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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Manifesto de Marina por Aécio: ignorância, rancor e má-fé




Por Igor Felippe, no Escrevinhador


Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridosMarina Silva – 12/10/2014

O candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) apresentou no horário político o pronunciamento de Marina Silva em apoio ao PSDB. Assim, a candidata do PSB deu sua contribuição para o tucano, que quer conquistar uma fatia gorda dos seus mais de 20 milhões de votos.

O manifesto de Marina por Aécio, com um tom solene um tanto forçado, é uma lição de desconhecimento do país, misturado com um profundo rancor, pitadas de uma falsa ingenuidade e sinais de má-fé (para ler, cliqueaqui).

A candidata derrotada inicia colocando que o documento que Aécio Neves apresentou tem compromissos dirigidos à Nação, não a ela. Assim, Marina se coloca de forma humilde, buscando ofuscar o papel de protagonista – que, de fato, teve – na “adesão” do tucano aos tais compromissos.

Logo depois, de forma muito matreira, ela afirma que a sociedade que deve cobrar o tucano em relação às promessas. Dessa forma, exime-se de qualquer responsabilidade se for desrespeitada a plataforma que a teria levado a apoiar o PSDB.

Marina faz uma breve análise das eleições. Resgata a aliança com Eduardo Campos, a coligação de partidos “pela primeira vez” exclusivamente em torno de um programa.

Ignora o fracasso na tentativa de construção do Partido Rede, que a obrigou a se unir ao então governador de Pernambuco para participar das eleições. Superestima uma coligação de partidos médios e pequenos, em torno de um tal programa que mais atrapalhou que ajudou a sua campanha.

Esquece que a aliança política construída pelo PT na eleição de 2002, em torno de Lula, tinha como base um programa que incidia nos efeitos colaterais das políticas neoliberais. Inclusive, a candidata fez parte dessa construção.

Marina reclama também dos “ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática”.

O que Marina chama de ataques foi uma intensa disputa de ideias e propostas, como a independência do Banco Central e o papel do pré-sal para o desenvolvimento do país. Isso é ataque pessoal? O que Marina queria? Que os candidatos adversários passassem a mão na sua cabeça e aceitassem as suas propostas?

Na verdade, a figura da candidata foi respeitada, sem questionamentos em relação à sua trajetória. Além disso, ela ignora que também foi criticada por Aécio Neves, que foi quem cunhou, por exemplo, a imagem de que seu programa tinha sido escrito a lápis e poderia ser apagado.

Antes de anunciar o já esperado apoio a Aécio Neves, ela faz uma introdução sobre o que entende por política, afirma que seria egoísmo se eximir neste momento e critica as velhas alianças pragmáticas. Na eleição de 2010, quando Marina ficou neutra no segundo turno, ela priorizou os interesses próprios em detrimento do que era melhor para o país?

O auge do pronunciamento de Marina é quando a candidata traça um paralelo da eleição de 2002 e, esta, de 2014. Ela compara o compromisso assumido por Aécio no documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável” (leia aqui), um resumão de ideias genéricas, com a “Carta ao Povo Brasileiro”, lançada pelo então candidato Lula.

Em 2002, o sistema financeiro fez uma guerra especulativa ao candidato Lula, usando seus instrumentos para desestabilizar a economia e prejudicar a campanha do PT. Assim, arrancou os compromissos de Lula, que afirmou na carta que manteria a estabilidade econômica e não romperia contratos. No fundo, o que os bancos queriam é que o governo Lula não tocasse nos seus interesses.

Marina avalia que a carta de Aécio seria um compromisso similar ao de Lula, mas com a sociedade brasileira, em torno da democracia, da inclusão social e do desenvolvimento sustentável…

Assim, ela iguala o poder do sistema financeiro e o poder de uma sociedade dentro de uma concepção abstrata. A sociedade aos olhos da candidata é um corpo homogêneo em movimento com posições convergentes.

Marina demonstra um profundo desconhecimento da sociedade, da história e das contradições no processo de formação do Brasil. A “sociedade” não poderá cumprir o mesmo papel que o sistema financeiro desempenhou em 2002, porque existem contradições, inclusive antagônicas, no seu interior. É a boa e velha luta de classes, que alguns deixaram de acreditar, mas que resiste.

O melhor exemplo dessas contradições é a jornada de junho de 2013, que mobilizou jovens em todo o Brasil em torno da defesa do transporte público e contra a violência da polícia, mas que no processo congregou bandeiras antagônicas, como a luta pelo respeito aos direitos humanos e pela redução da maioridade penal.

Somente quem pode fazer avançar a luta pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável são as forças sociais organizadas com interesse de sustentar esses compromissos. Por isso, a plataforma de Aécio para ganhar o apoio de Marina não passa de um carro novo e moderno, mas sem um motor que possa fazê-la avançar.

