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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Dilma vai a Nova York e adversários perdem rumo de casa


 

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog

Ao cobrar assinatura de Declaração apoiada por apenas 1/7 dos países-membros da ONU, oposição mostra que atira para qualquer lugar na campanha presidencial


Quando se recorda que a ONU possui 193 países-membros, é obrigatório refletir pelo menos um minuto sobre a representatividade de uma declaração assinada pelos governos de 27 países — ou menos de um sétimo do plenário nos raros dias de casa cheia. Mas como o Brasil se encontra no vale tudo da reta final da campanha presidencial onde o condomínio Lula-Dilma pode cravar a quarta vitória consecutiva, a ausência da assinatura do governo brasileiro provocou um debate para consumo interno sem a menor relação com a relevância de um texto de cinco páginas intitulado “Declaração de Nova York sobre Florestas.”

O texto da declaração tem sido apresentado como “pacto” ou “acordo”, quando não vem a ser uma coisa nem outra. Trata-se de uma declaração de intenções — algumas boas, outras razoáveis, outras ruins — mas especialmente confusas. É um texto diplomaticamente paralelo: não foi votado nem debatido em nenhuma instância deliberativa da ONU, nem mesmo pela Secretaria Geral e muito menos pelos organismos voltados para o meio ambiente.

É assinado por mais empresas (34) do que que países, entre elas gigantes com um passivo de denúncias ambientais, como a Cargill e a Mc Donald´s. Numa miscelânea pós-moderna, o número de ONGs chega a 45. As nações e entidades ligadas à causa indígena são 16. Do ponto de vista técnico, a Declaração mistura conceitos contraditórios e aponta para soluções reconhecidamente impraticáveis.

Num comportamento que leva observadores mais zangados a se perguntar o que não se faz por um patrocínio num conjuntura de vacas magérrimas para causas que não ajudam a pagar o almoço de amanhã, um anexo do documento faz questão de falar bem de grandes grupos multinacionais — Nestlé, Unilever, Wal-Mart, Danone, Carrefour, Kellogg’s — que têm feito “progresso para eliminar o desmatamento da cadeia de suprimentos” sem perder a oportunidade de registrar referências positivas a parcerias com ONGs.”

O documento recebeu assinatura do Reino Unido, hoje adversário agressivo do Brasil em encontros diplomáticos, Alemanha e Estados Unidos, além de países menos desenvolvidos, como Colômbia, Peru, Guiana, Libéria, Mongólia e Nepal. A lista de quem ficou de fora, que chega a 166 países, inclui Itália, Espanha e Portugal. Nenhum parceiro do Brasil no condomínio chamado Brics — China, Índia, Rússia e África do Sul — assinou o documento.

Num esforço que ajudou a dar volume à lista de assinantes, a coluna de signatários é engordada por oito estados “subnacionais”, um nome fictício, culturalmente questionável, para falar de governos estaduais ou províncias. Destes oito, sete são peruanos. Há um estado “subnacional” brasileiro. O Acre do governador Tião Viana, do PT, deixou seu autógrafo na declaração. Se fosse uma decisão séria e grave, teria sido um ato de secessão ucraniana — pois os subnacionais peruanos acompanharam a diplomacia do presidente do país.

Há um elemento curioso neste estado “subnacional” brasileiro. Em 18 de agosto de 2014, quando faltavam dois dias para Marina Silva oficializar sua candidatura presidencial, ocorreu uma mudança importante no primeiro escalão do governo do Acre. Seu marido, Fábio Vaz, deixou o governo petista. Até então, Fabio era secretario-adjunto, empossado em 2011, encarregado de políticas de desenvolvimento florestal — exatamente o tipo de assunto que foi debatido nos encontros diplomáticos que produziram a “Declaração de Nova York.”

Na semana passada, a candidata presidencial (e mulher de Fábio Vaz) Marina Silva classificou a ausência da assinatura do governo brasileiro como “lamentável.” Como previsível, Aécio Neves reagiu no mesmo tom.

Dilma esclareceu que o governo não foi convidado a discutir o conteúdo do documento — mas apenas para assinar, ou não, um texto final, fechado, que não era mais sujeito a alterações nem acréscimos.

