Andrade Vieira foi financiador de primeira hora da campanha de FHC. Mesmo assim, teve seu banco liquidado pelo governo no rearranjo do PROER.

O estranho é que o Bamerindus, então terceiro maior banco do Brasil, e uma das marcas mais conhecida entre os brasileiros, apesar de estar em dificuldade, não estava propriamente quebrado.

O banco acabou sendo vendido por 1 real ao londrino HSBC.  próprio Andrade Vieira conta como, a despeito de seus esforços, caiu em desgraça junto ao governo do qual fez parte desde o início.



Palmério no Contraponto: "rameira, saia daqui!"

O Conversa Afiada publica vídeo indicado pelo amigo navegante Joao. Palmério Dória foi o convidado do programa Contraponto, que foi transmitido nesta segunda-feira, dia 2 de setembro.

Na entrevista a bancários e blogueiros, o autor do livro “O Princípe da Privataria” detalha histórias secretas do governo (?) do Farol de Alexandria. Entre outras revelações, Palmério conta como Fernando Henrique recebeu a notícia de que ia ser pai, e como a imprensa se calou.

Segundo o jornalista, o caso resultou no ”bolsa pimpolho’ – que trataremos mais tarde no ‘Pérolas do Príncipe’ – um valor que, segundo ele, representou um custo ao Brasil: “por isso resolvemos falar disso.”
Clique na imagem para assistir ao programa
 

"Pérolas do Príncipe" IV: Príncipe "Kennedyano"


 
 
Em mais um texto da série “Pérolas do Príncipe”, Palmério Dória fala da relação intima entre o Cebrap e a CIA, por meio de um intermediário cujo nome é um símbolo do capitalismo americano.

A fonte de financiamento do Cebrap foi denunciada na época – meados de 70 -  por um grande intelectual e cineasta brasileiro.

Uma espécie de Snowden, mas, melhor.



 

 

Pérolas do Príncipe iii: O triunvirato de FHC - Uma força tarefa de tres entra em ação.

           



Nesse trecho, Palmério narra um flagrante na intimidade de Fernando Henrique, e que envolve uma repórter.





O momento íntimo, descrito acima, só interessaria aos envolvidos, não fossem eles um político em ascensão, que viria a ser presidente da República, e uma destacada funcionária do maior conglomerado midiático do país.

Entorno da história, um constrangedor silêncio no PiG (*). Um silêncio que, segundo Pálmério, teve um custo para o Brasil, o chamado “Bolsa Pimpolho”.

Mas isso já é assunto para uma próxima pérola.


Murilo Silva, editor do Conversa Afiada.

Em tempo: este ansioso blog publica comentário do amigo navegante aarais:
PHA, olha o livro mais vendido em todas as categorias na livraria da Folha: O Príncipe da Privataria.

http://livraria.folha.com.br/maisvendidos/livros


Na Folha (**), amigo navegante !


sábado, 31 de agosto de 2013

FHC pode olhar nos olhos do “Senhor X”?




“Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus” (quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio?) “Rameira, ponha-se daqui para fora” (quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?)



Por Rodrigo Vianna


                                             Quem conhece a história recente do Brasil (e também o passado ‘republicano’ de nossas elites – com Convênio de Taubaté, Encilhamento etc…) sabe bem que o tal “mensalão do PT” está longe de ter sido o “maior escândalo da história política brasileira”– como pretendem augustos, mervais e outros quetais do jornalismo elitista. Mas quem ainda tinha dúvidas ganha, agora,  mais uma chance para desfazê-las: o novo livro do jornalista Palmério Dória.

Se Amaury Ribeiro Jr (com “A Privataria Tucana“) já havia lançado luzes sobre a vertente serrista do tucanismo, Palmério agora vai ao centro do esquema: “O Príncipe da Privataria” (Geração Editorial) traça, em quase 400 páginas de texto saboroso, o perfil de um homem vaidoso, simpático, com fama de mulherengo, e que dirigiu o Brasil com o propósito declarado de “enterrar a Era Vargas”. Fazia parte do pacote tucanista vender estatais a preços ridículos e, se fosse preciso, mudar as regras do jogo democrático usando todos os artifícios possíveis. FHC foi o presidente que fez o Real? Não. Este foi Itamar Franco. Mas FHC foi o presidente que quebrou o Brasil, vendeu nosso patrimônio público e transformou o Congresso Nacional numa feira de mascates.