O mais interessante é que a maioria das organizações que defendem os compromissos que Aécio assumiu a pedido de Marina apoia a candidatura de Dilma Rousseff, mesmo sabendo dos limites do seu governo.

Essas organizações sabem bem que o PSDB, no governo FHC e nos governos estaduais, tem uma dura política de criminalização dos movimentos sociais. Ou seja, os tucanos atuam justamente para reprimir os atores sociais que protagonizarão as mudanças sociais.

Vale lembrar a ação da Polícia Militar, sob o governo do tucano Geraldo Alckmin, contra os protestos dos jovens pela redução da tarifa do transporte público em São Paulo, no ano passado. Vale lembrar da greve dos petroleiros em 1995, que foi reprimida pelas Forças Armadas a mando de FHC. Vale lembrar do Massacre de Eldorado dos Carajás, que deixou 17 mortos na conta da Polícia Militar do Pará, sob mando do governo estadual do PSDB.

Os bancos defenderam seus interesses em 2002 e obrigaram Lula a se enquadrar ao modelo econômico que subordina a indústria e o trabalho. Depois, o sistema financeiro continuou a fazer pressão sobre o governo. Ou seja, não foi a mágica carta de Lula que fez vale os interesses dos banqueiros. Foi a ação política de um dos mais poderosos setores da economia.

Agora, Aécio faz compromissos vagos, com evidentes interesses eleitorais, para atender Marina. Só que, sob um governo tucano, os sujeitos da luta social são reprimidos. Então, quem poderá fazer pressão para o governo Aécio respeitar tais compromissos? Marina acredita na sinceridade de Aécio, mas lavou as mãos e de antemão avisou que não tem nenhuma responsabilidade.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O ovo de Marina





A candidata sensação dos bancos choca a restauração de uma ordem que se ancora nas ruínas de seus próprios dogmas e fracassos. 


Por Saul Leblon no site CartaMaior

Abstraia a voz, o rosto, a identidade.

Agora leia o que dizem sobre a economia do país os candidatos Marina Silva e Aécio Neves, ademais de seus assessores oficiais e aqueles mais informais, mas não menos infatigáveis a mourejar no jornalismo isento...

A semelhança com o linguajar das missões do FMI, ou com a ênfase imperativa dos atuais comitês interventores da Troika na Europa não é mera coincidência.

É o espírito do tempo.

De um tempo em que paira uma chantagem permanente sobre governos, estados , nações, projetos de desenvolvimento.

Um tempo em que a mobilidade de capitais estreitou a tal ponto a voz da soberania que –não raro- a urna fala, mas não comanda.

Paraísos fiscais marmorizaram-se em um quarto poder da República, para onde fatias da riqueza se dirigem sempre que contrariadas e na verdade antes mesmo que se possa tentá-lo.

Um tempo em que é preciso gerar desenvolvimento sem dispor da capacidade de programação do investimento público e privado condizente.

Um tempo, portanto, em que todo capital é capital estrangeiro.

E que o interesse local não faz mais sentido a quem detém o poder de exigir uma convergência trabalhista baseada no piso mundial de direitos e no teto global da produtividade.

Uma China sem o Estado chinês; uma carga fiscal de Ruanda, com a eficiência suíça.

Essa, a agenda dos endinheirados nas eleições presidenciais de 2014.

É o espírito do tempo excretado diuturnamente pela emissão conservadora.

Cobra-se das nações que convivam com a incerteza como o peixe com a água.

Ainda que a incerteza dificulte a respiração hoje, e impeça a visão do amanhã.

Não importa: a incerteza é o plâncton dos cardumes especulativos.

Governos, povos e nações precisam de chão firme. Previsibilidade para erguer uma hidrelétrica. Estabilidade para educar um filho. Regulação, fundos públicos para realizar um ciclo de investimento.

Os magos da arbitragem desdenham: respira-se melhor debaixo do oceano da incerteza.

Precifica-se hoje o poder coercitivo adicional de uma subida das taxas de juros norte-americanas, capaz de ampliar a margem de manobra dos capitais voláteis.

Perdigueiros do glorioso jornalismo de economia farejam diariamente o cheiro da virada no ar –se não for hoje, de amanhã não passa, uivam colunas desfrutáveis.

Quem dá mais? É dessa pergunta que vive a especulação.

Na crítica cerrada ao ‘intervencionismo da Dilma’, por ter abandonado as ‘reformas amigáveis’, parte-se do princípio de que os anos de 2007/2008 nunca existiram no calendário das grandes crises do capitalismo mundial.

O photoshop na história permite descartar perguntas incômodas.

Uma resume as demais.

Onde estaria o Brasil hoje se a sua condução no colapso neoliberal dobrasse a aposta no veneno –com a mesma formulação e posologia preconizadas agora pelos presidenciáveis que levam plateias banqueiras ao delírio plutocrático?

