José Batista da Silva. Eis, aí, um homem que marcou o seu tempo. Ah! e que tempo. Uma flor que nasceu, desabrochou e reinou por longos 96 anos (seriam completados no dia 17 de outubro) nesta terra de homens e mulheres áridos e marcados pela inclemência do tempo. Já não serão as mesmas, as noites embaixo do pé de fícus do Bar de Osvaldo. Já não serão os mesmos, os tons das conversas políticas de Ademar e André e as flamenguistas de Charles. Já não terão a mesma sonoridade os cantos de Geni, Josiel e Litinho. Já não será mais farto o sorriso e o gargalhar do próprio Osvaldo. Silenciou o seu relógio disputado por tantos? Acredito que não.
Cada badalar das horas nos lembrará a sua presença diária sentado ao lado e sempre atento ao teor das discussões. Perdeu, também, Dilma Russef a candidata do PT à Presidência da República. Lula tinha em José Batista da Silva um seu defensor intransigente. E ai daquele que falasse mal de Lula: “quem vai contra o povo não tem como ganhar eleição” vaticinava com a sabedoria de quem passou por vários pleitos sempre que alguém criticava, por exemplo, o Bolsa Família, o Luz para Todos ou o próprio presidente Lula.
O Passarinho do pé de fícus do Bar de Osvaldo está triste. É como se perdesse sua bússola. Isso, porque, José Batista da Silva era a referencia daquelas discussões. Era o Marechal da integridade. Lá ele não ficaria se a discussão (o que nunca ocorreu) descambasse para a mediocridade; para a grosseria; para os ataques pessoais; para a mentira e os xingamentos.
José Batista da Silva era o padrão de moralidade, de serenidade. Sua presença impunha a todos nós o respeito, não a ele, mas a todo ser humano. Era aquele portal que se abre para os homens de boa vontade. Agora, um outro portal se abriu para ele. O Portal Celestial. Sim, porque uma figura deste calibre não teria outro caminho a seguir que não fosse o da Luz. E acredito, firmemente, que as trombetas soaram à sua chegada neste outro reino.
Desencarnou Cazuza, este o seu nome verdadeiro para todos os queimadenses. Partiu de repente sem que déssemos permissão. Sem que eu tivesse uma última oportunidade de apertar-lhe as mãos e de dar-lhe a última boa noite. Como Queimadas desaprendeu ou nunca soube reverenciar seus vivos, é mais do que provável que, também, não o faça com seus mortos.
Mas nós freqüentadores do pé de fícus do Bar do Osvaldo não teremos como esquece-lo, ou deixar de reverenciá-lo. Queiram os mais renitentes, ou não, sua presença estará sempre ao nosso lado, mesmo que, com o tempo, desbote, empalideça. Mas quando a discussão tentar descambar para a desqualificação um sinal se ouvirá ou se verá. Será ele a alertar-nos de sua presença apontando o rumo e o tom certos da conversa.
Adeus, Cazuza o homem que morreu, como viveu: com dignidade.