Na prática, é possível considerar razões favoráveis e desfavoráveis para assinar o documento, mesmo sem concordar inteiramente. Acontece todos os dias na diplomacia. Um motivo a favor é que, num anexo, o documento faz referências elogiosas ao Brasil, que poderiam ser úteis para o governo comprar o debate sobre seu desempenho ambiental, inclusive na campanha.

O texto diz que “o Brasil demonstrou que o progresso (contra o desmatamento) pode ser obtido em larga escala.” Usando números que permitem comparar o desempenho de Lula-Dilma com a gestão de Fernando Henrique, o documento afirma: “Em 2013, o Brasil reduziu o desmatamento em 71%, quando se compara com a média de 1996-2005.”

O texto faz ainda uma afirmação que deixa os críticos do desempenho ambiental do governo de cabeça baixa. Está lá: “pelo tamanho das emissões evitadas, (o Brasil) pode muito bem ser o maior caso de sucesso até a hoje, globalmente, em qualquer setor.”

Você leu isso mesmo: “maior caso de sucesso, globalmente, em qualquer setor.” São governos dos EUA, França, Alemanha, mais quatro dezenas de ONGs que assinam isso.
Há outras questões além do marketing, porém. O documento — em fase de pegar ou largar quando foi apresentado ao Brasil — estabelece meta zero para o desmatamento.

O problema é que o Congresso brasileiro acabou de aprovar uma legislação, negociada longamente, definindo limites para o desmatamento. Podem chegar a 50% numa região, 35% em outras, 20% mais adiante. Não se fala em desmatamento zero nem isso seria possível — pois qualquer criança que já cuidou das plantas do jardim de casa dos avós sabe que sem algum nível de desmatamento não é possível trocar os cravos brancos pelas rosas vermelhas, e muito menos manter a agricultura como atividade básica para a sobrevivência humana.

Quem acompanha a postura diplomática do Brasil sob o governo Lula e Dilma, sabe que o país faz o possível para evitar entrar em festa pela porta dos fundos nem aceita ultimatos. No segundo turno da campanha presidencial de 2010, lideranças do Partido Verde promoveram um ato de apoio a Dilma. Até assessores de Marina estavam presentes. Na última hora, militantes do Greenpeace resolveram fazer uma cena: abriram uma faixa pedindo que Dilma assinasse o compromisso com o fim do desmatamento. “Não assino documentos sem ler antes,” respondeu a candidata. “E não faço demagogia para ganhar votos.”

A reconstituição dos fatos de 2014, que você irá ler a seguir, mostra que o governo brasileiro — um protagonista mais do que reconhecido dos debates ambientais desde a Rio 92 — foi deixado a margem de uma discussão travada nos bastidores, por iniciativa de adversários conhecidos de longa data.

A missão do Brasil na ONU tomou conhecimento da existência de que havia “uma” declaração sobre florestas em 21 de agosto — por coincidência, um dia depois do PSB confirmar a chapa Marina Silva-Beto Albuquerque para disputar a eleição presidencial.

Pelo que se sabe, foi naquele dia que o governo brasileiro recebeu a primeira notícia.

Isso aconteceu numa conversa informal em Nova York, quando um diplomata brasileiro foi informado a respeito por um colega da Indonésia, país que participava dos debates fechados. Em 27 de agosto, seis dias depois do primeiro encontro informal em Nova York, a missão do Brasil recebeu, por email, uma cópia da versão do texto, com uma advertência em inglês: “Final for approval.”

No dia seguinte, a Missão do Brasil encaminhou formalmente a declaração para a Secretaria Executiva. Vinte dias depois, a Secretaria se manifestou. Admitiu que “o governo brasileiro não participou da elaboração da ‘Declaração de Nova York’ e tampouco foi procurado a respeito pelos proponentes da iniciativa. ” No mesmo dia, diplomatas brasileiros solicitaram novas informações, inclusive sobre a possibilidade de contribuir para o documento.