A omissão desses detalhes distorce um debate eleitoral cujo pano de fundo é o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Marretadas demolidoras golpeiam dia e noite a confiança erigida ao longo de uma década na construção negociada de uma democracia social no país.

A mensagem é nada sutil: ‘afrontar o mainstream leva ao caos’.

Um caos condensado no ingresso ‘voluntarista’ de 20 milhões de ex-miseráveis no mercado e na ascensão de 40 milhões na pirâmide de renda.

O que fazer com esse aluvião humano?

Devolvê-lo ao lugar de onde veio para desobstruir as artérias do mercado e o país poder andar.

Esse, o substrato da agenda conservadora no debate eleitoral da transição brasileira: o ajuste ‘inevitável’ que o intervencionismo da Dilma se recusa a fazer.

Ou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não informou nesta 2ª feira que o governo vai usar recursos do Fundo Soberano, para cobrir a previsão de arrecadação menor em vez de proceder ao devido arrocho fiscal?

Em tempo: o fundo foi criado por Lula em 2008, três meses após a quebra do banco Lehman Brothers, com recursos excedentes do superávit primário de então (da ordem de 0,5% do PIB)

Um fundo contracíclico, que engorda nas águas e cede gordura na seca.

Não para o jornal O Globo , que sapecou no dia seguinte: “Ontem, o governo reduziu em R$ 10,5 bilhões sua previsão de receitas para este ano. Mas, em vez de cortar (NR: onde, na saúde, por exemplo?) na mesma proporção a estimativa de gastos, decidiu sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para cobrir parte da diferença’.

Não ficou nisso a reação indignada.

Coube à doce Marina sintetizar o endosso dos presidenciáveis do peito do mercado à estupefação da família Marinho.

Aspas para a candidata do PSB:

‘O uso dos recursos do fundo para socorrer as contas públicas é uma demonstração clara de que o atual governo está comprometendo a estabilidade econômica de nosso País’.

Doce Marina Silva.

A Marina de hoje é a prova viva de que não basta ter dividido um ovo solitário com os irmãos na infância pobre.

É preciso ter a determinação de não permitir que isso se repita no país.

Requer instituições sólidas e políticas discricionárias que afrontem a lógica responsável por levar uma penca de filhos a depender de um singelo ovo.

Mas o que propõe a doce Marina décadas depois do ovo?

Renunciar ao uso de um fundo soberano.

Renunciar ao manejo da moeda, do câmbio e do juro, em benefício de um BC independente ‘da ingerência política’ congênita à democracia.

Renunciar à importância dos bancos públicos.

Rebaixar o pré-sal e tudo que a ele se interliga em termos de educação, saúde, reindustrialização e soberania.

Marina engrossa o jogral obcecado em provar a ineficácia das medidas que mudaram o padrão da política econômica herdada do ciclo liberal-tucano.

Seu ovo hoje choca a mórbida restauração de uma ordem ancorada nas ruínas de seus próprios dogmas e promessas.

Diante da fenda exposta pela crise mais grave do capitalismo desde 1929, o que se propõe é transformar a água em seu próprio dique.

A vítima paga a indenização ao agressor.

A prostração que atinge mesmo setores mais intelectualizados na atual campanha vem da impotência anterior da democracia para romper o fastio com o discurso neoliberal, e renovar a agenda da sociedade e do desenvolvimento, em meio à crise sistêmica criada pela supremacia financeira.

Da reação a essa encruzilhada nasce um voto trincheira.

Um voto crítico, mas firme, em Dilma Rousseff nas eleições de 2014, que Carta Maior traz a público, na manifestação de intelectuais, artistas e lideranças sociais.

Carta Maior entende que esse voto condensa um estado de espírito representativo e um debate necessário.

Um voto firme, por não enxergar na pretendida terceira via uma alternativa ao risco da restauração neoliberal ainda mais radicalizada e excludente, servindo-lhe, antes, como lubrificante.

Um voto crítico, por entender que a prostração democrática atual é o produto histórico de uma correlação de forças desfavorável urbi et orbi. Mas também de hiatos políticos insustentáveis em um projeto mudancista.

A eleição de outubro oferece a singular oportunidade de se demonstrar que não é necessário que seja assim.

O primeiro passo é tomá-la como um ponto de partida, que não se esgota no calendário de outubro. E tem no avanço da democracia participativa a base de um compromisso capaz de reciclar a prostração em engajamento; e a crítica em mobilização propositiva para a construção de uma verdadeira democracia social no Brasil .

Bláblá e Bornhausen: direira reacionária e desbragada



Mino comemora os 25 anos do ombudsman da Folha. Quá, quá, quá !









