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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

DIVISIONISTA, MARINA FAZ 'STRIKE' NO PSB DE CAMPOS




Não há mal-entendido; nas primeiras 24 horas após ser indicada candidata pelo PSB, Marina Silva abalou, de cima até embaixo, estrutura partidária e alianças firmadas, uma a uma, por Eduardo Campos; coordenadores Carlos Siqueira e João Câmara, puxador de votos em Minas Gerais Alexandre Kalil, governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, e deputado Nelson Trad (MS) deixam campanha; "O que me interessava no partido caiu de avião", disse, em seu estilo rude, o presidente do Atlético Mineiro; ex-coordenador Siqueira rompeu relações chamando Marina de "grosseira"; ela alegou "mal-entendido"; o que fica demonstrado, porém, é que o personalismo de Marina não admite diálogo, convivência e, menos ainda, contestação; depois de sair do PT, dividir o PV e abortar o Rede, ex-ministra derruba pinos no PSB; strike!


247 – Não há mal-entendido, apesar de ter sido esta a alegação da ex-ministra Marina Silva para a saída do coordenador de campanha Carlos Siqueira. Assim como ele fez ontem, no momento seguinte após dizer à candidata que rompia relações com ela, em reunião da cúpula do PSB, nesta quinta-feira 21 o partido sofreu novas perdas. Todas elas estratégicas, que haviam sido amarradas, uma a uma, pessoalmente, pelo ex-governador Eduardo Campos.

Nas primeiras 24 horas de candidata a presidente, ainda que não tenha registro no TSE e já tenha iniciado sua propaganda, Marina fez um verdadeiro 'strike' em seu próprio time – expressão usada no boliche quando o jogador derruba, com uma única jogada, todos os dez pinos de um vez.

Puxador de votos do PSB em Minas Gerais, pelo fato de ser presidente do Clube Atlético Mineiro, o empresário Alexadre Kalil desistiu de ser candidato a deputado federal. Ele havia sido convencido por Campos a disputar, mas agora não vou motivos para prosseguir:

- O que me interessava caiu de avião, disse Kalil, numa rude referência, como é de seu estilo, ao acidente que vitimou o presidenciável socialista.

No Mato Grosso do Sul, outro puxador de votos, o deputado federal Nelson Trad anunciou que não há hipótese de pedir votos para Marina, em razão de suas ligações históricas com o agronegócio de sua região e de ela nem querer conversa com esse setor da economia.

Na mesma toada, o experiente governador André Pucinelli, verdadeiro campeão de votos no Estado, anunciou que irá cerrar fileiras na campanha da presidente Dilma Rousseff. Após uma série de conversas com Eduardo Campos, ele se preparava para entrar na campanha do presidenciável do PSB. Bastou, no entanto, Marina mostrar seu estilo que Pucinelli correu para o outro lado.

Em Pernambuco, novo golpe. Depois que Siqueira deixou a coordenação da campanha de Marina sob a alegação de ela ter sido "grosseira", na mesma quinta 21 o indicado para ser seu substituto, Milton Coelho, não aceitou assumir o cargo. E, ainda, deixou vaga a posição de coordenador nacional de Mobilização e Articulação.

- Havia um pacto com meu querido amigo Eduardo Campos, mas minha tarefa acabou aqui, justificou ele, lembrando que trabalhou para Campos, em posições centrais, em três campanhas eleitorais.

A tomar-se pelo histórico de Marina Silva, as defecções não devem causar surpresa. Eleita senadora pelo PT, ela deixou o partido atirando depois de ocupar durante cinco anos, nas duas gestões de Lula na Presidência da República, o Ministério do Meio Ambiente. Abrigada com seu grupo no PV, obteve 17% dos votos válidos da eleição de 2010, mas dois anos depois, com estardalhaço, saiu, com seus amigos, depreciando a legenda. Partiu, então, para montar o Rede. Dependendo de seus próprios esforços, no entanto, não foi feliz. Com falta de assinaturas em número legal suficiente, apesar de ter desfrutado de quase um ano para atender a legislação, Marina iria ficar fora da sucessão presidencial de 2014. Mas Campos, com seu poder de articulação, a convenceu a entrar no PSB.

Mesmo dentro do partido, Marina gosta de declarar que estava presente para ter novas condições, a partir de 2015, de montar o seu próprio: o Rede Sustentabilidade.