Eles enviaram um email a Charle McNeill, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que coordenava debates que, em teoria, teriam mais relação com a área ambiental da ONU. Este conformou que o texto estava fechado e “em fase de adesão”, o que excluía qualquer possibilidade de alteração.

Ao longo da semana, mesmo empresários de agro-negócio engajados em campanhas adversárias, como Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura no governo Lula, deram razão neste ponto. Entidades ambientais se dividiram.

Se o enredo está claro, falta esclarecer algumas questões. A “Declaração…”foi divulgada durante a Conferência do Clima, um evento que reuniu 120 chefes do governo, dos quais 70% ficaram de fora do documento. Reunindo ativistas do mundo inteiro, com apoio de sindicatos e entidades populares dos países desenvolvidos, uma marcha que pedia medidas efetivas pela preservação ambiental foi um sucesso de mobilização.

Reuniu meio milhão de pessoas nas ruas de Nova York. “Chegou a haver engarrafamento de militantes na altura da rua 84″, ironiza um participante brasileiro. Atividade preparatória para 2015, quando haverá uma nova Conferência Ambiental em Paris, a Declaração recuperou, por vias tortas, um debate que mobiliza países ricos e pobres desde que a palavra ecologia foi pronunciada pela primeira vez.

Ao dar prioridade à preservação das florestas, o documento retoma o costume de colocar a carga mais pesada do ambientalismo sobre a população dos países pobres. O problema é que o desmatamento responde por apenas 12% das emissões atmosféricas, enquanto outras emissões, típicas dos países desenvolvidos, ficam com a maior parte. Imagine se, com a crise infinita de 2008, que está levando o desemprego para a Europa inteira, derrubando governos em toda parte, aqueles chefes de Estado de sorriso amarelo do Velho Mundo irão fazer os desembolsos bilionários que seriam necessários para modernizar seu parque industrial — não para aumentar a produção, mas para diminuir a poluição.

“Num quadro de injustiça ambiental, as populações pobres são as mais vulneráveis, principalmente em nossas cidades,” discursou Dilma, na Conferência do Clima. “Historicamente, os países desenvolvidos alcançaram o nível de bem estar de suas sociedades graças a um modelo de desenvolvimento baseado em altas taxas de emissões de gases danosos ao clima. Nos não queremos repetir esse modelo. Mas não renunciaremos ao imperativo de reduzir as desigualdades e elevar o padrão de vida da nossa gente. Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável e possível.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marinismo se ajoelha nos Jardins para ter apoio da elite paulistana