Da Carta Capital, que oferece a Rosa dos Ventos do Mauricio Dias, a implacável Mino Carta sobre Bláblá e a Fel-lha (no ABC do C Af), duas joias da direita …:





A candidata do PSB pratica a velha política enquanto prega o contrário. Destruiu o ideário de Eduardo Campos e talvez consiga demolir o próprio partido que representa

Por Mino Carta

Não há quem segure a candidata Marina Silva nesta caminhada final rumo à eleição. Em Florianópolis, subiu ao palanque de Paulinho Bornhausen e com empenho apaixonado pediu votos para sua candidatura a senador. Precioso trunfo para o filho de Jorge Bornhausen, governador biônico de Santa Catarina durante a ditadura, liderança do ex-PFL e patriarca de uma das mais ricas famílias do estado. Direita reacionária na sua acepção mais desbragada.

Esta adesão eufórica à velha política assinala a enésima contradição de pregadora da nova. Uma análise da personagem do ponto de vista psicológico exibe, isto sim, uma nova Marina. A contida, austera ambientalista na qualidade de candidata em campanha mudou radicalmente o seu estilo, a ponto de pôr em xeque as crenças professadas até ontem. A perspectiva do poder leva-a a renovar seu verbo e seus gestos e a buscar a companhia de quantos aparentemente haveriam de ser seus adversários, se não inimigos. Vale tudo para chegar lá, é o que se deduz sem maiores esforços.

Confesso minha surpresa. Marina Silva revela uma determinação obcecada que não imaginava. Certo é que a candidatura de Eduardo Campos, sua plataforma, suas ideias, seus projetos e propósitos, Marina conseguiu destruir. Receio que logre ir além, para demolir o próprio Partido Socialista. Em lugar da nova política, temos a nova Marina.

HUMORISTAS MIDIÁTICOS

Há momentos de puro humorismo propiciados pela mídia nativa. No momento a Folha de S.Paulo celebra a instituição do ombudsman há 25 anos, de sorte a estabelecer a autocrítica dentro do próprio jornal. O Folhão se apressa a esclarecer, pomposo, que o exemplo não foi acompanhado pelas demais publicações brasileiras enquanto em vários países do mundo a prática salutar é adotada. O nome ombudsman, admito, me soa desagradável. De todo modo, tivesse funcionado sempre para valer, viveria física e moralmente esgotado.

A leitura e a audiência que parcimoniosamente dedico à mídia nativa me revelam o autêntico responsável por todos os males no momento padecidos pelo Brasil. Ou melhor, a responsável, Dilma Rousseff, a começar, pasmem, pela crise econômica mundial, que ninguém poupa, até a inflação e o desemprego. Mas os porcentuais não são bastante baixos em relação aos números globais? Segundo o Cérbero da família Marinho, o cão de três cabeças à porta do Hades, a presidenta maquia os dados. Ou finge ignorá-los?

Tudo é culpa da Dilma, até, quem sabe, o 7 a 1 imposto pela seleção alemã aos canarinhos, ou o tráfego congestionado, ou falta de luz em casa. Só mesmo a crescente, inexorável escassez de água em São Paulo não pode ser atribuída à presidenta. No caso, entretanto, o culpado, o governador, Alckmin, é prontamente perdoado e se prepara ao passeio eleitoral.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Com Marina, menina bonita não paga, mas também não leva, por Paulo Emilio


