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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Rapazes do “FT”, leiam Charles Dickens. Nós somos populistas ou vocês são monstros?





Por Fernando Brito, Tijolaço


Leio que os “sabe-tudo” do Financial Times chamaram de ”passo populista” o aumento de 10% anunciado pela Presidente Dilma Rousseff aos beneficiários do Bolsa-Família.

É preciso traduzir para os que acreditam nos jornalistas econômicos o que isso significa.

R$ 7 reais a mais por mês para a grande maioria, que recebe o valor básico, hoje de R$ 70 mensais. Ou uma moeda de R$ 0,25 por dia, assim mesmo faltando dois dias para completar o mês.

Mesmo os maiores benefícios, que são dados – meu deus! – aos que não têm renda mas tem cinco filhos pequenos e mais dois jovens de 16/17 anos, vão receber 36 reais a mais num mês, pouco mais que um real por dia.

Em nome de cada um destes desvalidos, o Brasil não dá um, mas milhares de passos “juristas”. Por cabeça, paga mais de mil reais de juros por ano aos “homens bons” do capital, na forma de juros, sem que isso provoque críticas do mundo financeiro, exceto por ser ainda pouco.

Será que os “meninos” do Financial Times leram o grande Charles Dickens, um dos orgulhos da literatura inglesa?

Se não, trago um trechinho, para que lhes arda a consciência, daexcelente tradução de Machado de Assis.

Os membros do conselho da administração eram homens profundamente filósofos. Examinaram o asilo da mendicidade e descobriram repentinamente aquilo que os espíritos vulgares nunca chegaram a descobrir; isto é, que os pobres nadavam em prazernaquele estabelecimento. As classes pobres, no pensar daqueles senhores, tinham ali uma casa de recreio, uma taverna em que não se pagava nada, almoço, jantar, chá e ceia — em suma um verdadeiro paraíso de tijolos onde se gozava de tudo sem trabalhar. 

— Olé — disse o conselho consigo —, vamos pôr estas coisas em seus lugares; vamos acabar com isto.

Imediatamente estabeleceram como princípio que os pobres pudessem escolher (não se forçava ninguém) uma destas coisas: ou morrer de fome lentamente se ficassem no asilo, ou morrer de repente se saíssem para a rua. Para este fim contratou o conselho com a administração das águas uma quantidade ilimitada delas e com um mercador de trigo a remessa de um pouco de farinha de aveia em períodos determinados; concederam três pequenas rações de mingau por dia, uma cebola duas vezes por semana e a metade de um pão nos domingos.

(…)

A princípio foi um pouco dispendioso o tal sistema; era preciso pagar mais a empresa funerária e apertar a roupa dos pobres que emagreciam descomunalmente depois de uma semana ou duas de mingau; mas o número dos habitantes do asilo de mendicidade 
diminuiu muito e os administradores estavam no sétimo céu.

Os nossos “membros do conselho de administração”, como o pró-homem de Aécio Neves, Armínio Fraga, que acha que os salários estão muito altos, deveriam receber um livrinho do Dickens.

Talvez, para gastar menos, pudessem assistir á versão cinematográfica, de Roman Polanski, porque talvez achem meio “arcaico” ler romances.

Um ou outro, que seja, para doer em suas almas, se as têm, “medidas impopulares” que sugerem.

Quanto a nós, que lendo ou não lendo Dickens, não aceitamos ver seres humanos passando fome, temos de perder o medo de dizer-lhes o que são, os “anti-populistas” que conseguem ter a coragem de reclamar de uma moedinha a um miserável.

Dizer-lhes que são monstros.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sobre o jantar oferecido a Aécio na casa de João Dória

O trio pateta




Por Motta Araujo, no blog de Luis Nassif

AÉCIO E O ALMOFADINHA - Será que o presidente e candidato do PSDB não tem informações sobre quem é quem em São Paulo? Pagina inteira na Monica Bergamo de hoje, com muitas fotos tendo no epicentro o Rei do Esnobismo que ofereceu sua casa, misto de residência e salão de eventos para colocar Aécio na vitrina.

