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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Prisões arbitrárias. Ditadura do PT?




Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho


Já sabíamos que a campanha seria pesada, mesmo assim sempre nos surpreendemos quando a guerra começa. 

Sobretudo porque ela, a baixaria, não chega vestindo trajes típicos. Não chega exibindo o logotipo “baixaria” na testa. 

Ela vem travestida de reportagens “imparciais” e de notas em colunas políticas. 

Os jornais amanheceram hoje com tantas manipulações que chega a dar medo. O núcleo da campanha tucana voltou para onde sempre esteve: as redações da grande imprensa. 

Até aí tudo bem. Sabíamos que seria assim. O problema é o método. O Globo parece ter encarnado o espírito de Joaquim Barbosa. Ou melhor, agora vemos que Joaquim Barbosa encarnava, na verdade, um demônio cevado nos porões da Vênus Platinada. 

Sobrou até para a OAB-RJ e para a Comissão da Verdade do Rio. 

A grande imprensa não é muito criativa. Ela vai usar o método que já deu certo. Criminalizar, dividir, constranger. Com ajuda de seus tentáculos no Estado, que são muitos e poderosos. 

O caso dos 23 ativistas presos – e agora soltos sob habeas corpus – é emblemático. A questão não é a culpabilidade dos mesmos, que deveria ser analisada com tranquilidade por juízes isentos. 

A questão é a atmosfera irrespirável de linchamento, criada deliberadamente por vazamentos seletivos de um inquérito cujo acesso foi dado a um jornal antes mesmo de chegar às mãos dos próprios advogados de defesa. 

Conversas íntimas entre advogados e seus clientes são expostas publicamente, num contexto agressivamente manipulador. 

A relação entre Estado e indivíduo, num processo penal, é sempre assimétrica. O Estado tende a esmagar o indivíduo. Quando a imprensa se alia ao Estado contra um ou mais indivíduos, deixa de ser apenas mais uma assimetria. Torna-se um massacre. Uma covardia insuportável. 

A condenação midiática é muito mais perigosa, muito mais pesada, que a condenação judicial, porque a Justiça, mal ou bem, segue regras. A mídia, não. 

Os 23 ativistas, por exemplo, mesmo se condenados, não pegariam mais que três anos de prisão. Como são réus primários, poderiam responder em liberdade ou cumprir penas alternativas. O clima pesado de linchamento, porém, pressiona o Judiciário a mantê-los fechados num presídio. 

Ou a tratar garotos (talvez) apenas irresponsáveis como agentes perigosos da desordem e da subversão. 

Parte da esquerda governista permanece extremamente ressentida – com carradas de razão – pelas consequências negativas causadas pela violência nas manifestações. Criou-se um clima de instabilidade política e abriu-se espaço para uma forte reação conservadora. 

Entretanto, a gente viu o que aconteceu no ano passado. Não podemos fazer 23 bodes expiatórios, 23 garotos, pagarem por um fenômeno de massa. 

No auge dos protestos, um colunista do jornal O Globo divulgou em suas redes sociais que os depredadores eram os “únicos que o representavam”. Ele não apenas elogiava aqueles que depredavam lojas. Ele os alçava a condição de herois. 

Um âncora respeitado de uma grande emissora apareceu em vídeo conclamando a depredação de patrimônio público e privado. 

Um dirigente da Rede foi flagrado “pressionando” uma barra de ferro contra a estrutura do Itamaraty. 

Se é para condenar, então teríamos que prender todas essas pessoas. Prender garotos porque operavam redes sociais e convocavam pessoas a vir às ruas, ou prender uma advogada porque “emprestava” a casa para reuniões políticas, é loucura. 

A mídia insuflou as manifestações. Divulgava mapas, horários. O próprio twitter da Globo era sempre misteriosamente hackeado, e utilizado por supostos “rebeldes” para convocar protestos populares. 

O Globo chegou a dar quase página inteira a protestos de uma ou duas pessoas. 

A direita mastigou os manifestantes, bochechou-os e agora os cospe no meio da rua. E quer faturar eleitoralmente posando de paladina do “Estado Democrático de Direito”.

A violência política que finge abominar, a direita leva para a esfera judicial e midiática. Ao ridicularizar o desespero da advogada que pediu asilo ao Uruguai, a mídia pratica um sadismo maquiavelicamente calculado. Qual o sentido em aterrorizar uma pobre senhora? 

Tensionados, nervosos, assustados, alguns garotos se reúnem num canto da UERJ e repetem jargões marxistas, assim como fazem estudantes no mundo inteiro, sem nenhuma consequência prática, e o Globo descreve o encontro como se estivesse diante de um embrião da Al Qaeda. 

Por que o Globo criminaliza apenas os radicais de esquerda? 

E todos aqueles que pregavam a derrubada violenta do governo para implantação de uma nova ditadura militar? 

As redes sociais estão repletas de psicóticos violentos, a começar pelos comentaristas presentes nos próprios portais da grande imprensa. 

Cria-se uma enorme confusão. Os pais dos jovens presos não sabem o que está acontecendo. Até pouco tempo, seus filhos eram herois nacionais da mídia e da intelectualidade acadêmica. De um dia para outro, se tornam párias da sociedade. 

Como assim? A Folha de hoje revelou que todas as acusações contra os ativistas vieram de uma única testemunha de acusação. Não diz quem é. 

Os internautas me perguntam, perplexos: ora, Miguel, você acha que eles não fizeram o que fizeram? Você não vê que eles fizeram o jogo da direita? Deixe de ser “bonzinho”, Miguel! 

Um outro, fã antigo do blog, cancela a assinatura e diz que eu estou defendendo “fascistas”. 

Ora, a diferença entre um fascista e um não-fascista é justamente essa: em se tratando da defesa de um tratamento digno, por parte da mídia e do Estado, um não fascista defende até mesmo um fascista. 

Um autêntico democrata defende até mesmo o seu antípoda ideológico. 

Isso não quer dizer complacência com o crime. Se houver provas de que pessoas planejavam atos de violência, então que o caso seja julgado com rigor e bom senso, considerando o contexto e a temperatura política do momento. 