Por PauloEmílio Do..., extraído do GGN


Aquela brincadeira que nos acostumamos a ouvir desde criança (“Menina bonita não paga, mas também não leva”) parece descrever a candidatura de Marina Silva. Ao vê-la dizendo a que veio, tem-se a impressão de que ela (quase) nada poderia comprometer em termos de ética no trato da coisa pública.
Por outro lado, percebe-se com certa facilidade que, na eventualidade de uma vitória, Marina não faria qualquer diferença para o País. Sua prosa rarefeita, discurso errático e a postura de impertubabilidade professoral kindergarten, não disfarçam o óbvio: ela não tem a menor ideia do que está falando.
Pior que isso, não há projeto estratégico – por elementar que seja – para um país labiríntico como o Brasil. Além, é claro, do PSB (e da própria Marina, caso opte pela saída à francesa na troca de siglas) parecer uma das expedições de Amyr Klink: solitário, ocioso e dispensável.
Seduzidos pela retórica tão fluida quanto oca da acriana, em especial os jovens da classe média urbana mais bem escolarizada e os artistas moderninhos logo aderiram à sua empreitada política.
Apenas dois exemplos, dentre muitos, de posiões políticas duvidosas assumidas pela candidata ao longo dos anos: a pesquisa com células-tronco embrionárias e a descentralização da política ambiental brasileira.
A primeira posição possui desdobramentos práticos bastante ruins para o avanço científico no país, uma vez que as células-tronco embrionárias são dotadas de maior capacidade para se transformar em outros tipos de células.
A segunda perspectiva materializou-se em desastre com a criação do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) durante seu mandato junto ao Ministério do Meio Ambiente, proposta que golpeou de morte o importante IBAMA.
Por razões de economia de espaço abstenho-me aqui de discutir a matriz religiosa que embasa sua visão de mundo.
Recentemente, alçada à condição de fenômeno, Marina conquistou apoio mais amplo. Quero crer que são três as razões a explicar o protagonismo súbito na campanha de 2014: i) o dramalhão midiático – bem a gosto de um número infindo de brasileiros – montado por ocasião da trágica morte de Eduardo Campos; ii) um adversário pífio do PSDB; e iii) o indefectível e difuso “anseio de mudança”.
O último dos componentes é de longe o mais curioso. Bem ou mal, quer se questione ou não a razoabilidade dos seus efeitos colaterais perversos de longo prazo, o PT tem um projeto para o Brasil que está escancarado e já foi discutido à exaustão. Se se observa Aécio Neves e Marina Silva, a resposta é negativa. Aécio, por pura ausência de uma proposta; e Marina pelo messianismo voluntarioso e bem intencionado, mas que ignora por completo as implicações e o sentido daquilo que (não) propõe. Sendo assim, mudar com base em quê?
Como numa querela digna dos Universais, nada se tem a perder com Marina na Presidência da República, salvo o que há de mais precioso: o tempo para desenvolver-se sócio, econômico e institucionalmente enquanto nação. Vinicius de Morais eternizou em versos, de modo genial, algo que ilustra com perfeição a “alternativa Marina”: “Era uma casa/Muito engraçada/Não tinha teto/Não tinha nada/Ninguém podia/Entrar nela, não/Porque na casa/Não tinha chão”.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Bláblá seria um desastre


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A candidata do PSB, sem ser socialista, é um poço de confusão e contradições


Por Mino Carta, na Carta Capital

Covas não deixou FHC ser chanceler de Collor.


Volto de viagem ao exterior e retomo meu espaço habitual. Em Roma, li uma análise a respeito da candidatura de Marina Silva que coincide com a avaliação de CartaCapital. No jornal La Repubblica, dos três de circulação realmente nacional, o de maior tiragem juntamente com o Corriere della Sera, e, na minha opinião, o melhor de todos.


Diz o diário que Marina Silva tem um passado honroso e nem por isso as qualidades necessárias ao exercício da Presidência de um país do tamanho e da importância do Brasil. Sua formação política é precária e suas ideias, quando manifestadas com um mínimo de clareza semântica, são confusas e contraditórias, de sorte a ressaltar a dramática incógnita que a candidata representaria se eleita.


O texto do La Repubblica confirma as nossas previsões, feitas nesta página no momento em que ficou assentada a substituição de Eduardo Campos por Marina Silva. Ou seja: ela seria tragada pelo apoio da mídia nativa, autêntico partido de oposição, porta-voz da casa-grande, e por esta arrastada inexoravelmente para a direita mais retrógrada.


E aí começam a confusão e a contradição da candidata do PSB sem ser socialista. Ela passou a ocupar a cena política brasileira como inimiga do latifúndio e da devastação ambiental, o que implica uma postura oposta àquela dos seus atuais arautos e conselheiros, adeptos, além de tudo, da involução globalizada, dita neoliberalismo, a desencadear a crise mundial. Eis perfilada a ameaça: o retorno à política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando, em nome da estabilidade, o Brasil quebrou impavidamente três vezes e foi entregue ao presidente Lula com as burras à míngua.


Uma ação leva a outra, e haveria a se temer também pela renúncia a uma política exterior que, depois de FHC, desatrelou o Brasil dos interesses de Washington. Há quem diga que o fenômeno Marina Silva de certa forma repete deploráveis momentos históricos vividos em 1960 com Jânio Quadros e em 1989 com Fernando Collor. Com o endosso maciço da mídia, o homem da vassourinha e o caçador de marajás foram eleitos. A Presidência de ambos redundou em desastre.


CartaCapital acredita que nas mãos da ex-seringueira o destino do Brasil não seria promissor. Mas acredita também que desta feita o País saberá evitar o risco, e não receia abalar-se a um vaticínio que muitos reputarão prematuro. Nadar contra a corrente estimula quem dá a braçada honesta.


Vale registrar, de todo modo, que esta nossa ribalta se oferece a personagens singulares, ou, se quiserem, peculiares, prontamente engolfados pela direitona sempre disposta a agarrar em fio desencapado. Não me permito incluir no rol de alternativas desesperadas o já citado Fernando Henrique, habilitado a tornar-se paladino de quaisquer ideias e tendências ao sabor do que entende como conveniência pessoal.