buana

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Parabéns às repórteres Marina Dias e Lígia Mesquita pela excelente reportagem que fizeram hoje, na Folha, sobre o encontro, ontem, entre a cúpula do marinismo e os “lojistas dos Jardins”.
Saborosíssima, ao melhor estilio da antológica cobertura de Joel Silveira sobre o casamento da filha no Conde Matarazzo, há 60 anos.
Vale a pena ler toda – não ligue para o título da Folha, que “assassina” a matéria, que não é de política, é de costumes.
“Marina tinha algumas ideias mas a gente acredita que, com o passar dos anos, ela pode ter mudado”. Foi assim que Rosangela Lyra, 49 anos, presidente da Associação de Lojistas dos Jardins, bairro nobre da capital paulista, justificou o encontro que organizou nesta terça-feira (9), em São Paulo, entre integrantes da elite paulistana e parte da equipe de Marina Silva (PSB), candidata à Presidência da República.”
Vestindo camiseta com a bandeira do Brasil bordada com miçangas, blazer verde bandeira, calça preta e scarpins verde limão –”tudo marca brasileira”–, a ex-diretora da Dior no Brasil e sogra do jogador Kaká pediu para que todos os presentes cantassem o Hino Nacional antes que o debate fosse iniciado. “Honrar a bandeira não é só na época da Copa, né Walter?”.
O Walter é o ex-tucano, ex-comunista e atual coordenador da campanha de Marina Silva.
Ao lado de Bazileu Margarido, coordenador financeiro da campanha, e de Lucas Brandão, representante jovem da candidatura de Marina, Feldman tentava tranquilizar as pessoas que se diziam inquietas com o conceito de “democracia de alta intensidade”, que aparece no programa de governo do PSB. Segundo ele, os “conselhos populares” propostos pela presidente Dilma Rousseff (PT) não são defendidos por Marina.
“Os conselhos populares não representam o que a gente pensa. Queremos o acompanhamento dos meios de controle para evitar desvios, e isso já existe hoje, na prática. Vamos dar vida aos conselhos municipais, estaduais e nacionais de educação e saúde, por exemplo, e não permitir que eles sejam aparelhados”.
As pessoas cochichavam em negativa e Feldman pediu novamente a palavra. “Vejo que vocês estão nervosos com isso. Temos que tomar cuidado para não remeter aos sovietes ou a organizações de esquerda. Estamos falando do que já existe”.
A explicação não convenceu. Bazileu tentou mais uma vez: “Não existe no nosso programa a expressão ‘conselhos populares’, denominamos de ‘conselhos de participação da sociedade’. É uma questão semântica”. Também não agradou e provocou risos na plateia.
“Esse cara é muito chato, prolixo, não responde nada objetivamente”, dizia uma convidada no fundo do auditório.
A advogada Adriana Hellering, 27, sentenciou: “O que me assusta em ter uma participação popular ativa é que a maioria às vezes é burra. E também acho que tem uma forma de manipular já que o próprio governante é quem vai escolher esses representantes”.
Em mais uma deferência ao perfil dos ouvintes, predominantemente simpatizantes ao PSDB, Bazileu destacou a “boa relação” de Marina com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, entre as críticas que fez à gestão econômica do governo Dilma, disse que a candidata do PSB “defende mais o tripé macroeconômico” do que José Serra, nome dos tucanos ao Senado em São Paulo.
Entre as perguntas que a equipe precisou responder, agronegócio, aborto, casamento gay, Mercosul, Mais Médicos e o estatuto do PSB, datado de 1947, que limita a propriedade privada. “Isso é comunismo”, assustou-se Rosangela.
Feldman afirmou que o PSB apenas “abriga” Marina, que deve fundar a Rede Sustentabilidade em 2015, e que essa é uma “questão histórica do partido”.
Sobre Mais Médicos, programa que a candidata diz que manterá caso seja eleita, o deputado licenciado afirmou: “É uma falácia eleitoral, um absurdo. O Brasil precisa de mais médicos, mas não é do jeito que o PT fez. Precisamos de mais médicos mas não pode ser através dos cubanos”.
Não sei o que faltou. Talvez só um “sim, sahib”, um “obrigado, buana”.

sábado, 9 de novembro de 2013

A vassalagem do Líder

       

       
       O vereador Renato Varjão, Líder do Governo na Câmara Municipal tem um longo currículo, para o bem e para o mal. Nasceu politicamente, se a memória não me trai, às custas de seu trabalho, ressalte-se, num dos principais blocos a desfilar na festa da Lavagem da Igreja de Santo Antônio, em Queimadas, que ocorre todos os anos no último domingo do mês de maio.

Mas o seu mentor e político que lhe ofereceu a primeira oportunidade para pensar e alçar voos mais altos, foi o ex-prefeito José Mauro de Oliveira Filho, mais conhecido por “Maurinho” que o colocou para coordenar o Peti no município e, posteriormente o guindou a um cargo estratégico: a Secretária de Finanças, que era ocupado à época (que coincidência, não?) pelo atual secretário e seu padrinho, Roberto Salgado.

A Secretaria de Finanças foi o passo que o levou à política partidária e o elegeu vereador. Ao assumir o mandato, começa um longo período do seu lado, digamos, não tão bom, ou como queiram os seus desafetos, hoje para mais de uma centena, do seu lado mau. Trai seu mentor (Maurinho) e alia-se ao seu adversário. Num piscar de olhos torna-se presidente da Câmara passando por cima de lideranças antigas e com um cabedal de experiência superior à sua.