Me parece claro, todavia, que devemos evitar que haja contaminação política ou eleitoral de casos que envolvem a liberdade de cidadãos brasileiros. Os brasileiros precisam incorporar um dos princípios elementares do direito moderno e humanista: é melhor deixar mil culpados em liberdade, do que tolher a liberdade de um inocente.

Se havia medo de uma grande manifestação violenta no último dia de Copa, que se mantivessem os suspeitos sob vigilância durante as horas críticas. 

Não vale usar o argumento, este sim fascista, de que há milhares de pessoas presas injustamente no Brasil, então não deveríamos nos preocupar com mais esses 23. 

Não vale usar o argumento de Luis Barroso, ministro do STF, para negar prisão domiciliar a um cardiopata, alegando que há outros presos doentes que poderiam estar em domiciliar e não estão. Não é por aí. 

O objetivo de um Estado Democrático de Direito é reduzir as iniquidades, e não “democratizá-las”. Não há sentido em “democratizar” a injustiça. 

O Estado tem o dever de proteger a maioria de violências perpetradas por minorias. A democracia pressupõe a hegemonia da maioria. Mas pressupõe também o respeito absoluto aos direitos e à dignidade de todo cidadão. 

Por outro lado, os ativistas precisam ter consciência que eles também foram postos numa armadilha. O discurso de que vivemos uma “ditadura” é uma falácia. Não vivemos. Muito menos uma “ditadura do PT”. 

Os ativistas foram processados por um Judiciário independente. Independente, falho, conservador, vulnerável à pressão de uma mídia monopolista e antidemocrática. Mesmo assim, independente.

Importante frisar: eles ainda não foram condenados. Como partido de governo, o PT não pode e não deve aceitar as constantes provocações para que entre em conflito com o Judiciário. 

As condenações dos ativistas não são “culpa do PT” ou do ministério da Justiça. São decisões que emanam de magistrados com nome, sobrenome e ideias próprias. E a maioria dos juízes, por questão de classe, não gosta do PT. O PT não tem nada a ver com isso. 

O problema aqui é outro. O problema aqui é que vivemos um momento de acomodação democrática, de um lado, e de testes dos limites da liberdade, de outro. Testes que geram tensionamento político e social. 

Não há ditadura. Estamos sob uma democracia. Uma democracia repleta de injustiças, arbitrariedades, corrupção e monopólios. Uma democracia, enfim, como qualquer outra. 

Uma democracia onde se pode criticar qualquer governante e qualquer poder. 

Uma democracia onde se pode questionar, sim, uma decisão judicial. 

Uma democracia onde se pode protestar contra qualquer coisa, a qualquer momento, em qualquer lugar. 

Uma democracia onde não é (ou não deveria ser) crime fazer política. Onde não é crime assumir posições ideológicas, mesmo radicais. Onde não é crime ser militante político. Onde não é crime ser ativista. É crime, sim, depredar patrimônio público ou privado. Mas não é um crime político. É um crime comum. 

O único crime realmente político numa democracia é sabotar o processo democrático. Esse crime foi cometido há cinquenta anos, pelas mesmas empresas de mídia que usam o capital político e financeiro usurpados na ditadura para posar, hoje, de paladinas da democracia. 

Como que para provar minha tese, Merval Pereira cita duas vezes os blogs em sua coluna de hoje, tentando desqualificar o seu papel num debate politico plural. Não deixa de ser divertido ver a toda-poderosa Globo, com seus milhares de funcionários e seu faturamento de bilhões por ano, polarizar com blogs operados artesanalmente por cidadãos sem conexões partidárias, sindicais ou empresariais.

terça-feira, 25 de março de 2014

Ainda o "Moleque"


Do ministro Celso de Mello: 








“O exercício correto da liberdade de expressão dá ao jornalista o direito de manifestar crítica. Assim, a publicação de observações em caráter mordaz ou irônico, ou de opiniões em tom de crítica “severa, dura ou, até, impiedosa”, sobretudo contra figuras públicas, independentemente de ocuparem cargos públicos, não é passível de reparação civil. E mais:

“Nada mais nocivo, nada mais perigoso do que a pretensão do Estado de regular a liberdade de expressão (ou de ilegitimamente interferir em seu exercício), pois o pensamento há de ser livre, permanentemente livre, essencialmente livre”.

"É preciso advertir, bem por isso, notadamente quando se busca promover a repressão à crítica jornalística, mediante condenação judicial ao pagamento de indenização civil, que o Estado – inclusive o Judiciário – não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as ideias e sobre as convicções manifestadas pelos profissionais dos meios de comunicação social", disse ainda Celso de Mello em outro trecho da decisão.


            O texto acima, é parte da decisão do Ministro Celso de Mello em favor da editora Abril, em ação movida pelo ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz. Como não sou ave de rapina e bem conheço como agem determinados juízes e procuradores que pouco, ou quase nada entendem o significado da Liberdade de Imprensa me escudarei nesta decisão para defender o direito de usar a palavra, as ideias e manifestar minhas convicções de forma livre como me garante a Constituição Federal e assegura o ministro Celso de Mello, em histórica decisão.

Sei que a insistência de Tarcísio Pedreira, um prefeito “quixotesco”, na verdade um malabarista na arte da enganação recorrer à Justiça em processo de queixa-crime não visa, em princípio, a busca de reparação civil. Mas, sim censurar a Liberdade de Imprensa por meio do abuso de poder econômico. Já o conseguiu anteriormente ao prestar queixa-crime contra um jovem, obrigando-o a pagar-lhe R$ 500 por reparação civil. Tanto na primeira, quanto agora houve e há abuso de poder.

O jornalista Ali Kamel, o todo poderoso da Globo, também é vezeiro em abrir queixa-crime contra outros jornalistas que o criticam. De acordo com blogueiro Miguel do Rosário, do Cafezinho que o chamou de “sacripanta”, Kamel usa o poderio da globo para processá-lo por litigância de má fé, abuso de poder corporativo. É um tipo hediondo de assédio do poder econômico contra a Liberdade de Expressão”.

Levando-se em consideração a distância que existe entre um e outro (Tarcísio e Kamel), ambos procuram o mesmo objetivo: calar a voz que o critica. É colocar no colo da direita e de todos aqueles que se posicionam contra o Estado Democrático de Direito o crime de opinião. Não sem razão estamos vivendo um processo de intimidação contra a opinião crítica da mídia, como observou o blogueiro Miguel do Rosário.