Nunca esquecerei aquela noite em Rafard, interior de São Paulo, na campanha para a primeira eleição a governador do estado em 1982. O príncipe dos sociólogos concedia sua arenga aos boias-frias da área enquanto a brisa noturna sussurrava nos canaviais, e Mario Covas sentou-se ao meu lado na amurada da boleia de um caminhão transformada em palanque. Meneava a cabeça, a significar: “Quantas besteiras…”


O mesmo Covas que ameaçou largar o PSDB caso FHC aceitasse o convite de Collor para ser seu chanceler. E não é que o homem quase embarcou na canoa furada? Sobra minha surpresa ao constatar que dentro do próprio ninho tucano o candidato Aécio, que me mereceu simpatia desde o tempo em que carregava a pasta do avô Tancredo, confia no ex-presidente. Tancredo, aliás, dizia do sociólogo: “É o maior goela da política brasileira”.


Ao cabo, pergunto aos meus botões se vale confiar, em contrapartida, em uma candidata que, ao se apresentar como tal, atribui a sua chance à Providência Divina. Teríamos de entender que a mesma manifestação do Altíssimo determinou a morte trágica de Eduardo Campos? Os botões, como Mario Covas, exprimem o oximoro do espanto resignado.


P.S.:
O governador do Ceará, Cid Gomes, um dos melhores do País com 80% de aprovação, segundo pesquisa Datafolha de agosto passado, move ação por calúnia contra a semanal IstoÉ, que o acusa de envolvimento no Caso Petrobras. É o recurso recomendável contra quem carece de provas, como é da tradição dos porta-vozes da casa-grande. Não precisava, contudo, pedir a apreensão da revista. Isto equivale a oferecer aos caluniadores munição de graça.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Discurso do medo, uma ova!





“Para Marina não há conflito entre o fastígio dos banqueiros e os interesses populares. O conflito é entre corruptos e elites”


Por Saul Leblon, da Carta Maior


Marina precisa esconder a questão principal em jogo nestas eleições. Por isso é crucial expô-la, como Dilma começou a fazer no debate da CNBB, nesta 3ª feira:

‘A principal lição da crise de 2008 é a necessidade de impor uma regulação ao sistema financeiro, não o contrário, não o hiperliberalismo’, resumiu a Presidenta, fuzilando o projeto do BC independente , do voto e da democracia, encampado pela candidata do PSB.

Não é um assunto palatável. Mas é traduzível. Prova-o a tentativa do PSB de interditá-lo no horário eleitoral.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encampou o pedido de Marina de suspender a propaganda petista, na qual se relaciona o impacto dessa proposta num lar assalariado.

Se agiu honestamente, Janot subestima o poder de fogo do arsenal que hoje mantem 100 milhões de desempregados no mundo.

A Europa é uma advertência em carne viva.

Outrora referencia do Estado do Bem Estar Social, o continente não resistiu ao moedor da supremacia financeira. Paga em libras de carne humana a purga da desordem neoliberal, sob o comando dos bancos que a causaram.

O saldo da reciclagem até o momento sugere que a propaganda de Dilma é até cautelosa.

São mais de 20 milhões de desempregados na zona do euro; 119,6 milhões de pessoas (24,2% da população) transitam no limiar da pobreza em toda a Europa; US$ 1,3 trilhão foram entregues aos bancos europeus para salvá-los deles mesmos, enquanto as filas da Cáritas fornecem mais de um milhão de pratos de comida só na Espanha .

A contradição que a propaganda de Dilma condensa metaforicamente pode ser constatada de outra forma e ao vivo aqui mesmo.

Quando Marina Silva sobe nas pesquisas, as bolsas disparam; as consultorias exultam; as ações de bancos escalam píncaros de valorização. Manchetes faíscam sulfurosas.

Quando a ONU informa que no ciclo de governos do PT o Brasil reduziu a miséria em 75% e praticamente erradicou a fome (restrita a 1,7% da população), qual é a receptividade do glorioso jornalismo de economia?

Modesta, para sermos generosos.

A saúde dos mercados e a deriva da sociedade, como se vê em diferentes latitudes do planeta, não são contraditórias com essa concepção de eficiência econômica excludente. A mesma encampada agora pelo PSB que um dia foi de Arraes, hoje é o cavalo onde floresce o enxerto do hiperliberalismo denunciado por Dilma.

A confusão semântica entre um partido socialista tomado pela ideologia rentista e uma ex-seringueira que a isso empresta sua biografia não é involuntária.

Sem um lubrificante à altura do estupro, seria muito difícil vender ao eleitor agenda de um neoliberalismo desmoralizado.

O mundo conspira contra Marina, mas ninguém diz.

O jornal Valor desta 4ª feira (17/09) informa-nos em rodapé discretíssimo: ‘Os Estados Unidos sofreram mais um ano de estagnação da renda, uma vez que a recuperação da economia não consegue se traduzir em aumento da prosperidade para a média das famílias (…) cuja renda real aumentou apenas 0,3% em 2013…’.