Neste momento, além de estancar as sangrias que o estilo personalista de Marina vai causando no PSB, a cúpula do partido se esforça para que ela deixe de lado, ao menos no discurso, a ideia de mudar de agremiação logo no próximo ano.

Estar em uma legenda anunciado estar montando outra, no entanto, não é a única contradição de Marina. Sua falta de tato para manter os acordos firmados por Campos ainda irão provocar mais rachas no PSB. Apesar de indicada, ela a candidatura dela ainda não foi oficializada no TSE - o que faz com que muitos socialistas já queiram voltar atrás, apesar de a campanha estar nas ruas.

Marina já avisou que não vai aceitar contribuições financeiras de bancos e de indústrias de bebidas. O PSB contava com recursos de doadores desses setores para alavancar a campanha da legenda. Mas agora tudo é dúvida.

Certeza, apenas, o fato de Marina ter como principal coordenadora de seu programa de governo, com 250 páginas, numa intersecção de propostas do Rede e do PSB, por Neca Setúbal. Trata-se da herdeiro do maior banco privado do País, o Itaú Unibanco. Para Marina, isso pode, mas não conviver com quadros históricos o PSB não, isso não pode.

Na política, um histórico e um posicionamento como os de Marina têm um só nome: divisionismo. Com este germe dentro de um partido, a unidade é corroída por dentro. Nas suas primeiras 24 horas como candidata no lugar de Campos, que, na mesma linguagem, pode ser chamado de unitário, Marina mostrou que tem um poder destrutivo à altura, na direção contrário, do que se espera que ela possa construir.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cerra vai "cristianizar" aecioporto?



Extraído do Conversa Afiada. Por Saul Leblon, na Carta Maior

O candidato precisa enfrentar o tema da cocaína nessa campanha de 2014.




Na série de escaramuças que marca o jogo pesado entre Aécio e Serra, a reportagem da Folha sobre o aeroporto em Cláudio pode ter sido um ponto fora da curva.

por: Saul Leblon

Há exatamente quatro anos, em 29 de julho de 2010, o jornal ‘O Globo’ noticiava a evidência de um racha profundo nas fileiras tucanas, a minar a campanha do então candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra.

Aspas para o Globo de 29-07-2010:

‘O candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, terá uma estrutura independente em Minas Gerais para impulsionar sua campanha no Estado (…). A estratégia foi montada para fazer frente a algumas dificuldades. A decisão foi tomada após descontentamento com o ritmo da campanha no Estado, onde o ex-governador Aécio Neves, que recusou-se a ocupar a vaga de vice na chapa de Serra, é a principal liderança do PSDB…’

Corta para o coquetel de autógrafos de Serra, no Rio, na semana passada, dia 23 de julho de 2014, no lançamento de seu livro de memórias, “50 anos Esta Noite”.

Aécio Neves não compareceu ao evento, onde Serra comentou laconicamente o episódio que há dez dias faz sangrar seu velho rival e agora o candidato do PSDB à presidência. 

‘Um programa de construção de aeroportos no interior de repente bate na família. Não quer dizer que houve favorecimento..’ disse olímpico sobre a obra de R$ 14 milhões feita por Aécio na fazenda de um tio, paga com dinheiro público.

‘Eu não tenho parentes no interior. Se tivesse, poderia ter acontecido…’, observou Serra com irônica ambiguidade.

Especulações sobre a origem da denúncia veiculada em 20/07, pela ‘Folha de SP’, de notórias afinidades com o serrismo, ganharam lastro extra a partir do editorial publicado pelo diário da família Frias , no último domingo, 27-07.

O texto com sugestivo título, ‘O pouso do tucano’, desmonta as explicações de Aécio para o escândalo e lança uma comprida sombra sobre o futuro de sua candidatura:

‘Mais econômico, na verdade, teria sido não fazer obra nenhuma. A demanda por voos em Cláudio é pequena, e o aeroporto de Divinópolis fica a 50 km de distância. Ainda que todo o processo tenha sido feito de maneira legal, como sustenta Aécio Neves, restará uma pista de pouso conveniente para o tucano e seus parentes, mas de questionável eficiência administrativa. Não é pouca contradição para um candidato que diz apostar na união da ética com a qualidade na gestão pública’.

Mas o principal subtexto das suspeitas quanto à fonte da denúncia remete ao recheio mineiro da derrota sofrida por Serra nas eleições presidenciais de 2010, quando as urnas sepultaram de vez suas pretensões ao cargo máximo da política brasileira.