Questão: Aécio já tem os votos de 95% dos que estavam lá, não precisa batalhar nessa franja social. Aécio precisa conquistar a imensa classe média média, média baixa e classe C de São Paulo e esse universo não tem nada a ver com almofadinhas, aliás os detesta. Também a estranhar e muito, Monica Bergamo gastando uma página com esse corte de Versalhes desfilando, será que não há assunto mais importante, fica bem estranho esse palanque de veludo nos Jardins merecer tal espaço nobre, qual a importância do evento, revela que Aécio é aprovado pelo "high" paulistano?

Um Dória não se leva a tiracolo, é ele que usa o convidado, não é o convidado que usa ele. Dono de um bem sucedido negócio de eventos, é a partir dos convidados que ele monta sua engrenagem de relacionamentos, promove encontros de gente que subiu financeiramente na vida mas não socialmente, porque são pessoas em geral de origem simplizinha, então pagam para serem apresentados a "gente importante" em fins de semana a beira mar, com direito a presentes com papel de oncinha para a dona Xepa que quer ser "chique".

Nos últimos eventos Dória não conseguiu levar autoridades top de Brasília, sua identificação com os tucanos só aumenta mas Aécio está dando um tiro errado em andar com esse vendedor de granfinismo, ele mesmo não sendo um grã-fino, apenas uma caricatura do tipo. A foto de Aécio tendo Dória a um lado e Armínio Fraga é antológica, o PT vai suar na campanha, é o "tiro do marmiteiro" que liquidou a candidato Eduardo Gomes em 1950, mostrar indiferença pelos pobres é fatal no Brasil.

Aécio teria um espaço em São Paulo mas está bem mal acompanhado, por um lado um governador que carrega um caixão de chumbo, a iminente falta d´agua e problemas cada vez mais preocupantes com metrôs, segurança e o caso Alstom, por outro lado não conseguiu achar em São Paulo caras boas e palatáveis, agarrar-se no sueter "blasé" largado nos ombros do granfinismo de São Paulo não vai levar o mineiro a lugar nenhum, esse pessoal dá azia no eleitor, pode-se governar com essa turma mas não se carrega gente cheirando a lavanda inglesa em campanha.

São Paulo é um centro de pensamento, de universidades, de professores, de boas ideias, de arte, essas seriam as companhias virtuosas e não o animador dos novos ricos de São Paulo.

Aécio deveria aparecer com grandes médicos, grandes arquitetos, com artistas, cineastas, escritores de S.Paulo, visitar universidades conversando com estudantes, visitar hospitais conversando com médicos e pacientes, visitar centros de pesquisa, São Paulo vibra nesses locus que congregam a linha de frente da nova sociedade..

Uma página inteira abraçado ao Dória e ao Armínio na FOLHA? Dilma já tem aí uns 500 mil votos a mais, eleitor paulista tolera até Tiririca mas não esses purgantes se pavoneando com o candidato, cruz credo, mangalô treis vez.

Vai catimbar votos na casa de eventos do Dória? São poucos no universo eleitoral e já são seus, Aécio vai virar matéria firma de prospectos para "workshops" à beira mar, com direito à presentinhos embrulhados em papel de oncinha. O voto está nas ruas, na 25 de Março, nas fábricas, nos hospitais publicos, nas más escolas, não no "Chez Doriá", meus sais.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Programa do Aécio é o FHC depois da lipo


Aécio é da categoria “qualquer um deles, desde que não seja a Dilma”.
O PiG (*) cada vez menos cheiroso, o jornal Valor, publica uma síntese do pensamento (sic) econômico do candidato Aécio Never.

Extraído do blog de Paulo Henrique Amirom

O problema começa no título: o economista que faz a cabeça do Aécio é o grande empresario Alexandre Accioly, amigo e compadre de Aécio. Accioly é dono da rede de fisiculturismo Bodytech, na zona Sul do Rio (onde mais seria ?), e tem uma filosofia empresarial que replica a do amigo e compadre: 

“Não cuido de nada: deixo tudo com os meus sócios”

Foi o que fez Aécio em Minas: deixou tudo com o Anastasia e a irmã. O Valor omitiu esse grande pensador na lista dos que fazem a cabeça do Aécio. Omite também o Príncipe da Privataria, o que substituiu Tancredo na posição de demiurgo do Aécio.

