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sábado, 28 de dezembro de 2013

Pensamentos repetidos

COLUNA DO SERTANEJO

(Coletânea de artigos próprios, de Jornais, Revistas, Publicações, livros etc).

Ano 01 – Salvador, 24deoutubro de 2013.


“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda e como recorda para contá-la”.
Gabriel Garcia Marques

Por William Brasil

O homem encontrou o cão e pensou: “Isso é um cão”. O cão encontrou o homem e pensou: “Isso é um homem”. Ambos pensaram errado. O homem que viu o cão não percebeu que o cão não era cão, mas cadela. E a cadela que viu o homem não percebeu que o homem era mulher.

A mulher seguiu caminho e logo esqueceu que vira um cão, que afinal não era cão, mas cadela. E a cadela também seguiu caminho e logo esqueceu que vira um homem, que na realidade não era homem, mas mulher.

A mulher logo adiante viu um sinal no céu e pensou: “Vai chover, vou para casa”. A cadela nada viu no céu, mas pensou: “Se chover, não tenho para onde ir”.

Acontece que a mulher não chegou a ir para casa. A bala perdida a atingiu, ela perdeu sangue antes de perder a vida. A cadela, que não tinha o que perder, perdeu a liberdade, foi presa pela carrocinha da prefeitura. E, tendo perdido a liberdade, perdeu a vida, sacrificada onde os animais sem liberdade perdem a vida porque nada têm a perder.

Moral (ou imoralidade da fábula): pensar atrapalha a vida, seja do homem ou da mulher, seja do cão ou da cadela. Nem adianta pensar com as mesmas palavras, repetindo-as com ou sem sentido. Muito menos pensar com pensamentos, que pensam por si mesmos e não dependem de um homem, de uma mulher, de um cão ou de uma cadela para pensar.

Machado de Assis fez um cão pensar. Pensava mais que o dono, que pensava errado ou simplesmente não pensava, recebia ordens. Nas historinhas infantis, os cães pensam e as crianças pensam que os cães pensam engraçado.

A lei do estilo proíbe a repetição de palavras e pensamentos. A lei sem estilo nada proíbe, porque tudo já está proibido. Apesar das leis, todos pensam que os outros pensam. Por isso, o homem encontrou o cão e, em vez de não pensar, pensou: “Isso é um cão”. E o cão pensou: “Isso é um homem”.


Acorda Queimadas. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Postura, vereador.

              Respeito se conquista. E esta conquista se baseia, essencialmente, nas ações que empreendemos ao longo de nossas atividades, independentemente quais sejam elas. Conheço garis, vaqueiros, cozinheiras, auxiliares de limpeza entre dezenas de outros profissionais que tem mais dignidade e, com isso, respeito, do que muitos empresários, profissionais liberais e políticos. Este último tão carente ultimamente no País de uma maneira geral, mas, em especial, em Queimadas.
            O vereador Régis da Ambulancia é um dessas figuras emblemáticas. Calcou sua vida política por meio enviesado: utilizava-se da profissão, motorista de ambulância, para fazer política. Isso, claro, às custas da Prefeitura que não lhe deu qualquer autorização para este mister, mas facilitava a sua pregação mesmo que sua pregação fosse contra o mandatário da vez.
Não afirmaria que, por utilizar-se do serviço público para fazer campanha em proveito próprio com recursos públicos, este vereador neófito na Casa do Povo venha a ser desprovido de moral. Diria no máximo que este vereador cometeu um deslize, este, sim, moral. Durante os tristes eventos de hoje pela manhã na porta do Hospital dr. Edson Silva querendo aproveitar-se da confusão lá estava ele perambulando por grupos.
Incapaz de pedir calma aos pacientes e populares que lá estavam revoltados e protestando quanto a falta de médico, ou de requerer a imediata presença da Secretária de Saúde para solucionar o impasse, preferiu as conversas de “pé de ouvido”. Numa delas, ao perceber a presença do jornalista e editor deste blog comentou: “este aí não tem moral para estar aqui em frente ao hospital. Quando secretário, nada fez”.
Mesmo informado de suas palavras ofensivas fiz uma entrevista com o vereador em que ele criticou a atual gestora da Saúde, Indira Sales e o prefeito Tarcísio “Liso” Pedreira. Disse, inclusive que a secretária não tem preparo para gerir a pasta e, portanto, deve ser exonerada, e que o prefeito perdeu o rumo da administração municipal.
Todo o material registrado foi publicado no facebook e no blog sem que fosse alterada uma vírgula, sequer, do que declarou. No entanto, foi incapaz de criticar o entrevistador, pelo seu período como secretário de Saúde e, muito menos, teve coragem de dizer que eu não tinha moral.
Para surpresa, o vereador, um notório “papagaio de pirata” que se aproveita de qualquer movimento para aparecer, deu uma entrevista a “Rádio Queimadas FM” e, novamente, declarou que eu não tinha moral para estar em frente ao Hospital durante os tumultos ali verificados.
O vereador Régis da Ambulancia ou qualquer outro que compõe a atual legislatura pode e deve tecer qualquer crítica a gestores e ex-gestores, inclusive, a jornalistas. É o seu papel fiscalizar e criticar aquilo que considera errado. Mas ele tem seu espaço próprio que é a Casa do Povo. Pode ainda recorrer ao próprio blog caso, considere prejudicado e exija o Direito de Resposta. Mas ninguém pode e deve agir como moleque de rua ou defronte um microfone para atacar a honra de quem quer que seja.
Isso é papel de quem não tem amor próprio, não se respeita e não conhece os limites de suas responsabilidades. Um político é eleito para atender as demandas populares. Para buscar mais verbas e equipamentos para a Saúde, por exemplo. Não é para criticar de forma leviana a tudo e a todos na Tribuna da Casa e, às escondidas, estar nos gabinetes de secretários com dezenas de pedidos para exames para seus eleitores.
Qualquer vereador deveria, mas muitos parecem não ter, consciência de que atendimento público na Saúde ou em qualquer outra área da prefeitura, é um direito de todo cidadão. Porque é desta forma que a cidadania é exercida. Promover favor político para uns poucos é desvirtuar o princípio da responsabilidade pública. É pedir para uns em detrimento da maioria.
Como secretário de Saúde na gestão passada é certeza de que devo ter cometido muitos erros. Da mesma forma que acertos. Mas minhas ações me permitem, andar de cabeça erguida aqui ou em outro lugar deste País. Isso lastreado em 37 anos de profissão em que a exerci com respeito, dignidade e coerência com os meus princípios. E um deles é a minha moral.
As críticas que faço no blog que edito e as republico no facebook se baseiam em fatos, jamais em ouvir dizer. As críticas que faço ao atual prefeito e a atual secretária são frutos dos desmandos de ambos, enquanto gestores. Não há cunho pessoal. Ambos são pessoas que conviveram longamente comigo. Mas Jornalista, já dizia um dos maiores profissionais da área, o americano Joseph Pulitzer*, não tem amigos. Por esta razão este blog é respeitado, inclusive, por seus adversários.  

·         Joseph Pulitzer criou um dos maiores prêmios jornalístico do mundo conferido a jornalistas que publicam material de nível excelente.