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terça-feira, 24 de março de 2015

Política do absurdo

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Num País que precisa desenvolver-se de qualquer maneira, Ministério Público fala do "latrocínio" da corrupção mas ignora verdadeiro genocídio social e economico produzido pelo ataque a Petrobas e grandes empresas
O lançamento de dois pacotes contra a corrupção em apenas 72 horas indica que está ocorrendo uma mudança complicada no eixo político brasileiro.
Num país onde a pobreza, a desigualdade, a injustiça e a falta de oportunidades para a maioria sempre constituíram — por justa razão — o foco principal do debate político desde o fim da ditadura militar, o combate à corrupção começa a ser tratado como prioridade número 1.
O lançamento do pacote assinado por Dilma Rousseff, no início da semana, foi uma tentativa de responder a um ambiente hostil, reforçado pelos protestos nos últimos dias. A verdade é que os governos Lula e Dilma têm um conjunto de medidas concretas nessa área, que envolveram uma maior autonomia à Polícia Federal, o reconhecimento das lideranças do Ministério Público, o reforço e a modernização das forças policiais. Ainda assim, prevalece a visão negativa da atuação do governo, repetindo a situação clássica de que os fatos criados socialmente, pelos meios de comunicação, importam menos do que as versões.
Nos dias de hoje, pós-AP 470, em plena Lava Jato, o debate sobre a corrupção deixou o plano da teoria e das boas intenções. Tornou-se uma questão urgente e radical. Nem todos admitem e muitos ainda não perceberam mas já chega a ter prioridade em relação ao desenvolvimento econômico e à criação de empregos. Parece a obrigação número 1 do Estado.
Apenas nesse ambiente é possível aceitar a tese — combatida pelo governo e inaceitável do ponto de vista dos interesses da maioria dos brasileiros — de que é possível e pode até ser necessário quebrar a Petrobras, maior empresa brasileira, para que o Ministério Público possa dar continuidade ao trabalho de identificação e punição de empresários e executivos que podem vir a ser condenados como corruptos. Podem vir a ser, certo?
Em nome desse ponto de vista, também se considera aceitável que o setor privado seja escalpelado, com a transformação de empresas com décadas de atividade na ponta do desenvolvimento em quitandas de frutas e barraquinhas de pipoca. (Nada contra quitandeiros nem pipoqueiros. Cada um tem seu lugar na atividade econômica de um país).
No lançamento do pacote do Ministério Público, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, radicalizou de verdade. Argumentou que a corrupção é “semelhante” ao latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Dallagnol explicou que na corrupção há desvio de altos valores e “pessoas sofrendo consequências como morte inclusive, por falta de hospitais, segurança, e saneamento básico.”
É. Pode ser. Talvez seja mesmo.
Mas se é para deixar de lado vários conceitos de Direito questionados nessa afirmação, pode-se comparar o latrocínio de que fala o procurador com o genocídio em massa a ser produzido pelo recessão e o desemprego prolongados.
Se é para abandonar todos os pruridos, sejamos economicamente coerentes. Será que 1%, 2% ou sei lá quantos % pagos em propinas — sempre lamentáveis e condenáveis — representam prejuízos maiores ao povo e ao país do que o cancelamento de obras que podem trazer uma revolução na infraestrutura do país e no grau de civilização da população?
Por que não se pergunta quantas famílias podem ser destruídas pela falta de perspectiva, quantos jovens se perderão?
Que tal contabilizar o número de hospitais que sequer chegam a ser planejados quando a atividade econômica é paralisada? O número de estradas, o saneamento?
Alguém se atreve a fazer contas em vez de discursos?
O assalto cotidiano às nossas riquezas é um processo histórico, um produto de séculos. Costuma ser produzido essencialmente pelos entraves ao desenvolvimento, pela concentração de renda, pelo salário baixo, pela preservação do atraso — e isso tem a ver com uma concepção política, uma visão de país, um projeto de futuro.
O ataque ao desenvolvimento nada tem de moral mas envolve uma noção política sobre o papel do Estado. Mário Henrique Simonsen, uma das cabeças econômicas da ditadura militar, estava tão convencido da inutilidade das obras do Estado que recomendava render-se a corrupção. Seu conselho era pagar a propina, muito mais barata, e não fazer a obra — poupando o gasto principal. Era uma piada, mas era coerente: para tantos economistas conservadores, a ação do Estado, em Simonsen, era muito próxima do demônio.
A raiz ideológica dessa visão se encontra nas noções de economistas radicais do mercado, como Frederick Hayeck, para quem até programas de bem-estar da social-democracia não passavam de escalas transitórias para o comunismo de Josef Stalin.
Repare que a discussão começa e termina por três negativas.
A primeira é que os políticos “não têm jeito”. A segunda, que “o Estado não tem jeito.” A terceira é que o grande culpado é o eleitor, que também não tem jeito porque “se deixa enganar facilmente.”
No fundo, a democracia não tem jeito — querem dizer.