Significa dizer que a renda média na principal economia capitalista do planeta encontra-se abaixo daquela de 25 anos atrás.

Mas os níveis de desigualdade regrediram ao padrão da Europa no início do século XX. Informa o livro de Thomas Piketty (‘O capital’), estranhamente ausente do debate eleitoral brasileiro.

Não é uma tragédia sem causa.

O lucro combinado dos seis maiores bancos americanos- JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Wells Fargo, Morgan Stanley e Bank of America – saltou em 2013 para o seu maior patamar desde 2006: um aumento de ganho líquido de 21% ; ou US$ 74,1 bilhões em moeda sonante , segundo informou a Bloomberg.

A dificuldade da recuperação norte-americana, a mais lenta de todas, que fez o Fed, nesta 4ª feira, sinalizar a manutenção das taxas de juros baixas por ‘tempo indeterminado’ –para decepção do rentismo local e global– , não tem têm origem, porém, na crise de 2008.

O fio que interliga a persistente disseminação da pobreza nos EUA antes, durante e depois do colapso de 2008, é a hipertrofia do poder financeiro –que Marina quer vitaminar no Brasil.

É esse o elo entre a rastejante recuperação atual sob a batuta de Obama, a etapa aguda da crise que a antecedeu — capitaneada por Bush Jr– e, antes ainda, o período de apogeu que originou o desmonte regulatório do sistema financeiro legado por Roosevelt. Obra demolidora iniciada por Reagan (1981-1989), seguida da consolidação da hegemonia rentista sob a batuta do democrata Bill Clinton (1993-2001).

Radiografar essa espiral e traduzi-la para o idioma político destas eleições não é recorrer ao discurso do medo, como querem alguns.

São fatos que a retrospectiva norte-americana ilustra exaustivamente. Por exemplo:

1. Os salários da força de trabalho nos EUA estão em queda ou estagnados desde os anos 90;

2. Para 60% dos trabalhadores americanos , o valor da hora/trabalho estagnou ou caiu;

3. Em 1996 a renda média familiar já era inferior a de 1986 (uma corrosão que persiste);

4. O emprego estável esfarelou; a fatia dos trabalhadores com cerca de 10 anos no mesmo emprego caiu de 41% em 1979 para 35,4% em 1996 ( e embicou nos anos mais recentes);

5. A desigualdade se acentuou: a renda de uma família padrão de classe média encolheu, apesar do borbulhante fastígio rentista; apenas 10% dos lares abocanharam 85% dos ganhos propiciados pela farra financeira dos anos 80/90;

6. O trabalho se degradou: ao conquistar uma nova vaga, um desempregado ganha, em média, 13% menos que no trabalho anterior; em 1997, 30% dos empregos já operavam em tempo parcial, evidenciando uma economia que simultaneamente abdicou da indústria em troca dos ‘custos chineses’;

7. Nessa mutação estrutural , enquanto a fatia da renda apropriada pelos lares mais ricos (o 1% dos aplicadores em ativos) cresceu de 37,4% para 39%, o universo de lares sem ingressos ou com rendimento negativos saltou de 15,5% para 18,5%; na população negra, 31% dos lares tinham renda zero ou negativa em 1995.

Repita-se: tudo isso antes do colapso da subprime.

Esse paradoxo feito de desmonte industrial e exploração extrema, de um lado, e bonança rentista, do outro, só não explodiu antes graças à válvula de escape do endividamento maciço das famílias, que atingiu seu limite no estouro da bolha imobiliária, em 2008.

Os antecedentes mostram que a advertência feita pela propaganda de Dilma não é descabida.

É crucial para um projeto de desenvolvimento equitativo recompor e aprofundar a regulação do sistema financeiro, incluindo-se aí o controle sobre a mobilidade de capitais.

Foi isso que Dilma começou a dizer na CNBB. E Precisa continuar a dize-lo, de forma cada vez mais clara.

É isso que faz a propaganda vetada pelo procurador Janot.

Sem desmontar a supremacia financeira –e isso significa dar ao governo, ao Estado e à democracia os instrumentos de comando sobre o capital– será impossível consolidar um novo ciclo de investimento e alterar a redistribuição do excedente econômico no país.

Esse é um dos maiores desafios do desenvolvimento no século XXI

Mas para Marina o nome da crise é PT, não capitalismo destrambelhado.

Para Marina não existe conflito entre o fastígio dos banqueiros, e dos mercados financeiros, e os interesses populares.

O conflito que existe na sua constrangedora leitura da história é entre bons e maus; entre corruptos e elites bacanas; entre dilmas gerentonas e necas solícitas; entre o PT degenerado

–que “colocou um diretor para assaltar os cofres da Petrobrás”– e a virtuosa turma de novos amigos dos mercados.

É nessa toada que Marina, Aécio e seus apêndices pretendem levar a flauta da campanha até o fim.