Este artifício sórdido usado pelos detentores do poder, mesmo que provisório acaba se transformando num instrumento de intimidação contra os jornalistas que exercem o seu direito de crítica.

 Numa entrevista dada ao blogueiro Miguel do Rosário, Wadih Damous, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e presidente da Comissão da Verdade do Rio, afirma que “a doutrina em relação ao dano moral é quase unânime no sentido de que quando se trata de pessoa pública, quando se trata de alguém que desempenha cargo público, a esfera do dano é diferente de quando se está tratando com um cidadão comum”.

Segundo ele, a pessoa pública está exposta a isso. "Ela está sujeita à crítica, inclusive a crítica veemente. É claro que pode ter havido uma agressão desmedida, um abuso, mas isso tem que ser observado com muito cuidado, e só em casos extremos deve haver condenação".

De acordo com Damous, alguém que ocupa um cargo de destaque, num grande jornal, numa emissora de televisão, está sujeito a críticas. "Crítica veemente. E infelizmente o que nós temos visto em algumas decisões do Judiciário, aliás em muitas decisões do Judiciário, é chancelar essas tentativas de intimidação. A tentativa de calar a crítica. E isso não deixa de ter seu viés autoritário”.

E vai mais além: “E isso é o mais grave porque tem uma aparência de formalismo democrático. Formalmente, o réu dessas ações se defenderam normalmente, tiveram todos os seus prazos respeitados, constituíram advogado, são processos que tramitam normalmente. Mas o conteúdo dessas decisões acabam servindo de instrumento para intimidação. E isso é que é o pior: com um formato democrático. Tem uma aparência democrática, mas um fundo autoritário. O judiciário acaba se prestando, a partir dessas decisões, a ser um instrumento de intimidação, de calar as vozes críticas".

A queixa-crime aberta contra este editor por injúria na Delegacia de Polícia, pelo atual alcaide inclui-se neste rol de intimidações. Ao usar a palavra “Moleque” tomei o cuidado de dirigir-me a autoridade (prefeito) e não à pessoa. Escrevi que o prefeito Tarcísio Pedreira age como "moleque".

A palavra certamente não é culta, mas ela não se dirige à pessoa de Tarcísio Pedreira, mas ao prefeito de Queimadas. O contexto é político, portanto é uma crítica política ao comportamento e as ações do atual prefeito, como os fatos demonstram e não à sua personalidade.

Este é o recorte que faço a este tipo de intimidação. Sei o custo de levar adiante um processo, por mais simples que seja, na Justiça. Enquanto eu tenho que custear as despesas, o prefeito tem o respaldo do executivo para cobrir suas despesas. Mas não me calarei. Usarei o direito que a Constituição Federal me atribui para exercer o direito à crítica, ao uso da palavra, das ideias e de manifestar-me livremente por meio deste blog.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sentença: O caso Zacarias


Os bons manuais da doutrina jurídica nos diz que a sentença é o “ato ápice da atuação judicial e deveria ser, em todos os casos, ato de inteligência, sendo que a sentença transcrita não representa aquilo que se pode esperar, mormente em caso tão notório”.



O blog do Haroldo (www.queimadasbahia.blogspot.com) publica hoje a terceira e última parte da análise sobre a sentença prolatada pela juíza de Direito e Eleitoral, Manuela Rodrigues que considerou improcedente a ação de Impugnação de Mandato Eletivo por Abuso de Poder Economico e Captação Ilícita de Sufrágio movida pelo candidato do PT, André Andrade contra o atual prefeito Tarcísio Oliveira Pedreira e seu vice, Agripino Ramiro dos Santos.

Alguns partidários do atual gestor, que não passam de vermes que se alimentam de restos jogados pelo alcaide e seus assessores para garantir o elogio fácil; de criaturas já condenadas ao lixo e ao esgoto da história; de hipócritas que se alinham circunflexos ao que de pior poderia acontecer à história política e cultural de nossa terra; enfim, que não passam de bêbados trôpegos a vomitar asneiras sem um mínimo critério de decência e, o que é pior, de conhecimento. A esses que bradam ao vento contra este espaço democrático e ao seu editor a quem chamam de “jornalistazinho” direi apenas o seguinte:

Chutem “os Moinhos de Vento”. Esbravejem a selvageria. Respinguem a podridão da lama em que vivem. Mas, não esqueçam: o blog do Haroldo continuará na sua missão de denunciar os atos mais abjetos praticados por esta administração com a ajuda desses mesmos vermes.

“Lamport”; Aditivos nos transportes; Consultorias sem consultores, Calçamentos e, mais recentemente, empenho para aquisição de 700 fardamentos para o CRAS e o Peti no valor de R$ 42 mil, entre outras atitudes suspeitas que, supostamente, estão a sangrar o erário público em benefício de uns poucos, estão na mira deste espaço e, no tempo certo, trará a verdade aos leitores e à população de Queimadas.

Os poucos, mas fies leitores deste espaço, um esclarecimento: A análise da sentença não traz juízo de valor e não procura significados, ou seja, de que a Juíza Manuela Rodrigues propositalmente prejudicou um, ou beneficiou outro. Analisa apenas os fatos, mas considera que havia elementos para dar crédito às testemunhas. O ônus da prova, como escreveu na sentença, cabe ao acusador e, neste caso, oferece ao juiz um critério objetivo e seguro.

Mas lembremos que ao Cartório Eleitoral e à Delegacia de Polícia Civil foram entregues provas testemunhais e documentais de ocorrência de delito (compra de voto). Em que pese a abertura de inquérito a sentença nos dá uma prova de que não aferiu-se nada. Muito estranho este inquérito. Lá estavam as pessoas que conduziam o caminhão; a mercadoria apreendida; as testemunhas e, inclusive, o beneficiário, indicado por uma das testemunhas. Pelo que se deduz do texto da sentença, a não abordagem ao beneficiário anulou toda a prova. E o inquérito?