Falando nisso: será que o eleitor foi devidamente informado sobre uma mudança tão grandiosa nas prioridades do debate político?
Este é o debate.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Governo Dilma já tinha aberto investigação sobre negócios Paulo Roberto Costa – Eduardo Campos

 



Por Fernando Brito, no Tijolaço

Os nossos jornais, bons em escândalo e muito ruins em juntar pecinhas, deixam de informar aos seus distintos leitores as razões de Paulo Roberto Costa, o autor da tal delação premiada, ter arrolado Eduardo Campos como sua testemunha de defesa e, depois, desistido de seu depoimento.

Que negócios, afinal, os uniam?

Quem quiser uma boa pista, procure saber da investigação, aberta há três meses – dia 9 de junho – pela Controladoria Geral da União sobre o uso da antecipação de recursos feita pela Petrobras ao Governo do Estado de Pernambuco, para que este fizesse as obras de modernização do Porto de Suape e do entorno da Refinaria Abreu e Lima, próxima a ele.

E por razões que vêm lá de longe e não se pode separar do “rompimento” entre Eduardo Campos e o Governo Federal.

Vou fazer uma rememoração de fatos, quem sabe haja algum “jornalista investigativo” ainda capaz de seguir as pistas.

Que, afinal, estão todas publicadas nos jornais, esperando apenas que alguém as reúna.

Em 2008, Eduardo Campos e Paulo Roberto Costa assinaram, com direito a ampla cobertura da mídia, um acordo pelo qual a Petrobras anteciparia ao Governo de Pernambuco, R$ 475 milhões para obras de ampliação e aprofundamento de Suape, como antecipação das tarifas portuárias que teria de pagar pelo uso futuro de suas instalações.

Nada de errado nisso, faz parte do processo federativo delegar obras e prover recursos.

Só que isso colocava diretamente sob o controle do Governo estadual as licitações, contratações e pagamentos, cabendo à Petrobras, simplesmente, repassar recursos à medida em que o projeto avançasse, no que, em administração pública, chamamos de “cronograma físico-financeiro”.

Mas a coisa, em Pernambuco, não andou. E só em 2011, com a interveniência da Secretaria Especial de Portos do Governo Federal – comandada, aliás, pelo PSB – foi dada a ordem de serviço para o início das obras de dragagem, festejada pelos socialistas.

Elas foram licitadas e contratadas com base apenas no projeto básico e tiveram um reajuste de R$ 62 milhões no preço, de R$ 275 milhões para R$ 337 milhões.

Em maio de 2013, a obra de dragagem - ganha pela holandesa Van Oord – foi interrompida por falta de pagamento.

A Secretaria de Portos da Presidência (SEP) parou na metade o repasse de verbas, porque rejeitou as prestações de contas apresentadas pela administração do porto, ligada ao governo estadual.

Além disso, como narrou, na época, o Estadão, “a SEP diz que os custos de mobilização e desmobilização da obra em Suape são muito superiores aos praticados em 14 portos brasileiros. O valor orçado é quase o dobro do maior preço pago em outras unidades. Gestores do porto alegam que os equipamentos usados ali são diferenciados, o que eleva os preços.”

O Governo Dilma não recuou diante das pressões de Campos pela liberação e é o próprio jornal paulista quem diz que o episódio Suape “ foi causa de embate entre Dilma e Campos”.

E o processo avançou para o inquérito aberto pela CGU, órgão diretamente subordinado à Presidência, com base naquele antigo documento, de 2008, ” assinado pelo então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, hoje preso no Paraná por conta de supostos desvios de recursos públicos empregados na refinaria de Abreu e Lima; o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República; e o presidente do Porto de Suape na época, Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro de Integração Nacional no governo da presidente Dilma Rousseff, aliado de Campos e candidato ao Senado por Pernambuco”.

