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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Joaquim Barbosa veste Prada


O "Diabo veste Prada"


Por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo 


Nosso parisiense

E ficamos sabendo pela revista da qual Joaquim Barbosa é ídolo que, mesmo na Europa, ele acompanha tudo que se fala a seu respeito.

Pela Veja, ele mandou uma resposta ao advogado de João Paulo Cunha, que numa boa tirada dissera que ele fora dar um rolezinho em Paris.

JB disse que o advogado foi “desrespeitoso e preconceituoso”. Acusou-o de provincianismo por ignorar que “há 35 anos” frequenta a cidade.

Temos então que JB se considera um parisiense, ou quase. E parece acreditar que todos devem saber disso.

Não existe nada mais provinciano do que se gabar de ser um semiparisiense, ou coisa que o valha.

Mas JB parece gostar de projetar nos outros o que vê no espelho. Um artista no ofício de desrespeitar, ele acusou o advogado de ser desrespeitoso.

Isso no mesmo dia em que desrespeitou colegas de STF ao dizer que eles deveriam ter mandado prender Cunha. Transferiu, sem a menor cerimônia, um gesto seu de incompetência e desmazelo – esqueceu de assinar a prisão de Cunha — para os outros.

A impressão que se tem é que JB acreditou na adulação da mídia, por incrível que pareça, e se considera mesmo o menino pobre que mudou o Brasil.

A verdade é que ele não mudou sequer o Supremo, que sob sua presidência mais parece um circo do que um tribunal, mas mesmo assim ele transmite a impressão de se ter na conta de um transformador, de um inovador.

Quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington. E o fato é que JB parece acreditar, o que mostra sua envergadura intelectual.

A melhor imagem do rolezinho parisiense de JB foi uma foto que viralizou na internet sob o título de “O Diabo Veste Prada”.

Nela, nosso magistrado aparece não numa das celebradas livrarias parisienses, não num dos tão conhecidos debates filosóficos de Paris – mas fazendo compras (Posivelmente com o dinheiro das diárias - nota do edtor) numa loja com artigos da Prada, com um chapéu que ele deve achar lhe dá o ar de um parisiense refinado, e não de um turista ávido por torrar euros.

Também pela revista que o idolatra, descobrimos que alguém lhe perguntou em Paris se seria candidato à presidência em 2014. Melhor: ele disse a alguém da Veja que lhe perguntaram isso.

Bem, seria até engraçado ver JB enfrentar o teste das urnas e dos debates, em que ficaria exposto a questionamentos sobre tantos absurdos que comete, dos 90 mil reais da reforma dos banheiros do apartamento funcional às diárias embolsadas durante as férias na Europa.

Mas ele não tem votos senão num grupo conservador que não tem conseguido eleger sequer prefeito em São Paulo.

É mais fácil imaginá-lo, no futuro, dando novos rolezinhos na Europa (Mas, ai sem as diárias pagas por nós como estas "férias"- nota do editor).

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Cobrada punição para chefes militares


Atitude dos Chefes Militares mostra que ambos apoiam o Golpe de 64, a tortura e morte


Por Kennedy AlencarDo blog do Kennedy


Chefes das 3 Forças se recusam a bater palmas na devolução do mandato de Jango

A presidente Dilma Rousseff deveria punir os três chefes das Forças Armadas que envergonharam o país nesta quarta (18/12) no Congresso Nacional.

O general Enzo Peri, do Exército, o brigadeiro Juniti Saito, do Aeronáutica, e o comandante Julio Soares de Moura Neto, Marinha, não bateram palmas no momento em que o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu simbolicamente o mandato do presidente João Goulart a João Vicente, seu filho.

Comandantes militares devem prestar continência ao poder civil. O gesto deles dentro da Casa que faz as leis é de uma ousadia e de uma insubordinação que não combinam com a democracia. Não deveriam ter comparecido. Seria melhor do que a desfeita. Merecem uma reprimenda da presidente Dilma ou do ministro da Defesa, Celso Amorim.

O Congresso Nacional completou uma decisão importantíssima: decretou oficialmente a ilegalidade do regime que se instarou no Brasil com o golpe militar de 1964.

O Legislativo federal já havia anulado a sessão de 2 de abril de 1964 que declarou vaga a Presidência porque Jango estava no exterior. Nesta quarta, houve a devolução simbólica do mandato de Jango.

Essas duas decisões jogam a ditadura na mais pura ilegalidade. Elas colocam fim a um simulacro jurídico para tentar legitimar um golpe de Estado. Houve em 1964 um atentado contra a democracia.

Não havia risco de golpe de esquerda. Atribuir à eventual inabilidade política de Jango razão para matar a democracia é um argumento asqueroso.

Não houve revolução no país. A “redentora”, como costumam dizer seus defensores, foi um dos períodos mais tristes da nossa história. Perseguiu, prendeu, torturou e matou cidadãos que recorreram ao legítimo direito de resistência contra uma tirania.

A luta armada cometeu erros. Matou gente inocente. Mas não há comparação entre o terrorismo de Estado e as ações de grupos que lutaram contra a ditadura militar. Os erros da luta armada são de pessoas. Os da ditadura, do Estado brasileiro.