Hoje, o texto aborda a testemunha Zacarias Pereira dos Santos considerada pela digníssima Juíza Eleitoral como de total ausência de credibilidade. Como é do conhecimento do mundo mineral, como gosta de dizer o jornalista Mino Carta diretor de Redação da Revista Carta Capital, Zacarias Pereira dos Santos se expôs à fúria da Justiça ao se declarar corrompido.

Foi claro e duro (com ele próprio), ao reconhecer que havia vendido seu voto por R$ 1.500,00 ao candidato Tarcísio Pedreira, mas que só fez a denúncia porque o trato não foi cumprido: recebera apenas R$100,00 das mãos da irmã do candidato, Renata Pedreira, na própria casa do atual prefeito Tarcísio Pedreira quando o combinado fora R$ 1.500,00.

Para o Ministério Público e para a juíza Manuela Rodrigues isso não prova a compra de voto, mas, sim, que a testemunha não merece credibilidade. Na sentença, ela questiona as razões de a testemunha não ter feito a denúncia ao Cartório Eleitoral, ao MP ou à Delegacia de Polícia, ao receber os R$ 100,00 quando o acerto fora de R$ 1.500,00. Bom, eu não tenho dúvidas de que Zacarias Pereira dos Santos não denunciou porque ainda acreditava (por várias promessas) que receberia a quantia. Já para a justiça: vejamos.

“de forma surpreendente, a testemunha Zacarias Pereira do Santos afirmou perante esta magistrada que apenas resolveu denunciar o suposto fato criminoso ao autor, porque não recebeu a quantia de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), supostamente prometida pelo Primeiro Representado, em troca de seu voto. Então, este Juízo Eleitoral só pode concluir tranquilamente que se o Sr. Zacarias tivesse efetivamente recebido a quantia pecuniária de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), para consertar a sua motocicleta, estaria usufruindo-a alegremente, e, com certeza, não teria se arrependido de ter supostamente vendido o seu voto ao Primeiro Representado”.

É preciso dizer mais alguma coisa? Testemunho só é válido se a acusação não for vendeta? O achismo dessa conclusão chega a surpreender, aí, sim, à todos nós. Por ter recebido apenas uma parte do acerto (R$ 100,00) dos R$ 1.500,00 acertados Zacarias resolveu denunciar. Então, conclui a sentença: se tivesse efetivamente recebido a quantia pecuniária de R$ 1.500,00(hum mil e quinhentos reais), para consertar a sua motocicleta, estaria usufruindo-a alegremente, e, com certeza, não teria se arrependido de ter supostamente vendido o seu voto ao Primeiro Representado”.

Citado pela própria Magistrada, o artigo 41-A da Lei das Eleições preconiza que: “ Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a cinquenta mil UFIR, e cassação do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art.22 da Lei Complementar n.º 64, de 18 de maio de 1990.”

Diante deste artigo, Importam as razões de sua denúncia? É esta a prova que a Justiça procura? O que caracteriza o crime? As intenções? A suposição do que faria se recebesse o dinheiro prometido? Ou o fato de que um candidato a prefeito, em sua própria residência corroborou para comprar votos? Não seria esta a razão da busca da verdade? Por afirmar que recebeu parte do dinheiro, mas não denunciou de imediato porque esperava obter o restante é razão para descredenciar a testemunha?

Mas o blog do Haroldo vai mais longe. E publica, em primeira mão, o cerco feito pela mãe do prefeito, Maria Dolores, mais conhecida por “Mainha” e pelo motorista da família do atual prefeito, conhecido por Nido Morgado à Zacarias Pereira dos Santos muito antes de a testemunhar prestar seu depoimento em Juízo.

Lembro que tanto a magistrada quanto o Promotor Público tomaram conhecimento da perseguição movida por ambos para que a testemunha não comparecesse ao fórum para fazer a denúncia de compra de votos à favor de Tarcísio. Vejam o quanto é elucidativo estes trechos:

NidoTá tudo bem?
Zacarias:  Oi?
Nido: Vou dar uma pessoa que quer falar com tu ai, guenta ai.
Dolores:  Tu tá onde homem? É Dolores!
Zacarias:  Sim. Tô na roça
Dolores: Hum... Voce tá na Mangabeira mais Lurdes?
Zacarias: Não.
Dolores: Tá no Alto da Granja?
Zacarias: É.
Dolores: Tem como a gente conversar no mesmo lugar?
Dolores: Pra você levar um negócio pra sua mãe?
Zacarias: Mãe me ligou falou que alguém ia levar lá. Ela
Dolores: Hum...
Zacarias: Ai eu tô com, tô com uma viagem marcada com os meninos lá pra roça
Dolores: Que dia?
Zacarias: Hoje.
DoloresQue horas cê vai?
Zacarias: É pra nois sair seis horas.
Dolores: Hum... então passe aqui, ali mais Nido. Passe lá naquele lugar que eu vou mais Nido e eu lhe entrego. Viu?
Zacarias: Oi?
DoloresPasse lá, eu passo mais Nido dentro do Parque.

Os leitores devem estar se perguntando: Quais as razões de um encontro num local deserto e perigoso. E o que Dolores teria para entregar a mãe da testemunha que não pudesse ser feio em plena luz do dia e em local público? Mas continuemos ao cerco de Nido Morgado para que Zacarias se encontrasse com Dolores. Quando vocês ouvirem e lerem o total da fita vão perceber o cerco brutal a Zacarias, antes que ele fosse prestar seu testemunho.

Nesta segunda ligação Nido, sempre ao lado de Dolores é mais explícito. Vejam como:

Nido: Ei?
Zacarias: Oi?
Nido: Dr. André já viajou.
Zacarias: Ãhã
Nido: Pro exterior
Zacarias: Ãhã
Nido: E agora no dia 30 é a audiência, cê tá sabendo?
Zacarias: Eu?
Nido:  Rum
Zacarias: Não.
Nido: É no dia 30.
Zacarias: âh
Nido: A audiência, aí, ó! Ele viajou pro exterior ai o que acontece, nem aqui vai tá no dia da audiencia, tá entendendo?
Zacarias: Ãh.
Nido: Como se diz: quem quiser que se foda! Tá entendendo?
Zacarias: Ãhâh
Nido: Já viu como é que ele é²
Zacarias: Sei.
Nido: Rapaz! Ele quer que os “caba se lasque”, viu?
Nido: Voces ai que, esses cabas ai que eles pensam que vocês vão>
Zacarias: Ãhã
Nido: Ele foi pro exterior, tá vendo aí?
Zacarias: Ãh.
Nido: Aí só vem daqui a uns 20 dias.
Zacarias: Ãh.
Nido: E olhe lá. Ele não quer ninguém na audiência não. É no dia 30 agora.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tá vendo aí como é que ele é?
Zacarias: É.
Nido: Como quem diz eu vou deixar os cabas lá e ser testemunha lá e que se lasque prá lá, tá vendo? Tirou o “C” do ponto. Tá vendo aí?
Zacarias: Ãhãh
Nido: É rapaz, eu disse: vou ligar para o Zacarias pra ele ficar sabendo.
Zacarias: Ãh.
Nido: Se ele não tiver sabendo. Eu não se se tava ou não. Acho que tu disse não.
Zacarias: É, não.
Nido: Apois ele viajou. Foi pro exterior. Foi hoje.
Zacarias: Sim.
Nido: No dia 30 é a audiência e os advogados daqui do lado de Tarcísio veem de Salvador comendo de unhas e dentes para cima, viu?
Zacarias: Ãhãh
Nido: Os advogados do (inaudível)
Zacarias: Ãh.
Nido: Veem de Salvador virados, comendo com unhas e dentes.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Aí, Ó. Dr. André já viajou. Se picou, como quem diz aqui... Eu deixo eles ai na minha audiência esses lá que se lasquem. Tá vendo como eles são?
Zacarias: É.
Nido: É véio.

Sutileza? De forma alguma. Orientado por “Mainha” Nido pressiona abertamente Zacarias, lembrando, inclusive, que os advogados de Tarcísio viriam e acabariam com eles (as testemunhas). Será que a Magistrada realmente ouviu com atenção as quatro gravações? E se positivo, não deu para fazer um juízo de valor sobre o caráter das pessoas envolvidas? Pelo teor das ligações fica claro que Zacarias tenta forçar Dolores ou Nido a dizer o que ela queria com ele, sem sucesso. E continua:

Dolores: Tá trabalhando aonde?
Zacarias: Eu tô aqui no Alda Martins, mas já tô terminando e tô descendo.
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Oi?
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Tamos

            Estamos firmes em que? Bom, creio que ficou bem claro para todos que ela esperava contar (mesmo depois de tudo) com o silencio de Zacarias.

Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias Oi?
Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias: Olhe, é... Hoje tá meio embaçado porque saindo daqui eu tenho que fazer um, vou ter que colocar umas prateleiras lá em César. E aí ontem mesmo quando eu saí á era sete e tanto.
Dolores: Ah. Então deixe. Vá resolver sua vida.
Zacarias: Ãh.
Dolores: É no Bar de César, irmão de Roberto? Um que puxa da perna?
Zacarias: Como é que é?
Dolores: Um que tem um defeito na perna?
Zacarias: É em César. Que me chamaram pra fazer esse serviço. Saindo daqui eu já vou direto.
Dolores: Mas você faz de conta que não conversamos.
Zacarias: Ãh
Dolores: Sete horas a gente conversa. Nós dois.
Zacarias: Sim. Mas, como assim?
Dolores: Eu, voce e Nido, viu?
Zacarias: Zacarias: Sim. Mas é sobre?
Dolores: Depois que você acabar o serviço a gente conversa, viu?
Zacarias: Sim.
Dolores: Tá bom.
Zacarias: Mas, é sobre é, é...
Dolores: Não a gente conversa nós dois. É um segredo! Depois das sete, quando você acabar, viu?
Zacarias: Tá bom.
Dolores: Então cala a boca, então tchau.
Zacarias: Tchau.

Vejam como “Mainha” quer saber se o César era o Salgado, testemunha contra o filho dela. Observem como Zacarias insiste em saber de que se trata a conversa. Mas ela, que não é boba, desconversa e diz que é um segredo.

Acredito que não resta dúvida de que Zacarias Pereira dos Santos recebeu os R$ 100,00; que fez a denúncia por ter sido enrolado e, portanto, não recebeu os outros R$ 1.400,00; que Dolores (“Mainha”) e o motorista da família de nome Nido pressionaram Zacarias; que o encontro que tanto insistiram era para entregar o restante da quantia prometido; que, com isso, eles esperavam que ele não fosse testemunhar.

Claro que o blog do Haroldo sabe que uma prova como esta, entregue à Magistrada (mesmo durante uma audiência formal) não é levada aos autos por não ter sido (a gravação) autorizada pela Justiça. Mas é incrível que, num processo dessa envergadura, em que duas pessoas altamente interessadas no resultado do julgamento pressionem e tentem comprar uma testemunha do processo, o teor não possa ser considerado, mesmo que apenas para formar uma opinião sobres os envolvidos.


É assombroso e, ai sim, surpreendente, que a forma clara com que os personagens pressionam a testemunha com encontros sigilosos, em locais desertos e com promessa de entrega de bem material não despertasse na Justiça a suspeita de que Zacarias, ao gravar as ligações, não tivesse tido o intuito, exclusivo, de buscar a comprovação de que sua denúncia tinha e tem fundamento.


Degravação das ligações de Nido e Dolores para Zacarias do tel: Celular móvel 75 9927-838