Fernando Bezerra Coelho, aliás, tem irmão, cunhada e filho na lista do doleiro Alberto Youseff.

Todas as informações elencadas aqui são públicas e publicadas antes do acidente fatal de Eduardo Campos, que podia se defender delas.

Restringem-se a fatos e processos administrativos e não contêm, como reclama Marina, qualquer “ilação”.

Mas provam, de maneira inequívoca e factual como o Governo Dilma, há mais de um ano, investigava a regularidade dos negócios de Paulo Roberto Costa e, especificamente, aqueles em que teve entendimentos com o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Como a imprensa brasileira faz política eleitoral e não jornalismo, ainda está avaliando se “deixa” que este quebra-cabeças seja montado aos olhos de seus leitores, aguardando para ver se “interessa” ou não aos seus planos políticos.

Mas, pessoalmente, acho que não dá para “segurar”.

sábado, 6 de setembro de 2014

A hipocrisia das denúncias políticas e a blindagem dos grandes grupos




Por Luis Nassif, no GGN


Algumas considerações sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Costa traz indícios daquele que provavelmente é o mais amplo caso de corrupção política sistêmica do país. A desenvoltura com que atuou na Petrobras comprova que dispunha de uma carta em branco. Há pelo menos seis anos rumores sobre sua atuação corriam mercado. É evidente tratar-se de uma peça da real politik de governo.

A data escolhida para a divulgação - 7 de setembro, aliás mesma data da eclosão do escândalo Erenice - e as informações divulgadas até agora sugerem muito mais uma chantagem, com elementos políticos, do que elementos concretos para condenar os acusados: políticos e empresas. Uma denúncia exige dados concretos, datas, documentos, comprovação de pagamentos. Costa traz relatos. É como se avisasse: se me deixarem na mão apresento as provas. Ou então é possível que Veja tenha feito um cozidão atribuindo-o a Costa.

A denuncia significará um corte no atual modo de fazer política? Evidente que não, porque dificilmente os subornadores serão punidos. E porque uma apuração ampla dos desvios políticos não poupará nenhum partido.
Além disso, até hoje nenhuma investigação envolvendo grandes grupos prosperou na Justiça. 

O "mensalão" só foi adiante depois que o Procurador Geral da República inicial, Antonio Fernando de Souza, o sucessor Roberto Gurgel e o relator Joaquim Barbosa tiraram o Opportunity da jogada

A Satiagraha parou assim como a operação da Polícia Federal que levantou subornos da Camargo Correia - apanhando com a boca na botija o então chefe da Casa Civil do governo Alckmin Arnaldo Madeira (que a campanha de Aécio cometeu a imprudência de colocar na coordenação paulista). Nos dois casos, alegou-se escutas ilegais, álibis formais para justificar a blindagem desses grupos. 

O próprio episódio do buraco do Metrô resultou em um acordo nebuloso entre o governo José Serra, o MInistério Público Estadual e as empresas, pelo qual as diretorias foram poupadas e as empresas tiveram a liberdade de indicar um funcionário para o cadafalso.

Em ambos os casos, os grupos de mídia não manifestaram indignação. O que comprova que denúncias e indignação são armas políticas ou de chantagem, não instrumentos de melhoria institucional.

Não há velha e nova política.

Há a mesma política velha atingindo todos os grupos. O envolvimento direto do ex-governador Eduardo Campos com o esquema Costa tira a aura de pureza da candidatura Marina. Não fosse o envolvimento direto de grandes grupos econômicos blindados na Justiça, o episódio Paulo Roberto Costa seria mais agudo que o "mensalão".

O PSDB tem os escândalos do Metrô.

Mais uma vez, o episódio será utilizado como elemento político de lado a lado. Mas a mãe de todos os crimes - o financiamento privado de campanha - continuará graças a atuação do ínclito Ministro Gilmar Mendes.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Petrobras e as "violações" de Imbassahy






Por Renato Rovai, em seu blog


Os jornais de hoje anunciam, a partir de uma nota originalmente publicada pela Folha ontem à tarde, que o deputado Antonio Imbassahy (PSDB) comunicou à primeira-secretaria da Casa que recebeu envelope com informações secretas da Petrobras “violado, sem lacre e faltando páginas”.