Numa disputa marcada logo no início pela colisão frontal com Aécio, que postulava a mesma indicação no PSDB, Serra terminaria abatido fragorosamente pelo ‘poste’, Dilma Rousseff, que teve 56,05% dos votos, contra 43,9% do ‘experimente’ ex-governador de São Paulo.

Um tônico inesperado da derrota foi a desvantagem ampla de Serra nas urnas de Minas Gerais.

No segundo maior colégio eleitoral do país – de onde Aécio conquistou uma vaga no Senado, arregimentando 7,5 milhões de votos– Serra obteve um apoio inferior a sua média nacional ( 41,5%).

O de Dilma, ao contrário, foi sugestivamente superior (58,4%).

Seria um erro atribuir o resultado ao boicote de Aécio, abstraindo assim a tradicional força do PT em Minas Gerais e o prestígio conquistado pelos investimentos do governo Lula (que teve 65% dos votos de Minas em 2006 e 66,5% em 2002) .

A verdade, porém, é que a derrota consagrava um processo de desidratação interna do candidato do PSDB, que remontava à própria dificuldade inicial de preencher a vaga de vice em sua chapa, reservada até o último minuto como um prêmio de consolação que Aécio rechaçou.

A recusa, mineiramente dissimulada na protocolar promessa de ‘não poupar esforços pelo candidato’, era o troco à forma como o ex-governador de São Paulo impusera seu nome ao partido, sem abrir espaço para uma consulta às bases, inédita entre tucanos, reivindicada pelo rival .

A disposição bélica das fileiras serristas de atropelar o adversário mineiro com um misto de fatos consumados e jogo baixo ficaria evidente logo no início de 2009.

Um artigo famoso, publicado em fevereiro daquele ano na página 3 do jornal O Estado de S. Paulo, dava o peso e a medida do fair play que ordenaria o confronto a partir de então.

Assinado pelo editorialista do jornal, Mauro Chaves, reconhecidamente ligado aos tucanos, mas sobretudo a Serra, o texto trazia no título a octanagem do arsenal disponível, caso Aécio insistisse em desafiar a vontade ‘bandeirante’.

“Pó, pará, governador?”, diziam as garrafais, num trocadilho com o suposto uso de droga por parte do político mineiro.

Era o gongo de uma série de rounds subterrâneos.

Eles incluiriam acusações mútuas sobre dossiês mortíferos engatados de um lado e de outro em um embate fraticida que quase paralisaria o PSDB.

Sobre Serra pairavam suspeitas de ter mobilizado ex-delegados da polícia federal para municiar o paiol contra Aécio.

A ira do mineiro envolveria garras não menos afiadas.

Uma delas, Andrea Neves, cabo-de- guerra do irmão para golpes de bastidores e controle da mídia, estaria associada à contratação de repórteres, antes até, em 2008, pelo jornal Estado de Minas, para investigar a vida de Serra e de sua família.

Com resultados suculentos, diga-se.

O livro ‘A privataria Tucana’, de Amaury Ribeiro Jr, seria um subproduto desse mutirão.

O nebuloso episódio de uma reunião ocorrida em junho de 2010, da qual teriam participado Amaury, arapongas e Luiz Lanzetta –membro da pré-campanha de Dilma, atiçaria as evidência de um tiroteio cerrado nos bastidores da campanha tucana.

Denunciado por um alcagueta presente, o encontro teria tratado de informações comprometedoras envolvendo lavagem de dinheiro, paraísos fiscais, Verônica Serra (filha do tucano) e a irmã do banqueiro Daniel Dantas, Veronica Dantas.

Na Polícia Federal, Amaury confirmou que pagou R$ 12 mil a um despachante paulista para obter as informações sobre os tucanos, entre setembro e outubro de 2009. O jornalista não revelou quem o contratara, nem quem financiou a investigação, iniciada como pauta do Estado de Minas.

O fato é que, nesse processo, a candidatura presidencial de Serra desidratava de dentro para fora do partido. Seu caminho para as urnas lembrava um trem fora dos trilhos, com poucas chances de ser devolvido ao leito original.

Em julho de 2010, a percepção de que estaria sendo cristianizado por fileiras amplas do tucanato era muito forte.

O termo ‘cristianização’ colava em sua trajetória como o bolor nos corredores abafados dos hotéis de estação.