1ª  LIGAÇÃO

Zacarias: Alô?
Nido:  E aí meu irmão?
Zacarias:  Diga
Nido: E ai Zacarias?
Zacarias: Diga
Nido:  Como é que tá meu irmão?
Zacarias: Tudo bem.
Nido:  Tá tudo bem?
Zacarias:  Oi?
Nido: Vou dar uma pessoa que quer falar com tu ai, guenta ai.
Dolores:  Tu tá onde homem? É Dolores!
Zacarias:  Sim. Tô na roça
Dolores: Hum... Voce tá na Mangabeira mais Lurdes?
Zacarias: Não.
Dolores: Tá no Alto da Granja?
Zacarias: É.
Dolores: Tem como a gente conversar no mesmo lugar?
Dolores: Pra você levar um negócio pra sua mãe?
Zacarias: Mãe me ligou falou que alguém ia levar lá. Ela
Dolores: Hum...
Zacarias: Ai eu tô com, tô com uma viagem marcada com os meninos lá pra roça
Dolores: Que dia?
Zacarias: Hoje.
Dolores:  Que horas cê vai?
Zacarias: É pra nois sair seis horas.
Dolores: Hum... então passe aqui, ali mais Nido. Passe lá naquele lugar que eu vou mais Nido e eu lhe entrego. Viu?
Zacarias: Oi?
Dolores:  Passe lá, eu passo mais Nido dentro do Parque
Zacarias: Eu vou mais.
Dolores: Viu?
Zacarias: Mas eu vou esperar os meninos ainda de de Celso mais Robson
Dolores:  Mas você vem ligeiro.
Zacarias: Ãh!
Dolores: É ligeiro. É ligeiro, é cinco minutos
Zacarias: Tá bom, eu tô ageitando um negócio aqui, quando terminar eu, eu vejo o que é que eu faço
Dolores:  E ai, como é que a ente faz, você liga pra Nido?
Zacarias:  Ãh?
Dolores: Voce liga pra Nido que eu vou mais Nido agora. É vapt vupt!
Zacarias: Eu tô terminando de ageitar um negócio aqui, uma fechara que eu arrombei a porta que minha irmã levou a chave, ai tô terminando aqui.
Dolores: E como é que faz?
Zacarias: Nun sei, que eu tô aqui ageitando a porta que eu, minha irmã levou a chave, esqueceu levou no bolso, ai em arrombei a porta para entrar.
Dolores: A que horas a gente se vê?
Zacarias: Só depois que eu chegar.
Dolores: Voce vai que dia?
Zacarias: Hoje.
Dolores:  Tá, e vem que dia?
Zacarias:  Hoje! Não sei o horário, mas eu volto hoje.
Dolores: Onde é essas Poças?
Zacarias: É no município de Nordestina. Perto do Jacú.
Dolores: Com certeza eu sei, é verdade.
Zacarias: Ãh!
Dolores:  Tá bom, então lhe aguardo.
Zacarias: Tá.
Dolores: Viu?
Zacarias: Tá.
Dolores: Então tchau.