Como se sabe, depois de Ulysses tanto insistir, Tancredo ofereceu a Fernando Henrique o cargo de “Ministro da Articulação Sociológica do Governo no Congresso”. O cargo correspondia a ter uma sala, uma secretária e um carro oficial – e poder nenhum.

Porque, como se sabe, “não se pode levar esse rapaz a sério”, na opinião do avô do Aécio. Pois o Príncipe é hoje o patrono de Aécio, após abandonar o Cerra à beira da estradaDentre os economistas notáveis que “fazem a cabeça” do Aécio há os suspeitos neolibelês (**) de sempre.

Armínio 40% de Juros, Edmar Bacha, que trocou a reputação de economista para ser banqueiro, e Gustavo Franco, que foi demitido pelo Fernando Henrique depois de levar o Brasil à bancarrota.

E Elena Landau, devotada conselheira do Daniel Dantas e, antes disso, privatista infatigável. Ela só não vendeu a Petrobrax porque não teve tempo. Há novidades na lista do Valor, mas são economistas cuja reputação ainda está por firmar-se.

Aparecem como “especialistas imparciais” no PiG (*), aqueles a quem o Requião chama de “nada sabem de tudo”. Quais são as ideias que fazem a cabeça do Aécio (outras do Accioly não se conhecem) ?

O primeiro ano de Governo será de forte ajuste fiscal – ou seja, tome juros na veia !

40% à la Armínio !

(Nenhuma novidade: a Bláblárina já tinha defendido isso, para a incontida felicidade do Itaú, de novo, alvo da “ortodoxia tucana”…)

Os economistas neolibelês (**) pregam também uma revisão da rede de proteção social – leia-se o Bolsa Família -, responsável, segundo eles, por uma insuportável carga tributária.

Velha cantilena. O que eles querem mesmo é realizar o sonho do Cerra: vender o Bolsa Família à Walmart. Querem reduzir drasticamente as alíquotas de importação. E dane-se a indústria nacional. E abram-se as portas à indústria estrangeira.

Para isso, deverão jogar o câmbio às alturas para baratear as importações e levar o Cerra ao desespero (Cerra, como se sabe, tem uma fixação: o câmbio). Os jenios do Aécio querem rever a Lei do Salário Mínimo, porque “vai obrigar o Governo a elevar impostos”.

Bingo !

Pau no salário mínimo !!!

Também não é novidade nenhuma. Na entrevista coletiva que concedeu à Folha (***), o Dudu pregou a política do “pau no salário mínimo” ! Quem precisa de salário mínimo ?, perguntava o Príncipe quando governava o Brasil e achatava o salário mínimo.

Os neolibelês do Aécio também querem “oxigenar” o mercado de trabalho. Ou seja, rasgar a CLT ! (Esse pessoal tem um problema com o Vargas que não foi resolvido até hoje: salário mínimo, CLT, Petrobras …)

E, por fim, como não podia deixar de ser, “uma agenda de privatizações, concessões e parcerias público-privadas sem vedações (sic) ideológicas”. “Vedação ideológica” deve ser essa praga do “nacionalismo”.

É a velha mania de vender a Petrobrax, agora revigorada pela necessidade de rasgar o contrato de partilha e realizar o sonho do Cerra – entregar o pré-sal à Chevron.

Clique aqui para ver que o Aécio voltou ao local do crime: a Petrobrax.

Esses tucanos são engraçados.

Não tem uma ideia original.

E pensam que conseguem formular velhas ideias com novas palavras e os parvos se deixarão enganar. O Dudu, a Bláblárina, o Aécio e o Cerra não trazem nada de novo. Eles são o que o Príncipe definiu com mordaz precisão: serve qualquer um deles, desde que não seja a Dilma.

É só isso o que eles são: o não-Dilma, o não-Lula !

Não precisam de ideias.

Nem novas nem velhas.

São as de sempre.

A menos que os sócios do Accioly tenham outras …