A expressão vem do nome do político mineiro, Cristiano Machado que, a exemplo de Serra, havia imposto sua candidatura ao partido (o PSD) nas eleições presidenciais de 1950.

Cristiano foi abandonado pelos companheiros, que acabaram apoiando Getúlio Vargas.

O termo “cristianização” passou a designar o candidato ‘escondido’ pela sigla, que teme o contágio tóxico que sua impopularidade acarreta às demais candidaturas.
Assim foi com Serra.

Em 2010, a três meses das urnas do 1º turno, a maior parte do material de campanha de Aécio Neves, candidato ao Senado por MG, e o de Anastásia, seu candidato ao governo do Estado, omitia a imagem de Serra em santinhos e adesivos.

O alto comando serrista busca desesperadamente formas de fazer com que a campanha demotucana encontrasse motor próprio em MG.

Além de um comitê exclusivo, os serristas tiveram que montar 40 subcomitês distribuídos por todo o estado, na tentativa de algo quixotesca de contornar o boicote silencioso sofrido no segundo maior colégio eleitoral do país, por parte de seu ‘aliado’ e líder local, Aécio Neves.

No melancólico reconhecimento da derrota final para Dilma, em 1º de novembro de 2010, Serra diria que o “povo” não quis que sua eleição fosse “agora” e se despediu do eleitor com um “até logo”.

No breve discurso ao lado da família, o tucano agradeceu o empenho do partido, festejou a eleição de Alckmin, porém não citou uma única vez o senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves.

A queda de braço não terminaria ali.

Aécio rapidamente ocuparia o vácuo da derrota pavimentando a sua candidatura dentro de um PSDB de joelhos, com o serrismo acuado.

O mineiro aplastou o desafeto em todas as frentes de comando.

Tomou a presidência do partido em primeiro lugar. E negou a Serra até mesmo a direção do medíocre, mas rico, Instituto Teotônio Vilela, o think tank do PSDB.

Humilhado, Serra engoliu um cargo honorífico no Conselho Político do partido, um enxerto criado pela Executiva Nacional, mas no qual, ainda assim, seria minoritário.

A partir de então, experimentaria a mesma ração de fatos consumados e menosprezo que dispensara ao oponente em 2010.

Braço direito de Aécio Neves no Senado, o impoluto Cassio Cunha Lima, distribuía patadas em seu nome dirigidas diretamente ao estômago de Serra.

Em outubro do ano passado, enquanto Serra se comportava como se ainda pudesse pleitear a candidatura tucana ao Planalto –ou mudaria para o PPS, sugeriam seus ventríloquos na mídia– Cunha lima desembarcou em São Paulo.

O emissário de Aécio conversou com FHC, Geraldo Alckmin e outros graúdos bicos curtos e longos.

Não procurou Serra. E ainda disparou um recado recebido com espanto pelas viúvas do ex-governador na mídia:

‘Não vamos mais repercutir o que Serra diz. A imprensa que faça isso. Deixa ele falar, nós vamos ignorar’ (revista Veja; 25/10/2013).

Serra ouviu e registrou em sua volumosa agenda mental encapada com o ditado: ‘a vingança é um prato que se come frio’.

Dois meses depois, 48 horas antes de Aécio lançar sua bisonha ‘cartilha’, na qual não mencionaria uma única vez o pré-sal nos 12 pontos que comporiam suas propostas de governo, Serra retirou o prato da geladeira.

E disparou um artigo na ‘Folha de SP’, em 15/12/2013.

O tema: o consumo de drogas.

O primeiro parágrafo: ‘O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014’.

Desde então, aconselhados por Fernando Henrique e o pelotão dos ‘interesses maiores’, os desafetos baixaram os punhais. Uma trégua acomodatícia foi costurada pelos seguidores dos dois lados com a linha grossa da conveniência.

Aécio trouxe o braço direito de Serra, Aloysio Nunes, para ocupar a vaga de vice em sua chapa. Serra recolheu-se à disputa por uma cadeira no Senado, com a promessa de um ministério, se Aécio for eleito.

As farpas refluíram; parecia que o PSDB cicatrizaria as profundas fendas internas.

Até que no 17 de julho agora, uma quinta-feira, surgiu a notícia da defecção de um serrista graúdo afastado de um cargo de confiança na campanha de Aécio.