O deputado baiano foi autor de quase vinte requerimentos de pedidos de informação à Petrobras e recebeu informações nunca antes tornadas públicas sobre a aquisição e a sociedade da companhia nas refinarias de Pasadena, Okinawa, Abreu e Lima e SBM Offshore, entre outros.

E de repente ele anuncia que informações secretas tiveram o envelope violado e que, por absoluta coincidência, as informações ali contidas são justamente as que sustentam as reportagens nos últimos dias sobre Pasadena, Okinawa e Abreu e Lima, e que deram o pretexto para a solicitação de CPI da Petrobras pelo seu partido.

No Congresso, junto com seu colega de Senado, Alvaro Dias, Imbassahy disputa o título de vazador oficial da República. Mas certamente não faria algo dessa natureza com documentos secretos que podem causar prejuízos de monta à principal empresa brasileira que, seu partido, por admiração queria rebatizar. Na Petrobrax dos sonhos tucanos nunca haveria problema da empresa com o governo ou Estado. Simplesmente porque ela seria privada. E dos gringos.

Mas a denúncia de Imbassahy de que os documentos que foram parar na Folha foram violados de um envelope a ele endereçado já estão causando alvoroço na Câmara. Um office boy que costuma usar camisa vermelha é o principal suspeito do crime. Ele teria sido visto passando pela frente de um gabinete petista no dia em que Imbassahy recebeu a documentação. E por conta disso ninguém tem mais dúvida alguma da inocência do baiano. A culpa é do boy. 

Não há o menor risco de Imbassahy ter violado o envelope. E passado documentos pra Folha. Imbassahy é tucano. E tucano tem salvo conduto. Se você tem alguma dúvida disso, pergunte ao Eduardo Azeredo, à turma do trensalão de São Paulo, ao Cachoeira e ao Demóstenes. Há quem jure que eles se falam todo dia e morrem de rir das histórias que ouvem sobre a vida do Zé Dirceu e do Genoino na Papuda.

Resta saber se os deputados do PT vão atuar para que a Polícia Federal investigue o caso, já que se trata de um episódio grave que envolve os interesses da maior empresa do país.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Washington Post ressuscita os “urubus do petróleo”. E a Petrobras os enxotou, de novo



Por Fernando Brito no "Tijolaço"

Não está funcionando a campanha de sabotagem contra a Petrobras. A empresa lançou uma campanha de captação de recursos no exterior de US$ 5 bilhões, em títulos de 20 anos. A procura foi três vezes maior que a oferta.

Ano passado, captou US$ 11 bilhões, também operação muito bem sucedida. Desta vez o volume foi menor porque, entre outras razões, a empresa não precisará de um desembolso gigante como foi o de Libra: quase US$ 3 bilhões.

Não funcionaram os dias pródigos em reportagens sobre as dificuldades da empresa, para dificultar a operação. Segunda-feira o Washington Post publicou matéria sobre as “ilusões” do Brasil com o pré-sal.

Serviu-se das anônimas fontes “de mercado” e dos quinta-coluna energéticos já bem conhecidos. Um deles, tristemente um ex-funcionário da Petrobras que passou a se dedicar  os conhecimentos que adquiriu lá no mercado privado de petróleo, chega a dizer que “muitos poços do pré-sal vêm secos”.

A taxa de sucesso da Petrobras no pré-sal é de fantásticos 82%, muito acima da média mundial.

Você tem acompanhado, aqui e nos jornais, que as descobertas de óleo se sucedem.

O “tiquinho de petróleo” que Reinaldo Azevedo previa no pré-sal de Tupi, hoje Lula, já são 400 mil barris diários em toda a área do pré-sal, da qual Lula é a maior. Os navios-plataforma começam a deixar os estaleiros para irem cumprir seu desafio no mar.

As dificuldades da Petrobras não são estas, são a de ter, com o Brasil, escolhido o caminho do desenvolvimento destes campos com controle e produção de equipamentos majoritariamente nacionais.

O que demanda recursos elevados, prazos e, como todas as atividades caras e de alta tecnologia e complexidade, prudência e responsabilidade.

O Estadão reproduz hoje essa barbaridade, republicando a matéria do Washington Post e abrindo um destaque para dizer que a “produção do pré-sal está abaixo da expectativa“.