2ª  LIGAÇÃO

Nido: E ai véi
Zacarias: Oi
NidoTá onde rapaz?
Zacarias: Eu?
Nido: Hãm!
Zacarias: Rapaz eu, ´, minha irmã chegou ontem, ai precisou vim. Ai vim trazer ela aqui pra pegar um documento que ela viaja quinta-feira ao só volto na quinta.
Nido:  Pra onde?
Zacarias: Pra ai.
Nido: Tá onde ai?
Zacarias: Eu?
Nido: Rum!
Zacarias: Agora eu tô na casa de Minha Tia
Nido: Dona Antoninha?
Zacarias: Ham?
Nido: Onte?
Zacarias: Onte?
Nido: Rum!
Zacarias: Se eu fui ontem?
Nido: Sim, tu disse que ia lá para casa de tua ti. Num sei que lá no Rio D`´Agua
Zacarias: Ô não, ontem eu fui na farmácia comprar um remédio que estou com o estomago doendo.
Nido: E ai  tá melhor não da dor de estomago?
Zacarias: T^nada.
Nido: É Zacarias você tem que ter cuidado rapaz. Fazer uns exames disso ai, véi.
Nido: Agora mesmo eu tava deitao
Zacarias: Rapaz você tem que fazer uns exames. Oí você sabe quem é o Aloizio irmão de “Dundum”?
Nido: Sei não.
Zacarias: Irmão de “Dundum” esse que tem um barzinho  aí junto de Zacarias, aí que tem negócio de jogo?
Nido: Ah!, em sei: Filho do velho Henrique.
Zacarias: Hãhã
Nido:O “Dundum” é irm]ao do Aloizio. Sabe quem é Aloizio?
Zacarias: Sei
Nido:  Eçe tava bem assim rapaz, com uma dor de estomago e quando foi ve era uma doença ruim, viu?
Zacarias: Ahã.
Nido: Ele ta: Te que ter cuidado fazer uns exames rapaz.
Zacarias: É
Nido: Só negócio de remédio sem saber o que é amigo
Zacarias: É, já fiz exames, tomei remédio e não fiquei
Nido: E ai não ficou bom não?
Zacarias: Fiquei, mas voltou de novo. É um problema
Nido: É. É um negócio. Tem que ter cuidado
Zacarias: É
Nido: É uma dor retada. Cê tá doid? Uma vez bebi uma água num tanque, eu tinha uns 18 anos, rapaz, fiquei doido. É Deus que o méico que tinha qui era doutor Reinaldo aí ele me deu um reméio e eu fiquei bom.
Zacarias: Hunrum!!
Nido: Ei?
Zacarias: Oi?
Nido: Dr. André já viajou.
Zacarias: Ãhã
Nido: Pro exterior
Zacarias: Ãhã
Nido: E agora no dia 30 é a audiência, cê tá sabendo?
Zacarias: Eu?
Nido:  Rum
Zacarias: Não.
Nido: É no dia 30.
Zacarias: âh
Nido: A audiência, aí, ó! Ele viajou pro exterior ai o que acontece, nem aqui vai tá no dia da audiencia, tá entendendo?
Zacarias: Ãh.
Nido: Como se diz: quem quiser que se foda! Tá entendendo?
Zacarias: Ãhâh
Nido: Já viu como é que ele é²
Zacarias: Sei.
Nido: Rapaz! Ele quer que os “caba se lasque”, viu?
Nido: Voces ai que, esses cabas ai que eles pensam que vocês vão>
Zacarias: Ãhã
Nido: Ele foi pro exterior, tá vendo aí?
Zacarias: Ãh.
Nido: Aí só vem daqui a uns 20 dias.
Zacarias: Ãh.
Nido: E olhe lá. Ele não quer ninguém na audiência não. É no dia 30 agora.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tá vendo aí como é que ele é?
Zacarias: É.
Nido: Como quem diz eu vou deixar os cabas lá e ser testemunha lá e que se lasque prá lá, tá vendo? Tirou o “C” do ponto. Tá vendo aí?
Zacarias:Ãhãh
Nido: É rapaz, eu disse: vou ligar para o Zacarias pra ele ficar sabendo.
Zacarias: Ãh.
Nido: Se ele não tiver sabendo. Eu não se se tava ou não. Acho que tu disse não.
Zacarias: É, não.
Nido: Apois ele viajou. Foi pro exterior. Foi hoje.
Zacarias: Sim.
Nido: No dia 30 é a audiência e os advogados daqui do lao de Tarcísio veem de Salvador comendo de unhas e dentes para cima, viu?
Zacarias: Ãhãh
Nido: Os advogados do (inaudível)
Zacarias: Ãh.
Nido: Veem de Salvador viraos, comendo com unhas e dentes.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Aí, Ó. vDr. André já viajou. S picou, como quem diz aqui... Eu deixo eles ai na minha audiência esses lá que se çlasquem. Tá vendo como eles são?
Zacarias: É.
Nido: É véio.´
Zacarias: É complicado.
Nido: É.
Nido: Ei?
Zacarias: Oi.
Nido: Me diz o que?
Zacarias: A mulher queria o quê falar comigo?
Nido: Sei não. Ela queria lhe ver, pô.
Zacarias: É.
Nido: Alguma coisa, alguma ajuda que você esteja precisando, não sei.
Zacarias: Nido: Ela disse: Nido você vai ver o menino? Eu disse: Vou ver.
Nido: Aí eu disse a ela: Rapaz ele disse que está comprando uns remédios na farmácia, mas não sei se comprou.
Zacarias: Ãhãh
Nido: Comprou?
Zacarias: Comprei.
Nido: Que remédio é que tu toma Zacarias?
Zacarias: Eu comprei uns remédios tipo umas pastilhas lá que eu não podia comprar outro prá botar na boca na hora que tver
Nido: Rapaz, você tem que fazer uns exames, ficar tomando esses remédios assim não é bom não, véi.
Zacarias: É
Nido: Como é o nome da mulher que tu foi ontem, tua parente, lá do Rio D´Àgua, que tu disse que ia?
Zacarias: Da mulher que fui ontem?
Nido: Hum
Zacarias: Eu fui na farmácia. Eu fui, eu tava lá prá roça
Nido: Lá no Rio D´Água?
Zacarias: Sim.
Nido: Como é o nome da mulher?
Zacarias: Ai voltei logo. Fui na farmácia e era pra eu voltar, mas não voltei não tava ruim como o estomago doendo.
Nido: Como é o nome da mulher que você disse que ia lá?
Zacarias: É minha irmã.
Nido: Como é o nome?
É Rafaela.
Nido: Õ Rafaela. ´E mesmo.
Nido: (Risos) pelejei para me lembrar ontem rapaz, não teve jeito. Não conseguiu lembrar o nome da mulher.
Zacarias: É Rafaela.
Nido: É irmão dele, ´\e Rafaela (Diz ele a outra pessoa no carro)
Zacarias: É
Nido:  Ei Vou ligar mais tarde, mas aí voi conversar com a velha aqui para ver.
Zacarias: Ãhãh.
Nido: Pra ver o que ela quer com tu. Tá bom?
Zacarias: Ãhãh, tá bom.
Nido: Rapaz não oma gordura não que você se lasca.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Nem farina.
Zacarias: Eu não tô comendo é nada que eu não tô com vontadem nem
Nido: E é rapaz?
Zacarias: É
Nido: Tem que ter cuidado.
Zacarias: É
Nido: É rapaz é um negócio sério.
Zacarias: Umhum
Nido: Óia razpaz?
Nido: Eu vou, eu vou conversar com ela (Dolores ou a velha como quiserem) e mais tarde te ligo, tá?
Zacarias: Tá bom.
Nido: Falou. Tu tá onde agora?
Zacarias: Eu agora ô perto de Itiúba, na casa de minha...
Nido: É, na Mangabeira?
 Zacarias: [E no Iaçu.
 Nido: No Iaçu?
Zacarias: É.
Nido: É oerto, esse Iaçu aí, é peto do coisa?
Zacarias: Perto do Cercainho
Nido: Do mercadinho?
Zacarias: Cercadnho.
Nido: Cercadinho?
Zacarias: É
Nido: Tá chovendo ai, tá chovendo?
Zacarias: Aqui tá garoando.
Nido: Ãhãh
Nido: Tu tá em Iaçu, né?
Zacarias:  É
Nido: Perto da Mangabeira? Prá lá ou prá cá?
Zacarias: É pá lá. É prá cá muito da Mangabeira. Perto de Itiúba, chegando em Itiúba.
Nido: Como é o nome? Iaçu?
Zacarias: É
Nido:
Como é o nome de tua tia aí?
Zacarias: É Maria Lúcia.
Nido: Maria Lúcia?
Zacarias:  É.
Nido: Iaçu, né?
Zacarias: É
Nido: Maria Lúcia. Tá jóia. Tá chovendo aí não t´s?
Zacarias: Tá.
Nido: Ai é estrada de chão, mesmo, né?
Zacarias: É.
Nido: Apois tá bom. Mais tarde eu vou ligar. Eu te ligo para ver.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Tá jóia.
Zacarias: Tá