Xico Graziano, conhecido pela mão pesada com que exerce a fidelidade aos próprios interesses, foi defenestrado do pomposo cargo de ‘chefe da estratégia de redes’ da candidatura Aécio.

Nos bastidores afirma-se que Xico Graziano perdeu o posto por uma questão prosaica: incompetência.

Seu projeto de site de campanha teria sido avaliado como um fiasco pela cúpula da candidatura.

Depois se soube que um outro site já estaria pronto e seria lançado em seguida.

Quem supervisionou o trabalho paralelo e empurrou Xico para a ladeira da campanha foi a irmã do mineiro, Andrea Neves.

Três dias depois do episódio, no domingo, a ‘Folha’ estamparia a denúncia do aeroporto construído por Aécio na fazenda do ‘tio Múcio’, com gastos de R$ 14 milhões do tesouro de Minas Gerais.

Na série de escaramuças desse histórico pode ser um ponto fora da curva.

Uma desprezível coincidência.

A ver.

sábado, 5 de julho de 2014

Candidatura Aécio Neves, um incesto entre fratricidas?






Por Sergio Saraiva, no blog do Nassif


Com apoios problemáticos e sob a má influência de Serra, Aécio inicia a fase oficial da campanha para a presidência da República com o PSDB isolado e dividido.

Definidas as chapas que concorrerão às eleições de 2014, é possível ver-se melhor o quadro político atual. Nele, o PT nacional formou um gigantesco bloco partidário de apoio, o PSB não conseguiu projeção nacional com sua união ao Rede, que começa a fazer água, e o PSDB, o principal partido da oposição, está velho, dividido e isolado.

Com respeito ao PSDB, sintomático disso é sua chapa "café com leite" para as eleições presidenciais de outubro de 2014 – Aécio e Aloysio - é um mau sinal para o partido.

No nosso modelo político, a existência de uma chapa formada por um único partido quase sempre é uma demonstração de fraqueza. Mais ainda, conhecendo-se a relação entre os PSDBs mineiro e paulista, sua união nestas eleições soa quase um incesto entre fratricidas.

O que os levaria a tal pecado?

Não, não é uma tentativa de finalmente unir o partido. É antes mais um fruto envenenado de sua divisão de sempre. 

Só e mal acompanhado.

É certo que o PSDB não atraiu grandes nomes para o seu lado: Paulinho - ”discurso calibrado” da Força e o seu Solidariedade. Paulinho pode ser da Força, mas não há garantias que a Força seja de Paulinho, já que sindicalistas dessa central de trabalhadores apoiam Dilma. Trouxe também o PTB - ”suguem mais um pouco” - mas só trouxe a parte de Roberto Jefferson. Aécio segue a tradição fernandina de permitir que a arrogância lhe saque bobagens da boca. E, por fim, recebeu o apoio do DEM de sempre.

Não é lá muita coisa, mas ao menos o DEM poderia compor ainda que simbolicamente, o papel que lhe resta, uma coligação. Mas não, vai PSDB com PSDB.

E a razão disso é a divisão interna. E essa divisão tem um nome: José Serra.

Um incesto entre fratricidas?

A ausência de Serra seria um grande apoio ao PSDB, mas mais uma vez ele forçou a sua presença em uma eleição. Se eleito senador, seu foco muda imediatamente para 2018. E José Serra não perdoa, nem perde as esperanças, já está fazendo o que pode para minar Aécio e Alckmin.

Com sua candidatura ao senado, impediu uma coligação estadual paulista com o PSD e obrigou Alckmin a buscar apoio no PSB, ampliando para São Paulo os problemas que Aécio e Eduardo Campos já cultivavam em Minas.

Alckmin foi obrigado a dividir o palanque com um adversário de Aécio que dificilmente apoiará este em um ainda hipotético segundo turno. Aliás, se Dilma e Alckmin vencerem, Aécio e Alckmin passam a ser adversários diretos dentro do PSDB. Como Aécio não passou até agora dos 20% de intenção de voto, ideias podem estar surgindo na mente de um Alckmin precavido.

José Serra é um paradoxo, não se explica, após três derrotas seguidas, como tenha ainda tanta força dentro do PSDB. Aloysio Nunes parece ser a pessoa interposta por José Serra na chapa de Aécio dada a inviabilidade de ser ele próprio o candidato a vice. Se é que um dia Serra desejou realmente ser vice de Aécio. Essa pretensão manifestada sempre teve mais jeito de bode na sala.

