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segunda-feira, 19 de abril de 2010

A terra de ninguem

Domingo (18)às 14:30 horas parei em Valente à procura de um eletricista de auto. O carro em que viajava apresentou um problema (partiu-se o cabo que liga todo sistema elétrico ao distribuidor o que descarregou a bateria e pôs em pane todo o sistema elétrico, inclusive, a injeção de gasolina). Graças a uma boa alma (Zé Nilton, este seu nome, e aqui fica meu agradecimento) que me viu no posto procurando um especialista e se dispos a verificar o problema pude continuar a viagem uma hora depois para Salvador.
Mesmo sendo domingo estranhei a movimentação de caçambas que a todo momento passavam carregadas de barro, terra vegetal e outros materiais. Questionado, Zé Nilton explicava enquanto consertava o carro: “A prefeitura está refazendo todo o piso e o gramado do estádio municipal”. Pus-me a pensar: Valente, se comparada a Queimadas é um município novo. Enquanto Queimadas foi emancipado no século XIX, Valente só em meados do século XX. No entanto, ah! Este no entanto, Valente está a anos luz de Queimadas em termos de desenvolvimento regional, de formação de dirigentes políticos, sindicais e empresariais.
Podemos afirmar, inclusive, que é a cidade modelo de nossa área. Mas voltemos as caçambas. Se chegarmos em Queimadas qualquer dia da semana, o que vemos? Absolutamente nada. Não há uma obra, sequer um projeto. É o abandono. Um crime que se comete de forma organizada, pensada e, diga-se, bastante aplicada.
Falta de recursos? Não. Falta de caráter de nossos homens públicos. Cassados pela Justiça, mas surpreendentemente no poder o atual prefeito e o vice, que também é o Secretário de Finanças se esbaldam no nada fazer à espera de um decisão definitiva que os apeiem do poder que alcançaram de forma fraudulenta, segundo o colegiado do Tribunal Regional Eleitoral que, por duas vezes, em processos distintos, cassou os seus mandatos.
Estive a andar, durante a manhã de sábado, pela feira. A queixa era uma só. Dos feirantes, comerciantes e dos consumidores: “não há dinheiro, está tudo parado. Esta é uma terra sem homens, sem leis e entregue à própria sorte”, lamuriavam.
E não responsabilizem as chuvas pelo estado das estradas. É incúria pura e simples. As pessoas da zona rural não teem mais o que fazer na sede do município e procuram outras praças para adquirir produtos de necessidade básica, procurar médicos e outros profissionais. Não há como viajar 54 quilometros numa buraqueira infernal de Queimadas à Espanta Gado quando Ponto Novo está distante apenas 18 quilometros.
O mesmo se pode dizer dos moradores do Riacho da Onça (34 quilometros). As estradas estão intransitáveis. E o que fazem os gestores? Desaparecem da cidade escondendo-se em outras praças para evitar a reação da população. Enquanto as caçambas trafegam num domingo em Valente é sinal que seus gestores trabalham, e muito. Em Queimadas, sobra o silencio dos motores e de sua população que assiste a tudo sem reação.
Infelizmente, uma conclusão nos parece óbvia: Parece existir uma aceitação por este estado de total falta de ação do governo municipal. Há de se perguntar: os empresários, as associações de classe (CDL, por exemplo), de trabalhadores (Sindicatos e Associações), entidades como as Igrejas, Maçons, enfim a sociedade dita organizada estão acumpliciadas com este estado de coisa?
Porque a verdade é que ninguém, a não ser a oposição política e este humilde blog denunciam a catástrofe que este governo do nada fazer está levando o município. O que precisam para despertar para o protesto. Que a cidade feche? Pois não vai demorar muito se este estado de abandono, de politicagem de rapina continuar por mais tempo. Acorda Queimadas, porque a Justiça pode não falhar, mas tarda. E como.