Esse é o ponto alto do livro: a feira da reeleição. Em 1997, o repórter Fernando Rodrigues produzira uma série de reportagens históricas publicadas pela “Folha de S. Paulo”: nelas, um certo “senhor X” apresentava gravações de reuniões em que deputados federais falavam abertamente sobre a venda de votos para aprovar a reeleição de Fernando Henrique no Congresso. O preço do voto: 200 mil reais.

O “senhor X” entregou as gravações ao Fernando Rodrigues, mas jamais mostrou o rosto. Palmério Dória agora mostra quem é o “senhor X”. Ele tem nome, sobrenome e 16 anos depois dos fatos aceitou dar entrevista de peito aberto. Narciso Mendes, 67 anos, é empresário no Acre, foi deputado Constituinte em 87/88, e na época da reeleição de FHC a mulher dele era deputada federal. Por isso, Narciso tinha acesso às reuniões em que se deu a tramóia.

Narciso Mendes recebeu o jornalista Palmério Dória, e relembrou toda a história – incluindo a forma como a base tucanista (no Congresso e na imprensa) conseguiu frear uma CPI para investigar a compra dos votos denunciada em 97:
“Nem Sérgio Motta queria CPI, nem FHC queria CPI, nem Luis Eduardo Magalhães queria CPI, ninguém queria porque sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos“, disse Narciso a Palmério Dória.
O fim dessa história qual foi? CPI jamais foi instalada. O MPF jamais investigou nada.  Havia um relato escandaloso, com gravações e tudo: pelos menos seis deputados do Acre teriam vendido seus votos pela reeleição. A classe média indignada não moveu uma palha. Nada se fez…

Numa conversa recente entre Palmério Dória e alguns blogueiros sujos, um observador maldoso chegou a afirmar: “200 mil reais era o preço pelo voto acreano, imagine quanto não deve ter custado o voto de um deputado de São Paulo ou Minas para aprovar a reeleição?” Quanto? Quanto? Sergio Mota talvez pudesse esclarecer. Mas levou para o túmulo o segredo de polichinelo…

Nunca antes na história desse país, a não ser em ditadura, um presidente mudou as regras do jogo eleitoral de forma tão escandalosa. Um atentado contra a Democracia. Documentado. Como se sabe, FHC obteve o segundo mandato, quebrou o país, tentou vender todo o patrimônio público e – ao fim –  saiu do poder com o rabo entre as pernas. Nem Serra em 2002, nem Alckmin em 2006 tiveram coragem de defender o legado fernandista. Hoje, o ex-presidente tem coragem de sair por aí a dizer o que os tucanos devem ou não fazer na próxima eleição. Serra deve se remoer. Sabe bem quem é o ex-presidente que posa de príncipe de Higienópolis. Terminados os oito anos de FHC, o neoliberalismo estava em frangalhos na América Latina: Fujimori foi preso no Peru, Salinas exilado do México, Menem jogado no lixo da história argentina. FHC tinha virado um príncipe.  O livro de Palmério mostra que de príncipe ele tem muito pouco.

O livro também volta às privatizações, relembra a venda (ou doação?) da Vale, debruça-se sobre meandros e transações tenebrosas na telefonia…  Mas a obra não é uma coleção de fatos e notícias do octanato fernandista. Não. O jornalista costura a crônica política (e financeira) com o perfil privado do marido de Dona Ruth. Fofocas? Também não.

Por que o Brasil não ficou sabendo que FHC era apontado – já ao chegar ao poder – como o pai de um bebê gerado por  uma repórter da TV Globo em Brasília? Que favores FHC ficou devendo à família Marinho (e ao grupo seleto de políticos que lhe deu ‘cobertura’ na história do filho) quando a Globo aceitou “exilar” a tal repórter num posto sem importância em Lisboa (e depois na Espanha)?

Rameira, ponha-se daqui para fora”? Quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?

Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus. Quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio? 
Não são meros detalhes. Dezesseis anos depois de ter aparecido como “senhor X”, Narciso Mendes ressurge e confirma que a reeleição foi comprada. FHC pode “nivelar os olhos” e encarar Narciso de frente? Parece que não. E o Brasil, FHC pode encarar de frente? Leiam o livro do Palmério antes de dar a resposta definitiva.
Narciso recebe Palmério para a entrevista: além de informações, o Senhor X é dono de um impressionante alambique (à esquerda na foto)