Mas Aloysio é um nome que deveria ser evitado. O vídeo em que ele ofende e agride o blogueiro Rodrigo de Grassi já seria o suficiente para inviabilizá-lo. Mas é muito pior, Aloysio é um nome facilmente associável ao escândalo do propinoduto Metro-Siemens, quando não pelas acusações de pessoas envolvidas ou mesmo indiciadas pela Polícia Federal, por simplesmente ter retirado seu nome da CPI que investigaria o caso.

Não é uma exclusividade de Aloysio, o PSBD sai em Minas de Pimenta da Veiga e seus inexplicados 300 mil reais valerianos e em São Paulo com José Aníbal, na vice de Serra, eAndrea Matarazzo de coordenador. Ambos investigados no mesmo escândalo que Aloysio Nunes.

Nunca o PSDB necessitou tanto da lentidão da Justiça e do manto da invisibilidade da grande imprensa.

Mas, de qualquer modo, Aloysio Nunes é uma bomba-relógio com seu temperamento e com suas ligações perigosas. Aécio comprou um problema que não era seu. Logo, que Aécio o tenha aceitado como vice só demonstra o quanto o PSDB não tem nomes alternativos de peso, e ainda está influenciado e dividido por Serra.

E Serra é como o pássaro cuco, mata seus irmãos no ninho. 

Logo, para Aécio, seria melhor estar só que mal acompanhado por Serra. Batalhou por isso e a presença de Aloysio na chapa é a prova de que não conseguiu tal feito. Mais uma vez, não foi desta vez que um candidato do PSDB à presidência conseguiu unir o partido.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Fim de semana





Gente!!!!!! Não é brincadeira ou pegadinha. É o poder....


O fim de semana do caos

Meu Deus, quantos problemas tivemos nesses dias em amigos queimadenses? 
Na sexta-feira, no boteco do gás, um jovem ensandecido chega ao local gritando suas verdades absolutas e em defesa de uma suposta cunhada... Atira copos em médicos trabalhadores e cadeiras voam para todos os lados! Não satisfeito, ainda grita e ofende policiais na tentativa insana de aparecer... Porque sua finalidade maior é e sempre será aparecer!!!

Talvez uma melancia na cabeça, uma camisa azul e um arrocha com sua voz magnifica, faça bem mais sucesso e não resulte numa noite nas celas da cadeia pública de nossa cidade! Brincou com quem não conhecia, deu nisso!!!!


No sábado, tiros ecoam aos quatro ventos aos redores do campo de aviação! Uma criança baleada e mais quatro presos para a cadeia de queimadas! Superlotação? Nada... O cantor de arrocha já tinha saído a pedido e ordem da autoridade maior do nosso município, alvo de injúria por um blogueiro famoso nas bandas de cá!

Domingo, uma fazenda glamurosa serviu de cenário para uma festa de formatura repleta de carros e jovens animados. Muita bebida, comida e confusão. Mesa serviu de palco para shows de dança e streptease, cotoveladas saíram para todos os lados, expulsão de convidados pelo dono, carros arranhados e pertences diversos roubados.

Além disso dizem as mas línguas que na montagem da festa eram 33 grades de cerveja e quando os freezeres foram abertos só tinham 30. Será que o judeu que alugou a fazenda, por 1000 reais, sabe onde foram parar as 3 grades que sumiram? Tudo foi uma maravilha!!!!

O que vale observar é que parece que o povo do atual prefeito (seus correligionários) estão em definitivo surto psicótico! Porque os personagens principais de todas essas histórias reais saíram da realeza nobre e lisa.

Está acontecendo alguma coisa que eu não estou sabendo nos corredores da prefeitura? Porque na minha secretaria de educação está tudo azul, ainda mais com o desapego explícito de dinheiro praticado pelo nosso secretário que doou a prefeitura a bagatela mensal de 5.000 mil reais pelo aluguel do novo prédio que funciona próximo a velha e acabada estação! Nós professores, estamos pensando em fazer um altar para o nosso santo secretário, um ser humano tão desapegado de dinheiro. E que sirva de exemplo!!!!