O pré-sal produziu mais de 400 mil barris diários em novembro, 10% a mais que no mês anterior.


O megacampo de Lula, onde só há operando míseros oito poços, já ocupa o quarto lugar entre os campos produtores e seus poços tomaram conta do ranking dos mais rentáveis do país, como você pode ver abaixo. Ah, Sapinhoá também é pré-sal, viu?

O sucesso do pré-sal é fruto de trabalho e persistência, não de mágica.

Mas não há dificuldade maior para a Petrobras que a campanha que contra ela fazem os que não entendem o petróleo como uma ferramenta do desenvolvimento do país, mas um negócio como vender bananas.

Tem uma coisa boa, porém, que deve deixar os brasileiros animados e essa gente.

Há 60 anos a Petrobras derrota os derrotistas.

PS. Embora a Petrobras batize seus campos no mar com nomes de animais marinhos, acho que devia abrir exceção e dar o nome de Traíra a um deles. Seria uma justa homenagem, não acham?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A oposição e seus vaxames



Petrobras 60 anos

Episódio 5: 

2020 é agora



Para comemorar os 60 anos, a Petrobras fez um documentário em 5 episódios (são curtos, menos de 10 minutos cada), contando sua história e como está traçado o futuro.

No último (acima), com o título “2020 é agora” a presidenta da empresa, Graça Foster, explica que nos próximos 6 anos a produção da Petrobras vai dobrar de tamanho. E afirma: "Isso é uma realidade absoluta".

Graça Foster tem a certeza de que estas metas serão alcançadas, porque isso já foi planejado lá atrás. Agora a fase é de execução. O petróleo é sabido e confirmado que está lá nos campos que a empresa já tem para explorar, sobretudo do pré-sal, e 90% dos equipamentos necessários para extraí-lo estão sendo construídos ou já contratados.

As declarações de Foster, são como um sapo que a Miriam Leitão, o Aécio Neves terão que engolir nas festas de ano novo, por terem passado o ano falando mal da empresa, sem enxergar nem meio palmo na frente do nariz. Bom apetite.

Seguem os outros quatro episódios:

Episódio 1: 
Trabalhar e aprender ao mesmo tempo



Episódio 2: 

Homens ao mar



Episódio 3: 

Viagem ao fundo do oceano



Episódio 4: 

A era do pré-sal

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

As lições do leilão de Libra


Por Mauro Santayana, em seu blog


A mobilização de várias organizações, e a greve dos petroleiros, com a apresentação de dezenas de ações na justiça, não conseguiu impedir que o Leilão de Libra fosse realizado, com a vitória de duas estatais chinesas, duas multinacionais europeias, e participação, em 40%, da Petrobras.

Obviamente, do ponto de vista do interesse nacional, o ideal seria que o negócio tivesse ficado totalmente com a Petrobras, ou melhor, com outra empresa, 100% estatal e brasileira (a PPSA não tem estrutura de produção própria) que fosse encarregada de operar exclusivamente essas reservas. 

Não podemos esquecer que a Petrobras – por obra e arte sabe-se muito bem de quem - não é mais uma empresa totalmente nacional. Os manifestantes que enfrentaram a polícia, nas ruas do Rio de Janeiro, ontem, estavam – infelizmente - e muitos nem sabem disso, defendendo não a Petrobras do “petróleo é nosso”, mas uma empresa que pertence, em mais de 40%, a capitais privados nacionais e estrangeiros, que irão lucrar, e muito, com o petróleo de Libra nos próximos anos.

De qualquer forma, a lei de partilha, da forma como foi aprovada, praticamente impedia que a Petrobras ficasse com 100% do negócio. Além disso, institucionalmente, a empresa tem sido sistematicamente sabotada, nos últimos anos, pelo lobby internacional do petróleo. E cometeram-se, no Brasil, diversos equívocos que a enfraqueceram empresarialmente, o mais grave deles, o incentivo dado à venda de automóveis, sem que se tivesse assegurado, primeiro, fontes alternativas – e, sobretudo nacionais – de combustível.

A questão geopolítica é, também, bastante delicada. O Brasil lançou-se, com determinação e talento, à pesquisa de petróleo na zona de projeção de nosso território no Atlântico Sul, antes de estar militarmente preparado para defendê-la.