Portanto, para este blog não foram surpresa os fatos ocorridos e que levaram à maior derrota política do governo Tarcísio, ou seja, a demissão do secretário de Finanças, Roberto Salgado com lances, inclusive, de virada de mesa, recados e contra recados tendo por intermediário o corpo jurídico da prefeitura, e o posterior recuo com o "rabo entre as pernas" dos mentores do golpe, o próprio prefeito, “Mainha” (a comandante da trupe), sua fiel escudeira, o secretário de Educação, Leonir Floriani, André Cayres e, claro, o afilhado do secretário demitido e readmitido (tudo isso em poucas horas), ele, o vereador Renato Varjão.

Concordância

Hoje, eleito mais uma vez vereador, mantém-se fiel ao seu mais novo correligionário e logra virar Líder do Governo acumulando logo de início uma derrota fragorosa: a perda da Presidência da Câmara para a oposição. Neste meio tempo, seu lado bom o leva a complementar seus estudos e hoje é estudante de uma Faculdade de Direito.

Portanto, o blog lamenta a falta de cuidado ou zelo do Líder do Governo com o bom português ao discursar da tribuna. O blog acredita que a frase infeliz pronunciada na presença do prefeito de Serrinha, Osny Cardoso de Araújo, dos demais vereadores, plenário e de toda a população foi motivada pela defesa intransigente que fez do atual prefeito num discurso recheado de sabujice e arrogância:

“Se alguém “trazer” para esta casa uma denúncia comprovada de que o prefeito tenha cometido qualquer ato de improbidade, como retirar dinheiro do banco (sic) eu renuncio à liderança e ao mandato”. Pois o Líder do Governo deve se preparar para renunciar à liderança e ao mandato, porque serão várias as ações de improbidade administrativa a serem ajuizadas contra o atual alcaide.

“Querer escrever como se fala é tão condenável quanto o contrário, ou seja, querer falar como se escreve, o que resulta num modo de falar pedante e ao mesmo tempo difícil de entender”, dizia o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. E eu acrescento: falar em público requer cuidados extremos por aqueles que ocupam posição de mando, de liderança e, em especial, para os que se vangloriam, e com justa razão, de estarem ampliando seus conhecimentos por meio do estudo.

Este editor, por exemplo, reconhece as dificuldades de se escrever corretamente na língua pátria. Basta citar que os jornais mantem um revisor (graduado em Letras) permanentemente nas redações. Maior cuidado, portanto, ao falar em sessões especiais. Não sem razão, o bom senso recomenda um texto pronto devidamente revisado.

Lesa Erário

O vereador e Líder do Governo referia-se às denúncias que este blog traz a público das “maracutaias” em andamento na atual administração como, por exemplo, a venda do crédito que o município possui junto ao Governo Federal no valor de R$ 15 milhões a serem pagos ao município em janeiro de 2015 e que o alcaide pretende levar a leilão, ou seja, à venda com um deságio vergonhoso (50%) e em que o único beneficiado será o provável vencedor, o Banco Safra. Em outras palavras, os cofres do município em vez de receberem R$ 12 milhões (descontado os 20% da parte do advogado) irão ficar com apenas R$ 4.5 milhões, ou seja, 30% do valor original.

Este crime contra o erário público, que defende com unhas e dentes, mais a sabujice ao prefeito Tarcísio Pedreira, que o leva a afirmar ser este o maior prefeito da história política de Queimadas, provavelmente têm levado o Líder do Governo, vereador Renato Varjão a cometer uma série de equívocos, como os erros de concordância ao discursar em plenário; a ter posições reacionárias, antidemocráticas e antirrepublicanas, como a de solicitar à Mesa da Câmara abertura de processo contra este editor em razão das críticas que o blog faz.

Como o vereador Renato Varjão está pleno de suas faculdades mentais, é um político sagaz e oportunista, seus equívocos, sabujices e, agora assumindo o papel de censor, com certeza não passam de estratégia. Afinal, esta é a técnica de quem veio para confundir e não para esclarecer, bastante usada por políticos sem ideologia ou sem conteúdo programático.

