Aos poucos o
enredo da novela criada pelas irmãs Cajazeiras com apoio do prefeito Odorico Paraguassu, na bucólica Sucupira em torno da secretária de Ação Social e levada ao público em
capítulos por meio de um dos mais, se não o mais antigo meio de comunicação, o “Jogral”,
vai se delineando e os personagens (atores e atrizes) dessa narrativa ou
folhetim que está mais para policialesco do que para romântico, se desmascaram.
Afinal, os “Jograis” que surgiram na Europa lá pelo século XI eram
considerados comediantes oriundo de homens de condição inferior e viviam a
cantar músicas e poesias para distrair o público, mas, também, como charlatães.
Afinal, fica difícil sustentar um
enredo de péssima qualidade por tanto tempo. Como sempre nesses folhetins de
categoria “B” (ou seria “C”?), quem fala mais alto é a audiência,
ou em outras palavras, o dinheiro da publicidade que a trama conseguiu até este
momento não mostrar. Mas há promessas de este será a estrela dos próximos
capítulos.
Não que nos
primeiros meses da narrativa ele não tivesse papel preponderante. Pelo
contrário. Ele foi o pano de fundo para render uma boa audiência. Mas a trama
perdeu o prumo quando um dos personagens destoou do texto e entrou em conflito
com a diretora sendo sumariamente demitida, não sem antes, é claro, levantar
uma série de suspeitas de que, nos bastidores do folhetim, corria solto o
chamado “jabá”.
Não se sabe
se o proprietário da editora trocou ou não o diretor. Se o fez, a anterior
continuou a atuar nos bastidores, inclusive, na escolha do personagem
substituto. A mudança foi feita para que as peças entrassem nos eixos e a
publicidade pudesse render bons frutos, não aos atores e atrizes, mas, sim, aos
seus criadores, ou seja, os autores e seu diretor.
Só que o
novo diretor não gostou da escolha feita pela diretora demitida e fez tudo para
derrubar a nova estrela da novela. “Ela não afinava com a direção e, portanto,
era um empecilho, ou melhor, um entrave ao texto” bradava ela em defesa
dos autores e dos criadores da narrativa. “Estava na cara que ela traía sua casa, ao
frequentar outra editora o que gerava apreensão e medo de que perdêssemos audiência
e, o que era pior, de que inconfidências levassem luz às tramas urdidas para
gerar publicidade”, insistia.
Como em
qualquer atividade comercial quem fala mais alto é o dinheiro, e este estava
preso em contas “fundo a fundo”, cai a estrela em ascensão. Mas os editores e
autores corriam grande risco da audiência cair mais ainda e chegar a “traço”.
Isso, em razão de que a estrela que acabara de sair ganhou prestígio não só pelo
seu desempenho, em especial, na nobreza na arte de interpretar, mas, sobretudo,
na de não aceitar qualquer tipo de suborno, ou “jabá”, seja diretamente
da editora ou de outros meios mais escusos.
A
surpreendente demissão da segunda estrela repercutiu negativamente junto aos
ouvintes da narrativa e muitas versões surgiram para justificar a estranha
demissão. A principal, a de que ela, pela sua honestidade não teria aceitado
certas imposições do núcleo central da trama. Entre elas, a de que (o enredo ainda
seria criado), pudesse surrupiar um laudo guardado à sete chaves num dos cofres
da concorrência o que viria a fortalece-los num processo que respondiam por uma
outra trama levada ao ar meses antes. Com a negativa, este papel coube a uma
estrela do terceiro escalão recém elevada ao segundo.
Pano. Com o
fundo do poço a que chegou a trama a primeira diretora retorna ao comando com
carta branca para mudar o roteiro e personagens. E nada melhor do que uma atriz
amiga de “copa e cozinha” se bem que, segundo eles próprios, não tinha competência,
ou seja, talento, para desempenhar papel de primeira grandeza. “Mas
é isso exatamente do que precisamos” teria declarado a diretora.
Em "traço" por
algum tempo eis que o folhetim reaparece com novos figurinos e novas roupagens,
mas com a mesma abordagem e com os mesmos métodos, ou seja, a distribuição de “jabás”
para os atores que ajudassem aos editores e autores a encontrar meios de
auferir os chamados “lucros por fora”. E não demorou. Utilizando-se o artifício de
comprar com preço superfaturado, R$ 42 mil surgiram como que, do nada, para a
aquisição dos novos figurinos.
É claro que este suporte financeiro
precisaria fazer parte da narrativa, ou seja, é preciso criar um novo núcleo
mesmo que secundário na trama, mas que garantisse a entrada de recursos.
Portanto, uma atriz dona de uma loja e mãe de um personagem que coordena o
setor de onde sairiam os recursos. Só que para não despertar suspeitas a
empresa vencedora estaria em nome de outro personagem, um pintor desconhecido
para o grande público, mas não para a atriz mãe e comerciante.
Não temos certeza de como os autores
vão levar o folhetim até o final. Até porque não há previsão de quanto tempo os
“jograis”
permanecerão ativos. Neste ponto é bom voltarmos à vida real e lembrarmos que a
Justiça é leniente e lenta quando se trata dos poderosos.
Esta mesma Justiça que tanto criminalizou
as testemunhas da ação de Impugnação de Mandato Eletivo por Abuso de Poder
Economico e Captação Eletiva de Votos contra o prefeito Tarcísio Pedreira e o
vice, Agripino Ramiro dos Santos, é a mesma que até o momento nada fez para
descobrir os responsáveis pela retirada ilegal do laudo dessa testemunha dos
arquivos do CAPs e, acreditem ou não, foi agregado ao processo como prova de
que Zacarias Pereira dos Santo era esquizofrenico.
A mesma testemunha, diga-se a bem da
verdade, que a Juíza Manuela Rodrigues, em sua sentença, criminalizou e, textualmente,
disse que não tinha qualquer credibilidade. Portanto, é bom separarmos o
imaginário da realidade para não nos confundirmos com ele. Mesmo porque fica difícil separarmos um do outro. Ou não?