O embate entre certos segmentos da reserva das Forças Armadas - principalmente aqueles que fazem lobby ou estão ligados a empresas de países ocidentais – e militares nacionalistas que propugnam que se busque tecnologia onde ela esteja disponível, como os BRICS, tem atrasado o efetivo rearme do país, que, embora necessário, deve ser conduzido com cautela, para não provocar nem atrair demasiadamente a atenção de nossos adversários.

O mundo está mudando, e o Brasil com ele. Seria ideal se pudéssemos simplesmente virar as costas para os países ocidentais - que sempre exploraram nossas riquezas e tudo fizeram para tolher nosso desenvolvimento - e nos integrarmos, de uma vez por todas, ao projeto BRICS, e a países como a China e a Índia, que estarão entre os maiores mercados do mundo nas próximas décadas.

Esse movimento de aproximação com os maiores países emergentes – lógico e inevitável, do ponto de vista histórico – terá que ser feito, no entanto, de forma paulatina e ponderada. Parte da sociedade ainda acredita – por ingenuidade, interesse próprio ou falta de brio, mesmo – que para sermos prósperos e felizes basta integrarmo-nos e sujeitarmo-nos plenamente à Europa e aos Estados Unidos. E que temos que abandonar toda veleidade de assumir um papel de importância no contexto geopolítico global, mesmo sendo a sexta maior economia e o quinto maior país do mundo em território e população.

É essa contradição e esse embate, que vivemos hoje, em vários aspectos da vida nacional, incluindo a defesa e a exploração de petróleo. É preciso explorar o petróleo do pré-sal e nos armar, para, se preciso for, defendê-lo. Mas, nos dois casos, não podemos esperar para fazê-lo nas condições ideais.

O resultado do Leilão de Libra reflete, estrategicamente, essa contradição geopolítica. Mesmo que esse quadro não tenha sido ponderado para efeito da negociação, ele sugere que se buscou uma solução feita, na medida, para agradar a gregos e troianos. Sem deixar de mandar um recado aos norte-americanos.

Independente da questão de capital e de tecnologia – a da Petrobras é superior à dos outros participantes do consórcio – poderíamos dizer que:

a) Os chineses entraram porque, como membros do BRICS, e parceiros antigos em outros projetos estratégicos, como o CBERS, não poderiam ficar de fora.

b)Os franceses foram contemplados porque são também parceiros estratégicos, no caso, na área bélica, por meio do PROSUB, na construção de nossos submarinos convencionais e atômico.

c) Os anglo-holandeses da Shell – mais os ingleses que os holandeses – entraram não só para reforçar a postura de que o Brasil não estava fechando as portas ao “ocidente”, mas também para tapar a boca de quem, no país e no exterior, dizia que o leilão estaria fadado ao fracasso devido à ausência de capital privado.

O lobby internacional do petróleo, no entanto, não descansa. Antes e depois do resultado do leilão, já podia ser lido em dezenas de jornais, do Brasil e do exterior, que o modelo de partilha, do jeito que está, é insustentável e terá que ser mudado.

Apesar da declaração do Ministro de Minas e Energia de que o governo não pretende alterar nada – e da defesa dos resultados do leilão feita pela Presidente da República na televisão – já se fala na pele do urso e as favas se dão por contadas. 

Os argumentos são de que não houve concorrência – interessante, será que o “mercado” pretendia que o governo ficasse com mais petróleo do que ficou? – que a Petrobras não tem escala para assumir os poços que serão licitados no futuro – uma “consultoria” estrangeira disse que a Petrobras já está com “as mãos cheias” com Libra, e as exigências de conteúdo local.

Isso tudo quer dizer o seguinte: a guerra pelo petróleo brasileiro não acaba com o leilão de Libra. Ela está apenas começando, e vai ficar cada vez pior. Já que não podemos ter o ideal, fiquemos com o possível. Os desafios para a Petrobras, daqui pra frente, serão tremendos, tanto do ponto de vista institucional, quanto do operacional, na formação e contratação de mão de obra, no gerenciamento de projetos, no endividamento, no conteúdo nacional. 

É hora de cerrar fileiras em torno daquela que é – com todos os seus problemas - a nossa maior empresa de petróleo.

A sorte está lançada. A partir de agora, os adversários do Brasil, e da Petrobras, vão fazer de tudo para que ela se dê mal no pré-sal.