Amigos, demorei de publicar porque estava doente e de atestado médico verdadeiro! Mas a partir de agora muita coisa vou relatar e observar!!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Divergencias de ideias

Fernando Henrique Cardoso, de acordo com a colunista Dora Kramer do Estado de São Paulo, é o cunhado que José Serra, o candidato do PSDB à Presidência da República e parte dos tucanos, querem ver pelas costas. Na verdade, o que ela deixa nas entrelinhas é que há ma “briga de foice” interna no partido entre os que querem e os que não querem Fernando Henrique na campanha de Serra.
Acredito que em qualquer família existam as divergências. É não só natural, mas saudável. Este é o processo democrático. È o exercício diário da cidadania. Mas vamos entender que no caso de Serra versus FHC, ou melhor, a disputa interna dentro do PSDB pela não herança maldita do governo FHC passou dos limites do tolerável.
Não sem razão Serra vem despencando nas pesquisas (com exceção do Datafolha, instituto do arquiinimigo de Lula, Otávio Frias dono do jornal partidário Folha de São Paulo). Dilma, na última pesquisa Vox Populi está com 31% e Serra com 34%. Pois bem, eu também tenho um irmão (e não um cunhado) que me serve de contraponto pela sua sanha em desmerecer, Lula, o PT e, em especial, Dilma Russef.
Não, não me perguntem se ele é leitor de Veja. O é sem a menor dúvida. Mas não é a Veja quem faz sua cabeça. Ele já nasceu assim. Um direitista puro e ingênuo que é contra a corrupção e o estado totalitário. Contra o ACM (enquanto vivo), FHC, José Agripino Maia e outros nomes do DEM. Mas isso não o impede de recitar a cantilena da Veja, do Jornal Nacional e congeneres.
Para ele, Hugo Chávez, os irmãos Castros e os presidentes da Bolívia, Equador e Irã não passam de ditadores de quinta categoria a assombrar o mundo civilizado. Dilma, então, é uma terrorista, Lula um corrupto e o PT um conglomerado de vagabundos. O Bolsa Família, ah! este aí é o bolsa vagabundagem e os acertos o governo Lula apenas a continuidade dos programas de Fernando Henrique Cardoso.
Sequer acredita meu irmão que a inflação deixada no último ano por Fernando Henrique Cardoso tenha ultrapassado os 13% e, que se tomado por base o IGP-I poderia chegar aos 65% (no ano) caso Lula não tivesse reagido ao terrorismo econômico levado a cabo por FHC e os tucanos mais radicais com o objetivo de inviabilizar o governo petista.
Este é meu irmão que sonhou votar em Marina Silva, mas já desistiu por recear que seu voto possa salvar a derrota de Serra. Não gosta de Fernando Henrique Cardoso. E não poderia ser diferente. Afinal, o príncipe dos sociólogos o taxou de vagabundo (já tinha se aposentado) e arrochou os salários do funcionalismo público federal. Era funcionário do INSS.
Mas ele tem salvação e disso eu tenho certeza. Pode até não votar em Dilma (acredito nisso), mas, em um futuro bem próximo enxergará com outros olhares esta mulher que é pura coragem, competência e honestidade. E reconhecerá que ela é a pessoa certa para substituir o melhor presidente que este País já teve.
E sabem por que tenho esta certeza? Por que isso ocorreu com meu pai, Analdino Brito de Andrade. Não que tenha sido um direitista. Militou por anos no PSD, foi eleitor de Waldir Pires (candidato ao Governo da Bahia, em 1962), mas tomou-se de amores pelos ditadores de plantão num escorregão histórico que não chegou a manchar sua biografia.
Lembro-me que nos piores momentos da ditadura, quando Médici era endeusado por esta mesma mídia que ataca Lula, os Direitos Humanos e a Liberdade de Imprensa, chegou a dizer que ele (Médice) era o presidente mais popular da história deste País. Em resposta disse: aguarde o retorno das liberdades públicas, a redemocratização do País e verás que este não passou de um ditador sanguinário endeusado pela mídia.
E não deu outra. Pois bem, Analdino se tornou um “lulista” de mão cheia e votaria em Dilma, aos 89 anos que completaria em julho, se Deus não o tivesse chamado três anos atrás. Por isso creio que meu irmão herdará a clareza que ele nos legou, com mais força, do que a nós seus sete irmãos. Tardia, como a de meu pai, mas bem vinda como a dele. Haverei de vê-lo nos nossos convescotes defendendo os governos populares democráticos latino-americanos; a causa dos Palestinos e de todos os povos esmagados pelas ditaduras dos impérios. E não há de ser longa esta espera.