3ª GRAVAÇÃO

Zacarias: Alô?
Nido: E aí meu irmão?
Zacarias: Diga
Nido: Tá onde rapaz?
Zacarias: Oi?
Nido: Onde tu anda?
Zacarias: Eu?
Nido: Ãh.
Zacarias: Rapaz eu tô na cidade, fazendo um serviço aqui.
Nido: Tá ai onde?
Ãh.?
Nido: Voce tá onde?
Zacarias: Tô aqui no Alada Martins fazendo um serviço aqui. Tô terminando.
Nido: Tá valeu. Tá no Alda Martins
Zacarias: Ãh
Nido: Cadê o velho Gonçalo?
O Velho Gonçalo ligou para mil neste instante. Tá com pouca hora.
Nido: Teve lá hoje?
Zacarias: Oi?
Nido: Teve lá hoje no véio Gonçalo?
Zacarias:  Não, sem temo esses ias. Já dpis dias que eu tô trabalhando.
Nido: NNNNNNNN
Zacarias: Oi?
Nido: A mulher quer conversar com você.
Zacarias: É o quê que ela quer fala comigo?
Nido: Sei não. Lá naquela estrada que nós fomos.
Zacarias: Sim
Nido: Ãh tu pode que hora?
 Zacarias: Rapaz eu na sei porque aqui eu tenho que voltar. Tenho que terminar de botar umas prateleiras lá em César. Na hoa que eu sair daqui, eu não sei que horas em termino.
Nido: Vai passar primeiro em cesar?
Zacaias: É
Nido: Umas seis horas rapaz.
Zacarias. Eu não sei. Lá ontem eu sai umas sete e tantas já.
Nido: Nesse horário, aí.
Zacarias: Oi?
Nido: Esse horário ai. Ãh?
Zacarias: Mas ela não, não. Mas assim o que assim que ela?
Nido: Não si não, ela quer falar com tu um negócio lá.
Zacarias: É
Nido: Acho que ela vai de dar alguma coisa.
Zacarias: Alguma coisa, como assim?
Zacarias: Alguma coisa, como assim. Porque num...
Nido: Eu não sei.
Zacarias: Oi?
Nido: Eu não sei rapaz.
Zacarias: Ãh.
Nido: Tô com ela aqui.
Zacarias: Oi?
Dolores: Homem onde tu anda? Onde tu anda homem?
Zacarias: Eu?
Dolores: Sim.
Zacarias: Eu tô, eu tava doente, assei uns dias doente e ois dias tô trabalhando. A recisão obriga.
Dolores: Tá trabalhando aonde?
Zacarias: Eu tô aqui no Alda Martins, mas já tô terminando e tô descendo.
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Oi?
Dolores: Nós tamos firmes?
Zacarias: Tamos
Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias Oi?
Dolores: Que horas nós conversa hoje?
Zacarias: Olhe, é... Hoje tá meio embaçado porque saindo daqui eu tenho que fazer um, vou ter que colocar umas prateleiras lá em C´sar. E aí ontem mesmo quando eu saí á era sete e tanto.
Dolores:
Ah. Então deixe. Vá resolver sua vida.
Zacarias: Ãh.
Dolores: É no Bar de C´sar, irmão de Roberto? Um que puxa da perna?
Zacarias: Como é que é?
Dolores: Um que tem um defeito na perna?
Zacarias: É em César. Que me chamaram pra fazer esse serviço. Saino daqui eujá vou direto.
Dolores: Mas você faz de conta que não conversamos.
Zacarias: Ãh
Dolores: Sete horas a gente conversa. Nós dois.
Zacarias: Sim. Mas, como assim?
Dolores: Eu, voce e Nido, viu?
Zacarias: Zacarias: Sim. Mas é sobre?
Dolores: Depois que você acabar o serviço a gente conversa, viu?
Zacarias: Sim.
Dlores: Tá bom.
Zacarias: Mas, é sobre é, é...
Dolores: Não a gente conversa nós dois. É um segredo! Depois da sete, quando você acabar, viu?
Zacarias: á bom.
Dolores: Estão cala a boca, então tchau.
Zacarias: Tchau.

4ª GRAVAÇÃO

Nido: Oi?
Zacarias: Oi.
Nido: E ai véi?
Zacarias: Diga?
Nido: Como é que tá? pô. Bom?
Zacarias: Tudo bem.
Nido: Como é que tá as coisa?
Zacarias: Rapaz, mais ou menos.
Nido: Ãhãh
Zacarias: Daquele jeito.
Nido: Tá onde?
Zacarias: Eu?
Nido: Ãh.
Zacarias: terminando um serviço aqui.
Nido: Terminou não?
Zacarias: Ãh?
Nido: Cadê o estomago, melhorou? Melhorou o estomago mais?
Zacarias: Tô bem melhor, Graças a deus.
Nido: É, não pode comer farinha não, pô? Nem gordura,.
Zacarias: É.
Nido: Cê tá na casa de coisa, é?
Zacarias: Quem?
Nido: De...como é o nome? Sergio?
Zacarias: Eu tô terminando um serviço aqui.
Nido: Terminando um serviço? Aonde é que tu tá ai?
Zacarias: Oi?
Nido: Aonde é?
Zacarias: Oi?
Nido: Ela queria falar com tu ontem de noite, umas sete horas.
Zacarias: Foi, ela me disse.
Nido: Lhe disse foi?
Zacarias: Falou mais não, eu esquecei, terminei, tava trabalhando também, ai parei uma sete e meia.
Nido: E hoje, você conversa com ela? Ela quer falar um negócio.
Zacarias: Hoje?
Nido: Hã.
Zacarias: Rapaz, é que horas?
Nido: de noite, umas seis horas, seis e meia, na hora que você terminar ai.
Zacarias: Uhumhum, tá certo.
Nido: Tá bom?
Zacarias: Tá bom.
Nido: Vá naquele lugar, sabe?
Zacarias: Oi?
Nido: Voce sabe, história aqui ó? (...)
Zacarias: Como é que é?
Nido: Lá naquela pista, aqui pelo Parque da Vaquejada.
Zacarias: Ãhãh.
Nido:
Tu vai que horas? Que hora tu marca?
Zacarias: Eu não sei. Não posso dizer.
Nido: Hã.
Zacarias: Não posso dizer o horário. Não que que eu não...
Nido: Que horas é?
Zacarias: É?
Nido: Hum!!!
Zacarias: Eu não posso dizer o horário não porque às vezes eu não sei também.
Nido:  Eu marco aqui. Eu voou passar pra ela pra dizer que horas tu pode ir.
Zacarias: Ãh.
Nido: Ó, ela disseque na hora que tu puder, cê dá um toque aqui pra mim.
Zacarias: Se eu esquecer, poxa é melhor...
Nido: Eu lhe ligo, eu lhe lembro.
Zacarias: Tá bom.
Nido: Viu?
Zacarias: Tá.
Nido: Eu lhe lembro.
Zacarias: Sim, mas é sobre o que?
Nido: Não seu rapaz. Não sei o que ela quer falar com tu não. Viu?
Zacarias: Ãh?
Nido: Aí te dou um toque na base de umas seis horas.
Zacarias: Tá certo.
Nido: Tá jóia.
Zacarias: Jóia.
Nido: Tá bom, falou.
Zacarias: Tá, valeu.
Nido: Até logo.
Zacarias: Tchau.