As candidaturas progressistas não podem sancionar essa anestesia do discernimento popular.

Discurso do medo, uma ova, é preciso dizer, mimetizando a sagaz Luciana Genro.

A crise evidenciou que na ausência de regulação estatal da finança, a genética autodestrutiva do sistema passa a operar em condições de baixa demanda efetiva, elevado desemprego e especulação suicida.

A superação do impasse só virá se e quando o Estado detiver maior poder de comando para exercer seu papel indutor do crédito e do investimento produtivo.

Contra isso se insurge o conservadorismo. E ao seu desfrute se oferece Marina Silva e o seu tripé: BC independente; desregulação do pré-sal e desmonte da CLT.

Discurso do medo? Uma ova.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Diretor da Petrobras manda PIG (*) enfiar bala de prata...




Bláblá respirou aliviada. Já pensou o Paulo Roberto solto em Pernambuco ?

Do Conversa Afiada:



SÃO PAULO - O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa decidiu manter-se em silêncio durante depoimento na CPI da Petrobras, que ocorre nesta quarta-feira. Ao chegar à sala da CPI, acompanhado de seu advogado, Paulo Roberto pediu que a sessão fosse aberta, mas disse que não vai responder aos questionamentos dos congressistas.

“Me reservo o direito de ficar calado. Pode ser a sessão aberta, mas eu me reservo o direito de ficar calado”, afirmou.






Sobre os riscos que a Bláblárina corria se Paulo Roberto resolvesse dar com a língua nos dentes na CPI, leia o artigo do Lassance:




Quase metade dos nomes da famigerada lista do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, está ligada às campanhas de Aécio ou Marina Silva.

Por Antonio Lassance (**)

Se o escândalo contra a Petrobrás era para ser a bala de prata desta eleição, o tiro saiu pela culatra.

Quase a metade dos nomes listados na delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, é de políticos ligados não à campanha de Dilma Rousseff, mas à de Aécio Neves e Marina Silva. Dos 16 nomes, sete estão contra Dilma, pública, notória e oficialmente.

O detalhe, que é do tamanho de um elefante, tem passado desapercebido na “grande” mídia. Será por quê?

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), é candidato ao governo do Rio Grande do Norte, apoia Aécio e tem uma chapa formada pelo PSDB, DEM e também pelo PSB.

Romero Jucá, do PMDB de Roraima, declarou apoio e fazia entusiasmada campanha para Aécio. Jucá brigou com Dilma quando foi afastado, em 2012, da liderança do governo no Senado, o cargo quase vitalício que ocupou, pela primeira vez, durante o governo FHC.

Ao finalmente romper com um governo e ir para a oposição, Jucá declarou que o fazia por razões ideológicas e “acusou” Dilma de ser socialista.

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) liderou a resistência que tentou impedir o apoio de seu partido a Dilma. Depois, organizou a dissidência do Diretório do Rio de Janeiro, que apoia Aécio.

A mesma coisa fez João Pizzolatti, que é presidente do PP de Santa Catarina e articulou o apoio desse diretório a Aécio. O PP-SC também fez barba, cabelo e bigode: além de estar com Aécio, o chapão de Pizzolatti inclui a aliança com as candidaturas de Paulo Bauer a governador, pelo PSDB, e de Paulo Bornhausen ao Senado, pelo PSB.

Eduardo Cunha, deputado federal pelo PMDB-RJ, dispensa maiores apresentações. É o inimigo público nº 1 de Dilma dentro do PMDB e foi o principal articulador do apoio majoritário desse partido, no Rio, ao candidato Aécio Neves.

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, embora publicamente tenha feito declarações favoráveis a Dilma, patrocina a aliança conhecida como “Aezão”, ou seja, a adesão dos tucanos à candidatura do governador Pezão (PMDB), que é candidato à reeleição. Em troca, a maior parte do PMDB fluminense garantiu apoio governista à combalida campanha de Aécio naquele estado.

Eduardo Campos (PSB) – também citado na delação -, como é notório, saiu candidato à presidência da República, levou o PSB para a oposição ao governo Dilma, aliou-se a Marina Silva e organizou as dobradinhas com Aécio em vários estados.

A propósito, até o momento, a defesa de Campos tem ficado restrita a alguns membros do PSB. Marina nem mesmo se deu ao trabalho de rechaçar prontamente as denúncias feitas contra uma pessoa de quem ela se dizia firme aliada por uma nova política.

A enigmática frase da candidata – de que “não queremos ver Eduardo morrer duas vezes” – mostrou que, até mesmo em relação a Eduardo Campos, Marina Silva está mais que propensa, de novo, a mudar de ideia.

Uma simples conferida na lista deixa claro que o escândalo foi qualquer coisa, menos algo feito com o claro propósito de ajudar a campanha de Dilma.

(**) Antonio Lassance é cientista político.