O passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo, de fato, não dormiu nos últimos dias, tal o barulho de fogos e gritos histéricos que partiam de vários cantos, sem encantos. Serviu-lhe de consolo uma verdade: Comemoravam o que, mesmo? Sim, porque derrotados o foram, inclusive, o atual presidente (de forma ilegal e imoral) da Câmara Municipal, o ex-PT, ex-PV e ex detentor de uma moral esfarrapada, o vereador Lazaro, de quê, mesmo? Ah, sim. Do Sicoob.
Mas, dizia eu. Comemoravam mesmo o que? A derrota, ou melhor, a cassação dos mandatos de prefeito e vice? Sim, porque não restam dúvidas. Ambos, Edivaldo Cayres e Francisco César foram cassados, pela segunda vez, pela Justiça. Este é o fato. A manutenção de ambos no cargo de prefeito e vice, tomada numa decisão surpreendente e inesperada pelo presidente da Corte (Sinésio Cabral Filho) votando contra sua própria decisão, não invalida a crua verdade: ambos estão cassados.
ENTÃO COMEMORAVAM O QUE? Ah, sim, a desvergonhada roubalheira que, por certo, vai continuar sob o auspício da Justiça que os manteve no cargo, mesmo cassando-lhes os diplomas e os direitos políticos. Seria este o consolo dos tolos? E quem seriam os tolos da vez? Os que lutam pelo início imediato da moralização das práticas políticas em nosso município, ou aqueles que, como abutres na carniça, lambuzam-se na podridão da corrupção?
Eu não tenho dúvidas em responder tal indagação. Mas o povo (eleitor), este talvez não consiga perceber como um prefeito cassado em duas pontas da Justiça baiana, consegue se manter no cargo. São estes os absurdos que levam o povo a descrer na Justiça dos homens e se aferrarem com todo o ardor na Justiça Divina. Não compreendem os meandros do poder e como interesses difusos se fundem em beneplácito de uns poucos, mas com prejuízo para a maioria.
O passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo não se surpreendeu com a algazarra. Isso vem do governo passado, quando o ex-prefeito afeito ao poder, como macaco em visgo de jaca, tapeava o povo com foguetório somente semelhante aos protagonizados pelo finado Inácio das Galinhas nas noites de Sábado de Aleluia sacrificando Judas.
Eles são os donos da festa porque o fazem com o dinheiro público. Não importa para eles (Edivaldo e César e seus cupichas) que, descaradamente e sem feição, discursem em praça pública saboreando a derrota no pleno do TRE - Tribunal Regional Eleitoral – que cassou os seus diplomas. É um descaso para com a opinião pública.
Saberá o desembargador Sinésio Cabral (que, surpreendentemente concedeu a estes dois o direito de permanecerem frente à administração do município de Queimadas enquanto aguardam o julgamento do recurso que entraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)), o despudor com que comemoraram com dinheiro público, a derrota que sofreram no Tribunal que presidiu e, que, com seu voto definitivo, cassou o diploma dos dois?
Por certo que não. Porque o desembargador Sinésio Cabral não compactuaria com esta farsa (uma derrota transformada em vitória) e com o despudor de utilizar dinheiro público numa tentativa de consagrar tristes figuras que diminuem a história e a grandeza de Queimadas.
Por certo o desembargador Sinésio Cabral Filho não tomou conhecimento dos boatos de que antes que o segundo colocado fosse diplomado pela Justiça e assumisse de direito o poder administrativo municipal, os cassados teriam sacado verbas do Banco do Brasil. Boatos estes que podem se tornar verdadeiros. Basta ver que não pagaram os funcionários que recebem no dia 10.
Mas não foi esta uma das razões alegadas por seus advogados para mante-los no cargo? Por certo o desembargador Sinésio Cabral não tomou conhecimento de que, durante uma semana (desde a cassação até a sua manutenção no cargo) a prefeitura ficou paralisada porque os detentores de cargo de primeiro e segundo escalão sumiram de seus postos.
Por certo (e não haveria como), o desembargador Sinésio Cabral Filho não tinha conhecimento do rombo (sobretudo da Secretaria Municipal de Saúde), junto ao Banco do Brasil por conta de empréstimos consignados feitos por funcionários públicos. Na verdade, o BB empresta dinheiro aos funcionários e, no final de cada mês, quando é feito o pagamento salarial, a prefeitura desconta o valor correspondente e o repassa ao banco. O problema é que a prefeitura vinha descontando, mas não fazia o repasse.
O que fazia com o dinheiro recolhido dos funcionários? Só eles podem responder ou a Justiça descobrir. O fato é que o rombo chega a uma cifra estonteante: R$ 100 mil. E como isso se tornou público?. Por inconfidência (motivada pelo medo) do ex-gerente da agencia do BB Queimadas preocupado com o rombo e avisando ao prefeito que iria assumir Paulo Sérgio Brandão, de que sacaria o dinheiro da conta. O que foi rechaçado imediatamente por Serginho.
Não. Por certo o desembargador Sinésio Cabral que com seu voto cassou os diplomas de Edivaldo Cayres e Francisco César desconhecia todos estes malefícios. Porque se o soubesse não concederia. Talvez não existam culpados. Talvez sejamos todos nós (povo de Queimadas) por sermos tão cordeiros e não alertarmos como deveríamos os poderes constituídos para os atos irresponsáveis dos nossos dirigentes políticos.
Ou quem sabe o senador Demóstenes Torres (DEM) esteja certo. Afinal, segundo ele, as negras escravas brasileiras não foram estupradas por seus senhores. Foram relações consentidas. Daí, a miscigenação da população brasileira e, portanto, não há razões para se aprovar a cotas para negros nas universidades brasileiras. Nós somos os culpados. Eles, os Edivaldo e Cesar da vida, os inocentes. O TSE dará a sua palavra final. É esperar para ver, ou crer.