Mas, deste espaço, faço um alerta ao jovem vereador e Líder do Governo, Renato Varjão que tem justas aspirações de um dia ser o prefeito do município de Queimadas. Cuidado, porque os que se utilizam de artifícios, de oportunismos, de maldades e que costumam aliar-se às pessoas sabidamente do mau, a eles, em futuro bem próximo, se assemelham. Como disse o filósofo alemão do século XIX, nascido em Röcken, Fiedrich Nietzsche, “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.  

Sabujice

Durante pronunciamento na tribuna quando da presença do prefeito de Serrinha, Osny Cardoso de Araújo, o Líder do Governo excedeu-se em tudo, inclusive, ao lavar roupa sua em local inadequado, o que poderia ter sido feito no gabinete do prefeito. E sua falta de liderança evidenciou-se em dois momentos impagáveis. O primeiro, na fala do vereador do PT, Lázaro José que o criticou por elogiar o atual prefeito sempre com referência às administrações anteriores. Os que estavam presentes no plenário perceberam que, quando da fala de Lázaro, o vereador, estrategicamente, se ausentou do plenário. Estava na copa, escondido.

“O Líder do Governo deve deixar de fazer comparações desta administração com administrações passadas. Até porque você fez parte das outras, inclusive, foi secretário de uma das administrações mais desastrosas”, disse o vereador Lázaro José entre outras críticas ao atual alcaide e ao Líder.

A segunda foi hilária e ficou por conta do vereador Ubaldo, do grupo de apoio ao prefeito. “Não ligue para as críticas, senhor prefeito. São palavras ao vento, coisa de adversário. Mas o senhor precisa reverter o atual quadro, como limpar as ruas da cidade, pagar os contratados. Importante é levantar a cabeça. Mas que falta muita coisa, isso falta”. Sem comentário. Até porque, momentos depois em sua fala o prefeito Tarcísio Pedreira reconheceu que seu governo vem sofrendo uma série de "abalos políticos", mas não por parte da oposição, mas dos próprios correligionários, conforme denunciou.

Público Ministério

Ainda durante o discurso, Renato Varjão referiu-se às críticas que fiz neste espaço ao Ministério Público de Queimadas. E as reafirmo. Não com o tom de prepotencia do vereador que chega a comprometer a imagem do titular da Promotoria, ao arrogar-se amigo do Promotor Público, Dr.Tiago Alves Pacheco com quem afirma manter contato frequentemente.

A quem interessa esses contatos? Por acaso o vereador Renato Varjão espera algo a “mais” do promotor em razão dessa amizade que não seja o estrito cumprimento do seu dever, algo que este blog cobra? Se assim espera melhor desistir da empreitada. O Promotor pode não dedicar o tempo necessário às necessidades do município, mas com certeza é um funcionário probo e zeloso cumpridor dos seus deveres.

Mas só para esclarecer o atrapalhado Líder do (des)Governo, as críticas que faço neste blog dizem respeito não à pessoa do Promotor Público, Dr. Tiago Alves Pacheco, mas à Instituição Ministério Público. Isso em razão do município estar sem titular, o que compromete o seu trabalho já que tem que se dedicar a atuar em três comarcas diferentes. Como se sabe, o promotor Tiago Alves Pacheco pertence à comarca de Conceição de Coité e ainda presta ajuda à Promotoria de Feira de Santana.

A tentativa do vereador de querer intrigar este blog com o MP não passa de “molecagem” de quem não possui conteúdo para debater questões relevantes e graves existentes em nosso município.

Basta lembrar a defesa que fez da amizade com o atual secretário de Finanças, Roberto Salgado, seu padrinho de batismo. Não precisa arrotar o conhecimento do silêncio de Roberto Salgado. Não após a sua traição comprovada. Este blog, em momento algum publicou qualquer declaração do secretário com referência ao papel que o vereador Renato Varjão desempenhou na tentativa de exonerá-lo do cargo, ou a qualquer outro assunto administrativo

Sua presença neste blog se deve, exclusivamente, ao fato de Roberto Salgado ocupar um cargo de Agente Político na atual administração e de ser um homem público com ação política destacada em nosso município. Sua fala fica por conta da sua pequena imaginação, já tão comprometida com os odores emitidos por este desgoverno e assumidos, de público, pelo vereador.